Primeiro Jantar dos Novos Povoadores no Baixo Sabor

Por iniciativa do mais recente novo povoador na região do Baixo Sabor, realizou-se ontem um jantar em sua casa com os restantes migrantes daquela área para comemorar a existência desta iniciativa.

Para chegarmos a este estágio, há rostos que foram decisivos e que importa relevar.
À Fundação EDP, nas pessoas de Isabel Ferreira Marques e André Habler Rente que dedicaram centenas de horas do seu trabalho para viabilizar o arranque da iniciativa, numa organização coordenada por Sérgio Figueiredo que confiou no êxito do projecto.
À Câmara Municipal de Alfândega da Fé, na pessoa da autarca Berta Nunes, que aceitou o desafio e o risco de implementar o primeiro piloto, numa fase em que pouco saberíamos como poderia decorrer, e à Associação Leque na pessoa da sua líder Celmira Macedo pelo apoio nos momentos mais complexos.
Às primeiras famílias, que aceitaram a nossa colaboração para o desenho do seu projecto migratório, e a muitas outras que partilharam connosco os seus erros e experiências e que revelaram-se fundamentais para aperfeiçoarmos o programa.
À comunicação social que tem divulgado o nosso trabalho e sabido compreender que os processos de inovação social são implementados por tentativa e erro, e que existem contratempos que fazem parte do processo.

Por fim, e não menos importante, ao Instituto de Empreendedorismo Social, que tem apoiado a capacitação dos autores do programa, estabelecido redes com outras iniciativas e disponibilizado ferramentas que nos permitem avaliar em permanência o impacto social e económico da nossa intervenção.

Em breve anunciaremos a data dos próximos Encontros da Primavera em Lisboa e no Porto, oportunidade para esclarecermos as dúvidas que possam existir sobre o programa para aqueles que pretendem instalar empresas nos meios rurais em Portugal.

A todos, o nosso MUITO OBRIGADO!

Frederico, Alexandre e Ana.

Casas Transportáveis: Uma opção viável?

Viver numa casa transportável é uma ideia sedutora, num período de estagnação imobiliária.
A mudança de emprego, o reagrupamento familiar ou a simples necessidade de mudar de vizinhos, transforma estas casas numa opção a considerar.

Existem vários construtores portugueses de casas transportáveis: Modular System; Casas em Movimento; Casa Automática; Jular; Uchi

Mas - há sempre um "mas"! - habituados a uma casa de construção tradicional, é natural e legitimo que se coloquem algumas dúvidas adicionais.

Os fabricantes destas casas não dispoêm de exemplares para test-live e a maioria dos lodges disponíveis para o arrendamento diário não têm dimensões ou isolamento térmico com as características das ofertas disponíveis para habitação permanente.

Atento a esta fragilidade, José Caramelo, ex colaborador de uma empresa tecnológica e promotor da Casa Automática, decidiu colocar as mãos à obra e construir uma casa transportável para arrendar a potenciais interessados.
Em São Teotónio, concelho de Odemira, ergueu a primeira casa.
O exterior não denuncia o conforto e a eficiência do seu interior.
Em 45 m2, o T1 tem um quarto com boa arrumação, uma casa de banho de dimensões normais e uma pequena kitchinet. A sala de estar tem 22 m2.
A proximidade a Zambujeira do Mar e a simpatia da família Caramelo são o complemento para o êxito desta experiência de uma vida mais nómada.

Esta família migrou de Carcavelos para Odemira em Janeiro de 2014.

Informações e reservas pelo nr de telefone 961 624 226 ou josecaramelo@gmail.com

Mais informação em CMTV

Ano novo, Vida Nova!

A atractividade do mundo rural vive os melhores dias.

O período de maior instabilidade económica que assola o país provocou o despertar de interesse com as oportunidades nos territórios de baixa densidade.

O Programa Novos Povoadores surge para potenciar essas oportunidades e apoiar a migração de famílias e negócios para o interior. Este processo, necessariamente lento, implica mudanças substanciais nos hábitos familiares e coloca novos desafios na esfera profissional. A metodologia desenvolvida visa assegurar um planeamento sustentável da migração nas dimensões social, familiar e profissional.

O sucesso do projecto migratório depende da motivação e do planeamento dos candidatos.

Se é verdade que a economia de base digital veio transformar a ruralidade, as oportunidades que daí nascem carecem todavia de uma matriz para a sua descodificação. Neste capítulo, o Programa identifica alguns aspectos chave que ajudam a definir o projecto migratório: não adianta duplicar investimentos existentes; o mercado local é residual e resistente à entrada de novos actores.

Existe uma multiplicidade de estruturas subaproveitadas que urgem aproveitar, em nome da sustentabilidade das regiões.

O desafio que lançamos aos nossos candidatos consiste em subir na cadeia de valor dos recursos existentes, numa lógica de complementaridade. Em Alfândega da Fé, por exemplo, a cereja é paga a menos 1€/kg e os bombons artesanais de cereja são vendidos a 30€/kg. Uma valorização de 3700% sobre um produto endógeno, a que acresce o licor, o chocolate e a mão-de-obra local. Para isto, é necessário transformar uma cozinha municipal em “cozinha partilhada”. Cada munícipe que a pretende usar paga uma taxa, e pode comercializar os seus produtos certificados.

Todos beneficiam do licenciamento da cozinha.

Para outros sectores profissionais, como os serviços remotos às empresas, as bibliotecas municipais dispõem de diversas áreas que podem ser exploradas para apoio aos novos empreendedores.

Principais sectores de actividade em territórios de baixa densidade: Transformação Alimentar; Agricultura; Apicultura; Upcycling; Serviços Remotos às Empresas; Residências de Artistas; Glamping

Informação complementar e exemplos em http://novospovoadores.pt/oportunidades/

Prevenir a sustentabilidade de todos os intervenientes é a missão subjacente à implementação do Programa Novos Povoadores. O cenário de contenção em que vivemos obriga a maior prudência na hora de investir e cremos que o meio rural pode ganhar outro estatuto no contexto de uma economia responsável.

Importa aplicar princípios de sustentabilidade e eficácia aos recursos públicos, para ampliar o nr de beneficiários com esta nova oportunidade de vida em meio rural.


in Revista Agri, Alexandre Ferraz, Coordenador na Área dos Territórios no Programa Novos Povoadores
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