Novos Povoadores

Apoiamos familias metropolitanas a instalar negócios em territórios rurais

Broadband 'can be an engine for economic growth in Europe'

The Mobile World Congress (MWC) 2012 took place in Barcelona from 27 February to 1 March with the participation of global leaders in the world of telecommunications.
The event coincided with the decisions on roaming and data roaming charges in the European Parliament, considerations of the future investment in internet technologies and debates on the Anti-counterfeiting Trade Agreement (ACTA), each with its own policy ramifications on the telecoms industry.

Despite the positive global trends linking broadband technology to GDP growth, speakers at the MWC pointed out that Europe remains the only continent where telecommunications business is running at a loss. The European Commission has dedicated €9.2 billion to co-finance transition from copper to fibre-based cable telecoms and internet networks in October 2011.
Indonesian Telecoms Minister Tifatul Sembiring stressed at the broadband forum organised by leading global information and communications technology solutions provider Huawei that growth in broadband was central to economic growth of 6.5% that the country experienced in the past year.

The importance of the broadband internet as an engine for the economic growth was pointed out by Huawei Vice Director Richard Brennan who told New Europe that the technology could improve various aspects of life, including education, healthcare and the way businesses operate.
One of the creative solutions presented at the eve of MWC is improvement in machine-to-machine (M2M) technologies presented by Huawei that allow both wireless and wired systems to communicate with other devices, providing an interface for consumers and developers to implement ideas and services as applications on the cloud rather without unnecessary worries about the infrastructure set-up and maintenance.

The future IPv6 technology, championed by Huawei, would allow for every appliance to be connected to the network, fetch data from it and report its position and other information. Application of such technology in healthcare could provide timely and accurate treatment while lowering costs.
Many companies around the globe already benefited from using Huawei's cloud technologies, but creation of a wider open-access data network, based on the fibre broadband which would serve as a backhaul available to users, could provide a boost to invention-based economy and creative businesses.
The World Bank estimates that a 10% increase in broadband penetration can potentially translate into 1.3% GDP growth, with comparative studies in countries which committed to national broadband commitments confirming this trend.

in New Europe

EDP avança hoje com projecto para incentivar novas famílias em Trás-os-Montes



A EDP, os Novos Povoadores e a Câmara de Alfândega da Fé vão avançar hoje com um projecto piloto para incentivar a instalação de novas famílias naquele concelho transmontano.
Segundo disse hoje à Lusa, a directora da Fundação EDP, Isabel Marques, esta iniciativa assenta num projecto piloto que está a ser instalado na região do Baixo Sabor, onde se encontra em fase de construção um grande empreendimento hidroeléctrico.

«O projecto tem por objectivo atrair casais que pretendam construir uma nova vida nesta região, que tem perdido população, e acreditamos que há cada vez mais pessoas que pretendem mudar a sua vida para o interior do país», acrescentou a responsável.

A criação de condições para reter jovens e atrair novos residentes figura no topo da lista de preocupações, a par do emprego e do desenvolvimento turístico da região.

«O Baixo Sabor tem sido uma região piloto em vários projectos socais, económicas ou culturais promovidos pela EDP, dado o facto de haver uma barragem que está em fase adiantada de construção», sublinhou Isabel Marques.

As famílias candidatas à mudança, deverão obedecer a alguns critérios que garantam «o sucesso do novo projecto de vida».

«Para atender a esta necessidade, a EDP recorre à experiência dos Novos Povoadores, entidade, que tem vindo a desenvolver o conceito de repovoamento das zonas mais despovoadas do país, através da migração de famílias urbanas, a qual vai apoiar a mediação às famílias em mudança, em estreita articulação com a Câmara», concluiu a responsável pela Fundação EDP.

A iniciativa, após formalizada, visa atender a uma das principais expectativas detectadas pela EDP nos inquéritos de opinião realizados nas regiões abrangidas pelas novas barragens tendo em vista área do território menos povoadas.

O projecto será financiado pela EDP, no âmbito do conjunto de iniciativas de promoção de desenvolvimento nos concelhos onde desenvolve novos investimentos hídricos.

Lusa/ SOL

Projecto Novos Povoadores é alternativa à vida na cidade

«Muitas pessoas que vão para o interior já não regressam à cidade», garantiu à TSF um dos membros do projecto Novos Povoadores, que orienta quem quer viver com menos custos e mais qualidade de vida fora das metrópoles.

Um grupo de pessoas que integra o projecto de repovoamento de zonas rurais, denominado por Novos Povoadores, tem, desde há alguns anos, rumado ao interior desertificado de Portugal para ganhar qualidade de vida.

Em declarações à TSF, Frederico Lucas, um dos membros deste projecto, confirma que alguns dos efeitos da crise estão a mobilizar as pessoas para mudar de vida.
«Existe mais gente a manifestar interesse em mudar para o interior do país há medida que os encargos sobem e os rendimentos descem na cidade», disse.

Aliás, sublinha o "povoador", o movimento de migração está a gerar um «fenómeno». «A maioria das pessoas que vão para o interior já não regressam à cidade. Apesar de terem nascido e vivido nas áreas metropolitanas querem, agora, outro estilo de vida», explica.
Frederico Lucas, do projecto Novos Povoadores, considera positiva a chamada de atenção do Presidente da República, que, no discurso das comemorações do 10 de Junho, alertou para a desertificação do interior de Portugal, sublinhando as potencialidades das terras do interior.

«Foi discurso importante para as pessoas que estão a ir para o interior e que o fazem com algum receio. Elas olham com esperança para esta mudança, mas têm receio porque é um modelo de vida que ainda está a nascer em Portugal. E, claro, questionam se é bom», conclui.

in TSF

Reflexões Urbanas



Ouves o despertador no telemóvel que colocas na mesinha de cabeceira. É cedo para ti e para o amanhecer, que ainda está a alguns minutos de distância. Não te custa sair da cama, mais do que te tem custado há 20 ou 25 anos. Os chinelos mudam, o soalho muda, o caminho para a casa de banho muda, até o número de pessoas em casa muda. Só a luta continua a mesma. Estás mais pesado, mais caído. Não tens o assobio de outrora. Preparas os miúdos, fazes mais de cem tarefas em pouco mais de sessenta minutos e já nem dás por isso. Respondes maquinalmente às perguntas dos teus filhos, que ainda não sabem ver as horas. Pensas meia dúzia de segundos no saldo que terás na conta bancária. Nos dias que faltam para o final do mês. Nas despesas. Toca a campainha do micro-ondas. Mais uns segundos a fazeres contas de cabeça sobre o tempo que tens, o caminho que tomarás, o trânsito e quanto levarás a chegar ao emprego. Quase ao mesmo tempo a torradeira cospe uma fatia de pão. Acabou-se o luxo de perder segundos a pensar. A partir daqui é tudo um reboliço. Devias levantar-te 15 minutos mais cedo. Há anos que sabes que devias. Mas não levantas. É a tua última peça de resistência. Ninguém te tira esses 15 minutos de sono, até porque já não tens mais nada. Sais de casa na correria habitual, a apressar os miúdos. Tudo em direção ao elevador. Pressionas o botão que um deles já pressionou. Levas os bolsos cheios: telemóvel, chave do carro, chave de casa, carteira e um sem número de extras que muda todos os dias e que não houve tempo de empurrar para dentro da mala – empurras depois, quando estiveres a sair do carro para subir para a empresa. Passas pela escola, deixas os miúdos. Beijas testas a correr, dás abraços de robot e à saída voltas a saudar os auxiliares (que no teu tempo se chamavam contínuos) com o mesmo entusiasmo da mensagem pré-gravada que as operadoras de telemóvel têm a avisar que quem tentaste contactar está de momento indisponível. Enfias-te nas entranhas do carro outra vez. Os rins já acusam cansaço e ainda agora é de manhã. Arrancas. Ligas o rádio e ouves as notícias do dia, que podiam muito bem ser as do dia anterior que nem davas por nada. Ouves a informação de trânsito e ficas a saber onde ele está pior quando já te encontras a entrar na fila que serpenteia a estrada que fazes todos os dias. Não podes ir mais depressa. É aí que abrandas e percebes que não devias ter respondido maquinalmente aos miúdos, que os devias ter beijado melhor e abraçado como se fosse a última vez, pois não sabes quando foi a última vez que realmente o fizeste assim. Sentes uma impressão no estômago. Chama-se saudade e já só te é permitido tê-la enquanto estás numa fila de trânsito. Uma horas depois estás a subir para o escritório. Chegaste à linha da frente e dela sairás ao fim da tarde – depois de teres feito mais de cem tarefas em pouco mais de cada sessenta minutos ali passados. Com a mesma correria voltas ao carro e nem na fila para casa te passa pela cabeça que há anos que estás a cair como um soldado desconhecido. Ainda te sobram munições? Usa-as para festejar a deserção. Acorda amanhã sem despertador, 15 minutos mais tarde, com a luz do dia a beijar-te o rosto, abraça a miudagem a valer. Pega no carro e neles e faz o caminho contrário à fila, aquele que está quase vazio. Conduz muito nesse sentido. Muito. Muito. Depois disso, assobia. 11/03/2011 - 11h07 - Fundação Champalimaud, “Champalimaud Centre for the Unknown”, Av. Brasília, Lisboa.

in projecto Moboide (Mobile Polaroid), Miguel Martins

"Há risco de favelas à volta de Lisboa"



Correio da Manhã – Qual a função do Sistema de Segurança Interna?

Mário Mendes – O Sistema de Sistema Interna (SSI) pretendeu colmatar a questão da diversidade de tutelas nas diferentes forças e serviços de segurança. Diversas forças de segurança é uma fonte de descoordenação e criou-se este chapéu que seria o ponto fulcral da coordenação. A função fundamental do SSI é fomentar uma cultura de coordenação e cooperação.

– O secretário-geral do SSI tem os poderes suficientes para desempenhar o cargo com eficácia?

– O problema é este, a nossa Lei de Segurança Interna não dá poderes efectivos ao secretário-geral. Imaginemos que ocorre um aumento significativo da criminalidade no Algarve e em zonas da competência da GNR. Eu digo ao senhor comandante-geral que estou preocupado e para fazer o favor de aumentar as acções policiais em certas zonas. E ele responde: ‘Não, o senhor está enganado, porque aqui não se passa nada de extraordinário’. O secretário-geral fica desarmado. Não pode ser assim.

– O secretário-geral do SSI não tem acesso a informação policial?

– No caso concreto, por exemplo, dos recentes assaltos a ourivesarias, nós sabemos que existem grupos criminosos a trabalhar nisto. O meu colega espanhol – e estamos perante grupos de criminalidade transnacional – sabe quem são os grupos, sabe de onde vêm e para onde vão, em que carros se movimentam, eu não tenho nada.

– Porquê?

– Não posso, porque a lei não o permite. Não faz sentido nenhum.

– Há um problema crónico das forças de segurança que é a ausência de partilha de informação. Consegue que as diferentes polícias troquem informações?

– Estamos longe do óptimo. Há maior cultura, mas é óbvio que não estamos, nem de perto nem de longe, no nível desejável. Mas nota-se muito nas equipas mistas de prevenção criminal que se troca esse tipo de informação. É esta partilha de informação que deve acontecer.

– Mas já há partilha de informações?

– Sabe que está na própria natureza do povo português jogar muito para dentro e guardar aquilo que é seu. É muito difícil transformar de um momento para o outro esse tipo de mentalidade.

– As alterações ao Código do Processo Penal em 2007 contribuíram para o agravamento da insegurança em Portugal?

– Do ponto de vista imediato, tiveram uma manifesta importância. Isso viu-se na subida de criminalidade. Principalmente no segundo semestre de 2009. Foi uma consequência não tanto do Código, mas da interpretação de algumas disposições do Código. É preciso ter algum cuidado na permissividade de certo tipo de legislação.

– Existe uma tendência para mais focos de tensão social?

– Sem dúvida nenhuma. Estou convencido de que 2011 não vai ser tão sensível em termos de aumento exponencial de criminalidade. Vai ser em termos de convulsão social.

– Quais são as maiores ameaças?

– As maiores ameaças em termos de criminologia são mais ou menos as mesmas nos últimos dez anos. Nós fizemos um estudo da evolução da criminalidade na última década e os crimes estão muito associados à toxicodependência que, longe de se ter reduzido, é um fenómeno com o qual a sociedade se habituou a conviver. Habituámo-nos a conviver com a toxicodependência, já não nos choca. É esse tipo de crime, o furto em interior de veículo, o roubo por esticão, o furto na rua, o roubo – e o resultante das relações interpessoais, a difamação, a ofensa corporal simples. Isto corresponde a uma fatia de mais de 50 por cento da criminalidade em Portugal.

– E para o futuro próximo?

– Eu acautelaria em termos de futuro a evolução deste pequeno crime para um crime mais grave e mais violento, o permanente agravamento da situação nas chamadas zonas urbanas sensíveis. Repare que a diminuição eventual das prestações sociais pode acarretar problemas graves nessas zonas, que já têm muitas dificuldades em termos económicos...

– Vai haver mais crimes por razões económicas e sociais?

– Exacto. Pode ocorrer, sobretudo, nessas zonas urbanas sensíveis. Teremos de contar, ainda, com o descontrolo completo que está a haver na União Europeia, não é só um problema nosso, em termos de circulação de pessoas. Está a assistir-se a algo perfeitamente descontrolado. Aquelas medidas compensatórias da livre circulação, as chamadas medidas de Schengen, não estão a funcionar eficazmente.

– Sente que há falta de autoridade do Estado?

– De uma forma genérica, é óbvio que há uma manifesta falta de autoridade do Estado. Há uma fragilidade e uma fragilização das instituições. De todas. Estão frágeis as polícias, estão frágeis os tribunais. Creio que a opinião das pessoas sobre o poder político não é a melhor, mas posso estar enganado. Tudo o que é instituição está desacreditado. Nalguns casos não sei se intencionalmente desacreditado. Em relação ao caso concreto que me coloca: não é para sacudir a água do capote, mas não tive nada a ver com esse assunto.

– Os blindados são necessários?

– Eu acho que sim. Vivi alguns anos em Bruxelas e o patrulhamento de toda a zona sensível era feito com apoio e utilização deste tipo de viaturas. Não é nada de inédito. Em 1995, quando saí da PJ, no relatório anual que fiz em relação a 94, chamei a atenção para as chamadas "zonas urbanas sensíveis" e para o problema da ‘favelização’ da cintura de Lisboa. Na altura, julgo que me chamaram meio maluco, que não devia saber do que estava a falar. Mas eu não sei se qualquer dia esse problema não se vai colocar e se não será idêntico, em ponto pequeno, à da favela do Alemão...

– Há o risco de ‘favelização’ à volta de Lisboa?

– Há. Embora nos últimos tempos tenha havido alguma tentativa de minorar essas questões através dos chamados contratos locais de segurança, que os franceses experimentaram e já abandonaram. Essas zonas têm uma percentagem elevada de população que tem sobrevivido à custa de prestações sociais. E eu não sei até quando é que o Estado aguenta as prestações sociais. E o que é que vai acontecer se essas pessoas perderem as prestações sociais?

– Há uma tendência para o crescimento da criminalidade transnacional organizada. As polícias estão preparadas para esse tipo de criminalidade, que no nosso país é ainda desconhecida?

– Transmito isto com satisfação: nós hoje estamos muito bem apetrechados para lidar com este tipo de fenómeno. Curiosamente, estamos muito menos habilitados – e isto é quase paradoxal – para lidar com outro tipo de fenómeno que é a criminalidade desorganizada, o problema do dia-a-dia, de pequenos grupos que se juntam, sem qualquer afinidade entre eles, e praticam meia dúzia de crimes com uma violência perfeitamente desproporcionada em relação aos fins que pretendem atingir...

– Assaltos a à mão armada a bombas de gasolina para roubar escassos euros?

– E assaltos a residências. Recebi aqui uma mensagem de uma situação ocorrida na zona das Caldas da Rainha, de uma senhora de 90 anos a quem roubaram de casa cento e tantos euros – e que foi barbaramente agredida. Nós não estávamos habituados a este tipo de situação irracional. E é este tipo de criminalidade que nós não podemos deixar de ter em vista. Hoje em dia, não nos podemos esquecer, já há criminalidade por ‘outsourcing’, parte-se muito do conceito brasileiro.

– E o que é essa criminalidade por ‘outsourcing’?

– Uma pessoa quer praticar um crime, contrata meia dúzia de miúdos: tu vais ali, assaltas aqueles tipos e trazes...

– Já há casos desses?

– Já há casos desses.

– Perante este quadro que está a traçar, porque é que sai se ainda há tanto por fazer?

– Creio que há pessoas muito mais capazes e muito mais novas. Foi uma decisão puramente pessoal. Decidi ao fim de muitos anos dizer que já dei o suficiente para este peditório. Agora, vou descansar.

– Sentiu colaboração do ministro da Administração Interna, o Governo ouvia-o?

– Não muito. Não sei se tanto como deviam. Embora o problema seja mais deles do que meu.

– Sai desiludido com o ministro?

– Não, senão já me tinha desiludido há muito tempo. Não.

– Não foi ouvido tanto como desejaria. O Governo e o primeiro-ministro não o ouviram?

– As pessoas ainda não percepcionaram suficientemente a dimensão dos problemas que existem, provavelmente por estarem ocupadas com problemas de natureza mais imediata. Também compreendo que não estão criadas as condições políticas para nenhuma reforma de fundo. É escusado pensarmos nisso. Mas a pessoa que me vier substituir tem de ter um apoio que eu não tive.

– Prevê, então, um agravamento da insegurança...

– Prevejo um agravamento da situação. Com aquilo que adivinho em relação à situação do País, será desejável que a pessoa que venha para este cargo tenha a percepção da realidade das coisas desde o início do ano.

"ASAE E SEF DEVIAM INTEGRAR-SE NAS POLÍCIAS"

CM – Não faria sentido uma polícia única?

M.M. – É uma questão que se tem colocado em diversos países. Por exemplo, a Bélgica, que é um país que seguiu o nosso sistema, já evoluiu para a polícia única. Estamos a falar de um país com uma dimensão aproximada da nossa, quer em termos de território, quer em termos de população. Julgo que não é uma solução desejável.

– Porquê?

– Defendo a manutenção de um sistema dual, com uma polícia civil, sobretudo para a área específica da investigação criminal, e uma polícia de tipo GNR para determinadas operações de natureza mais militar. O que defendo é que entre estas duas forças, entre uma polícia civil e uma GNR, não devem persistir competências em razão do território. Deveria haver uma divisão de competências em razão da matéria.

– Precisamos mesmo de todas estas polícias?

– Há ainda o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), a ASAE, a Polícia Marítima... Há uma dispersão, se for na praia é a Polícia Marítima, mas se for no passeio é a GNR. No mundo actual não faz sentido...

– O que é que seria desejável?

– Seria a criação de um sistema idêntico ao espanhol. Um sistema dual. Como têm os franceses também. No sistema francês, a Polícia Judiciária ficou como um corpo especial dentro da polícia nacional.

– Com uma cabeça comum...

– Sim, com uma cabeça comum. Há uma outra coisa que tenho notado, esta dispersão, com a existência de uma ASAE ou de um SEF autónomos, de uma Polícia Marítima com funções criminais. Não seria muito mais fácil de gerir, mais eficaz e mais racional se estas entidades com competências específicas em determinadas matérias fossem corpos especiais dentro de corpos policiais gerais...

– Será possível um dia?

– Oxalá aconteça o mais depressa possível.

– A ASAE e o SEF não fazem sentido?

– Têm toda a razão de ser. Não sei é se devem ser entidades autónomas. Podiam estar junto de uma polícia.

"QUEM EXERCER O CARGO TEM DE TER MAIS PODERES"

CM – Seja quem for, poderia utilizar o cargo de secretário--geral no mau sentido?

M. M. – Não, não pode. Sempre achei que havia um erro muito grande ao dizer isso sobre este lugar...

– Nunca se sentiu uma espécie de ‘cardeal Richelieu’ do regime?

– Não, nem tenho vocação nenhuma. Na primeira entrevista que dei, colocaram-me a questão dos poderes a mais. Eu disse que depois de ver as coisas e ter lido bem a lei fiquei convencido de que tinha era poderes a menos. Cada vez me convenço mais de que quem exercer o cargo tem de ter mais poderes.

"FIZEMOS MOTOR DE BUSCA PARA TODAS AS POLÍCIAS"

CM – O que mais se orgulha de ter feito e o que ficou por fazer?

M. M. – O projecto de interoperabilidade das bases de dados das forças de segurança. Até Março de 2012, está em prática...

– É uma base de dados?

– Assegura o cruzamento de informações. É um motor de busca que torna compatíveis todas as bases de dados. Foi um salto qualitativo muito grande.

PERFIL

Mário Silva Tavares Mendes, de 64 anos, nasceu na Anadia. Licenciou-se em Direito, em Coimbra. É juiz conselheiro jubilado. Em 2008, tomou posse como secretário-geral do Sistema de Segurança Interna. Foi director-geral da PJ e dirigiu o Centro de Estudos Judiciários.

in Correio da Manhã

Mudar de vida. Trocar o trabalho na cidade pela vida rural

"Começamos a fazer um furo para procurar petróleo, chegamos a dois quilómetros de profundidade e nada, escavamos mais, passamos os quatro, cinco quilómetros e nada. Outra pessoa chega, abre um furo uns metros ao lado e encontra-o quase à superfície." A imagem ilustra a reposta de Nuno Ribeiro, 44 anos, quando lhe perguntam "Como é que ninguém pensou isso antes?"

Designer de comunicação, depois de 17 anos ligado a um projecto que ajudou a fundar - a ETIC (Escola Técnica de Imagem e Comunicação), em Lisboa - decidiu arriscar e fundou o GIZ, um centro de formação com sede na aldeia de Pedralva, concelho de Vila do Bispo. Cortou com a vida na cidade, onde sempre tinha vivido, e trocou-a por outra bastante mais tranquila, com a mulher e o filho de dez anos. "Foi consensual, estávamos fartos da selva urbana." Já lá vão quatro anos.

O seu projecto oferece uma série de cursos que podem ir da fotografia à escrita criativa. Demasiado à frente para uma área mais ou menos recôndita no sudoeste do país? Talvez não.

Os interessados dividem-se entre os hóspedes da aldeia turística de Pedralva e a população circundante, que não tinha acesso a este tipo de serviços. "Lembro- -me da reacção de miúdos que pegaram pela primeira vez em câmaras", conta, "é reconfortante". Após este primeiro passo na região algarvia, Nuno está também à frente do novo pólo da ETIC, em Portimão. A quem tenha um projecto inovador, aconselha: "Não há que ter medo. A maioria dos obstáculos que as pessoas põem ao viver fora da cidade são fantasmas para se desculpabilizar a si próprias."

apontar Se pensa em investir numa carreira em áreas rurais, há sectores em que a aposta é quase certamente ganha. O turismo rural é uma delas e, a avaliar pelo crescimento, tem sido motivo de migração de muitos portugueses. Palmira Amorim de Sousa e Manuel da Nave Soares são disso exemplo. "Levanto-me e ajudo no pequeno-almoço: preparo doces caseiros, compro o pão, etc. Depois começo a gestão dos quartos, lavandaria, manutenção da piscina, do jardim... Nada é monótono, há sempre imensa coisa para fazer." O dia-a-dia de Palmira ainda se divide entre estas tarefas e o cargo de professora de Educação Visual numa escola em Lisboa. Mas isso acabará quando conseguir a reforma.

Palmira e Manuel conheceram a Quinta dos 4 Lagares por um anúncio no jornal. O sonho de abrir e gerir pessoalmente uma unidade de turismo rural realizou-se dez anos depois. O tempo de espera foi preenchido com projectos arquitectónicos e obras de recuperação. "É um processo demorado - pelos casos que conhecemos, oito ou nove anos - e que implica um grande investimento", explica Palmira. Se valeu a pena? "Sim, sobretudo pela qualidade de vida." Quando chegaram não conheciam ninguém. "Hoje, os vizinhos dão-me feijão, tomate, batatas", conta. "Poder chegar à janela e ver ovelhas a pastar é uma vida completamente diferente."

Já há 25 anos, António e Ana Maria Pinto Ribeiro embarcaram no mesmo sentido. Uma hospedeira da TAP e um engenheiro mecânico deixaram a cidade do Porto, instalando-se definitivamente numa antiga propriedade da família, a Casa de Santo António de Britiande, no concelho de Lamego. O objectivo era dar os primeiros passos no sector do turismo. Hoje, para além do turismo de habitação, têm propriedades agrícolas e produzem vinho e azeite.

Desde 1985, muita coisa mudou. "No início estávamos muito limitados a nível de vias de comunicação. Ir até Vila Real, Viseu ou Porto [as cidades mais próximas] era difícil. Não havia cinema. O teatro era pouco. A assistência médica nunca foi problema, mas também não era a melhor." Para quem estava habituado à vida na cidade, faltava, por exemplo, oferta de bons restaurantes. "Hoje já há um pouco de tudo, com grande qualidade", e os acessos a cidades maiores estão facilitados.

"Há uma geração mais nova, entre os 30 e os 40 anos, que se está a instalar na região. A maior parte na área da agricultura", garante António, justificando o movimento com a UTAD [Universidade de Trás--os-Montes e Alto Douro] mas também com as empresas que vão surgindo e que têm necessidade de técnicos qualificados.

extremo Tomás Pracana tem 25 anos e vive desde Abril em Vila de Rei. "Vim com uns amigos que têm aqui família, encontrei uma casa com renda barata e fiquei." Neste momento, está a construir a sua própria casa num terreno e prepara-se para viver numa caravana enquanto não a termina. Viver numa pequena vila no centro interior de Portugal é o culminar de um percurso que passou por cenários tão distintos como Dinamarca, Luxemburgo, França e Alemanha. "O ideal seria viver puramente da agricultura", conta, para explicar o propósito da sua mudança. "Mas quem não ganha dinheiro não é bem visto, nem mesmo aqui", e por isso continua a trabalhar na área da animação com a ajuda da ligação à internet.

Tirou o curso de Multimédia em Lisboa e portanto sabe como funciona a vida na cidade. "É um ciclo. A própria maneira como a cidade está construída gera problemas", o que o leva a nem pensar em voltar. A auto-sustentabilidade acaba por ser mais fácil assim, defende: há uma série de gastos que se eliminam automaticamente. "Se planto para consumo próprio, a qualidade do que como é maior, e estou menos vezes doente, logo não vou tanto ao médico." O seu caso é o exemplo mais radical de que independentemente da razão - ecológica ou económica, criativa ou vulgar -, a fuga da cidade é, acima de tudo, uma mudança de atitude. "O melhor de tudo é ligar o rádio de manhã, ouvir os problemas no trânsito e respirar fundo", brinca Nuno Ribeiro.


in ionline

The shrinking city: Detroit considers concentrating growth, letting vacant areas go rural

Resources may be focused along a light-rail line and on downtown, Midtown, and the better-positioned neighborhoods.

Mayor Dave Bing launched a community outreach process in September that will probably result in a plan for returning parts of Detroit to almost rural conditions.
By some estimates, 40 square miles of the 139-square-mile Motor City currently lie vacant. Roughly 33,000 houses reportedly stand empty, and 91,000 residential lots are unoccupied. Once the nation’s fifth-largest city, home to 1,849,568 people at its peak in 1950, Detroit is now down, by one count, to fewer than 800,000 inhabitants.
With Michigan’s auto industry stripped of its former muscle, many believe Detroit must concentrate its resources and population in fewer, well-chosen places — and encourage some of the semi-abandoned areas to revert to farm fields or nature. The test of how far Detroit goes in that direction will be a new city vision — a strategy for “right-sizing” Detroit — scheduled to be released in December 2011.
In recent months, debate among those with extensive knowledge of Detroit’s situation has favored strengthening the urban qualities of downtown, Midtown — where institutions like the Detroit Institute of Art and Wayne State University are clustered — and other districts that have mostly remained stable.
Midtown, north of downtown, has experienced an influx of young people, artists, and others in recent years as old buildings have been converted to lofts, and other housing has been built from scratch. In all, 3,500 dwellings have been created in Midtown in the past decade, says Mark Nickita, principal of Archive Design Studio, a Detroit architecture and urban design firm. Restaurants, cafes, and music venues have flourished in part because Wayne State, with more than 30,000 students, functions as a permanent anchor, making Midtown one of the most stimulating sections of the city.
“Midtown is going to be a dense area, especially once we get light rail down Woodward Avenue,” says Samuel Butler, who co-chaired the Futures Task Force of Community Development Advocates of Detroit — a group that in late 2008 began devising ideas to “reinvent” the city.
Leaders in government and the private sector succeeded this year in winning a $25 million federal TIGER grant to build an initial 3.4-mile segment of the Woodward Light Rail Line. That sum, when combined with approximately $125 million already raised from philanthropic sources, should make it possible to begin construction within the next two to three years on the segment from the Detroit River through downtown and Midtown to West Grand Boulevard.
If additional funds are secured, a second phase, extending the line to Eight Mile Road (for a total length of 9.3 miles) could be operating by 2016. The full line is estimated to cost $450 to $500 million, much of which would have to come from the Federal Transit Administration.
Andre Brumfield, director of urban design and planning at the Chicago office of the design firm AECOM, led a team looking at how to transform the Northend neighborhood, a distressed area that would be served by the light-rail line. “The new neighborhood plan calls for high-density, mixed-use development oriented around [Northend’s] three transit stations,” Brumfield explained in Model D, a Detroit online periodical.
Northend’s housing would include townhouses and three-story walk-ups, which could have retail on the ground floor. “The area will also include new community parks, space for high-tech or light industrial businesses, and some land for urban agriculture,” said Brumfield. “It’s a big transformation for an area that was historically dominated by the single-family home.”
Nickita sees Eastern Market, a produce market whose historic sheds have been restored, as another focal point of Detroit’s future urban life, benefiting from the surge of interest in “Detroit-grown” agricultural products. Hundreds of community gardens have been established in the city in the past few years.
Dying neighborhoods, tomorrow’s farms?
There has been talk about offering incentives to entice the remaining residents of largely abandoned areas to move into denser neighborhoods, where they would enjoy access to a greater range of nearby services and might feel safer because of more neighbors and more eyes on the street.
It has been suggested that hold-outs might be forcibly relocated — an idea repeated many times by the news media. However, forcing people to leave their homes — except in the case of dangerous code violations — seems unlikely. Memories of the urban renewal’s dislocations remain too painful, especially in a city where at least 76 percent of the population is African-American.
Certainly some deteriorated neighborhoods will lose their last vestiges of urbanism. Mayor Bing has pledged to demolish 3,000 empty residential buildings by the end of this year and to raze a total of 10,000 over four years — a big jump from recent years.
Some of the cleared land could be turned into individual or community gardens, parks, recreation areas, or, in more extreme cases, assembled into tracts large enough for commercial farming.
Businessman John Hantz, who built up a financial holding company called Hantz Group, in nearby Southfield, has in the past two years established a company called Hantz Farms LLC with the intention of creating in Detroit “the largest urban farm in the world.”
Hantz says he will spend up to $30 million on his farming venture. He dismissed some competing ideas for the use of empty land, telling an interviewer, “If you turn it over to parks and recreation, you add costs to an overburdened city government that can’t afford to teach its children, police its streets, or maintain the infrastructure it already has.”
In late September, Michael Score, president of Hantz Farms, told an architects’ gathering that the company is working at assembling 120 acres — the size of tract the company believes is needed to make a farm profitable. Acquiring clear title to such a large contiguous expanse of urban land has proven to be a challenge, but Score said the farm can work around hold-out properties, just as farms in rural areas work around scattered buildings in the landscape.
The company is considering a variety of things to plant, including Christmas trees and an apple orchard. Score has said the company would deploy the latest in farm technology, such as compost-heated greenhouses and hydroponic and aeroponic growing systems.
It’s possible that farms and gardens will be merely a holding stage, until more lucrative or job-generating use of vacant land turns up — factories, for example.
“I don’t think urban agriculture is the silver bullet,” says Butler, who is now working with a committee that’s fleshing out Community Development Advocates’ vision of the future. Even if the persistent problem of pollution of the land is overcome — many urban gardens have to use raised beds filled with new soil — “urban agriculture isn’t going to produce the jobs,” Butler says. “I’m not convinced it’s going to give Detroit an economic advantage. We need to compete with other post-industrial cities around the nation, like Cleveland.”
Urban and community gardening seems mostly to excite educated white people, Butler observes, while African-Americans, many of whose grandparents were sharecroppers, are often not eager to get into farming.
Shrinking a city’s costs
A leading reason why cities talk about “shrinking” is that they can no longer afford all the things they’ve customarily paid for. If large areas become uninhabited or very lightly populated, a number of expenses can be reduced.
“A road that gets very little traffic doesn’t need the same kind of paving,” says Margaret Dewar, a University of Michigan planning professor. “It may not need curbs.”
Where residents are sparse, garbage collection could be done in one run — down just one side of the street, saving a trip, Dewar says. “Maybe you have to wheel your garbage to the end of your street,” where, she hypothesizes, the block’s garbage could be collected from a single location. If an area were largely emptied of residents, it might be possible to cut off water and sewer service — and have any stragglers convert to wells and septic tanks.
“It’s possible to scale down police, fire, garbage hauls,” says Hunter Morrison, longtime planning director for Cleveland before he accepted a position as Youngstown State University’s liaison to the City of Youngstown on development issues. Other operations are more difficult to reduce effectively. Open land requires basic maintenance “unless you plant wildflowers,” Morrison says.
“Some systems are not paid for by the city at all,” he points out. “The gas lines are operated by the gas company, so you’re not saving the city money” by having them removed.
With one-third of Detroit’s population living in poverty, quite a few residents don’t have cars. Partly because of that, Nickita’s firm produced a plan for a “nonmotorized transportation network” that bicyclists and others can use to get from place to place, separate from the streets.
A 1.35-mile segment of that network, the Dequindre Cut Greenway, opened in May 2009, featuring a 20-foot-wide paved pathway with separate lanes for cyclists and pedestrians. It runs below grade on the former right-of-way of the Grand Trunk Railroad. Splashed on some of the remaining structures along its route is graffiti, regarded by some as urban art. “All the overpasses are sort of ruined,” Nickita acknowledges. A shrinking city has its own aesthetic.

in New Urban Network

Cavaco defende programa de repovoamento rural


O Presidente da República defende que Portugal devia lançar um programa de repovoamento rural, como forma de combate ao despovoamento do país. Aníbal Cavaco Silva disse-o de uma forma clara a uma plateia de personalidades regionais e nacionais que se juntou numa sessão pública em Castelo Branco e que serviu para fazer o balanço final do Roteiro das Comunidades Locais Inovadoras. Durante três dias, o Chefe de Estado efectuou um périplo pela região albicastrense tendo concluído que vale a pena continuar a apostar nas zonas periféricas, porque, como disse, “aqui as pessoas não desistem das suas terras, acreditam que há futuro e possuem uma energia renovadora que resiste à adversidade, sentem que têm o dever de agir e estão abertas à cooperação”.

Daí que Cavaco Silva entenda ser urgente tentar inverter a questão do despovoamento, fundamental para ajudar também o país “no grande desafio da recuperação económica e da criação de empregos, onde temos de ser capazes de fazer melhor do que as previsões apontam”. Para além do despovoamento, apontou o endividamento externo e a fraca produtividade como outros dos factores de risco para o futuro de Portugal.

Alertando para “o potencial inovador que existe em cada comunidade” procurou elevar a auto-estima regional, apontando exemplos, dos serviços aos produtos, chegando a dizer que “as potencialidades locais fazem avançar o país”. No entanto, avisa que “é preciso mostrar qualidade em tudo o que se faz” e apostar em Pequenas e Médias Empresas competitivas que “de forma inteligente consigam fazer a ponte entre a tradição e a inovação”.

Aqui, Cavaco Silva considera que a mão do poder autárquico é essencial, criando condições às empresas e favorecendo o empreendedorismo dos jovens. “Mobilizar parcerias, ajudando as empresas a ganhar dimensão e inovar fazendo diferente mas com qualidade e eficiência é o caminho”, disse o Presidente. Este Roteiro pela região de Castelo Branco serviu, por isso, para apontar os bons exemplos e para mostrar ao país que “é possível ser competitivo no Interior”.

Morão realça auto-estima

O presidente da Câmara de Castelo Branco, na mesma sessão, agradeceu a visita presidencial e o empurrão que a mesma significa para esta zona do país. Joaquim Morão lembrou que “temos coisas muito boas e temos autarcas que se esforçam diariamente para levar por diante estas terras”. Daí que realce a auto-estima e o ânimo deixado por Cavaco Silva “numa época que não é fácil”, destacando que “a sua presença aqui dá-nos ainda mais força para lutarmos por um futuro melhor para todos”.

in Reconquista, José Júlio Cruz

UMA POPULAÇÃO QUE SE URBANIZA

O sistema urbano nacional apresenta uma dinâmica e densa articulação interna, avaliada nos finais da década de 90 do século passado (estudo Sistema Urbano Nacional. Cidades Médias e Dinâmicas Territoriais, DGOTDU, 1997) tendo sido então identificados seis sistemas urbanos regionais:
1. Norte Litoral, polarizado pela cidade-aglomeração do Porto, muito dinâmico, articulado numa lógica de valorização de complementaridades e especificidades que lhe confere uma capacidade de auto-regulação invulgar; ocupação do território densa e difusa em termos de população e de actividades; muito aberto ao relacionamento transfronteiriço com a Galiza.
2. Nordeste, estruturado por um eixo urbano linear em consolidação (Vila Real-Peso da Régua-Lamego) e por três cidades de dimensão média, pólos de retenção da população e da criação de emprego parcialmente articulado em dois eixos (Chaves-Vila Real-Peso da Régua-Lamego e Vila Real-Mirandela-Bragança) coincidentes com os principais eixos viários (IP3 e IP4), revelando-se insuficiências nas restantes articulações.
3. Centro, estruturado por dois eixos em formação e consolidação (Coimbra-Figueira da Foz, Guarda-Covilhã-Castelo Branco) e Viseu e a constelação de cidades/vilas envolventes (Aveiro-Ílhavo-Águeda-Oliveira do Bairro), revela uma distribuição espacial equilibrada.
4. Lisboa e Vale do Tejo, fortemente polarizado pela Área Metropolitana de Lisboa, que tende a integrar a dinâmica das cidades mais próximas como Santarém, Rio Maior e Torres Vedras; área muito densa, concentrada e dinâmica, fortemente internacionalizada.
5. Alentejo integra dois pequenos eixos com fraca capacidade polarizadora (Estremoz-Vila Viçosa e Santiago do Cacém-Sines-Santo André) e a cidade de Elvas, centro importante de relacionamento transfronteiriço; em estruturação, enquadrado num território extenso, de fraca densidade, com um modelo de povoamento muito concentrado e dinâmicas regressivas significativas.
6. Algarve (forma linear, determinado por um processo de forte urbanização da faixa litoral, implicando um esvaziamento do interior da Serra; região polinucleada com características de internacionalização de perfil turístico; muito aberto ao relacionamento transfronteiriço.

Autor: Nuno Pires Soares
Artigo completo em Atlas de Portugal

Regresso ao Campo




Como é a vida dos neo-rurais portugueses? Porque se decide ir viver para o campo?... Um documentário de Paulo Silva Costa, na RTP1

João Carvalho viveu onze anos em Londres. Teve êxito, mas fartou-se do frenesim citadino e dos horários das 9 às 5.

Optou por uma existência mais simples. Veio viver com a mulher e o filho recém-nascido para uma casa abandonada que descobriu através da internet e que comprou na Benfeita, em Arganil

Está a reconstruir a casa pelas suas próprias mãos. Só usa ferramentas manuais, e o mínimo de cimento ou de combustíveis fósseis.

O casal é vegetariano. Por isso, quando chega a hora de almoço, a mulher, Claire, tem apenas de descer às hortas abandonadas mais próximas para colher a próxima refeição. Também já fizeram vinho e cinquenta litros de azeite.

João desistiu propositadamente de uma vida com torradeiras e aquecimento eléctrico. Podia tê-la sem dificuldade, mas quer "viver com menos", como diz.



Claire e João são um exemplo de um grupo de novos rurais com crescente implantação nalguns partes esquecidas de Portugal, como é o caso da serra da Lousã ou do barrocal algarvio.

Os primeiros destes neo-rurais eram estrangeiros. Vinham de uma Europa Central então ameaçada por Chernobyl, à procura do últimos redutos naturais do Continente. Este movimento da populacão iniciou-se de resto já há décadas na Europa, mas só há pouco tempo ganhou alguma relevância social em Portugal.

Por cá, desde os anos quarenta do século passado que as migrações eram em direcção às cidades. Foi este êxodo rural que transformou Portugal num pais macrocéfalo, com um interior cada vez mais desertificado e a população concentrada no Litoral e sobretudo na área da Grande Lisboa.

"As pessoas abandonaram as áreas rurais e foram para as cidades à procura de trabalhos menos duros fisicamente, com remunerações mais elevadas ou pelo menos mais regulares, e à procura de melhores oportunidades para os filhos" - explica a geógrafa Teresa Alves, professora do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa.

Ir para a cidade era então visto como uma ascensão social, qualquer que fôsse a vida das pessoas lá.

Mas o mundo rural mudou muito nos últimos trinta anos. Os tractores substituiram o trabalho braçal, e os subsídios comunitários tornaram mais fácil viver no campo. Hoje em todo o lado há supermercados, a toda a parte se chega num instante graças às auto-estradas, e a internet tornou possível viver no campo mas trabalhar em funções que outrora só na cidade se podiam exercer.

Valorizaram-se também socialmente modos de vida desprezados num passado recente. E iniciou-se outra migração interna, a mudança para o campo dos ex-citadinos...



Agora, os geógrafos até já distinguem diferentes grupos destes "neo- rurais": há os que partem por motivação ecológica, os que na reforma regressam à terra natal, aqueles que se dedicam ao teletrabalho, e até os desempregados por causa da crise...

São algumas dessas pessoas que fizeram a opção de ir viver para o campo que o documentário vai encontrar.

Contata-se que os novos rurais portugueses são muitas vezes os netos ou os filhos dos que partiram para as cidades no século passado. Querem mudar de vida, tal como os seus pais e avós, mas têm outros valores.

"Valorizam o seu próprio tempo e modos de vida mais solidários" - conclui Teresa Alves - "e vão á procura de actividades em equilíbrio com a natureza. Também são pessoas que têm uma cultura de território, e que buscam um lugar específico onde possam ser felizes".

Um documentário de Paulo Silva Costa, com imagem de Rui Lima Matos, genérico de Pedro Cerqueira, edição de João Gama, sonorização de Luís Mateus e produção de João Barrigana.

Estreia na RTP1, 17 de Abril, às 21h15m.

52 min, © RTP 2010

O fim anunciado dos escritórios




Se o vídeo matou a estrela da rádio, a Web 2.0 poderá vir a matar os escritórios convencionais: de acordo com um estudo no qual participou a Microsoft, a recessão, os dispositivos móveis e a geração que está a crescer com as redes sociais irá revolucionar o mundo do trabalho - haverá cada vez mais pessoas a trabalharem a partir de casa ou remotamente, poupando às empresas os custos de manutenção de um lugar fixo de trabalho. Com o fim anunciado dos telefones de secretária, poderão as próprias secretárias desaparecer?


De acordo com a Computer Weekly, o estudo - produzido por académicos, think tanks do sector público britânico e o Institute of Directors (uma organização britânica que luta pelos interesses dos directores de empresas) - poderá vir a ter um impacto profundo na organização das empresas. Cada vez mais o objectivo será o de dar liberdade de movimentos aos directores das empresas e aos seus funcionários, especialmente daqueles que trabalham no sector das novas tecnologias.

As empresas usarão a tecnologia para se descartarem dos seus escritórios fixos e possibilitarem ao seu pessoal o acesso a escritórios em edifícios partilhados (com outras empresas), ou permitindo-lhes trabalhar de onde quiserem, prevê o relatório.

“As poupanças no curto prazo centrar-se-ão no espaço de escritório. Na melhor das hipóteses, apenas 55 por cento do espaço é ocupado em determinado momento, deixando 45 por cento do espaço por usar. Isso é o equivalente a 45 por cento do valor total que custa manter um escritório”, indicou Dave Coplin, que trabalha para a Microsoft Reino Unido.

Este estudo alerta ainda para os benefícios para a empresa resultantes do uso de redes sociais pelos seus trabalhadores, em vez de as tornarem inacessíveis. “Há aqui uma mensagem para as organizações que bloqueiam ferramentas como o Twitter. Não podem continuar a fazer isso, porque estão a restringir a actividade das pessoas. Confiem na segurança das vossas redes e afrouxem um pouco o vosso controlo”, disse Coplin.

O estudo prevê igualmente que se podem tornar comuns situações de trabalho em que há pessoas de várias empresas diferentes a trabalharem debaixo do mesmo tecto. Ao mesmo tempo que partilham o espaço, os trabalhadores podem igualmente partilhar ideias com pessoas de outros ramos de actividade, com benefícios para todos, prediz o estudo. “Isso já está a acontecer em cidades como Londres, Birmingham e Manchester. Há escritórios que não são detidos por nenhuma organização em particular. Há café, luzes e tomadas ligadas à electricidade”, indicou o mesmo responsável da Microsoft.

“Já temos vindo a falar da morte do telefone de secretária. Agora estamos a falar da morte da própria secretária. Não se trata apenas de trabalhar a partir de casa. Há muitas razões para se trabalhar a partir de um número variado de localizações”, frisou Coplin.


in Publico, por Susana Almeida Ribeiro

Escape the City

Novos Povoadores à conquista do Interior



"Sou a prova viva de que com Internet podemos trabalhar em qualquer lado"

Frederico Lucas tem 37 anos, três filhos e uma ambição: promover o êxodo urbano, trazer consumidores para os territórios de baixa densidade.
Com o projecto Novos Povoadores, de que é co-autor, quer também demonstrar que se pode ganhar dinheiro a partir de qualquer sítio. Ele está a tentar fazê-lo, a partir de Trancoso. E há muitas famílias interessadas em seguir-lhe os passos.
Por Luísa Pinto

Quando cheguei, estava deslumbrado. Vim para Trancoso em 2004, atrás da minha ex-mulher. Depois de termos vivido em Telheiras, mudámo-nos para Azeitão. Foi lá que nasceu o nosso terceiro filho, em 2002. Foi em Azeitão que fiquei quando nos separámos, com os dois mais velhos, de três e cinco anos, na altura. Eu trabalhava como consultor na área da comunicação. Demorava uma hora a chegar a Lisboa, e outro tanto a regressar, gastava dez euros por dia, já sem contar com combustível, que nem me lembro a quanto estava. Quando me mudei, os meus custos fixos passaram de 1750 euros por mês, entre casa e infantários e ATL dos filhos, para 390 euros.

Poder almoçar e jantar fora os dias que me apetecesse era uma coisa que havia saído há muito das minhas possibilidades.
Aqui, passaram-me a sobrar semanas. Deslumbrei-me. Também com a qualidade de vida. Uma pessoa pode entrar às nove e sair às cinco, ganhar três vezes mais do que paga de renda e infantários (que aqui são subsidiados por toda a gente, entre câmara, Misericórdia e Segurança Social). É uma tranquilidade. O único dia em que há trânsito, isto é, dois carros num semáforo, é à sexta-feira, em que há mercado semanal.

Lembro-me que nos primeiros dias, depois de chegar, deixavam-me um saquinho de legumes à porta. Fazem muito isso. Sabem que alguém chega, não tem terras cá, e lá nos põem à porta batatas, cenouras… é uma coisa muito agradável. Mas há o outro lado, o do controlo social. Dá-me um certo gozo dizer que se o meu filho sair da escola, e se eu perguntar a duas ou três pessoas, alguém saberá onde ele está. Mas isto também significa uma perda de privacidade e de anonimato a que estávamos habituados nas cidades, onde nem se sabe o nome do vizinho de baixo.
Uma vez cheguei de Lisboa, bati à porta da minha ex-mulher, e foi a do lado que se abriu, e foi a vizinha quem me disse: ‘Os seus filhos foram ao cinema.’ Temos de aprender a viver com isto. Eu não conhecia a senhora. Mas ela sabia que os meus filhos estavam no cinema. Aliás, aqui há dias, voltei ao cinema com eles em Lisboa. Foi um susto. Paguei 38 euros. Em Trancoso pagamos pouco mais de sete.

Foi aqui, em Trancoso, que conheci a Ana Linhares e o Alexandre Ferraz e que, a três, desenhámos o projecto dos Novos Povoadores. O Alexandre, que é do Pombal, tirou um curso de turismo, era recepcionista de um hotel, e veio para cá em 2002 porque foi aqui que encontrou um emprego qualificado.
A Ana é de Barcelos e veio atrás do Alexandre, e atrás de emprego.

Somos o Santo António
Foi aqui que nos cruzámos todos, e isto já é um sinal das dificuldades que pode haver na integração numa comunidade rural. Não é por acaso que três pessoas que são de fora é que se juntam. Porque há dificuldade. Se tivéssemos sido acolhidos de outra maneira, este projecto não teria sido concebido assim e até podia ter sido feito com pessoas de cá. projecto Novos Povoadores surgiu de uma conversa com o Alexandre. Começamos a partilhar as dificuldades do desenvolvimento nestes territórios. Se estes territórios têm qualidade de vida para oferecer, por que é que as pessoas não os habitam? Chegamos à questão simples: porque não têm emprego.
Mas, então, eu também não tenho emprego em Trancoso e é aqui que eu moro. Sou assim uma ave tão rara? Há mais pessoas que podem fazer isto.

Eu posso trabalhar a partir de qualquer lado – aliás, agora estou a pensar mudar-me para Marvão –, a única coisa que preciso é ter acesso à Internet. É a economia DNS (Domain Name Server). Com ela, as pessoas já podem vir para estes territórios de baixa densidade, que precisam desesperadamente de consumidores, mas que não têm empregos para oferecer. Com a economia DNS, já não é o território que gera o seu posto de trabalho. Os postos de trabalho ganharam independência geográfica, o meu contabilista pode estar em Vila Real, onde quiser, só tem de receber os meus papéis.
Eu vou contratar o contabilista que me for mais barato, e o que conseguir ser mais competitivo.
Eu fiz o mesmo. A minha tabela de honorários desceu 30 por cento, desde que me mudei para Trancoso, onde continuo a trabalhar como consultor de várias empresas. O trabalho para uma dessas empresas obriga-me a ir uma vez por semana a Lisboa.

Não sou formado em economia do desenvolvimento, nem em gestão territorial. Mas especializei-me a devorar estes temas, e a frequentar tudo o que é congressos e seminários. Acho que a economia acabou com os postos de trabalho, para haver cada vez mais empreendedores. Cada vez mais ganhamos em função das peças que fazemos e cada vez menos ganhamos um ordenado de uma empresa, mas sim de um projecto específico. Isso acontece comigo há já 17 anos. Foi o que sempre fiz.

Tirei um curso técnico de realização, que nunca utilizei, e sou a prova viva de que se pensarmos em algo com Internet podemos trabalhar em qualquer lado. E habitar estes territórios que nos dão qualidade de vida.
Sabemos que há pessoas que procuram estes sítios. Sabemos que há municípios que precisam de quadros qualificados, de consumidores. Nós somos o Santo António. Casamos território com pessoas. Estivemos três anos a discutir o projecto, a desenhá-lo. Não sabíamos como fazer deste modelo um negócio. Só o conseguimos em Dezembro de 2008, quatro meses antes de apresentar o projecto.

Ganhar dinheiro
Quem paga o nosso serviço são as câmaras, por cada cinco famílias que se mudam para o território, e que lá ficam pelo menos um ano.
Mas nós não cobramos um cêntimo às famílias, e não lhes pagamos, sequer, um café. As despesas e as poupanças serão todas por sua conta. Nós só as ajudamos a maturar este processo, esta ideia. Para que elas percebam que estes territórios têm muitas características boas, e outras menos boas.
Não andámos à procura de ninguém. As famílias que se querem mudar é que nos procuram no site [http://www.novospovoadores.pt].
E trabalhamos com municípios aderentes, com aqueles que têm verdadeiramente um projecto, um objectivo.

(...)

Nós não somos uma agência imobiliária, mas ajudamos a identificá-las nos territórios que as famílias querem ocupar. Não somos agência de emprego, mas ajudamos a criar empreendedores.
E não procuramos só projectos de turismo e de agricultura biológica.
Os territórios de baixa densidade são sistematicamente vistos como oportunidades sempre coladas ao turismo. O que sabemos é que o turismo cresce e representa normalmente à volta de 20 por cento da actividade económica do país. E não cresce mais porque as pessoas procuram territórios autênticos, não vão para os sítios onde está tudo feito para o turista.
Trancoso tem 16 mil turistas por ano. Se duplicarmos o número de turistas, para 32 mil, e não há exemplos destes, ganhamos três dias de autonomia anual de orçamento municipal. Temos de multiplicar por cem o turismo para deixarmos de depender do orçamento [público]. Não é por aí que vamos conseguir a independência que se está a pedir aos territórios.

Eu acho que o interior sofre de excesso de dinheiro. Os recursos humanos desses territórios são indiscriminadamente integrados nos municípios, e, por falta de trabalho, são “anestesiados” para nada produzirem. São recursos com os quais o território deixa de poder contar para qualquer estratégia para a sua competitividade. E os outros, os empreendedores locais, são contratados pelos municípios ao preço que lhes é confortável para manterem o seu quadro de pessoal.
Deste modo não lhes resta qualquer motivação para competirem, ainda menos no mercado global. Receio que em muitos casos esta falta de visão estratégica não seja obra do acaso. E nesses locais não haverá projecto Novos Povoadores, com toda a certeza.

in Público, Luísa Pinto

The Sustainable City

Já Vencemos!(*)



Foi em 25 de Setembro de 2005 que inaugurei o projecto "Inovação & Inclusão".

Nesse periodo a gestão autárquica nos territórios de baixa densidade era marcada pela perspectiva de angariação de industrias ou pela dinamização do turismo.

Defendia nessa data algo que poucos compreendiam: O futuro do "interior" está na captação de massa crítica, gente capaz de induzir dinamismo económico e social

Este era um objectivo conhecido e compreendido para as cidades universitárias mas muito mal aceite para os territórios de baixa densidade.

Nas apertadas curvas da vida conheci Alexandre Ferraz. Para além de um ser admirável, preocupava-se com dinamização de pequenos negócios num território multimunicipal da Beira Interior.

Um paper de António Covas com o título “O espaço rural: de espaço-produtor a espaço-produzido” foi o nosso rastilho para compreendermos que não estávamos sos nessa vontade de repensar o "interior".

A certeza de que se tratava de um desígnio veio com o então recem eleito Presidente da República e o seu Roteiro para a Inclusão.
Chegou-nos também daí uma mensagem de estímulo assinada por Nunes Liberato.

E hoje chegámos a um ponto admirável: É consensual que o futuro do interior passa pela concorrência directa aos territórios metropolitanos. Passou de território paraplégico e envelhecido a espaço de futuro. Está entre as melhores ofertas territoriais a nível europeu para actividades suportadas na economia digital.

Esta manhã, enquanto tomava café, Manuel Frexes confirmava em directo na RTP que o Fundão dispunha hoje de condições para acolher população metropolitana.
Pode parecer banal. Mas a frescura deste discurso contrasta com tudo o que se dizia até há poucos meses atrás.

Creio que a mensagem do projecto Novos Povoadores já passou!

Obrigado! Conseguimos. COLECTIVAMENTE!

(*) Nas longas noites de violência que sucederam o referendo timorense, alguém explicava na TSF que para eles o simples facto de resistirem já era uma vitória!
Ocorre o mesmo com o "interior". Tivemos a capacidade de resistir à imagem debilitada que lhes quiseram atribuir. E hoje, esse território é a imagem do futuro, deixando para os engarrafamentos de trânsito e para os minusculos escritórios o retrato da sociedade "old fashion".

33 famílias serão Novos Povoadores do interior em Setembro

por Ana Tomás Ribeiro



Há 277 municípios a precisar de recursos humanos. E famílias de grandes cidades a quererem mudar de vida. O projecto Novos Povoadores é o ponto de encontro.

Há 277 municípios a precisar de recursos humanos qualificados e de gente empreendedora capaz de criar projectos geradores de emprego, com efeito multiplicador, e de competir a nível internacional. E há certamente famílias nos grande centros urbanos com vontade de mudarem para a província, para desenvolver um projecto próprio tendo mais qualidade de vida.

Foi nisto que Frederico Lucas pensou quando decidiu desafiar dois amigos, a Ana Linhares, socióloga, e o Alexandre Ferraz, técnico de uma associação de desenvolvimento local em Trancoso, para criarem conjuntamente o projecto Novos Povoadores (divulgado pela Visão há duas semanas), que tem como objectivo encontrar, nos grandes centros urbanos, candidatos à altura das necessidades regionais. Depois era preciso encontrar um parceiro que os ajudasse a pôr em prática o desafio. Encontraram o Intec - Instituto de Tecnologia Comportamental. Assim, o projecto só começou a ser posto em prática em Dezembro.

De então para cá já se candidataram 25 famílias. "Mas daqui por um mês já devemos ter 100 candidaturas. Uma estimativa que faço de acordo com o número de contactos que temos recebido", explica Frederico Lucas.

Para garantir o sucesso da família na sua nova vida, um dos membros do casal deverá ter um emprego assegurado, quer por via da transferência da sua actual entidade empregadora ou de uma entidade da região que o venha previamente a contratar. O outro membro da família terá de desenvolver um projecto empreendedor, para o qual conta, desde logo, com apoios de várias entidades, incluindo do próprio município.

Contudo, das cem famílias que deverão ser candidatas dentro de um mês, só um terço concretizará a mudança. Ou seja, 33.

De acordo com o cálculos de um dos mentores do projecto, "a maioria vai desistir ou prorrogar a decisão a meio do processo de aproximação à nova realidade. Um processo que pretendemos fazer de uma forma lenta, e com várias etapas, para que os candidatos se apercebam de todos os prós e contra" (ver caixa com passo a passo). Os que vão desistir, diz Frederico Lucas, fazem-no essencialmente por questões culturais. As que se mantêm mudam-se no começo do próximo ano lectivo, em Setembro, para uma cidade ligada por auto-estrada. Porque os mentores do projecto Novos Povoadores querem iniciar a experiência piloto num centro urbano de fácil acesso. Em cima da mesa estão várias hipóteses: Castelo Branco, Évora, Abrantes. Uma ilha nos Açores também está a ser estudada.

Entre as 15 famílias que já estão em processo de avaliação, há casais sem filhos e famílias numeroas (com 5 pessoas ), muitos profissionais da comunicação, marketing, engenheiros e projectistas, bem como emigrantes que regressaram ao país e querem investir em projectos de turismo rural.

in DN

A Busca Interior


São cada vez mais os que partem dos centros urbanos para o Interior. Procuram, não o ideal romântico de outros tempos, mas oportunidades de trabalho e de vida que as cidades lhes vão negando.

Ana Berliner foi das que trocaram Lisboa pelo Vale do Côa, terra que lhe vai servindo para cumprir o gosto pela conservação da natureza. Bióloga, é presidente da Associação Transumância e Natureza (ATN), actividade a que se vai dedicando como "hobby". A subsistência da família é assegurada pela exploração de uma casa de turismo rural.

É à frente dos destinos da ATN que Ana Berliner sente a solidão imposta por uma paixão que ainda não é valorizada pela sociedade em geral. "Temos falta de meios físicos e humanos", contou ao JN. "Enquanto há projectos, as coisas vão correndo bem... Mas os nossos meios são muito escassos". A carência é combatida pelos apoios que recebem de organizações internacionais. "Em Portugal, não recolhemos muitos apoios e não existe mecenato em projectos de conservação da natureza", lamenta a bióloga.

Os atrasos nos pagamentos do Ministério da Agricultura e o excesso de burocracia para passar à prática algumas das iniciativas, como o sempre adiado campo de alimento de aves necrófagas, desgastam e moem, exemplifica Ana Berliner. Mas não matam o gosto de quem deitou mãos e alma à dinamização de associações de desenvolvimento rural. O JN falou com vários jovens, actualmente à frente de projectos no Douro Internacional (ver página 3 e 4). A falta de apoios e o excesso de burocracia são queixas unanimente partilhadas.

Rui Rafael, do Gabinete de Planeamento e Políticas (GPP) do Ministério da Agricultura, desmonta, no entanto, a ideia da insuficiência de apoios. No âmbito da aplicação dos fundos comunitários, a sociedade civil tem ao dispor uma dotação de 453 milhões de euros para aplicação em projectos que vão da diversificação da economia e criação de emprego, à melhoria qualidade de vida, implementação de estratégias de desenvolvimento local e para o funcionamento dos Grupo de Acção Local (GAL), explicou.

Até à data, adiantou, ainda, o técnico do GPP, foram criados 44 GAL, que cobrem 80% do território nacional. Estes gabinetes têm como tarefa a gestão da aplicação das verbas numa determinada área. "Sabemos por experiência que quem faz melhor o que é melhor para si é a comunidade local", explicou Rui Rafael, justificando, assim, a criação de unidades locais para a gestão dos fundos.

As associações podem submeter aos GAL os projectos que pretendem aplicar no terreno, sendo que têm que ter como filosofia subjacente a criação de investimento, emprego e competitividade, o que por si só não garante a resolução do problema da fixação de recursos humanos, sublinhou Rui Rafael.

Renato Carmo, investigador do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), apesar de reconhecer a forte dependência das associações de desenvolvimento rural dos fundos comunitários, salienta a ausência de políticas públicas direccionadas para este tipo de dinâmicas. "Quando acabam os apoios não têm capacidade de continuidade", sublinhou o sociólogo, defendendo a criação políticas capazes de atrair pessoas ao Interior.

Gente que parte das cidades à procura de uma vida melhor, mas que partilha a intenção de preservar, valorizar e revitalizar o património rural das terras que a acolhe. Américo Tomé, vice-presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, embora reconheça a importância de receber forasteiros, mostra-se ciente das dificuldades. "Por cá, temos muito espaço para poucas pessoas", lamenta, consciente de que as oportunidades só vingam onde há gente.

in JN, Maria Cláudia Monteiro

As Cidades mais Vazias da América



O seguinte texto é uma adaptação do artigo “America’s Emptiest Cities” de Zack O’Malley, da revista Forbes

«As Cidades mais Vazias da América

Durante décadas Las Vegas vibrou com nova construção e um desenvolvimento económico alucinante. Detroit, o centro da indústria americana, estagnou e enferrujou sob o seu próprio peso. Assim, Las Vegas e Detroit “disputam” o título de cidade mais abandonada da América. Atlanta surge em terceiro, seguido por Greensboro, N.C. e ainda por Dayton, no 6º posto.

Estes resultados surgem de uma combinação entre taxas de ocupação de casas alugadas e casas próprias realizada pela Forbes com valores obtidos no Census Bureau, em que o valor final é uma média dos dados acima observados, para as 75 maiores áreas metropolitanas dos Estados Unidos da América.

Cidades como Detroit e Dayton são vítimas do longo declínio industrial americano, já outras como Las Vegas e Orlando, são vítimas da recente quebra na procura de casa (existem 18.9 milhões de casas vagas nos EUA). Boston e New York estão na situação oposta,

Ainda assim, os bairros vazios estão-se a transformar num problema cada vez mais grave no país. A taxa de casas de aluguer livres a nível nacional está agora em 10.1%, acima de 9.6% de um ano atrás.

“Está uma confusão” diz o construtor Laurence Hallier de Vegas. “Agora, as coisas estão congeladas. Toda a gente está assustada.” Hallier, sabe-o por experiência. O seu complexo Panorama Towers era um sucesso no início, há três anos. O primeiro dos quatro arranha-céus residenciais planeados foi vendido em seis meses, o segundo, que abrira em 2007, vendeu em 12 semanas. Já a terceira torre, perto da data de conclusão no Outono passado, tinha apenas vendido 92% de suas unidades. Com a recessão apenas metade dos negócios foram concluídos. Hallier diz que demorará anos para vender o restante e o projecto para a quarta torre foi atrasado indefinidamente.

Enquanto os preços dos bens imobiliários subiram rapidamente durante o crescimento, os consumidores contraíram grandes empréstimos para comprar casas, partindo do principio que os valores iriam continuar a aumentar. Em vez disso os preços tiveram uma queda abrupta, em especial em lugares como Las Vegas, Florida e Phoenix, onde o crescimento do parque habitacional era grande. Muitos proprietários encontraram-se então de repente com o valor das propriedades longe do valor das hipotecas que realizaram. A situação em Las Vegas é bastante má mas em Detroit os problemas são muito mais profundos. O grande desenvolvimento industrial durante a primeira metade do século XX, a população de Detroit cresceu de 285.000 em 1900 a 990.000 em 1920, alcançando um pico de 1.8 milhões em 1950. Mas no começo dosanos 60, Detroit começou o declínio. A sua população é agora de 900.000 - metade do que era no meio do século - e muitos dos seus bairros deterioram-se rapidamente.

A maioria dos estudos responsabilizam o alargamento dos subúrbios, o outsorcing de trabalhos fabris e os programas federais que dizem agravar a situação criando uma cultura do desemprego e de dependência.

Contudo após mais do que meio século, ainda ninguém foi capaz de encontrar uma solução para recuperar Detroit.

Las Vegas sofrerá eventualmente o mesmo destino?»

Daniel Tiago via 5ª Cidade

Terra Prometida


Para muitos, o Alentejo é a terra prometida, o lugar onde a realização de um grande sonho é possível. Os “alentejanados”, como são por vezes conhecidos, falam com entusiasmo da imensidão do céu, da ligação à terra e da grande tranquilidade.
Vieram de Lisboa e de outras cidades grandes ou de outros países. Muitos trocaram a profissão que exerciam pelo desafio de um novo ofício. Outros adaptaram o trabalho às novas circunstâncias, tendo a Internet como grande aliada para ultrapassar um certo isolamento da região. Por vezes, confessam que ficaram a perder do ponto de vista financeiro mas garantem que o saldo final é positivo, depois de tudo considerado.
Terra Prometida é uma grande reportagem de Carlos Júlio com sonoplastia de João Félix Pereira.

Ouvir em TSF

Lisboa adere programa internacional redução emissões carbono

Lisboa vai aderir à segunda fase de um programa de redução das emissões de carbono, a par de Birmingham, Hamburgo e Madrid, disse à Lusa fonte do gabinete do presidente da autarquia, António Costa.

O autarca desloca-se na quarta-feira a São Francisco, uma das cidades pioneiras do programa CUD, de redução das emissões de carbono, juntamente com Seul e Amesterdão.

O programa resulta de uma parceria entre a Clinton Global Initiative, da Fundação Bill Clinton, a empresa de consultoria Cisco e o Massachusetts Institute of Technology (MIT).

As áreas-chave para a redução das emissões de carbono são a gestão de tráfego, teletrabalho, edifícios inteligentes, planeamento urbano, energias renováveis e promoção de tecnologias «verdes».

A Cisco, empresa onde está o antigo conselheiro da Presidência da República Diogo Vasconcelos, já criou um grupo de trabalho para a cidade de Lisboa.

Em São Francisco, o programa teve repercussão em diversas áreas, desde os transportes à criação para cada cidadão da sua «pegada» ambiental, ou seja, as consequências para o ambiente dos seus gestos quotidianos.

Em Seul, o projecto centrou-se essencialmente na componente do teletrabalho e na melhoria do sistema de transportes.

ACL.

in Diário Digital

Desculpas, desculpas, desculpas...

Caríssimos visitantes,
Os meses de Julho e Agosto foram marcados por excessivos niveis de exigência profissional, motivo pelo qual o blogue quase estagnou.
Porque muitas vezes os textos publicados são apenas transcrições de outras fontes, mas que, quer pela qualidade quer pela visão que apresentam, merecem essa difusão, nem sempre deixarão perceber ao visitante o nível de empenho que tenho com este projecto.
Assumo na minha definição de cidadania a procura incessante de soluções que visem harmonizar o território português, quer pelo aproveitamento dos seus maiores activos naturais - sol, campo, sossego, baixa densidade populacional - tecnológicos e infra-estruturais.

Peço pois que me desculpem, assim como eu vos perdou-o do vosso silêncio!

15 cidades excedem limite de poluição


O Expresso fez um «ranking» das cidades mais poluídas. Lisboa lidera, seguida de Guimarães, Paredes e Espinho

Um mero assador de castanhas localizado junto a uma estação de medição da qualidade do ar fez disparar os níveis de concentração de partículas nocivas para a saúde. Isto aconteceu em Novembro, em Entrecampos.

Por aqui se vê a que ponto é complexa a medida da poluição atmosférica. Mas não é nenhum acaso que faz da Avenida da Liberdade a mais poluída do país. Ali, o tráfego intenso e a morfologia (avenida estreita, ladeada por prédios altos) concentram os poluentes emitidos pelos carros.

Dados da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) - que ajudou o Expresso a elaborar este «ranking» - indicam que a capital, em 2005, teve 183 dias durante os quais se verificou excesso de concentração de partículas. A norma apenas admite um máximo de 35 dias nestas condições. Madrid teve menos um dia de excesso de partículas. Contudo, estes dados referem-se a 2006.


Mas se Lisboa lidera pelas piores razões, o Norte de Portugal reúne o maior número de cidades que ultrapassam os limites legais de concentração de partículas. Guimarães, Paredes e Espinho ocupam os lugares cimeiros do «ranking», logo a seguir à capital. Esta classificação apenas reflecte os locais - em 44 cidades - onde estão instalados postos de medição. Para se ter uma ideia global é preciso ponderar as diversas medições.

Além dos carros e fábricas, a poluição atmosférica é acentuada por fenómenos como as elevadas temperaturas, ou os incêndios no Verão, ou até por episódios de transporte de partículas a partir do Norte de África.

“As excedências (dias em que os limites máximos são ultrapassados) ameaçam a saúde pública, por estarem associadas ao transporte de metais pesados tóxicos que provocam problemas respiratórios”, refere Dília Jardim, chefe da Divisão de Ar e Ruído da APA. A Comissão Europeia tem vindo a apertar os limites admissíveis destes poluentes, considerados responsáveis pela redução de nove meses na esperança média de vida dos europeus. Um estudo da Universidade Nova indica que 35% do atendimento pediátrico no Hospital D. Estefânia, em 2004, se deveu a doenças respiratórias.

A UE impôs em 2001 uma norma que obrigava as regiões mais poluídas a ter Planos e Programas de Qualidade do Ar. A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo concluiu os seus em 2005, mas a sua homóloga do Norte ainda não o fez.

Só há dois meses o Governo aprovou legislação que responsabiliza as Câmaras Municipais pela aplicação no terreno de medidas correctoras da poluição do ar exterior. “A Câmara de Lisboa não ligou nenhuma a estes planos”, critica o presidente da referida comissão, Fonseca Ferreira, lembrando ser ao município que compete decidir e aplicar as medidas.

Marina Ferreira, presidente da Comissão Administrativa da autarquia, contrapõe: “Tomámos medidas fortíssimas para condicionar o tráfego, designadamente aumentando as tarifas de estacionamento, aprovando o plano de pormenor que prevê a pedonização dos eixos laterais da Avenida da Liberdade, ou construindo o Túnel do Marquês, que reduz o congestionamento”.

Em tom de remate, Francisco Ferreira, da Quercus, lembra que “noutras cidades europeias o estacionamento é caro, não há alternativas, e o dinheiro serve para financiar os transportes públicos, enquanto em Lisboa 70% dos carros que entram não pagam nada e o dinheiro do estacionamento vai para a EMEL ou para os donos dos parques”.


in Expresso, Carla Tomás

Vive-se pior em Lisboa


A capital portuguesa perdeu competitividade e qualidade de vida. Agora fazem-se planos para o futuro

Lisboa está altamente desconfortável. É um lugar onde não é bom viver”. É nestes termos que António Fonseca Ferreira, natural de Trancoso, mas residente há muito na capital, se refere à principal cidade portuguesa.

Muitos lisboetas pensam o mesmo. A diferença é que este preside à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região de Lisboa e Vale do Tejo. Para Fonseca Ferreira, uma das coisas mais urgentes é resolver os problemas da mobilidade, do estacionamento e do trânsito no centro da cidade. Nem que tenha de colocar portagens às portas da capital...

Não menos importante é inverter o processo de despovoamento do centro e fuga para os subúrbios. Está convencido de que Lisboa atingiu o ponto mais baixo em termos populacionais. A situação é tão má que “a partir daqui só tem que melhorar”.

A poluição atmosférica na Avenida da Liberdade acentuou-se de forma dramática. Segundo as normas europeias, só em 35 dias por ano seria tolerada a ultrapassagem do nível máximo de partículas e outros poluentes. Na prática esse limite foi ultrapassado em 170 dias. Ou seja, em metade do ano esteve em perigo a saúde pública.

Fonseca Ferreira acaba de apresentar um estudo da Comissão, intitulado ‘Lisboa 2020 - Uma Estratégia de Lisboa para a Região de Lisboa’. Este trabalho levanta outro problema, talvez o mais grave: “Esta região anda a ser desgovernada por cerca de 50 entidades diferentes”. Por isso vai propor a criação de um Fórum Metropolitano, que assegure boa comunicação entre todos os organismos de decisão.

Mais uma entidade a juntar às outras 50? Fonseca Ferreira garante que não. “Seria uma entidade de articulação entre a Comissão, a Junta Metropolitana, as administrações, as empresas e as universidades”.

Explicações à parte, o que é mesmo necessário é que em 2020 a região de Lisboa seja relevante em termos europeus. Coisa que “hoje ainda não é”.

A única excepção é o turismo. As zonas de Setúbal e do Oeste têm aprovadas e em construção 50 mil camas. “Nos próximos dois anos vamos ter um grande desenvolvimento no turismo residencial”. Isso inclui alguns empreendimentos com a chancela governamental de Projectos de Interesse Nacional. Há quem veja nesta figura uma ingerência do poder central na gestão autárquica, Questionado sobre o assunto, Fonseca Ferreira discorda desta crítica.

Também responde negativamente à hipótese de o aeroporto da Ota acentuar os desequilíbrios territoriais da região. Isto quando no documento agora apresentado se volta a falar de Lisboa como cidade de duas margens.

“A margem sul não é um deserto, mas a verdade é que a Portela influencia seis milhões de pessoas, das quais 4,9 estão na margem norte”. Confessa-se um adepto da opção Ota.

Mas para evitar maiores desequilíbrios numa região rasgada a meio pelo estuário do Tejo, para compensar a construção de um aeroporto a norte, defende a transferência de algumas valências para a margem sul. “Queremos dinamizar um pólo de competitividade automóvel (em Palmela), turismo de qualidade (Tróia), logística (Poceirão) e urbanismo (no arco ribeirinho de Cacilhas, Seixal e Barreiro)”. Quando se construir a terceira ponte no estuário do Tejo “então ficaremos servidos para 40 ou 50 anos”. Eventualmente, poder-se-ia fazer uma ligação entre o Terreiro do Paço e Cacilhas em túnel, unindo os sistemas de metropolitano das duas margens. “É um problema de custo/benefício a estudar”.


Vítor Andrade, EXPRESSO

Centros Urbanos

A civilidade está intrinsecamente ligada à cidade. A polis grega designava tanto a forma urbis como o modelo de relacionamento social apropriado ao lugar. A notoriedade das cidades condiciona a aspiração das suas instituições e a qualidade de vida dos seus habitantes.
As cidades antigas costumam ser densas e apresentar alguma regularidade tipológica, traduzindo na malha a hierarquia espacial das funções que lhe estavam cometidas (câmara, tribunal, cadeia, mercado, igreja, escola, etc.). Com a industrialização e a concomitante liberalização dos hábitos, a pressão demográfica, o desenvolvimento dos transportes e a promoção higienista, as urbes expandiram-se para lá da muralha em ensanches mais ou menos regrados, afastando-se da utopia moderna.

(...) A cidade, consolidada ou instantânea, é simultaneamente um espaço de encontro e de irradiação que acolhe grupos humanos com distintos, por vezes conflituais, interesses. Mais do que ícones do poder vigente, as novas formas de centralidade são heterogéneas, devem etimular as trocas entre as "coroas" urbanas e fomentar a coexistência da multiplicidade cultural, que não é mais que a inscrição da cidadania, pois a conciliação e a disputa estão na génese da política.

texto completo no O Interior Francisco Paiva

A explosão suburbana


Uma praga alastra das áreas metropolitanas ao conjunto do território português: a doença suburbana

Durante décadas, sempre que se falava em crescimento de subúrbios, pensava-se automaticamente nas periferias de Lisboa e do Porto. Nos últimos anos, o fenómeno ganhou uma nova dimensão. Agora, quase todas as capitais de distrito se despovoam, pelo menos no que às áreas centrais diz respeito, alastrando à sua volta e ‘invadindo’ os concelhos vizinhos, como uma espécie de mancha de óleo de aglomerações-satélites (a infografia que acompanha este texto é ilustrativa desta nova tendência). Ou seja, o mecanismo de transferência de população entre o interior e o litoral referido na edição da semana passada é muito mais complexo do que parece. O interior despovoa-se, mas não são necessariamente as cidades litorais seculares que crescem. Isso acontece - e de uma forma que só encontra analogia no alastramento de uma epidemia - nas zonas suburbanas. Entretanto, políticas desgarradas e de vistas curtas persistem em retirar equipamentos das cidades em vias de despovoamento (veja-se, na pág. 35, o exemplo da projectada transferência do Instituto Português de Oncologia de Lisboa para Oeiras) ou encaram o fecho de maternidades, postos de polícia ou serviços regionais numa lógica de gestão pontual, à margem de qualquer visão de conjunto do equilíbrio do território.

Do ponto de vista urbanístico, estas novas zonas habitacionais periféricas são desastrosas: poucos espaços livres, construção em altura de baixa qualidade, equipamentos colectivos subdimensionados ou inexistentes. A rede de infra-estruturas, seja de transportes e comunicações seja de água, luz ou saneamento, corre atrás do prejuízo e com várias voltas de atraso. O IC19, a via rápida (só de nome) que liga Lisboa a Sintra, é um caso paradigmático: onde em 1991 circulavam 12 mil veículos por dia, passaram a andar 24 mil em 1996. Hoje, transitam dez vezes mais carros que em 1991 e circula-se cada vez pior, apesar de sucessivos e caros alargamentos e desnivelamentos. Há quem deixe o carro à beira do IC19 e faça o trajecto de e para casa a pé, para ganhar uns preciosos minutos no engarrafamento da manhã. De resto, para avaliar onde chegou o pesadelo dos subúrbios, veja as duas reportagens que acompanham este texto, referentes aos arredores do Porto e de Lisboa. É certo que a vida nestas aglomerações não tem só um lado negativo (como as reportagens também registam), e não é menos certo que aqui se produz uma parte importante da riqueza gerada no país. Mas em que condições!

Se, como se referiu no caso do IC19, há mais carros, é porque há mais gente. Prescindindo da discussão sobre a maior ou menor utilização pelos portugueses do transporte público (que será abordado numa das próximas edições destes trabalhos dedicados ao Mês das Cidades), o nível de engarrafamento do IC19 mede o grau de falhanço do planeamento do território nas últimas décadas. Sintra é o concelho da Área Metropolitana de Lisboa onde se licenciaram mais fogos entre 1994 e 1998, alguns ainda por construir. Com um total de 28.375 fogos construídos nos últimos cinco anos, este concelho acolheu (imagina-se como) mais de um terço da construção do distrito de Lisboa.

O que eleva a irracionalidade aos píncaros é começar a verificar-se outro fenómeno, cujas consequências ainda não estão bem avaliadas: o abandono dos subúrbios de pior qualidade, onde estão a multiplicar-se os andares devolutos. O que não admira, se soubermos que a construção prevista nos planos directores municipais dava para albergar outro Portugal.


Luísa Schmidt e Rui Cardoso, EXPRESSO

Mudança

As alterações ao regime de trabalho que estão a ocorrer em todas as economias desenvolvidas, que se afastam dos conceitos tradicionais de "emprego", implicarão necessariamente alterações ao modelo de endividamento das familias, principalmente no respeitante à aquisição de habitação.
Por outras palavras, e por mais que as instituições financeiras se esforcem a provar o contrário, uma percentagem significativa da população deixará de poder adquirir a sua própria habitação nas grandes cidades, pelo menos enquanto se mantiver a actual cotação das mesmas.

Bridging the Broadband Gap



Realizou-se no passado dia 14 e 15 de Maio em Bruxelas a conferência "Bridging the Broadband Gap", cujo objectivo foi o de sensibilizar os governos regionais para a importância da cobertura de banda larga nas regiões rurais.

Entre as conclusões configura a importância dessa cobertura na "Diversificação das actvidades económicas [no meio rural] para a criação de emprego e para uma melhor utilização das tecnologias de informação, nomeadamente para a dinamização de teletrabalho e para o suporte à criação e manutenção de actividades económicas em zonas rurais"

Prós & Contras

"As Cidades são como as mulheres!
A beleza que transparecem estão mais dependentes do cuidado que se tem com elas do que da sua beleza natural"

(as palavras não são estas mas julgo ter respeitado o conceito)

Mário Zambujal

Manutenção da TAP deslocada para Beja

O investimento da TAP no futuro aeroporto de Beja poderá chegar a 100 milhões de euros, se a oficina de motores acompanhar a manutenção

A unidade de negócio de manutenção e engenharia da TAP está na iminência de trocar a Portela por Beja, de modo a resolver a situação de “estrangulamento de hangares e posições para fazer manutenção de aviões” com que se debate em Lisboa.

O crescimento da frota da transportadora aérea nacional - com mais 14 aviões no espaço de dois anos - já forçou a empresa a recusar propostas para a manutenção de 75 aviões para terceiros, só em 2006, revelou Jorge Sobral, vice-presidente executivo da TAP.

E, como não pode esperar pela construção do novo aeroporto da Ota, a partida para Beja afirma-se como a única solução viável. “A decisão terá de ser tomada até Setembro”, assegura o mesmo responsável.

No aeroporto da cidade alentejana, a TAP criará quatro posições para a manutenção de «wide-bodies» e oito posições para «narrow-bodies». Todos os serviços de engenharia serão igualmente deslocados para Beja, num total de mil efectivos, 400 dos quais recrutados localmente. “Será um pólo de desenvolvimento na região”, prevê Jorge Sobral.

in Expresso


A concretizar-se, este exemplo será revelador das oportunidades de descentralização e descongestionamento da Área Metropolitana de Lisboa

Pedro Norton de Matos



Um aviso amigo. É com um toque de ironia que o empresário Pedro Norton de Matos se refere ao enfarte de miocárdio que sofreu há dois anos. Um acidente sem sequelas que o fez corrigir o «triângulo infernal» em que vivia: stress, vida sedentária e má alimentação. «Estava com o estilo de vida próprio dos tempos modernos. Andava muito de carro e de elevador, viajava muito, comia demais e a más horas e andava em permanente tensão. Imaginem um banco de tripé: se falha um pé, o banco tomba. Foi o que me aconteceu», brinca Norton de Matos. Depois deste episódio, voltou a praticar exercício com regularidade - na juventude chegou a jogar futebol no Benfica, na categoria de juvenil e júnior - passou a encher menos o prato e a acalmar o seu ritmo de trabalho. «No dia em que tive o ataque de coração, uma espécie de camião que estacionou no meu peito, fiz uma promessa à minha família. Passaria a tomar mais cuidado comigo e o meu ritmo de trabalho seria gerido de uma maneira mais racional», recorda. Actualmente orgulha-se de ter autoridade moral sobre a família, amigos e colegas. «Já cheguei a pegar amigos pelo braço, que viviam com ritmos e hábitos disparatados, obrigando-os a repensar prioridades.» Para manter um coração saudável, recomenda a todos que andem cerca de 50 minutos num terreno plano. «Chega para fortalecer o sistema imunitário», diz, tendo em mente a sugestão desta semana da agenda Expresso/Banif a propósito do Mês do Coração, em Maio: «Dê corda aos seus ténis e descubra a sua terra a pé».

in Expresso

Casa em Leytron, Suiça de Nunatak Architects









Rede Cidades Medias



O CIUMED, projecto financiado pelo programa comunitário INTERREG IIIB SUDOE, que decorreu entre Janeiro de 2003 e Novembro de 2005, teve como objectivo principal contribuir para a promoção, no sudoeste europeu, de um sistema policêntrico e equilibrado de cidades capaz de transmitir a todos os municípios, por mais pequenos que fossem, os impulsos do desenvolvimento económico e do bem-estar social.

Um Selo para o Interior



Utilizamos 13% de Portugal: Pouco mais de um décimo do território nacional!

A estatística é cruel! Desistimos de 87 % do território.

As vias de comunicação, físicas ou de dados, permitem, ou não, assegurar a produtividade profissional?

Facto incompreensível numa era que privilegia as redes digitais.
Não poderíamos/deveríamos estar a discutir o êxodo urbano?

Pela Dinamização do Interior

Trabalho em casa traz qualidade de vida e maior produtividade

Os chamados home offices chegam a 3,5 milhões; funcionários têm conforto e garantem economia para empresas

Já são 3,5 milhões os brasileiros teletrabalhadores, ou seja, aqueles que trabalham em casa. A maioria deles é de funcionários de empresas que optaram por fechar escritórios para reduzir custos desnecessários. O número é da Sobratt (Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades).

Também conhecido como home office, o trabalho em casa é uma tendência, segundo especialistas e empresas.

Segundo Álvaro Mello, diretor executivo da Sobratt, nos EUA esse número é muito superior e cresce 30% ao ano.


texto integral em Bom Dia Preto

"(...) Já não vive em Lisboa!"


Numa tentativa de organizar um jantar de uma antiga turma do secundário, fiquei a saber:
a) A Patrícia, que seguiu auditoria fiscal, vive em Amesterdão
b) O João, que seguiu jornalismo, vive no Brasil
c) A Adélia, que não sei se ingressou no ensino superior, vive no Algarve
d) A Elsa, que seguiu Gestão, vive igualmente no Algarve
e) A Mafalda, que seguiu Marketing, vive em Viana

...Enquanto isto acontece, os políticos dos diferentes partidos justificam o êxodo de Lisboa com a atractividade dos municípios contíguos.

População do Porto pode diminuir para números de há um século

O Porto terá apenas 200 mil habitantes em 2011, descendo a um nível demográfico próximo do que tinha no advento da República (183 mil residentes em 1911), segundo uma projecção do Instituto de Ciências Sociais. A confirmar-se este cenário, o concelho cairá do terceiro para o quarto lugar da classificação dos maiores centros populacionais, atrás de Sintra (que terá quase 480 mil habitantes), Lisboa (471 mil) e Gaia (321 mil).
A maior população do Porto foi atingida em 1981, com 327 mil habitantes, número que desceu para 302 mil em 1991 e para 263 mil em 2001. Já em 2005, uma contagem intercensitária do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que restavam no Porto 233 mil moradores, uma perda de 11,3 por cento em apenas quatro anos.
Em números absolutos, a perda populacional do Porto está abaixo da registada em Lisboa (menos 45 mil habitantes), mas é percentualmente superior à da capital (que teve menos oito por cento). Em contraciclo, Gaia passou, no último ano, as três centenas de milhar de residentes, consolidando o estatuto de terceiro concelho português mais povoado, que já subtraíra ao vizinho da Norte em 2001.
Em 2005, o INE atribuiu ao concelho da margem sul do rio Douro uma população de 304 mil habitantes, confirmando a tendência crescente evidenciada em sucessivos censos: 1981, 226 mil moradores; 1991, 249 mil; e 2001, 289 mil.
Só um bairro de Gaia, o de Vila D"Este, freguesia de Vilar de Andorinho, tem mais habitantes do que as quatro freguesias do centro histórico do Porto. A população de Vila d"Este está estimada em 17 mil habitantes, mais cinco mil do que a verificada, nos Censos de 2001, nas freguesias portuenses de Sé, S. Nicolau, Vitória e Miragaia. Estas quatro freguesias da zona histórica do Porto perderam metade da população entre 1981 e 2001, passando de 28 mil para 13 mil habitantes. No mesmo período, o conjunto citadino - que compreende mais 11 freguesias - perdeu 64 mil habitantes, o equivalente ao que o município de Gaia ganhou no mesmo hiato (63 mil).
Mas a perda demográfica do Porto não favoreceu apenas Gaia, já que sete outros concelhos periféricos ganharam, no mesmo período, um total de 90 mil residentes. Maia foi o município da região que maior crescimento demográfico percentual registou. Entre 2001 e 2005, a população da Maia, concelho imediatamente a norte do Porto, cresceu 10,8 por cento, somando quase 13 mil novos moradores aos 120 mil que já possuía.

in Lusa

Êxodo Urbano já chegou à cidade do Porto

Francisco Assis reclamou, na última Assembleia Municipal do Porto, medidas de combate à “desertificação da cidade”.

A cidade do Porto, tal como Lisboa, sofre de ausência de qualidade de vida, provocando uma “debandada” na sua população. A este “Êxodo Urbano”, designação técnica para este movimento que se iniciou nos finais da década passada, não será estranho o arrefecimento económico em Portugal. Isto é, os sacrifícios sociais e económicos impostos pelas grandes cidades deixaram de ser economicamente compensados com boas retribuições salariais.

Julgo, por isso, tratar-se de demagogia politica pedir tais medidas ao executivo municipal, uma vez que não estarão nas suas capacidades a implementação de algumas medidas fundamentais que se indicam a título de exemplo:
- Regulamentar o custo dos diversos serviços de primeira necessidade prestados pelo sector privado, nomeadamente creches e ATLs, cujos índices atingem os 500% quando comparados com os praticados nas cidades do “interior”;
- Incapacidade de ajustar os custos habitacionais aos praticados num raio de 40 kms
- Reduzir a entrada a 100.000 viaturas diárias na respectiva cidade, por forma a reequilibrar a sua qualidade ambiental;
- Replantação de 100.000 árvores no respectivo município, por falta de espaço físico para o realizar
- Etc.

Não é por isso expectável que as áreas metropolitanas voltem a atingir valores populacionais tão elevados como na passada década de 90, numa era em que as autoestradas da informação permitem a deslocalização de grande parte do sector terciário e da totalidade do sector quaternário. Isto é, o conceito geográfico de proximidade entre o sector produtivo e os seus consumidores deixou de fazer sentido para a maioria da trabalhadores dos últimos sectores de actividade.

As grandes cidades são hoje pólos inquestionáveis de história e cultura, para além de detentoras de boas acessibilidades, devendo por isso explorar de forma qualitativa e quantitativa as suas potencialidades turísticas, quer na área da cultura e património quer no turismo de negócios.

Lisboa e Porto perdem 75 mil habitantes


As capitais de distrito não param de perder população e os custos com as acessibilidades disparam. Lisboa foi a capital europeia que mais residentes viu partir e Sintra vai ser, certamente, o maior concelho português

A Lisboa mágica que inspirou o realizador Wim Wenders está a ser gradualmente abandonada. Milhares de novas famílias foram empurradas para a periferia, por não encontrarem na capital casas a preços acessíveis.


Lisboa é a capital da Europa que perdeu mais população, segundo um «ranking» da Comissão Europeia. Em quatro anos, desde 2001 a 2005, de acordo com as estimativas oficiais do Instituto Nacional de Estatística (INE), Lisboa assistiu, quase sem reacção, à fuga de cerca de 45 mil habitantes. Nos últimos 10, mais de 20% da população virou as costas às sete colinas.

A desilusão com Lisboa é tal que, se a cidade não seduzir novas gentes e não conseguir convencer os alfacinhas a ficar, arrisca-se a ter menos de meio milhão de habitantes e em breve deixará de ser o maior concelho do país, passando o emblemático estatuto para a vizinha Sintra. O facto, inédito na nossa longa história, pode vir a ser alcançado já em 2011, de acordo com uma previsão do Instituto de Ciências Sociais (ICS), no âmbito de um projecto de investigação urbanística e ambiental.


Este cálculo mostra que, a manterem-se as mesmas tendências de decréscimo verificadas nos últimos anos, Lisboa pode ter nessa data perto de 470 mil residentes e Sintra pouco menos de 480 mil. Um futuro ainda mais preocupante está marcado para o Porto. A Invicta, que tinha no início da década de 90 mais de 300 mil habitantes e era o segundo concelho mais populoso, chegou a 2001, ano do censo nacional do INE, com menos 40 mil residentes, sendo ultrapassada por Vila Nova de Gaia, o concelho que mais cresceu a seguir a Sintra. Segundo ainda as estimativas do INE, até ao final do ano passado mais 30 mil pessoas abandonaram o Porto. Ou seja, entre 1991 e 2005, a cidade perdeu quase 23% da população.

As estimativas do ICS prevêem para o final desta década que o Porto caia para o quarto lugar, a escassos menos de dois mil residentes de Cascais e Seixal.


Curiosamente, entre as 25 cidades que perderam mais população nos últimos quatro anos, encontram-se, além de Lisboa e Porto, outras sete capitais de distrito (Coimbra, Funchal, Portalegre, Ponta Delgada, Évora, Castelo Branco e Beja), tornando o abandono das capitais um desaire nacional.

À volta destas, principalmente do Porto e de Lisboa, crescem outras metrópoles-dormitórios, a maior parte com falta de equipamentos e serviços suficientes. Prognostica o ICS que Cascais, Vila Franca de Xira, Odivelas, Mafra e Alverca vão quase duplicar a população da década de 90 e Oeiras, Setúbal e Torres Vedras quase triplicar.


Deslocações custam 14,3% do PIB




A maior parte dos novos moradores destes concelhos trabalha em Lisboa ou no Porto. A custos enormes. ‘‘Custos colectivos bem maiores que os ganhos privados’’, diz João Seixas, investigador do Centro de Estudos Territoriais, do ISCTE. Um estudo com base em cálculos feitos em Espanha e em Portugal conclui que só a despesa no transporte individual privado (incluindo custos dos automóveis, dos seguros, dos investimentos nas rodovias, do tempo de trânsito, dos acidentes, do combustível) destes fluxos de tráfego diário em direcção às grandes cidades, equivalem a cerca de 14,3% do PIB (150 mil milhões de euros).

Estudiosos dos fenómenos demográficos responsabilizam a especulação imobiliária, a falta de estratégias governamentais e a ausência de medidas que rejuvenesçam os moradores. ‘‘Ainda não se compreendeu que a qualificação da cidade é um dos maiores motores da qualificação económica e social do país e que Lisboa ou Porto revigorados, ou cidades centrais médias revigoradas, sem dispersão contínua, darão uma maior força ao país’’, sublinha João Seixas.

in EXPRESSO, Valentina Marcelino

CAUSAS DO ÊXODO URBANO
MÁRIO LESTON BANDEIRA, demógrafo e investigador do ISCTE


Um dos factores de declínio da vitalidade da cidade é o envelhecimento da sua população. Lisboa está entre as 10 cidades europeias com maior percentagem de população acima dos 65 anos.

Não há incentivos para que se estabeleçam famílias jovens na cidade. Os preços das casas são determinantes. Além disso, falta uma série de equipamentos e apoios a essas famílias e, principalmente, às mães. A Suécia, que chegou a ter uma população mais envelhecida do que Portugal, conseguiu, através de políticas de apoio às mulheres e à maternidade, começar a inverter a situação.

As grandes empresas ligadas à habitação deviam apostar nas famílias jovens, com bons rendimentos, como clientes prioritários de habitação nos centros das cidades. São as que podem ter mais filhos e, por isso, contribuirão para o repovoamento.

As autarquias têm a obrigação de colocar, na primeira linha das suas prioridades, consistentes políticas de investimento em habitações a preços acessíveis para jovens e determinar cotas para estes nas novas construções ou reabilitações.

VÍTOR MATIAS FERREIRA, catedrático de Sociologia

Responsabilidade do sistema imobiliário em que a célebre lei de oferta e procura não se aplica: em Lisboa há excesso de oferta de casas para venda, com preços inflacionados, de hiper-especulação imobiliária. Havendo excesso, seria de admitir que esses preços dominuíssem, o que não acontece. Isso porque não há um mercado imobiliário, mas um verdadadeiro ‘cartel imobiliário’.

Perante o ‘cartel imobiliário’ a tendência é, para quem procura casa, indagar nas diversas periferias do concelho, onde os preços são menos especulativos.

As classes médias não encontram respostas para as suas capacidades financeiras.

Seria de pensar numa Entidade Reguladora de Habitação que procurasse moralizar o dito mercado imobiliário, acompanhando as diversas situações.

JOÃO SEIXAS, professor universitário, especialista em sistemas de governação de cidades e autor de vários estudos sobre Lisboa

Fragmentação da metrópole muito acentuada, com dispersão de empresas e dos locais de trabalho pelos diferentes municípios.

Elevada complacência, ou mesmo um apoio explícito, do poder local em relação a um crescimento imobiliário que desestrutura profundamente a metrópole.

Perspectiva errada de gestão urbana que encara os mercados do solo e do imobiliário como puramente financeiros.

É uma actividade que implica uma ocupação humana e o seu desenvolvimento significa o desenvolvimento da vitalidade e das energias da cidade

Não existe em Lisboa uma qestratégia de cidade, uma estratégia que defina claramente objectivos, projectos e acções a médio e a longo prazo, que delimite responsabilidades e comprometa responsáveis.

Falta de gestão de proximidade à escala do cidadão e das freguesias

A "defesa da honra" de Rui Rio: ‘‘O Porto não é uma cidade fantasma nem vai ser’’

Para Rui Rio, presidente da Câmara, mais importante do que fixar população é garantir o dinamismo e atractividade do Porto

P Por que está o Porto a perder população?

R Antes de mais é preciso relativizar essas estimativas. São só isso: estimativas. Por outro lado, é preciso notar que estas estatísticas não consideram, por exemplo, a ocupação de hotéis e a população estudantil da cidade. Não estão registados como residentes, mas somam mais de 20 mil pessoas que também dormem no Porto, embora recenseados noutro lado. De qualquer forma, a perda de população residente é um problema real. Mas isso não significa que o Porto esteja em declínio. Durante o dia, o Porto tem perto de meio milhão de pessoas. Não podemos olhar para a grandeza de uma cidade pelo número de aglomerados de prédios que servem de dormitório e de registos para estatísticas. Uma cidade é muito mais do que isso. Vale muito mais pela sua qualidade como espaço urbano, pela dinamização económica, pelo grau de atracção cultural. E nestes aspectos, o Porto pode não ser a cidade com maior número de habitantes a dormir, mas é sem dúvida um dos maiores pólos de atracção do país. Estamos muito longe de ser uma cidade-fantasma.

P Não é importante travar a saída de residentes?

R Insisto que o Porto não está a competir com ninguém para ter mais gente a dormir, mas sim para ter mais gente a viver. O importante é que continue a ser um centro de dinamismo económico, social e cultural. De qualquer forma, por uma questão de valorizar ainda mais a cidade nesses aspectos, temos em curso o projecto de reabilitação da Baixa. O nosso desejo é que essas casas possam ser ocupadas por famílias que actualmente trabalham ou estudam no Porto, mas vêm de concelhos limítrofes. Cerca de 20 a 30 mil pessoas que podem vir a residir definitivamente na cidade com esse programa de longo prazo. De realçar ainda que uma das minhas preocupações logo que assumi a presidência foi travar a construção nova na cidade, limitando-a no Plano Director Municipal. A prioridade é a reabilitação.

E. M. Forster revisited

Um post de Jack Nilles a não perder:

"One of the issues we worried about in our first test of telecommuting in 1973-74 was the impact of telecommuting on land use. In particular, we were concerned that the location independence feature of telework might induce people to move away from the cities to rural—and particularly to scenic—areas in such numbers as to destroy the primary reason for their move. That was more thirty years ago.(...)"

Versão integral do post de Jack Nilles

Why?!


Deixei de viver em Lisboa há mais de um ano e, na última viagem, verifiquei algo que presentia:
- Os cafés, outrora cheios de gente, permanecem vazios o dia inteiro;
- Os centros comerciais, outrora cheios de clientes, hoje cheios de visitantes (verifica-se pelos sacos das lojas que os acompanham, ou não)
- Numa papelaria, onde entrei para comprar umas folhas de papel vegetal, fui alertado 2 vezes sobre o custo unitário das mesmas, que era de 80 cêntimos
- Os meus amigos, da geração dos trinta, queixam-se que não ganham o suficiente para sobreviver (800-1000 euros/mês), os outros, da geração dos 50-60 queixam-se que têm que subsidiar os filhos a meio dos meses

Porque motivo insistem as pessoas em viver em Lisboa?
Sabem o que é teletrabalho? E telecentros?

O país está todo em crise. Mas uma coisa posso garantir: O interior desconhece esse tipo de pobreza. Tal como desconhece arrendamentos habitacionais superiores a 350 euros ou infantários superiores a 120 euros.

Inovação & Inclusão: "Segunda habitação"?

Muito se escreve sobre as segundas habitações.
Na maioria dos casos associam-se às segundas habitações o conceito de Turismo...

Os tráfegos rodoviários nas autoestradas portuguesas mostram outra realidade: As segundas habitações são cada vez mais as casas que as familias detêm nas cidades.

Isto porque os referidos dados revelam que as viaturas que abandonam as grandes cidades ao fim de semana, em periodos superiores a 1 dia, regressam cada vez mais tarde (segunda e terça feira) e partem cada vez mais cedo (quarta a sábado).

Surge no entanto a seguinte dúvida no estudo destes dados: Porque motivo não estão a reduzir os alunos nas escolas das cidades contra o crescimento nas regiões periurbanas (deduzindo-se assim que a familia estaria alojada nessas regiões e apenas um membro da familia estaria a habitar a residência da Cidade)? Serão estes casos referentes a casais em idade de pré reforma?

Por outro lado, soube recentemente que as "regiões rurais" na periferia das áreas metropolitanas estão com taxas de crescimento na população estudantil a atingir os 150%/ano: Será esta tendência justificada com os custos habitacionais das áreas metropolitanas? Estarão os quadros médios das organizações a ganhar independência geográfica das suas empresas, acedendo às suas "áreas de trabalho" a partir de soluções de redes privadas virtuais (VPN)? Serão exclusivamente os vendedores e os estudantes os clientes das soluções de internet móvel?

Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território: Preâmbulo



Está neste momento em discussão pública o Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território.

Trata-se de um programa a 25 anos que pretende definir métodos e etapas para o ordenamento do território.
A questão que sobressaiu da minha primeira avaliação é que este programa prevê o crescimento das grandes cidades em detrimento do interior do território.

Sendo as grandes cidades um dos maiores entraves ao crescimento do país, face aos custos económicos, logísticos e ambientais que impõem, parece-me ser um programa de premissas erradas.

Será assim tão certo que não teremos nos próximos anos um êxodo urbano? Estarão os empresários e a população tão desatentos à qualidade e baixo custo de vida das médias cidades do interior?

Será que os novos projectos do sector da comunicação e informação, onde se podem incluir a maioria dos call-centers, estarão previstos para as cidades com custos elevados (incluíndo os salariais) quando equiparados às cidades do interior?

Tenho dúvidas. Muitas dúvidas. As tendências das multinacionais são muito esclarecedoras e "PORTUGAL" ainda não percebeu: A relação custos/produtividade da nossa mão de obra está desajustada na economia europeia. Ou trabalhamos esta equação, ou teremos o espectáculo das deslocalizações por muitos anos.

Interioridade: Vantagem ou desvantagem?



A propósito do post sobre a evolução da população de Trancoso, iniciou-se uma interessante discussão que venho retomar.
A questão que se coloca é se, nos próximos 20 anos, a "interioridade" é genericamente um factor de diferenciação positiva ou negativa!
Esta minha dúvida advém da constatação que os decisores nas médias organizações vivem cada vez mais a centenas de kilometros dos seus escritórios, convertendo as tradicionais reuniões em teleconferência ou em conferência telefónica.

Alguns dados que vale a pena revelar: O tráfego rodoviário de ligeiros nas autoestradas revela deslocações para os grandes centros entre as 18 horas de domingo e as 10 horas da manhã de segunda. Tráfego no sentido inverso entre as 18 horas de QUARTA FEIRA e as 24 horas de sexta feira. Sendo que entre quarta e quinta feira fazem o circuito inverso 50% dos automobilistas que na noite de domingo se deslocaram para os grandes centros urbanos.
O intercidades e a Rede Expresso revelam os mesmos dados...
Os empresários nacionais de grandes organizações trabalham habitualmente um a dois dias por semana apartir das suas residências. Tratando-se de empresários que têm conseguido encontrar novas oportunidades de negócio para este periodo de estagnação económica em Portugal, não creio que estejam a "dormir" nesses dias de ausência ás suas sedes profissionais.
A reflexão que estes dados nos merece é se não estamos perante uma nova tendência de êxodo urbano (seiscentas referências em lingua portuguesa) sendo as cidades do interior as beneficiárias desse êxodo.

Por outras palavras, se exemplos como o Burgo Medieval de Colleta Di Castel Bianco (na foto) não irão polvilhar o nosso território nacional.

InterCidades


Devido ao aumento substancial do preço dos combustiveis tenho utilizado frequentemente o Comboio Intercidades da CP.
Foi para mim uma agradavel surpresa. Pensava que que ir de carro de Lisboa para a Guarda era mais confortavel. Pura mentira: Enquanto conduzo não posso ler. Menos ainda escrever! Existe cafetaria a bordo o que permite tomar um café no meio da viagem. Confesso que estou maravilhado com uma solução que para além de económica e menos poluente trouxe-me algo que já referi e para a qual não tinha à muito tempo: Para a leitura!

Obrigado CP. Estão no bom caminho.

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