Novos Povoadores

Apoiamos familias metropolitanas a instalar negócios em territórios rurais

Pretende dinamizar um projecto turístico no interior?

A Turismo Fundos lança a 2ª fase de candidaturas ao Programa de Investimento em Territórios de Baixa Densidade, com condições mais vantajosas das operações de investimento imobiliário, tendo em vista a dinamização do investimento, através da valorização económica de ativos imobiliários afetos ou a afetar a atividades do setor do turismo, bem como a promoção do desenvolvimento e sustentabilidade das economias regionais.

As operações de investimento imobiliário concretizam-se mediante:

• A aquisição, por parte de um dos Fundos de Investimento Imobiliário sob gestão da Turismo Fundos, da propriedade, direito de superfície ou outros direitos de conteúdo equivalente, sobre imóveis que preencham os requisitos enunciados no Regulamento, permitindo dotar as entidades proponentes dos meios financeiros necessários à valorização económica desses imóveis;
• A celebração com a entidade proponente de um contrato de arrendamento com opção de compra, simultaneamente com a aquisição do imóvel.
São enquadráveis os investimentos em obras de adaptação, ampliação e/ou requalificação dos imóveis adquiridos.

Para mais informações, contacte-nos através do email info@novospovoadores.pt ou pelo nr telefone +351 271 82 80 82

A ruralidade tem futuro?




O passado já passou. Vivemos um presente cheio de dificuldades.

Para quê?
Qual o futuro que desejamos para o mundo rural?
Estará a ruralidade condenada a ser um Museu daquilo que já foi, em consonância com o pensamento dominante entre a população urbana?

Ou, pelo contrário, será capaz de responder mais depressa e melhor aos novos desafios da sustentabilidade ambiental e económica, tão desejada pela população citadina para as suas cidades?
Se sim, o que precisamos de mudar?

A PERCEPÇÃO

Falar de "ruralidade" nas cidades é quase sempre um apelo à memória.
Vezes sem conta saiem ditados rurais com associações à fome e à sobrevivência que os aldeões já esqueceram.

No campo, ruralidade é sinónimo de despovoamento, provocado pela falta de emprego.
A agricultura de minifúndio não tem sustentabilidade económica e a indústria não chegou à maioria destes territórios.

Cresce pela Europa uma nova indústria baseada em sustentabilidade ambiental e focada nas novas necessidades do mercado: alimentação bio, vestuário e decoração com recurso a desperdício e matérias primas locais.
O burel, a castanha, o mel e o azeite são bons exemplos dessa revolução industrial que vai acontecendo na ruralidade portuguesa.

Hoje, o marketing assume uma importância maior que a produção.

Não interessa produzir com "qualidade", se o resultado final não corresponde com a demanda do mercado.
O IKEA não vende os "melhores" móveis. Mas responde às necessidades de design ao preço que os seus clientes conseguem pagar.

Hoje, o factor diferenciador para o sucesso de um negócio não é o capital, a qualidade dos recursos humanos ou a tecnologia.
Reside no conhecimento do mercado.
Quem conhece o mercado vende mais e melhor. Tira proveito dessa informação para melhorar os processos produtivos e sabe quando, onde e como vai vender os seus produtos.

A ruralidade precisa destas industrias, focadas nas novas necessidades dos seus clientes.
Só assim poderá crescer, e com isso criar mais e melhor emprego.
Com isso combate o despovoamento rural.

Por Frederico Lucas

“Para que as pessoas visitem um lugar precisam de ter o que ver, o que comer e o que comprar, mas agora é também imprescindível ter o que experienciar”

“Para que as pessoas visitem um lugar precisam de ter o que ver, o que comer e o que comprar, mas agora é também imprescindível ter o que experienciar”, é assim que Paulo Silva, um dos donos da TransSerrano, fala da experiência de viver o turismo.
Quem procura a TransSerrano, vai encontrar uma empresa dinâmica, a trabalhar em Góis, mas que dá a conhecer todo o país. É um projeto de turismo aventura, de paixão por uma região e do desejo de mudança de vida de Paulo Silva que, em 1999 quis sair de Lisboa para viver no meio rural. Com a mulher, escolheu Góis e a serra da Lousã, pela natureza, mas também por se manter relativamente próximo dos centros urbanos.
Quando se mudou, não tinha uma ideia completamente definida, mas sabia que queria criar algo ligado à animação turística e ao desporto aventura. Quando definiu o conceito, a autarquia de Góis foi a primeira a apoiar a sua ideia e, pouco tempo depois, uma candidatura a um investimento europeu deu o empurrão necessário para comprar as canoas para a primeira atividade.

Existem 3 áreas de negócio distintas, com um diferencial de inovação em cada uma:
1 – Na animação turística, associou o desporto aventura a atividades culturais e etnográficas. Incorporou os produtos e as tradições da região em programas de experiência e animação. Por exemplo, o “souvenir” dos passeios TransSerrano é sempre um produto regional: castanha pilada, pão, azeite.
2- A agência de viagens organiza sobretudo passeios com seniores.
3- O Parque de Campismo é um espaço de referência, onde a empresa faz questão de manter um atendimento personalizado. São 14 mil pessoas por ano a fazer atividades no concelho.
O trabalho é sempre constante e não há época baixa nem alta, porque no verão o desporto aventura é o mais requisitado, mas os passeios de turismo sénior funcionam o resto do ano.

Gois está na fronteira entre o mundo urbano e o mundo rural, no eixo Lisboa-Porto e, por isso, numa localização excelente e num diálogo constante entre mundos. Há muito potencial em toda a região. A prova é que a empresa é hoje muito maior do que há 20 anos. Paulo Silva, termina a conversa, em jeito de desafio: “um projeto de hotelaria e um parque temático são duas oportunidades imensas em Góis. Há condições para redes de parques que já funcionem e que conheçam bem o seu segmento. Isto é um convite às redes de parques temáticos para virem conhecer Gois. A TransSerrano está completamente disponível para se associar a boas ideias.”

Por Suzanne Rodrigues

Salão Imobiliário e de Turismo de Portugal em Paris

Realizou-se nos passados dias 18, 19 e 20 de Maio a sétima edição do Salão Imobiliário e do Turismo de Portugal em Paris, no Centro de Exposições da Porta de Versailhes.

Este evento anual tem atraído bastantes franceses que procuram oportunidades de investimento imobiliário em Portugal, especialmente numa lógica de rentabilização de capitais.

Quer as imobiliárias quer os escritórios de advogados têm aproveitado este certame para promover os seus serviços.

A componente habitacional foi a melhor representada, mas não a única.
Na área industrial e hoteleira, foram propostas diversas oportunidades de investimento produtivo nomeadamente em soluções para residências assistidas e transformação alimentar.

Os baixos custos imobiliários, a competitividade da mão de obra nacional, a tranquilidade social e a tolerância cultural e religiosa transformam Portugal num dos países mais apeteciveis para a instalação de empresas.

Por diversas vezes, os auditórios foram pequenos para o elevado nr de visitantes que optaram por assistir às diversas apresentações dos patrocinadores deste evento.

A APMRA esteve representada pela sua direcção, onde promoveu o guia de apoio ao investidor francês em Portugal Investir à la Campagne au Portugal, um instrumento que ajuda a identificar oportunidades de investimento no nosso país nos territórios aderentes a esta associação.

Para esclarecimentos adicionais sobre oportunidades de investimento em Portugal, poderá solicitar através do email invest@rural.pt ou pelo telefone +351 300 400 424 no horário compreendido entre as 9:00 e as 17:00 (GMT+1).

Movimento pelo Interior

Portugal vive um período particularmente difícil cuja principal atividade é a discussão: indústria da discussão.

A ausência de reformas estruturais promove custos incomportáveis para a economia nacional, visível no nível de endividamento externo, que aumenta incessantemente desde 1995. A gestão do território ocorre em duas dimensões, ambas inadaptadas ao contexto internacional: poder central e local.

Existe uma ausência de poder executivo intermédio.

Importa recordar que António Oliveira Salazar defendia o isolamento económico da nação, impedindo por isso que as empresas portuguesas atingissem dimensões competitivas a nível global. Passados 44 anos do 25 de abril, Portugal mantém a estratégia de autossuficiência visível nas várias capitais concelhias de produtos de consumo, maioritariamente alimentar.

Tal facto transforma Portugal numa maquete em grande escala das secções de supermercado.

Sair deste nó cego obriga-nos a observar os bons exemplos, nomeadamente os internos. Quando falamos do Vinho do Porto não estamos a referir-nos à cidade tripeira mas antes a toda a região duriense que compete taco a taco com as grandes regiões vinícolas da Europa. O mesmo acontece quando falamos de têxteis ou móveis, cujo músculo empresarial extravasa qualquer dimensão concelhia.

Por outro lado, alguém considerou que faria sentido definir o “interior” de Portugal como “cluster” do Turismo. Creio que se trata de uma estratégia com mais de 60 anos, época em que o despovoamento ainda era residual e o património edificado não concorria com a Idade do Alumínio e das Marquises, que degradou o ambiente estético desta enorme parcela do país.

Quando analisamos, por exemplo, a castanha, um produto promissor na alimentação dos europeus, verificamos que a região francesa de Ardèche tem uma estratégia territorial comum para esse produto. Essa região tem 5.000 km2 e 300 mil habitantes, uma dimensão semelhante ao território sob gestão das nossas Comunidades Intermunicipais.

Este é apenas um exemplo para ilustrar a minha visão para os polos de competitividade de Portugal Rural.
Precisamos dessas estratégias intermunicipais se queremos abandonar uma economia de mão-de-obra barata e pouco especializada. Para isso, reforçando aquilo que foi defendido por Pedro Lourtie no Movimento pelo Interior, precisamos de unir eleitos, empresários e investigadores numa estratégia intermunicipal comum.

Adicionaria, no entanto, a esta hélice tripla uma quarta dimensão: Sociedade Civil organizada.
Quem conhece o território rural sabe que as associações locais têm tanta ou mais importância que as empresas no desenvolvimento territorial. Sejam as Misericórdias ou as associações culturais, cuja ACERT é apenas um exemplo.
Bem sei que esta minha visão condiciona as estratégias senhoriais representadas na maioria dos 308 concelhos portugueses. Mas a mantermos esse modelo de gestão territorial manteremos os mesmos resultados que nos colocam na cauda da Europa.

Por Frederico Lucas

Valorizar uma região rica em gentes e paisagem!


As oliveiras alinham-se, centenárias, ao lado de uma vinha jovem plantada há 3 anos sob a orientação do enólogo Diogo Lopes e do proprietário José Saramago, português radicado na África do Sul com uma paixão pelo Alentejo.

Foi no Alvito que encontraram o terreno com os ingredientes necessários à história que sonhavam compor: terra, olival, vinha e património arquitetónico.

A vontade de investir em terras portuguesas, uniu-se ao amor por dois dos ícones da produção nacional: a vinha e a oliveira. A isto se juntou um terreno com um passado rico. Nasceu assim a Herdade de Mujadarém, no Alvito.

O projeto assenta em 3 pilares:

1. A produção agrícola, que se subdivide no vinho e no azeite. A parcela engloba 5 ha de olival e 15 ha de vinha onde será construída uma adega de raiz, um projeto arquitetónico contemporâneo integrado na paisagem. O primeiro azeite foi produzido em 2018. A primeira vindima será no ano seguinte e em 2020/2021 começará a comercialização do vinho;
2. A preservação do património arquitetónico, através da recuperação do antigo Convento de São Francisco e da consequente transformando do espaço em ponto de interesse turístico na região do Alvito. O convento vai ter ainda uma mata autóctone, apelidada de “mata dos reis”, que está a ser recuperada de acordo com apontamentos históricos;
3. À produção agrícola e ao património (convento e adega), irá ser acrescentada a vertente do Enoturismo, com a junção dos produtos da terra à reabilitação do Convento em unidade hoteleira.

O percurso nem sempre é o mais simples, mas a vontade de fazer, a possibilidade de investir e a presença eficiente e próxima da estrutura local, favorecem o desenvolvimento deste projeto.

Com um investimento inicial de 4 milhões de euros – valor que será duplicado com a reestruturação hoteleira – a Herdade de Mujadarém já recuperou um olival centenário, plantou uma vinha e criou mais de 15 postos de trabalho. A construção da Adega e a intervenção no Convento como futura unidade de turismo serão as jóias da coroa deste recanto “à beira Alentejo plantado”. O garante de um investimento que irá certamente valorizar uma região rica em gentes e paisagem.

Por Suzanne Rodrigues

Fogos Florestais: Como podemos ajudar?

As transformações sociais, ambientais e económicas que tem vindo a ocorrer no território rural são de uma enorme gravidade e extensão para a sustentabilidade deste. Porém, como ocorrem lentamente e são pouco mediáticas, não são tidas em conta na agenda política e social do país. É como se tivéssemos tido sempre este insustentável espaço agroflorestal repleto e de uma extrema continuidade de matos e disponível para arder.

Uma forma de, ao alcance de cada um de nós, atenuar efetivamente o impacto dos incêndios e reduzir significativamente os seus custos económicos, sociais e ambientais é potenciar as atividades económicas que gerem os matos e prestam outros serviços ambientais pouco ou nada valorizados pelos mercados.
Quais são afinal essas atividades?

São as atividades da agricultura, floresta e pastorícia não intensiva que utilizam o território como suporte das atividades produzindo com respeito pelo ambiente e sua sustentabilidade. E que por ser desenvolvidas em áreas marginais e de baixa produtividade não consegue competir no mercado pelo preço, pois os custos de produção são mais elevados comparativamente com os mesmos produtos produzidos em áreas intensivas. Porém aquelas atividades prestam serviços muitos relevantes à sociedade que esta não paga, tendo um papel muito importante na prevenção dos fogos, pois criam descontinuidade na paisagem e baixam o risco de incêndio e dão mais condições para a viabilidade da floresta e sustentabilidade no território rural.

Como podemos fazer para ajudar?

É comprando produtos e serviços associados as essas atividades, como consumir carnes de vaca, cabra ou ovelhas, principalmente de raças autóctones portuguesas, criadas em extensivo (ou seja, que pastam em áreas ao ar livre, não estão estabuladas), consumir produtos locais contribuindo para melhorar a rentabilidade das atividades que preservam e asseguram a gestão e a valorização do espaço rural, com sejam a produção de castanha, de pinhão, de azeite, de amêndoa,…; optar por produtos de tenham na sua composição matérias-primas de origem natural, como a resinas dos pinheiros, a cortiça, a fibras de madeira; realizar visitas ou turismo no meio rural, realizando visitas e jornadas de lazer, dormidas, refeições nesses territórios, comprando os produtos e serviços produzidos localmente…

É importante acreditar que todos nós podemos a ajudar a enfrentar este problema para bem da nossa e próximas gerações.

Duarte Gomes Marques, engenheiro florestal

Lançamento do livro "Investir à la Campagne au Portugal"


Portugal está na moda.
O interesse de muitos franceses por Portugal, com o desejo de investir em meio rural, levou a APMRA – Associação Portuguesa de Marketing Rural & Agronegócio a produzir um guia em francês para responder às dúvidas mais frequentes: quais as oportunidades de investimento, quais os concelhos, o envolvimento dos centros de competências com as empresas, os recursos humanos disponíveis, a fiscalidade aplicável e os apoios públicos para o investimento estrangeiro.

Foram entrevistadas 37 pessoas, entre empresários e autarcas, que estão a mudar a imagem do "interior" do país.

O guia contou ainda com a participação de Patrícia Dias Almeida, Alexandre Ferraz, Filipe Ferreira, Marta Gaudencio e Margarida Vaqueiro Lopes. O conceito foi desenvolvido por Frederico Lucas, a coordenação editorial coube a Cândida Santos Silva, os textos de Susana Proença e Fátima Meireles, a paginação a Luis Covas e a fotografia a Jose Barradas, Inês d'Orey, Rui Manuel Ferreira, Carlos Pimentel entre outros.

O livro foi prefaciado pela Profa. Helena Freitas, enquanto Coordenadora da Unidade de Missão para a Valorização do Interior.
O guia tem 240 páginas a 4 cores e o preço de lançamento de 30€ (IVA incl.).
Pode ser adquirido nas livrarias ou no site da associação: http://rural.pt/

Casar a cortiça com as comunicações móveis

Tito Cardoso lidera há vários anos uma empresa de consultadoria a investimentos industriais e decidiu construir um negócio próprio.
Quando se questionou sobre a diferenciação de Portugal para a área das comunicações móveis, optou por recorrer a uma matéria prima nacional, que é leve, resistente e isolante: a cortiça.

Internacionalização no ADN

A IKI Mobile orgulha-se do “Design in Portugal”. Sobre o país de fabrico, a palavra de ordem é a descentralização: produzir nos continentes dos consumidores.
Envolver os centros de conhecimento nacionais no desenvolvimento do produto é a sua estratégia.

Portugal como Country concept

O mercado interno tem sido utilizado como teste para os novos produtos.
A internacionalização ocorre numa fase mais madura.
No Laboratório da Cortiça, sedeado em Coruche, será desenvolvida a melhoria na transformação dessa matéria prima, em parceria com outros players nacionais de referência: Amorim e a Granorte.

À procura dos nichos de mercado

A IKI Mobile apostou em telemóveis com teclado para o segmento sénior e na linha Cork Edition para um segmento sensível à sustentabilidade ambiental.

290.000 telemóveis vendidos em 2016

O sucesso na definição dos targets do mercado salta à vista: no terceiro ano de produção, a marca atingiu os 290.000 aparelhos vendidos.
A sustentabilidade deste crescimento reside na inovação dos produtos: lançar todos os anos novos modelos.

“A Áustria é muito bonita mas aqui vive-se!”

Trocou o Tirol, na Áustria, por Tabuaço, em Portugal, num piscar de olhos. Bastou uma visita à região para perceber as potencialidades turísticas. Thomas Egger casou-se com Maria de Fátima em 2000 e em 2003 inaugurava o restaurante Tábua D’aço. O casal conheceu-se na Suíça e o regresso às margens do Douro aconteceu por iniciativa do Chefe de cozinha austríaco. Oriundo de uma família ligada à hotelaria, passou por várias cozinhas internacionais mas foi em Portugal que decidiu investir. Juntou a experiência técnica aos segredos da cozinha portuguesa que aprendeu com a sogra e hoje tem um espaço familiar, marcado pela simplicidade, onde recebe clientes de todo o mundo.

Pratos típicos recheados de sabor

“Isto aqui não é gourmet”, diz com orgulho. “Fiz isso durante muitos anos na Áustria e não quero fazer mais. Existem outros restaurantes na região que fazem isso muito bem”. Thomas Egger prefere apostar nos pratos tradicionais, simples, mas com muito sabor. “Quem vem visitar a região quer experimentar o que é típico e genuíno”. O bacalhau com broa na telha é apenas um dos exemplos. Na ementa estão as azeitonas, a alheira, o javali ou o cabrito, sempre acompanhados por um toque de sofisticação e uma paisagem que nos alimenta a alma. Também há pratos internacionais, nomeadamente do Tirol, mas apenas para saciar a curiosidade de quem sabe a sua origem. Até a carta de vinhos tem escolhas da região porque é essa a “identidade” do restaurante.

O único Green Chef em Portugal

Thomas Egger integra a Associação Europeia de Green Chefs desde 2015. Dos 75 membros, é o único Green Chef em território nacional. A utilização de produtos orgânicos e ingredientes naturais é um dos conceitos desta rede de profissionais. “Compro produtos diretamente da horta. Para além da qualidade dos produtos, do seu sabor, é uma forma de contribuir também para a economia local”. Na cozinha deste Chefe há uma outra regra de ouro: desperdício zero. E no final do dia a comida confecionada que não foi vendida é sempre doada

As diferenças culturais

Disciplinado e rigoroso, Thomas Egger ainda estranha a forma descontraída como alguns portugueses encaram a vida. “Aqui há o hábito de não se cumprirem horários. Marcamos a uma hora e aparecem meia hora depois”, confessa entre sorrisos. Mas isso não belisca a sua paixão pelo país. Sente-se bem em Portugal, onde as pessoas são “simples e muito afáveis”. Apesar da desconfiança inicial, a qualidade e simpatia com que recebe cada cliente derrubaram as barreiras culturais.

“Escolhi os melhores produtos portugueses”


Azeite, vinho e rolhas de cortiça. São três dos produtos que exporta para a Áustria. Um mercado que conhece bem e onde entrou em 2013 com o azeite de marca própria produzido em colaboração com a Cooperativa de Olivicultores de Tabuaço. O azeite duriense é servido num restaurante com três estrelas Michelin onde “não se brinca com a qualidade”. Está também em alguns dos melhores hotéis austríacos, graças a um estrangeiro que acreditou no potencial deste produto. A produção ronda os 10 mil litros e não tem “mãos a medir” para a procura. A marca Thomas Egger está ainda no vinho verde que lançou em 2014. Produtos que promove na Áustria, para onde viaja todos os meses levando na bagagem os sabores portugueses “de grande qualidade e muito apreciados”. Alemanha e Itália são os próximos mercados a explorar.

Investir em Portugal

Pensar bem, com calma e cabeça. É o conselho que deixa a quem estar a pensar em investir em Portugal. Um país onde as burocracias não facilitam quem arrisca. “Tive a sorte de ser muito bem acolhido e de criar amizades com pessoas importantes que me abriram portas para a participação de programas de televisão. E isso ajudou-me a ser reconhecido”. Também as portagens são criticadas pelo austríaco que no seu país paga 90 euros por ano para andar nas autoestradas. “Aqui, um turista espanhol, por exemplo, paga 20 euros por cada viagem. É péssimo para quem trabalha em Portugal, em qualquer setor, mas sobretudo para o turismo”. Olhando para trás, só há uma coisa que faria diferente. “Fazia tudo mais rápido, sem medo”. Porque, pesando os prós e os contras, ganha a qualidade de vida, a paisagem, a cultura, a gastronomia e os saberes únicos de um país com tanto por explorar. “Senão valesse a pena já tinha voltado para a Áustria”, garante Thomas Egger.