Novos Povoadores

Apoiamos familias metropolitanas a instalar negócios em territórios rurais

Portugal de Interiores… Um problema e uma oportunidade.

Portugal é um país litoralizado e concentrado nos grandes centros urbanos. Os últimos censos demonstram que esta tendência de várias décadas se vem acentuando. A melhoria das acessibilidades e das infra-estruturas permitiram em alguns locais ganhar novas centralidades, mas na maioria das situações promoveu o êxodo das zonas mais rurais para as zonas mais urbanas. Quando se fala do interior, temos que pensar em diferentes realidades, pois o Distrito da Guarda ou de Portalegre têm um nível de interioridade de um Distrito como o de Viseu, que por sua vez tem um nível de interioridade do Distrito de Aveiro ou de Faro. O que quero dizer é que praticamente todos os Distritos têm uma zona mais rural, mais interior, sendo que o problema assume uma grande gravidade dos Distritos que se afastam mais do litoral. Um país desigual na organização do território e na ocupação do espaço. Tenho a profunda convicção de que este estado só se pode inverter com uma profunda reorganização administrativa do País e que nunca como hoje existiram tantas condições para a levar a cabo. A implementação da Regionalização seria na minha óptica um instrumento muito poderoso para conceber politicas de proximidade, devidamente integradas com o nível Distrital e com o nível da Administração Central. Temos que passar de políticas do “hardware” para as politicas do “software”. As primeiras estão centradas nas infra-estruturas e as segundas centradas nas pessoas, nas redes, na organização dos espaços, no conhecimento, na promoção integrada dos territórios, na valorização dos diferentes patrimónios, etc. Trata-se de uma politica de nova geração, que implica maior racionalização, mas exige uma resposta social próxima dos problemas. A exiguidade de recursos financeiros que o Portugal revela e o acordo com a “Troika” representa uma oportunidade de mudança de paradigma numa atitude audaciosa, sem calculismos políticos. O que devemos ter é menos Estado Central e mais Poder Regional para inverter a ditadura da visão centralista longe dos problemas, longe das soluções…

in Interiormente, Prof António Serrano

Portugal “não é um país urbano”

Portugal é um país maioritariamente rural e está a ficar cada vez mais desertificado por causa das alterações climáticas, alertou hoje o presidente da Comissão Nacional de Coordenação do Combate à Desertificação.
“A desertificação está a aumentar gradualmente, também devido às alterações climáticas”, disse à agência Lusa.
O responsável falava à margem do seminário de abertura da discussão pública da proposta de Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação (PANCD) 2011/2020, que hoje decorre em Lisboa. Pretende-se ter o documento pronto para entregar ao Governo em meados de Setembro.
Amândio Torres ressalvou que, quando se fala em desertificação, não se refere apenas à populacional mas também à degradação dos solos e do ecossistema. Além disso, sublinhou, ao contrário do que se poderá pensar, Portugal “não é um país urbano”.
“Noventa e seis por cento do país é rural, composto por áreas de floresta, espaços silvestres e áreas agrícolas”, afirmou.
No entanto, “a política nacional incide sobretudo nos quatro por cento da área urbana”, lamentou.
Referindo-se ao PANCD, Amândio Torres disse que o objetivo é identificar problemas e apresentar propostas de solução.
“Os problemas diferem de sítio para sítio, logo as respostas não podem ser iguais para todos”, disse.
Uma das sugestões que deixa prende-se com os Planos Diretores Municipais (PDM) porque considera que “têm de deixar de ser um instrumento para a gestão urbana e passar a ser um instrumento para a gestão rural”.
O PANCD propõe nos seus objetivos estratégicos melhorar as condições de vida das populações das zonas suscetíveis e a gestão sustentável dos ecossistemas dessas áreas.
Gerar benefícios globais e potenciar sinergias com os processos das alterações climáticas e da biodiversidade é outros dos objetivos, bem como mobilizar recursos para a implementação do PANCD.

O stress da cidade está a deixar uma marca no cérebro das pessoas

O Metro à hora de ponta é só um exemplo do stress vivido na cidade, que infelizmente não acaba em cada experiência que se tem ou numa noite bem dormida. Foi isso que cientistas verificaram ao comparar pessoas que vivem em cidades com pessoas que vivem em zonas rurais. As primeiras reagem de uma forma diferente a experiências com stress. Esta diferença está marcada no cérebro, é mais profunda para quem nasceu e cresceu na cidade e está relacionada com doenças mentais como a esquizofrenia. O estudo foi publicado esta quarta-feira na revista Nature.

Há cada vez mais pessoas a viver em cidades (Rui Gaudêncio)

“A nossa informação revela efeitos neuronais em pessoas que crescem e habitam em zonas urbanas quando enfrentam situações de stress social”, conclui o artigo escrito por uma equipa do Instituto de Saúde Mental da Universidade de Heidelberg, na Alemanha.

O efeito da cidade no ser humano está longe de ser uma novidade e sabe-se por estudos descritivos que existe uma maior tendência de doenças mentais nas regiões urbanas. As pessoas têm 21 por cento de probabilidade acrescida de ter problemas de ansiedade e 39 por cento de terem problemas de humor. “Viver na cidade aumenta o risco de depressão e ansiedade e o rácio de esquizofrenia é marcadamente maior em pessoas que nasceram e cresceram na cidade”, escrevem os investigadores Daniel Kennedy e Ralph Adolphs, num artigo de análise da Nature sobre o estudo publicado agora.

Na nova investigação, a equipa liderada por Andreas Meyer-Lindenberg foi analisar o cérebro de alemães que vivem em três contextos diferentes: regiões rurais, regiões urbanas com mais de 10.000 habitantes e regiões com mais de 100.000 habitantes.

Os cientistas aplicaram vários testes de stress social a mais de uma centena de participantes saudáveis. Nos testes, as pessoas tinham que resolver problemas matemáticos ou espaciais em tempo limite e tinham uma pressão acrescida: um feedback negativo dos investigadores.

Os cientistas mediram vários parâmetros fisiológicos e através de imagens de ressonância magnética verificaram a resposta neuronal aos desafios. Os testes conseguiram induzir o efeito de stress nos participantes a nível fisiológico e cerebral mas houve diferenças importantes. A região da amígdala tinha uma actividade maior nas pessoas que viviam em zonas urbanas mais povoadas do que nas que vivam em zonas rurais.

Problemas desde o nascimento

A amígdala é uma região que sinaliza os efeitos negativos e as ameaças do ambiente. Paulo Machado não ficou surpreendido com estes resultados. Para o investigador do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, “a experiência urbana é particularmente recente” na história do Homem, “é desafiadora” e pode fomentar o “desequilíbrio das pessoas”.

Segundo o especialista, esta resposta dos participantes é coerente face aos desafios que são colocados. “Está adaptada ao nível de stress que é imposto” nas regiões urbanas, disse o investigador, que não tem qualquer relação com o estudo, mas que o considera “altamente confirmatório” do que já se conhecia.

A análise cerebral também revelou que as pessoas que nasceram e cresceram em zonas urbanas tinham uma actividade anormal numa região específica do córtex durante as experiências. Esta região também está associada à resposta durante situações de stress num contexto social.

O que é que as cidades estão a fazer às crianças e aos adolescentes, quando estão nas escolas e mais protegidos de situações de stress? “As provas epidemiológicas sugerem que o efeito máximo acontece durante o nascimento, antes de chegarem aos jardins-de-infância – uma possibilidade é que a culpa seja do stress sofrido pelos pais”, explicou ao PÚBLICO Andreas Meyer-Lindenberg, coordenador da pesquisa.

Mais, o estudo mostra que nestas pessoas há uma ligação neuronal mais fraca entre a região da amígdala e a região do córtex. Esta ligação enfraquecida já era conhecida em doentes esquizofrénicos. Segundo o comentário de Kennedy e Adolphs, isto sugere “que neste circuito podem convergir um risco genético e um risco ambiental para o surgimento das doenças mentais”. Ou seja, se há uma tendência genética para alguém desenvolver algum tipo de doença mental, o ambiente stressante citadino pode dar um empurrão valente.

Esta questão é particularmente relevante para Paulo Machado. “Como nós hoje vivemos maioritariamente em cidades, isto deixa de ser um problema de uma minoria para passar a ser um problema de saúde pública”, explicou. Segundo o investigador, é preciso insistir neste estudos para tentar encontrar as causas directas de problemas que provocam o desequilíbrio e o stress nas pessoas. Um exemplo simples é o dióxido de carbono, que em maiores concentrações e durante largos períodos “aumenta exponencialmente a irritabilidade das pessoas”, disse o investigador português. Os taxistas ou condutores de transportes públicos estão especialmente vulneráveis a esta situação, que deve ser combatida. Já para a diminuição do stress, é preciso mudar o modo de vida, as rotinas, os horários, atitudes, comportamentos, o que é mais difícil.

“Nós não devemos olhar para estes estudos e dizer que alternativa é a não cidade. A cidade é uma das melhores invenções do homem”, disse. “O que precisamos é de uma verdadeira transformação do modo de vida urbano.”

in Público, Nicolau Ferreira

Sortelha

Por muralhas de terras que já foram municípios

O concelho do Sabugal ocupou posição de relevo na defesa das fronteiras do reino. No seu território há vários castelos em terras que já foram sede de concelho. Sortelha, Vila do Touro, Vilar Maior e Alfaiates são esses exemplos

SORTELHA, Vila do Touro, Vilar Maior e Alfaiates fazem hoje parte do vasto concelho do Sabugal. Em comum partilham uma história: todas elas foram sede de municípios. Mas há algo mais que as une num vasto abraço à história: o seu papel na defesa do reino, estando na primeira linha de embate em tempos em que as fronteiras eram instáveis em ténues geografias de receios avulsos, num território que se foi conquistando e defendendo légua a légua. E raramente sem o sacrifício das povoações da raia.

O concelho do Sabugal tem uma riquíssima história e património construído, elevando-se na raia como um dos esteios da defesa de Portugal. Raros concelhos ostentarão tantos castelos e ruínas de um tempo onde se lutou na consolidação de um país. A defesa começava aqui, por estes lugares com vista sobre terras a perder de vista, sob olhar austero destes guardiões de pedra erguidos nas alturas da raia beirã. Sortelha. Segunda-feira. Nesta tarde chuvosa, apenas um casal de turistas quebrava o silêncio. De máquina em punho, recolhia apontamentos fotográficos para memória futura. Sortelha deslumbra. E eles, os turistas, estão a ter conhecimento disso, em passo demorado e, por vezes, surpreendido. O tempo pretérito acomodou-se por aqui, neste regaço de pedra forte e sublime. Sortelha deslumbra porque guarda em si o seu tempo quase intacto. Tem uma áurea que nenhuma máquina fotográfica consegue captar. Tem o tempo que passou a passar por estas ruas.

Dentro das muralhas da aldeia vivem apenas três pessoas, "e todas de famílias diferentes", dizem-nos. Fora delas, as contas são outras, são feitas com algumas centenas de habitantes, mas não demasiadas. Esta é a mesma raia que, hoje, é das primeiras a sofrer com o desenfreado despovoamento do interior, com a saída dos seus para as cidades do litoral ou para o estrangeiro, tal como há séculos era a primeira a sofrer o embate das invasões. E não há castelo, nem muralha que sustenha estas fugas alavancadas no sonho e na necessidade.

A história de Sortelha remete-nos para o ano de 1181, para o reinado de D. Sancho I, com os primeiros esforços de repovoamento do lugar. Mas será com D. Sancho II que se dará a reforma administrativa e militar do território. Será este monarca que ordenará a construção do primeiro castelo e atribuirá o foral a Sortelha, em 1228. Ao longo dos séculos, esta aldeia contribuiu para a sedimentação da reconquista cristã dos séculos XII e XIII e para as disputas territoriais fronteiriças com os reinos de Leão e Castela na região de Riba- Côa. Nos reinados de D. Dinis, D. Fernando e de D. Manuel I, o castelo foi alvo de intervenções reconstrutivas. Já depois da restauração da independência, em 1640, uma nova rede defensiva é implementada em alguns pontos do país, baseada numa fortificação abaluartada, onde o tecido defensivo de Sortelha sofreu uma adaptação parcial das torres e muralhas às novas técnicas militares.

Sortelha guardou até 1885 o estatuto de sede de concelho. Hoje, a sua importância mede-se pelo turismo. É uma das estrelas da rede das Aldeias Históricas. Do alto dos seus 700 metros, a vista ainda alcança a ribeira do Casteleiro, a Serra da Malcata, a Cova da Beira e a Serra da Estrela. Mas dali já não vêm receios de invasões nem marchas de exércitos invasores. Só turistas, que entram por esta porta da muralha que lhes está constantemente franqueada. Hoje, todas as invasões são bem-vindas.

São essas boas-vindas que nos foram dadas em local propício: "As Boas Vindas Bar", onde Ana Maria nos recebe. Para além de turistas nacionais, a aldeia recebe hoje "muitos espanhóis e ingleses", principalmente nos períodos festivos e aos fins-de-semana. Ana Maria está a tomar conta deste bar, que é propriedade do irmão. Vive em Sortelha, mas "fora das muralhas". Todos os dias abre estas portas. Nesta velha Sortelha, vive-se "essencialmente do turismo e da agricultura", diz-nos. A aldeia já não nos defende, mas mantém intocável todo um charme que acumulou século após século, próprio de quem soube envelhecer.

A cidade do Sabugal está a 14 quilómetros. A sede de concelho é dona de um castelo imponente. Sabugal tornou-se sede de concelho em 1190, ganhando já no reinado de D. Dinis importância regional, coroando-se o castelo com uma imponente torre de menagem com as suas cinco quinas.

Segundo Rita Costa Gomes, em "Castelos da Raia - I Beira", a importância da localidade "estava muito ligada, na época medieval, à travessia do Côa por uma ponte de pedra". Deste castelo assente em local estratégico assistiu-se à entrada e saída de exércitos inimigos em Portugal, a convulsões militares que resultaram na destruição de monumentos e casario. Em torno do castelo a toponímia das ruas remete-nos para referências históricas incontornáveis: "Rua de Aljubarrota", "Rua Pedro Álvares Cabral" ou "Largo de Alcanizes". Este largo tem uma ligação estreita ao castelo que lhe está em frente. O tratado de Alcanizes foi assinado entre D. Dinis e o soberano de Leão e Castela, Fernando IV, em 1297. Neste compromisso delimitaram-se as fronteiras entre os dois reinos e em troca de direitos portugueses em domínios nos "Reinos de Leão e de Galiza", era reconhecida a Portugal a posse das chamadas terras de Riba-Côa, que compreendiam várias povoações e castelos, entre as quais, Sabugal. A dez quilómetros encontramos outra aldeia que outrora foi sede de concelho: Vila do Touro. Do velho castelo nada se vislumbra à entrada da aldeia, pelo que seguir pela rua dos Templários parece ser o melhor trilho para o passado. Chegaremos, por fim, junto à porta de arco em ogiva das muralhas. Este é dos poucos testemunhos existentes da sua antiga malha defensiva. Passando por este arco, subimos até nos darmos conta do porquê da importância geográfica de Vila do Touro na defesa das fronteiras: uma imensa vista sobre o horizonte, sobre uma vastidão de terras que tocavam as fronteiras com Castela e Leão, para geografias a perder de vista, onde o avançar de um exército jamais poderia passar desapercebido. Uma vista de surpresa e espanto, desde as ruínas da muralha de uma pequena localidade que foi sede de concelho até 1836. Atrás de nós, alargando-se para fora destas ruínas, uma povoação fundada no século XII, durante a Reconquista, tendo-lhe sido atribuído foral em 1220, durante o reinado de D. Afonso II. Mas agora, o tempo é de regresso; afastar-nos deste horizonte, de onde já se dissiparam as ameaças, receios e angústias. Hoje, as lutas são outras.


in Jornal do Fundão, por Nuno Francisco

Cidades e Regiões Inteligentes

As conclusões associadas à implementação do Projecto "Cidades e Regiões Digitais", que decorreu um pouco por todo o país, envolvendo "redes integradas de cooperação territorial" (Municípios, Universidades, Centros I&D, Empresas, Sociedade Civil), são a melhor demonstração de que em 2011, apesar de todas as políticas públicas e estratégias tendo em vista a modernização do território português, o país teima em não conseguir assumir uma dinâmica de "salto em frente" para o futuro tendo por base os factores dinâmicos da inovação e competitividade.

Numa Europa das Cidades e Regiões, onde a aposta na inovação e conhecimento se configura como a grande plataforma de aumento da competitividade à escala global, os números sobre a coesão territorial e social traduzem uma evolução completamente distinta do paradigma desejado.

Jaime Quesado A excessiva concentração de activos empresariais e de talentos nas grandes metrópoles, como é o caso da Grande Lisboa, uma aterradora desertificação das zonas mais interiores, na maioria dos casos divergentes nos indicadores acumulados de capital social básico, suscitam muitas questões quanto à verdadeira dimensão estruturante de muitas das apostas feitas em matéria de investimentos destinados a corrigir esta "dualidade" de desenvolvimento do país ao longo dos últimos anos.

Apesar da relativa reduzida dimensão do país, não restam dúvidas de que a aposta numa política integrada e sistemática de Cidades Médias, tendo por base o paradigma da inovação e do conhecimento, com conciliação operativa entre a fixação de estruturas empresariais criadoras de riqueza e talentos humanos indutores de criatividade, é o único caminho possível para controlar este fenómeno da Metropolização da capital que parece não ter fim.

O papel das Universidades e Institutos Politécnicos que nos últimos 20 anos foram responsáveis pela animação de uma importante parte das cidades do interior, com o aumento da população permanente e a aposta em novos factores de afirmação local, está esgotado.

Desta forma, o compromisso entre aposta, através da Ciência, Inovação e Tecnologia, em Competitividade Estruturante na Criação de Valor Empresarial, e atenção especial à Coesão Social, do ponto de vista de equidade e justiça, é o grande desafio a não perder. A Sociedade do Conhecimento tem nesta matéria um papel muito especial a desempenhar e numa época onde se assiste à crescente Metropolização do país em torno do Porto e Lisboa, a aposta em projectos de coesão territorial como as "Cidades e Regiões Digitais" pode fazer a diferença, com a sua distinção na mobilização das pessoas para um verdadeiro Novo Contrato Social, focado na qualidade de vida e aposta no valor estratégico.

in TeK Sapo, por Francisco Jaime Quesado, Especialista em Estratégia, Inovação e Conhecimento

Nascem as cidades inteligentes



No Brasil, ainda estamos na fase de lutar contra o trânsito, as enchentes e os apagões. Mas vários países já começam a materializar as chamadas cidades inteligentes

Enquanto no Brasil a população e as autoridades se debatem com desafios como tentar diminuir as horas que são perdidas no trânsito ou como evitar as tragédias causadas pelas chuvas, um grupo de cidades no mundo alcançou um patamar bem mais elevado de discussão. São lugares que estão sendo erguidos do zero ou metrópoles que já implantaram soluções urbanísticas que hoje são referência no tema cidades do futuro.

Numa delas, em Songdo, na Coreia do Sul, será possível “ir” ao médico ou à escola sem sair de casa. Em King Abdullah, na Arábia Saudita, todos os serviços públicos funcionarão 24 horas por dia e qualquer processo não levará mais do que 60 minutos para ser resolvido.

A cidade-estado de Singapura é literalmente ilhada diante de uma das maiores densidades demográficas do mundo. Mas evoluiu tanto nas soluções para seus dilemas — como eliminar os congestionamentos ou se tornar autossuficiente em água potável — que hoje seu governo virou uma espécie de consultor para outras cidades no mundo que querem ser mais inteligentes.

Esses projetos urbanísticos inovadores são alguns dos exemplos que surgiram nos últimos anos para uma adequação ao fato de que a maioria das pessoas vai se aglomerar cada vez mais em cidades. “Os velhos modelos urbanos não são mais sustentáveis”, diz Ryan Chin, pesquisador do Massachusetts Institute of Technology, nos Estados Unidos. “As cidades inteligentes e os novos modelos que elas estabelecem devem nortear o crescimento nos próximos anos.”

As cidades inteligentes são comunidades que lançam mão do que há de mais moderno em recursos tecnológicos e arquitetônicos como resposta aos desafios impostos pelo adensamento populacional. A ideia é criar ambientes sustentáveis, eficientes, com alto grau de conectividade e, consequentemente, com excelentes níveis de qualidade de vida.

Em um curto espaço de tempo, o conceito de cidades inteligentes extrapolou os meios acadêmicos e o plano da utopia para virar uma nova e lucrativa indústria. De escritórios de design, arquitetura e urbanismo a grandes corporações dos setores de tecnologia e serviços, muitas empresas já possuem unidades de negócios exclusivamente destinadas a pensar nesse tipo de solução. Siemens, IBM, GE, Cisco, entre outras, são algumas das multinacionais que oferecem um volume crescente de projetos, produtos e serviços.

Estima-se que o mercado de soluções inteligentes para cidades já seja de cerca de 1,2 trilhão de dólares. De acordo com um estudo recente da consultoria de gestão Booz&Co., as cidades no mundo devem investir cerca de 37 trilhões de dólares nos próximos 25 anos para modernizar e expandir a infraestrutura.

Não faltam investidores e governos dispostos a aplicar dinheiro no setor. Na Coreia do Sul, já está parcialmente pronta o que será sua cidade mais inteligente, Songdo. O projeto, avaliado em mais de 35 bilhões de dólares, tem conclusão prevista para 2014. A empreiteira americana Gale se comprometeu a construir toda a cidade em troca dos direitos de exploração dos imóveis.
Coube à Cisco, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, desenvolver as soluções inteligentes que facilitarão a vida dos futuros moradores de Songdo. As redes de telefonia e internet são de última geração e permitirão conexões a velocidades inimagináveis para os padrões brasileiros.

O grande destaque fica por conta de um inovador sistema de telepresença — disponível em todos os apartamentos e salas comerciais — que permite que os moradores façam consultas médicas, assistam a aulas ou participem de reuniões de trabalho sem sair de casa e, portanto, sem pressionar o trânsito ou os sistemas de transporte. “O avanço tecnológico leva a um salto incrível na qualidade de vida”, afirma Paulo Abreu, diretor de inovação da Cisco para a América Latina.

Uma das principais características das cidades inteligentes é a sustentabilidade. Entre os exemplos nesse quesito está a ambiciosa Masdar, em Abu Dabi, nos Emirados Árabes. A cidade deve ser a primeira 100% livre de emissões de dióxido de carbono. Com uma área de 6 quilômetros quadrados e uma população prevista de 40 000 habitantes, Masdar quer ser um laboratório para experimentos com o uso racional da energia.

No início de março, o premiê espanhol José Luis Zapatero esteve na cidade para observar os progressos já alcançados. Os governos dos Emirados Árabes e da Espanha firmaram acordos de cooperação no setor de energia. “Masdar é um dos principais centros mundiais de pesquisa em energias renováveis”, disse Zapatero.

Nem tudo sobre cidades inteligentes se refere a territórios tão futurísticos. As aglomerações urbanas são como organismos vivos e desenvolvem novas necessidades constantemente. O que hoje se convenciona incluir no campo das cidades inteligentes são formas de pensar a vida urbana e o uso das tecnologias que, em alguma medida, sempre estiveram entre as preocupações dos especialistas em urbanismo.

O verdadeiro — e mais importante — desafio é transformar as metrópoles tradicionais em ambientes mais inteligentes. “É muito mais difícil implantar um sistema complexo como o de Songdo ou Masdar numa cidade como São Paulo. Mas a tecnologia pode servir de base para projetos menos sofisticados”, diz Paulo Abreu, da Cisco. Realmente, ainda estamos em outro patamar. Mas não custa começar — já — a mirar o que há de mais inovador. Afinal, mais dia, menos dia, esse futuro terá de chegar também por aqui.

in Exame.com

Cidades Criativas 3.0


O conceito "Cidades Criativas" resultou da emergência das novas tecnologias e de um novo tipo de economia assente na criatividade e inovação.

Constatou-se que certas cidades, mais do que outras, tinham a capacidade de atrair empresas e pessoas criativas e inovadoras. Essa capacidade prendia-se então com um conjunto de condições ambientais gerais que foram descritas sucintamente pelos três T's propostos por Richard Florida, a saber, Talento, Tolerância e Tecnologia.


Neste sentido, uma Cidade Criativa implica uma população residente com um alto nível educacional, boas universidades, uma comunidade diversa, intensa dinâmica cultural, qualidade de vida, vida boémia e as mais avançadas infraestruturas tecnológicas. E, claro está, tudo em escala significativa. Ou seja, o conceito é sobretudo um roteiro que só muito poucas cidades no mundo podem aspirar percorrer no curto prazo.

Esta perspetiva é naturalmente pouco animadora para cidades de média dimensão ou onde faltam algumas das componentes consideradas essenciais. Basta dizer que, em boa verdade, em Portugal não existe nenhuma cidade a que este conceito original se aplique. Nem Lisboa.


Daí que tenham surgido adaptações mais abrangentes. Ou seja, propondo-se uma versão 2.0 destinada a pequenas e médias cidades. Perante a crise geral o sucesso tem sido garantido. Nestes últimos anos Portugal encheu-se de Cidades Criativas. Mas os resultados reais na economia são parcos.


Sobretudo porque se tem confundido o desenvolvimento de uma economia criativa com a criação cultural, em si mesma, que é uma coisa muito diferente. Ou seja, a cultura criativa inicial, assente na economia digital e no design, transformou-se num mero incremento de manifestações culturais, de tipo artístico, normalmente centralizadas pela própria gestão das cidades. Em suma, muitas Câmaras imaginaram que as suas cidades se tornariam criativas pelo simples facto de oferecerem mais espetáculos e exposições.


Em Portugal é aí que estamos. Nunca se inaugurou tanto Museu, tanto Centro Cultural, nunca se viu tanta exposição e tanto concerto. Nunca a criação cultural dependeu tanto dos dinheiros públicos e das decisões de burocratas. Em consequência, nunca a criatividade artística foi tão dependente, tão pouco livre e tão conservadora. E, já agora, nunca se desperdiçou tanto dinheiro necessário para impulsionar uma verdadeira economia criativa.


É por isso que é preciso pensar numa versão 3.0. Que possa aproveitar o modismo, mas num caminho mais promissor.


Deixando de lado a sempiterna questão do ensino - que apesar de muita crítica avulsa tem vindo a melhorar por via do aumento da qualidade e da população estudantil -, é evidente que faltam nas nossas cidades as condições de base para que os jovens possam desenvolver projetos de criatividade e inovação empresarial. Não se trata de mais dinheiro, mas de condições tecnológicas.

Em vez de gastar fundos em mais centros culturais e museus da rolha, as autarquias deviam apostar nos centros de criatividade, através da disponibilização gratuita de espaços para encontro, cooperação e produção. Algo do tipo dos já conhecidos Fab Labs, pequenas fábricas do fazer criativo, ou centros para instalação de pequenas empresas, ateliers e projetos dedicados à criatividade e inovação, como é o caso da LxFactory em Lisboa (ainda que esta de iniciativa privada).


Em particular, os Fab Labs têm-se destacado como um meio de promover a economia criativa. Trata-se de pequenas oficinas com equipamentos de base digital onde qualquer jovem, ou pessoa, pode desenvolver gratuitamente os seus projetos. Neles encontram-se máquinas de impressão, corte, prototipagem, modelação 3D e outras ao serviço da imaginação e da criatividade de cada um. E servem também para encontro, trocas de informação e sinergia, fundamentais para o avanço do conhecimento individual ou de grupos. A interação é aliás a base da evolução.


Assim, a Cidade Criativa 3.0 não é tanto aquela que exibe muita criatividade, mas sim a que gera as condições tecnológicas e ambientais para que a criatividade possa emergir e desenvolver-se.

in Jornal de Negócios, por Leonel Moura

Alqueva, nas terras do Grande Lago


Água a rodos, menires e antas milenares, vinhos notáveis, património a cada esquina, paisagem de cortar a respiração e, sobretudo, a vida em câmara lenta. O Alqueva, o maior lago artificial europeu, é um dos segredos mais bem escondidos da Europa, onde os portugueses atentos começam a apostar como destino de férias alternativo.

«ESPEREMOS que não continue a dizer-se daqui a dez anos que o Alqueva tem potencial», diz para princípio quente de conversa Jorge Vieira, 40 anos, director da Herdade do Sobroso. A voz de Jorge é crítica, lúcida, mas ainda apaixonada. Pergunta-se: o que mudou na paisagem, na marca Alqueva, na herdade, neste último ano em que o Alqueva entrou na moda e o Sobroso foi considerado um dos melhores lugares de pernoita da região? «Para já há mais gente, isso nota-se. Mas a procura está mais orientada para a calma do Alentejo e do Sobroso do que para o Alqueva. Tem o potencial de que toda a gente fala mas, tirando casos pontuais, ainda não saiu disso. Por exemplo, há muito pouca oferta de actividades na água, que é o que as pessoas procuram. Vem-se cá uma, duas vezes, e esgota-se o assunto. As actividades são irregulares e a maioria amadoras. Não há praias fluviais ou não passam da declaração de intenções. Os barcos de cruzeiros ou carreiras são escassos. Os percursos são monótonos. O comentário mais comum dos clientes repetentes é que quase nada mudou. No caso dos passeios, poderá repetir-se o percurso com originalidade se se vier numa altura diferente do ano, porque a paisagem muda. De resto, a oferta é pouca e muito concentrada neste período do Verão.»
Pode dar-se o caso de um dia (domingo, 1 de Agosto), no pleno das férias, não haver ninguém disposto a trabalhar. As estruturas não acompanham a vinda das pessoas. E o interesse em desbravar, que é muito. Ouve-se então o insólito. «No último ano, abriu a casa de apoio à barragem com três sanitários. Já agora, o paredão é o lugar mais visitado da parte sul da barragem, junto com a Amieira. A norte é Monsaraz. Mas já fecharam a casa do lado de Portel, mais as estruturas de apoio, o café, a loja de produtos regionais. Durante meses não houve nada e agora abriu-se outra do lado de Moura.»
No Sobroso estão hospedados por estes dias Jorge Megre e Paula Barros, um casal de Braga «em trânsito». Desconheciam a «paisagem deslumbrante» do Grande Lago, onde nada há que incomode o olhar. Na hora da despedida olharão para o Alqueva como uma nova realidade de férias prolongadas. «Viemos nas palavras encantadas de amigos que já tinham repetido. Decidimos experimentar, antes de seguirmos viagem [vindos do Algarve]. Nunca nos tinha ocorrido o Alqueva», dizem. Depois da «estada sublime» estão certos de que bisarão (ou trisarão), apenas com a ressalva de que será «numa altura menos quente, na Páscoa ou no Outono, em que até a forma de dormir muda». Sublinham ainda que as terras do Grande Lago, além de serem magníficas de horizontes, têm repastos de excelência. «Quando viajamos vamos sempre atrás da gastronomia, sobretudo a portuguesa. Esta região puxa muito ao palato», diz Jorge, de mão na barriga. «Depois, julgávamos que era um calor insuportável o dia todo, mas a barragem trouxe noites amenas e brisas apaixonantes.»
De todas as maravilhas possíveis e imaginárias do Alqueva, «a paz» é a eleita. Para os filhos, é igualmente uma oportunidade de conhecerem a História de Portugal ao vivo, «aquilo que o Algarve (soterrado no betão) dificilmente dá à primeira vista». Em três dias fizeram a volta «maravilhada» pelas relíquias de Monsaraz, Mourão e sobretudo a cenográfica Moura, nas palavras de José Saramago «muito mais sala de receber do que lugar de passagem». Lá viram, como recordou o escritor, «o belo portal trilobado da igreja matriz, com o seu arco conopial que lembra o portal de Penamacor, e o cortesão, nada eclesiástico balcão de dossel com os seus colunelos jónicos e ferros batidos». Obra do mestre de pedraria Cristóvão de Almeida que séculos depois continua a encher de majestade o largo da aldeia.
O único contratempo deu-se na saída de domingo, «para um almoço tardio», que por falta de lugares abertos obrigou a bater retirada de regresso ao Sobroso. «Tornou-se literalmente um almoço tardio. Almoçámos às cinco da tarde, graças à simpatia da dona Josefa.» O exemplo dá razão ao empresário hoteleiro, que alerta: «Quem tem negócios devia pensar que os turistas não vêm a horas certas, muito menos numa região onde se defende a marcha lenta e o coma devagar. Vai demorar algum tempo até as pessoas se adaptarem.» Tirando os projectos grandiosos, como o do empresário José Roquette – que vai de vento em popa e já tem uma mão-cheia de buracos de golfe esculpidos no montado da herdade das terras nobres do Roncão d’El Rey (primeira fase do projecto Parque Alqueva com abertura prevista para o primeiro trimestre de 2012, que contempla um hotel de 250 camas, um wine club e um campo de golfe de 18 buracos) –, as vilas e aldeias à volta de Alqueva vivem de negócios familiares e amadores, com o bom e o mau que isso implica. Ou seja, como diz o casal em uníssono, «é preciso usar o potencial». Sobre o Alqueva, Paula ensaia a teoria futurista: «Quem tem poder económico e procura um lugar com qualidade e discrição, encontrou aqui um paraíso – que só não interessa a quem queira fazer coisas mais mediáticas. Olhei para aqueles ciprestes e vi a Toscana. Tem afinidades na ligação da gastronomia com as casas. Tem pelo menos o potencial para ser vendido no mundo por aí. Isso e mais a força da água.»

As aldeias ribeirinhas
Quem salta de aldeia em aldeia, Alqueva, Campinho, Estrela, Luz? na esperança de achar pernoita mais modesta, alternativa aos turismos rurais e hospedarias finas, depressa conclui que é como achar agulha em palheiro. Na Estrela, por exemplo, apontada por todos à uma como das mais belas aldeias da região, um tesouro escondido da ruralidade ribeirinha, há um único endereço para aluguer de ocasião. Chega-se lá de boca em boca, à falta de mapa, placa ou letreiro explicativo. É o senhor Diogo Vitorino, 80 anos estimados e tisnados, à soleira do seu postigo, quem anuncia uma «casita acolá mais abaixo», pertença do senhor Alexandre, onde parece que se alugam quartos ou a casa inteira, conforme as necessidades. Antes de descer à casa debaixo de impiedosa canícula, o melhor ainda é tirar as teimas no restaurante Sabores da Estrela, o inesperado gourmet do outro lado da rua. São horas de descanso, mas a proprietária, Maria José, «moça da terra», saberá informar-nos de vagas.
A casa da Estrela é a morada solitária onde é possível um viajante instalar-se a preços do antigamente, e experimentar os novos prazeres do velho rio Guadiana. Na parede, pode ler-se a recomendação do site www.alquevacasasdecampo.com, um projecto que era para ser plural, mas acabou por ficar restrito a uma casa. Alexandre Firmo, outro homem da terra, pretendia alargar o negócio. A especulação imobiliária e a crise trocaram-lhe as voltas e ficou-se pelo casinhoto na Rua do Meirinho, n.º 16. A casa, porém, é um sortido de encantos. Um piso térreo sem janelas para a frente, de telhado a rasar a cabeça e paredes caiadas a estalar de alto a baixo com a força do calor. Passa-se a porta e desembocamos noutro mundo, um salão de tijoleira fresca, amplo e luminoso, de vista escancarada da barragem no final do alpendre e de um jardim resguardado por um muro e arvoredo de seiva árabe. Pode dormir-se do lado de fora, ao relento, num dossel de palhas sob a lua e a sombra do olival secular. Oitenta euros por noite é quanto vale o remanso em época alta (sessenta euros de Outubro a Maio).
Na aldeia, o Sabores da Estrela é o exemplo de sucesso, invariavelmente cheio, faça chuva ou faça sol. «Temos reservas até Novembro», confessa a proprietária. O achigã frito com migas de tomate e a varanda escandalosa sobre a barragem podem explicar parte do sucesso (em particular nas noites de Lua cheia), mas Maria José sabe que muito do êxito se justifica por haver fraca concorrência. «No perímetro das aldeias ribeirinhas contam-se pelos dedos os restaurantes recomendáveis.» Dos piropos que por ali vão deixando, o mais sonante foi de um casal de espanhóis, visita recente. «Estava tudo como no guia da revista. Não houve publicidade enganosa.»
Nos antípodas da sofisticação está o Barzeco, uma petiscaria rústica nas encostas de Mourão debruçada sobre a esteva e a água onde se come o melhor peixe grelhado do Grande Lago (e se bebe a sangria mais encorpada). Tudo por culpa do amor nos preparos da alcobacense Ana Vinagre, 49 anos, para aqui migrada com o companheiro Zeco, que «frequenta o paraíso há 25 anos». A história do Barzeco, um dos lugares mais carismáticos da barragem, é de final feliz. Mas não teve vida fácil. Ana Vinagre recapitula: «Começou por ser um quiosque de bebidas e sardinhadas (já com as terras alagadas). A Câmara de Mourão levantou logo problemas, mais os ambientalistas e os inspectores. Implicavam com tudo. Nós só alugámos a terra e queríamos fazer coisas. Temos as coisas certinhas, as licenças todas.»
Ana, que «não tem vocação para estar parada», usou a verba do fundo de desemprego e da Segurança Social e «fez-se à vida». Quem for hoje ao Barzeco (só aos fins-de-semana e sem pagamentos com cartão), o mais certo é vê-la entre o assador, o molhe e as mesas dos convivas, numa azáfama de abelha-rainha. No Barzeco tudo é improviso e descontracção, das tábuas de madeiras de cofragem do chão, às regas de aspersão no lugar de ventoinhas de tecto, ou as cabeceiras de camas antigas junto com comedouros e bebedouros e pedras de mós (e pias baptismais) para o momento do digestivo ou da sesta proverbial. Ana é uma contadora de histórias, e das muitas que chegam à mesa a mais insólita é a do casal que ali veio de fim-de-semana, prolongou a estada por 15 dias e acabou por comprar casa no mês seguinte. «O Alqueva tem íman.»
Nas redondezas do monte há eiras ardentes, searas ceifadas e campos de ninguém polvilhados aqui e acolá de antas e menires. O cromeleque do Xerez, trasladado do regolfo do Alqueva para perto do Convento da Orada (aldeia de Telheiro, Monsaraz), será o mais admirável, com os seus cinquenta menires datados de entre o início do quarto e meados do terceiro milénio a.C. Outros monumentos haveria a citar, como o menir da Belhôa, à entrada de São Pedro de Corval, ou o menir do Outeiro, também conhecido por menir no sítio do Penedo Comprido. O menir da Rocha dos Namorados ou a pedra do Casar é a atracção mais cobiçada de Corval. Segundo as leis das lendas, as moças da terra devem lá passar na segunda-feira de Páscoa e, viradas de costas, atirar-lhe uma pedra para cima. Caso a pedra resvale é porque há boda daí a um ano.
Os alojamentos mais adequados nas terras do Grande Lago são os turismos rurais que juntam ao serviço de categoria as habitações genuínas alentejanas. O Monte Branco, da «alentejanesa» (misto de alentejana com inglesa de Hereford) Jane Doody, 64 anos, é talvez o exemplo mais feliz. «O Alqueva, além de trazer noites mais frescas, fez-nos puxar pela cabeça», diz Mrs. Doody, que descobriu Portugal irreversivelmente há 36 anos. As casinhas de traça típica e a atmosfera de hacienda mexicana inspirada em Frida Kahlo fazem do lugar uma das moradas mais cobiçadas dos sopés de Monsaraz. Ao entardecer no monte, seja na piscina ou derramado nas espreguiçadeiras, o viajante enamorado pelos céus altos e os aromas bravios terá um exclusivo de natureza alentejana no esplendor da sua volúpia (do aborrecimento).

A Marina da Amieira
Outro dos casos de sucesso é a Marina da Amieira, endereço do restaurante panorâmico e ancoradouro dos já famosos barcos-casa, que ganharam fama graças ao apresentador Manuel Luís Goucha, um cliente regular do Grande Lago. «É facto que o negócio cresceu. Temos dois negócios: a Amieira Marina, com os barcos-casa, a restauração, e depois temos a Ges-Cruzeiros. Os cruzeiros estão abaixo das expectativas. Em contrapartida, os barcos-casa estão a superar todos os objectivos mais optimistas. No ano passado conseguimos quatrocentas reservas. Tínhamos posto a meta das quinhentas para 2010, tendo em conta que mantemos o número de barcos. Ainda Agosto não tinha começado e já estávamos a oitenta reservas do total do ano passado», diz o administrador Eduardo Lucas.
Comentários menos favoráveis no usufruto das terras do Grande Lago? «Ouve-se muito o lamento da falta de praias. Não é fácil nem barato implementá-las. A erosão continuada poderá vir a criar sedimentos, areia, mas essa demorará muitos anos a fixar-se. Pode colocar-se lá a areia, mas o nível da barragem, se bem que não flutue muito, é variável. Ou seja, aquilo que constitui hoje uma praia, se o nível da água baixar lá se vai a praia. Os espanhóis tentaram em Cheles mas não funcionou. Fazer uma praia fluvial com alterações de nível implica uma actuação permanente. A água sobe e há um lavar da areia, a água desce e não está lá. Não pode ser uma junta de amigos a resolver o problema. É preciso uma autoridade por detrás.»
A queixa mais ouvida por toda a parte é a das querelas entre poderes que limitam a evolução das terras do Alqueva. «Infelizmente tenho de concordar», diz Eduardo Lucas. «Não falamos por nós, que estamos de boas relações com o concelho de Portel, o nosso anfitrião, de quem temos um apoio significativo. A nossa actividade expande-se por todo o lago e aí gostaria que houvesse uma maior colaboração e uma visão das possibilidades que traz esta actividade para cada uma das aldeias. Ou seja, cada entidade envolvida, presidente de junta, câmara, associação? deveria investir no sentido de dar condições. Assegurar bons cais, por exemplo.»
Este ano, o lago passou a ter esses cais em Monsaraz, na Estrela e na Amieira. Mourão e Campinho também melhoraram as estruturas. Prevê-se que em 2011 estejam prontos os de Alqueva e do núcleo da barragem e da aldeia da Luz. Lucas recorda: «Essa falta de condições de acesso pela água é limitativa para todos. Neste momento, para pena nossa, desaconselhamos os nossos clientes a irem à aldeia da Luz, porque o cais não reúne condições de segurança. Ora, é lá que está um dos melhores museus da região. Depois, não é só lá meter um cais. É preciso pensar na recolha de lixo, na informação sobre a aldeia, para que quem chegue pela água saiba o que pode ver. Que leve o cliente a pensar duas vezes, que o seduza. Há evolução, mas achamos que é possível dar mais e melhor.»
Existe uma Associação de Promotores do Alqueva, a APA. No entanto, há uma lacuna de organismos com interesses comuns no lago, além dos negócios. «Em tempos foi criada a Gestalqueva, uma empresa em que o capital está dividido entre a Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva (EDIA) e as câmaras à volta do lago, que com toda a lógica faria a gestão turística, a promoção, que ajudaria as empresas a instalarem-se. A Gestalqueva foi sendo esvaziada de poder. Tal como a EDIA, foi encolhida da sua competência turística. Começou a ser dividida e hoje em dia não se sabe quem está no terreno e pode fazer alguma coisa ou quem tem os meios. Para ter uma ideia: no sentido de promovermos as melhorias dos cais, fizemos uma pergunta elementar à Gestalqueva é às câmaras. Digam-nos de quem são os cais que existem ao longo da barragem, para que possamos dialogar. Acredita que ainda não obtive resposta? A pergunta tem um ano e meio…»
Por outro lado, a Associação dos Interesses Transfronteiriços do Alqueva, da qual fazem parte todos os municípios portugueses e espanhóis, tem um projecto global, com restaurantes, estradas… mas encontra-se igualmente por implementar. «Já viu o desperdício que é o Guadiana [o barco de cruzeiros], que leva 120 pessoas de cada vez e que podia atracar nos cais dessas aldeias sem ser só para ver as vistas? Ao fim-de-semana transportamos facilmente quinhentas pessoas. Podia haver uma rota gastronómica nas aldeias, ou de vinhos. O potencial continua em aberto», desabafa Lucas. «O turismo fluvial é anual, não se limita a um par de estações. Essa é outra das grandes mais-valias», resume.
A Amieira Marina aumentou entretanto as suas parcerias com a Livre de Amarras, no sentido de implantar a vela e uma cultura náutica inexistente. Fez ainda uma parceria com a Brake, para ocupação de tempos livres, com moto-4, slide, rappel o geocatching. Criou também, com a Babika, uma nova parceria na área do speedboat, da banana e da bóia rebocada. Por último, a parceria com a Sudeurosky, uma empresa já estabelecida em Portugal, encontrou na Amieira as condições ideais para poder evoluir. Trata-se de uma empresa que faz estágios de esqui, wakeboard e babyski (para crianças a partir dos 4 anos).

Polémica com as águas de Espanha
Desde o fim de 2008 que foi proibida a navegação pelos espanhóis na parte espanhola do Guadiana internacional, acima da vila de Monsaraz. «Desconhecíamos a situação caricata até termos dois clientes multados. Verificámos que tinham saído normas internas da Confederação Hidrográfica do Guadiana que proibiam a navegação e tentámos o contacto, mas fomos logo alertados que de nada adiantava. Era cumprir e calar. Isto impede obviamente a atracagem no lado espanhol, o que torna a situação ridícula, pois os espanhóis, mais avançados do que nós, anteciparam-se e construíram logo cais em Cheles, em Vilarreal, em Vilanueva del Fresno.» Agora esses cais são ilhas. Os espanhóis (como foi dito à imprensa espanhola pelo próprio alcaide Angel Garcia) teriam todo o interesse em ter lá portugueses. Afinal os clientes vão almoçar, às compras? Graças àquela lei, os clientes deixaram de ir ou vão por sua conta e risco.
Quem não arrisca é a Gesalqueva. «Com um barco de cruzeiro carregado de centenas de pessoas não vamos arriscar-nos a um incidente internacional. Se a questão é a segurança, basta que façam como nós fizemos: colocámos bóias nas zonas perigosas. Não há nenhum registo de acidente. Se a questão tem que ver com Olivença ou não, desconheço. Se tiver é caricata e constrangedora. Tanto mais que estivemos presentes lado a lado na última Bolsa de Turismo de Lisboa, com os espanhóis a promoverem o Alqueva com grande pompa, até mais do que nós, sendo que a nossa área navegável é muito maior. Abordámo-los lá e os próprios dinamizadores desconheciam o que estava a passar-se e as normas em vigor.»

As barcas da fantasia
Mário Ramalho, 40 anos, oleiro de ofício em São Pedro de Corval, marinheiro de ocasião, é um dos raros barqueiros que se faz solitariamente às águas do Alqueva para «passeios turísticos e piscatórios». Este é o terceiro Verão na faina e «a coisa tem vindo a ganhar forma», diz à NS? no ancoradouro de Monsaraz, onde estaciona o barco. Das 10h00 às 18h00, todos os sábados e domingos, a barca do Alqueva Cruzeiro não pára. De semana, abranda o movimento, mas «felizmente roda». O oleiro-marinheiro lamenta apenas as restrições «absurdas» nas águas espanholas, a falta de praias ou que não possam fazer-se refeições a bordo, e que haja magra oferta nas aldeias. «Se não se trouxer o farnel passa-se fome.» Depois, frisa, «é uma pena ter-se esta água toda e não poder ficar aqui a dormir e a desfrutar. O turismo deve ser controlado para não abandalhar, mas há coisas que devem fazer-se. Parques de campismo, por exemplo, agora até se fazem ecológicos.»
Enquanto falamos com os pés a dar e dar na borda da água tépida chegam levas de gente como os chineses Emi e as suas duas filhas sino-alentejanas que chamam ao Alqueva «bom bom»; um jovem casal nortenho em disponibilidade amorosa em fuga «ao crowd do litoral»; pescadores de achigãs, o peixe mais estimado da barragem; e um paradigmático elenco de Moura que arma o toldo, dispõe o recheio de enchidos da marmita e ajunta-se numa animada rodinha para um piquenique sobre as urzes bravas e o cascalho.
«Tiraram-nos a praia da Carraça. Temos de nos amanhar com o que há», diz, jocoso, o chefe da casa. E a provar de que «não se está nada mal» arreia o calção e atira-se em mergulho encarpado (de tanga cintada) às águas mornas, mansas e desertas da barragem.
Passa então no molhe Fernando Nunes de Carvalho, 63 anos, assíduo da barragem todos os fins-de-semana e «alquevista» imparável. «Toda a gente dizia que isto era uma asneira. Agora é o segredo mais bem escondido da Europa», proclama alto e bom som, antes de soltar amarras. Fernando faz questão de nos levar a bordo do seu barco SunDecker, para desvendar o antes e o depois, e os prós e os contras do Grande Lago – incluindo nos prós o facto de não haver limite de barcos, excepto no tamanho, sete metros de calado. Fernando é do tempo em que se fazia o Alqueva do Guadiana a cavalo e se atravessava o rio a pé em anos de seca. Participou na «Despedida do Guadiana», um raide organizado por José Megre, o falecido viajante das setenta partidas. «Era uma maravilha, mas não tenho saudades. Era outra coisa. Agora faço coisas que nunca faria. Como levar os meus netos a ver ilhas desertas ou grutas cheias de água que antes eram abrigos de pastores e de que já ninguém conta a história. Em Portugal há um par de lugares assim. O outro é a barragem de Moncorvo, no rio Sabor. Digam-me um lugar no mundo onde se pode encostar o barco e fazer um piquenique à sombra de uma oliveira ou andar de porto em porto a fazer rotas de castelos milenares?»



Saramago e o Alqueva

«Do morro fortificado de Monsaraz desceu à planície. Isto é como estar fora do mundo. Os leitos das ribeiras são correntes de pedras requeimadas de sol, chega-se a duvidar que alguma vez levem água, tão longe ela está neste momento, sequer, de simples promessa. Por este andar, o viajante, se o espremem, não deita gota. Vai assim, outra vez entorpecido, quase ao diabo dando o viajar, quando de repente lhe aparece um rio. (?) Por sim, por não, consulta o mapa, a ver se nestas latitudes se assinala curso de água permanente. Cá está, o Guadiana! Era o Guadiana, aquele mesmo que bravio se lhe tinha mostrado em Juromenha e que depois abandonara. Amável Guadiana, Guadiana delicioso, rio que do paraíso nasces! Que faria qualquer viajante, que fez este? No primeiro sítio onde da estrada facilmente se chega ao rio, desceu, num resguardo se despiu e em dois tempos estava na água clara e fria, parece impossível que exista uma temperatura assim. Por mais tempo do que à viagem convinha esteve refocilando na límpida corrente, nadando entre as fulgurações que o sol chispava na fluvial toalha, tão feliz o viajante, tão contentes o Sol e o rio, que eram três num prazer só.»
in Viagem a Portugal («A grande e ardente terra de Alentejo»)



Pedaço de história

A vila de Monsaraz está implantada num esporão rochoso, de onde se avista uma paisagem a perder de vista. A origem do nome é desconhecida, mas mon-xarás, ou «monte-xaras» (monte das estevas) é uma imagem poética adequada à história e encantos do lugar. Terra milenar, de romanos e árabes, tornou-se altiva pela fronteira. Em 1157, Geraldo Sem Pavor, conquistador de Évora, tomou-a de assalto aos mouros, que logo a recuperaram. Só em 1232 Monsaraz passou a fazer parte do reino de Portugal, graças aos cavaleiros templários, futuros senhores da vila. D. Afonso III atribuiu-lhe a primeira carta de foral, onde se estabeleceram os limites do primitivo termo medieval bem como das terras reguengas, isto é, as que pertenciam ao rei – daí o nome da terra vizinha, Reguengos de Monsaraz.



Antes e depois da barragem

O Guadiana encontrou à passagem pela serra de Portel um dos seus maiores obstáculos. Foi neste ponto de contacto que o maciço rochoso mais resistiu ao ímpeto do rio, resultando dessa luta titânica uma cicatriz geológica, aberta em vale profundo. Este acidente natural permitiu viabilizar a construção de uma barragem, denominada de Alqueva, por deferência toponímica à aldeia mais próxima. Os primeiros estudos para construir uma grande obra hidráulica que represasse as águas do Guadiana datam dos anos cinquenta do século XX. Uma tal obra permitiria alimentar o chamado Plano de Rega para o Alentejo, condição fulcral para contrariar a desertificação e o subdesenvolvimento económico da região. Só meio século mais tarde nasceria o Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva, concluindo-se o corpo principal da barragem em Janeiro de 2002. O paredão, com uma altura de 96 metros, formou um regolfo de 250 quilómetros quadrados, sendo por isso considerado o maior lago artificial da Europa. Entre os inúmeros aproveitamentos do novo caudal de água destacam-se o Sistema Global de Rega, que irrigará 115 mil hectares de terra através de dois mil quilómetros de condutas, e a produção de energia eléctrica, cuja potência permitirá cobrir as necessidades de consumo de todo o distrito de Beja. Junta-se a este potencial a regularização do Guadiana, o abastecimento público de água e a potencialização de expectativas empresariais, sobretudo na área do turismo, em que por agora se focam todas as atenções.



Parque Alqueva

Reconhecido como projecto de Potencial Interesse Nacional (PIN), o complexo turístico integrado no Parque Alqueva será constituído por três herdades situadas entre Reguengos de Monsaraz e a albufeira de Alqueva, representando, na primeira fase do projecto, um investimento total na ordem dos cinquenta milhões de euros. O Parque Alqueva vai ser construído ao longo das próximas décadas numa área de 2074 hectares, no concelho de Reguengos de Monsaraz, pela Sociedade Alentejana de Investimentos e Participações (SAIP), liderada por José Roquette. O Parque Alqueva, um investimento de cerca de mil milhões de euros, foi o primeiro dos três empreendimentos turísticos projectados para o concelho de Reguengos de Monsaraz a iniciar as obras. A Herdade do Barrocal, a cargo do grupo Aquapura Alentejo, com custos estimados em 140 milhões de euros, e o Vila Lago Monsaraz – Golf & Nautic Resort, da Aprigius – Companhia de Investimentos Comerciais, prevê um investimento total de 170 milhões de euros.



Entrevista
Sofia Ginestal Machado

Sobroso: um caso de estudo

Sofia Ginestal Machado é a embaixatriz da Herdade do Sobroso, uma referência no turismo do Alqueva, em Marmelar, no limite sudeste das terras do Grande Lago. Aqui podem fazer-se winetours, um giro desde a poda à vindima (procurado, sobretudo, a partir de meados de Agosto). Há visitas guiadas à adega que culminam com uma prova simples ou servida de queijos e enchidos da região. De resto, é uma paisagem sublime de quase dois quilómetros lineares defronte do Guadiana, com a herdade aos pés da barragem. Os visitantes podem instalar-se no edifício principal, na Casa da Quinta, composta de cinco quartos duplos, ou numa das outras tantas casinhas geminadas, viradas para a vinha e o montado. Faz-se tudo: passeio de caiaque, bicicleta, caça e pesca. Mas o predicado mais cobiçado do Sobroso, e que traz clientela de toda a Península Ibérica, é a cozinha inspirada da «chefa» Josefa. O cardápio contempla javali no forno com migas de espargos, sopa de cação, açorda de tomate e coentros ou a cobiçadíssima galinha do campo com cogumelos. O vinho é o exclusivo da casa, e ainda bem.

Podemos dizer que o Alqueva já é uma alternativa de férias para os portugueses?
Sim, é uma região fantástica com um grande potencial turístico. Barragem, desportos náuticos, boa gastronomia, bons vinhos, sol durante todo o ano, excelentes acessos, relativamente próximo de dois aeroportos internacionais (a 1h30 de distância).

Trata-se de uma alternativa só para uns happy few ou tem condições para oferecer turismo «para todas as bolsas»?
Julgo ser uma alternativa para todas as bolsas, nem que seja para uma escapadela de dois dias.

Que argumentos têm para convencer um veraneante a ir para o Alqueva em Agosto?
Oferecemos tranquilidade, um serviço personalizado, um encontro com os sabores tradicionais do Alentejo e com o mundo fascinante dos vinhos, e praticamente uma herdade com 1600 hectares em exclusivo para o cliente, uma vez que a nossa lotação máxima é de pouco mais de vinte pessoas.

O vosso core business é o turismo enológico?
As três principais valências da Herdade do Sobroso são, por esta ordem: produção de vinhos (tinto/branco/rosé), das gamas Herdade do Sobroso e Sobro; country house e turismo cinegético.

Qual a taxa de ocupação da herdade em época alta?
Cerca de noventa por cento.

in NS

Cavaco defende programa de repovoamento rural


O Presidente da República defende que Portugal devia lançar um programa de repovoamento rural, como forma de combate ao despovoamento do país. Aníbal Cavaco Silva disse-o de uma forma clara a uma plateia de personalidades regionais e nacionais que se juntou numa sessão pública em Castelo Branco e que serviu para fazer o balanço final do Roteiro das Comunidades Locais Inovadoras. Durante três dias, o Chefe de Estado efectuou um périplo pela região albicastrense tendo concluído que vale a pena continuar a apostar nas zonas periféricas, porque, como disse, “aqui as pessoas não desistem das suas terras, acreditam que há futuro e possuem uma energia renovadora que resiste à adversidade, sentem que têm o dever de agir e estão abertas à cooperação”.

Daí que Cavaco Silva entenda ser urgente tentar inverter a questão do despovoamento, fundamental para ajudar também o país “no grande desafio da recuperação económica e da criação de empregos, onde temos de ser capazes de fazer melhor do que as previsões apontam”. Para além do despovoamento, apontou o endividamento externo e a fraca produtividade como outros dos factores de risco para o futuro de Portugal.

Alertando para “o potencial inovador que existe em cada comunidade” procurou elevar a auto-estima regional, apontando exemplos, dos serviços aos produtos, chegando a dizer que “as potencialidades locais fazem avançar o país”. No entanto, avisa que “é preciso mostrar qualidade em tudo o que se faz” e apostar em Pequenas e Médias Empresas competitivas que “de forma inteligente consigam fazer a ponte entre a tradição e a inovação”.

Aqui, Cavaco Silva considera que a mão do poder autárquico é essencial, criando condições às empresas e favorecendo o empreendedorismo dos jovens. “Mobilizar parcerias, ajudando as empresas a ganhar dimensão e inovar fazendo diferente mas com qualidade e eficiência é o caminho”, disse o Presidente. Este Roteiro pela região de Castelo Branco serviu, por isso, para apontar os bons exemplos e para mostrar ao país que “é possível ser competitivo no Interior”.

Morão realça auto-estima

O presidente da Câmara de Castelo Branco, na mesma sessão, agradeceu a visita presidencial e o empurrão que a mesma significa para esta zona do país. Joaquim Morão lembrou que “temos coisas muito boas e temos autarcas que se esforçam diariamente para levar por diante estas terras”. Daí que realce a auto-estima e o ânimo deixado por Cavaco Silva “numa época que não é fácil”, destacando que “a sua presença aqui dá-nos ainda mais força para lutarmos por um futuro melhor para todos”.

in Reconquista, José Júlio Cruz

"Já tivemos maternidade. Agora, nem uma farmácia"

Vivem longe de quase tudo, e o pouco que têm vai desaparecendo - urgências, atendimento 24 horas, médicos na consulta, enfermeiro a tempo inteiro. E são cada vez maiores as dificuldades destas populações no acesso à saúde. São as juntas de freguesia que tentam minorar os prejuízos, mas o sucesso é relativo. E só ficam os velhos...

Idalina Amiguinho, 63 anos, desfila um rol de queixas, que é preciso interromper para perceber do que fala. Mora em Santa Eulália, uma aldeia do interior do distrito de Portalegre. Mulher com "vários problemas de saúde e, até, da doença dos nervos", não se conforma com o fecho da Farmácia Cruz, há dois anos. "Estava afónica, por acaso até tinha consulta marcada, a médica, a Dra. Alexandra, está cá há seis meses - esteve cá uma espanhola, a Rebeca, engravidou e abalou -, passou os medicamentos para tomar às 16.00. Tive de estar à espera da minha filha para ir à farmácia de Arronches, sempre fica um bocadinho mais perto que Elvas [a 15 quilómetros, menos três]. O meu marido tem um carro velhinho comprado em segunda mão, mas é muito doente, tem colesterol... precisamos de muitos medicamentos, e são caros."
A Farmácia Cruz mudou-se para Elvas, deixando de ser o ponto de atendi-mento/triagem da aldeia. Beneficiou da portaria n.º 1430, de 2 de Novembro de 2007, que permite a deslocalização das farmácias dentro do concelho, sem que a transferência esteja sujeita a uma avaliação,por peritos, às necessidades da população.
"O problema dos medicamentos é importante, mas uma farmácia é mais do que isso. A maior parte das vezes, um técnico de farmácia é um psicólogo, um conselheiro. As pessoas sentem-se bem em lá ir. Enquanto esperam para ser atendidas, vão conversando. O nosso maior problema é a solidão: 60% da população tem mais de 65 anos e passa o ano inteiro só", lamenta Cláudio Carapuça, o presidente da Junta de Freguesia de Santa Eulália. Muitos dos seus eleitores não têm a 4.ª classe para poderem tirar a carta de condução, e muito menos dinheiro para comprar o carro.
"Ainda há dias tive de chamar um táxi para ir a Elvas; aqui não há bombeiros para pedir uma ambulância. Tem de ser, sou solteiro", desabafa José Francisco, 78 anos, agricultor, "trabalhava nas hortas". São pelo menos 45 euros, dinheiro que depois é reembolsado pelo Estado. "A minha reforma é de pouco mais de 300 euros... ", explica. E sempre que o médico de família lhe receita medicamentos, vai directo à casa do farmacêutico, que mantém a residência em Santa Eulália. "Entrego à mulher, e ele traz os remédios no dia seguinte." "Olhe, isso é que não faço", protesta Idalina Amiguinho. "Ele pintou-nos, e eu não vou lá."
"Diziam que a farmácia só ia fechar uns dias, mas fechou e nunca mais abriu. Agora, faz negócio em Elvas e aqui. Eu também levo às receitas à mulher dele." E, assim, José Charruadas, 78 anos, compensa a falta que lhe faz a farmácia. Charruadas também é solteiro. "Fui criado além, nos montes. Não havia mulheres", brinca.
Desenrolam o novelo das críticas no Largo de José da Silva Picão, "autor glorioso do livro Através dos Campos", à entrada da vila, junto ao cruzamento em que os semáforos são controlados por energia solar. Um banco à sombra serve de poiso a quatro reformados. Idalina passou e parou.
"Não se pode estar em casa com este calor", justificam. É a farmácia que fechou, a antiga estação de correios a cair (passaram para um "cubículo" da Junta), o médico que só vai à aldeia duas vezes por semana. "E se estiver doente ou de férias, ninguém o substitui", protestam. "Já nem o pão aqui é feito!"
"Andava aí um bocado manhoso. Tive de ir de táxi para Elvas, porque nunca sabemos se nos despachamos a tempo de apanhar a camioneta. Fizeram-me exames, meteram-me soro e não encontraram nada, mas o que é certo é que andava mal", conta Miguel Carpinteiro, 65 anos, ex-cabouqueiro. Os dois filhos deixaram a aldeia mal se tornaram adultos. "Não há trabalho...", justifica.
E quem não vai a casa do técnico de farmácia, tem a junta de freguesia como alternativa, entre as 07.00 e as 13.00, horário contínuo. Na volta, é uma carrinha que distribui os remédios pelos doentes, mas Cláudio Carapuça, o presidente, faz coro com os que protestam contra o farmacêutico, e não se abastece na Farmácia Cruz, em Elvas. "Não tenho de levar a mal, é um negócio, mas como presidente da junta, não posso concordar", justifica o jovem autarca. Não fala sentado à secretária, mas na igreja, e como servente de pedreiro; com Adriano Carlos, 50 anos, o secretário, e Paulo Carpinteiro, 44 anos, o tesoureiro, colocam um altar para a imagem de Santa Eulália.
Foi o "avó da Fatinha" que instalou a farmácia na freguesia, "há muitos anos. A população sempre se lembra da sua existência, mas é pequena a lista de potenciais clientes: 1100 eleitores nas últimas eleições. Cláudio Carapuça acredita que o Censos 2011 indicará mais habitantes do que há dez anos. A Câmara Municipal de Évora disponibiliza lotes de terreno para construção, a 5000 euros, o que tem levado pessoas para as zonas mais despovoadas. Muitos têm os empregos na cidade.
Já Juliana Sousa, 17 anos, tem poucas hipóteses de sair da aldeia. Não tem meios para se deslocar à cidade; tem família para ajudar. Sentada no degrau da porta da casa, com a avó Maria do Carmo Bolaixo, 85 anos, lamenta: "Se tivesse um emprego efectivo, ficava aqui; gosto disto. Mas está tudo a sair, cada vez há menos coisas para fazer. Estivemos mais de três meses sem médica. E se a minha avó piorava, era à farmácia que ia medir a tensão quando não havia enfermeiro." É um dos poucos rostos jovens da aldeia. Completou o 9.º ano em Vila Boim - na freguesia deixou de haver o 7.º ano -, e a única coisa que conseguiu foi seis meses de trabalho, através do programa Ocupação Municipal Tempos Livres, a ganhar 250 euros por mês. Não tirou a roupa do serviço, e percebe-se que esteve a pintar. "Faço tudo o que for preciso: tirar erva, caiar, tudo..."
Também a população de Colos protesta por a Farmácia Colense, Odemira (Beja), ter mudado para Vila Nova de Mil Fontes. E a história que contam já não é nova. Um estabelecimento secular, tão antigo que deu o nome à rua - Rua da Farmácia -, servia as freguesias em redor. Era um apoio; o problema foi ser vendida a alguém que não "sente aquele amor" pela terra.
"Era a farmácia que a gente aqui queria. Como era dantes. Tenho 64 anos, e já existia quando eu era nova. A minha mãe tem 95 anos e diz que toda a vida houve aqui farmácia. Era do senhor Militão Camacho, sabia muito, fazia medicamentos e tudo. Ele pôs--se muito velhote, e ficou um sobrinho a trabalhar. Depois abalou, e foi vendida a uma senhora que não era daqui. Há tanto tempo que se ouvia dizer que ela abalava, mas custava-me a acreditar... Agora, vai mesmo acabar", conta Joana Correia.
Chegou a trabalhar na casa da proprietária da farmácia, e também por isso lhe dá mais pena. A unidade ainda abre de manhã, mas é só até o processo de transferência estar concluído. "Há aqui muita gente e a escola veio dar vida a isto. Há menos crianças, mas ainda há muitos jovens. Temos centro de saúde (extensão), a Cruz Vermelha, os Correios, a Caixa Geral de Depósitos, a GNR... Temos tudo, é uma pena", lamenta Joana. E têm uma parafarmácia, do proprietário da farmácia de Odeceixe, que se disponibiliza a trazer os medicamentos, e sem pagamento de porte. E um número de telefone para as emergências. "Ah tem? olhe, não sabia. Mas fica à saída da vila; é longe, e não é a mesma coisa", conclui a mulher.
Em São Barnabé, Almodôvar, distrito de Beja, não se protesta contra o fecho da farmácia, a diminuição das horas de atendimento do médico ou o encerramento das urgências. "Nunca tivemos nada disso. Sentimos a falta... mas o que é que quer? O pior foi quando fechou a escola; foi uma escuridão". Lamentações de Lisete Maria, 73 anos. Sentada do lado de fora da taberna local, acompanha Maria Catarina, 78 anos, mais nos silêncios do que nas palavras. Fazem tempo para "comer qualquer coisinha", o jantar.
São poucos os habitantes, na maioria velhos. E só no Verão, com a vinda dos emigrantes, há algum movimento nas ruas. Um médico desloca-se uma vez por semana à Casa do Povo - "é a Dra. Maria, veio da Holanda, que aqui não há doutores, mas quando for embora, lá voltamos a estar à espera". A visita do enfermeiro também é espaçada. Pede-se aos vizinhos para "aviar as receitas", ou então entregam-se na junta de freguesia. E nem os incentivos à natalidade, entre 750 euros (primeiro filho) e 1750 (terceiro e seguintes), fazem inverter a tendência de envelhecimento; há uma criança...
"Sou dos mais novos, mas quem é que pode aqui viver? Não há emprego. E até nos tiraram a aguardente de medronho. Sou mecânico, mas acabo por fazer um pouco de tudo: monto bombas, arranjo motores de tirar água, o que aparecer", explica José Reis, 54 anos. É, também, dos poucos que tem carro. "Pedem-me para que lhes leve as receitas quando vou à cidade; faço-lhes os recados. Tem de ser", acrescenta.
São Barnabé fica a 29 quilómetros de Almodôvar, a mais distante das oito freguesias do concelho. E são 29 quilómetros às curvas pela serra do Caldeirão, estrada estreita e a descer até à vila. As urgências (Serviço de Atendimento Complementar) em Almodôvar encerraram, o que quer dizer que são mais 24 quilómetros até à unidade de Castro Verde. É, seguramente, mais de uma hora de caminho, a prova de que a distância ao quilómetro não é igual para todos.
"A nossa preocupação é a falta de pessoal, não chegamos para as necessidades da população. Se há uma urgência, temos de ir para Castro Verde, sem esquecer o regresso. Desde que as urgências fecharam, que se torna complicado gerir os funcionários. Além disso, somos a reserva do INEM, mas não foi fornecida viatura, e eles têm de levar uma ambulância nossa", conta José Marques, 56 anos, 2.º comandante, dirigente dos Bombeiros Voluntários de Almodôvar.
Em tempo de férias, aumenta a população local. E as preocupações. E, além dos motoristas e técnicos para dar assistência em cuidados de saúde, há o combate aos incêndios. A corporação tem 24 funcionários (condutores, socorristas, administrativos, atendimento), além dos voluntários. "Claro que não posso concordar que fechem as urgências. Os acidentes e as doenças não escolhem as horas, e uma boa parte dos habitantes não tem meios próprios para se deslocarem", protesta.
"E os transportes são maus. O meu pai tem 89 anos e tem de ir à consulta a Beja. Como é que ele vai de camioneta para Beja?! Antigamente, ainda se deslocava de carroça e burro, mas agora nem isso. As camionetas são poucas e é preciso apanhar várias. Estou aposentada e gostava de dar mais assistência, mas moro em Portimão e não conduzo. Nem sei como é que poderia chegar aqui de transportes públicos. Felizmente, arranjou-se uma equipa para lhes levar a comidinha. Mas as pessoas aqui vivem muito isoladas", diz Maria do Carmo Martins, 59 anos, ex-professora do ensino básico. E sublinha: "As pessoas têm de vir a Almodôvar para ver como as coisas ainda funcionam."
A falta de recursos, em especial no acesso à saúde, levaram Luís Monteiro, 42 anos, a voltar a fazer contas à vida. Pequeno empresário na área dos mármores, pensava deixar definitivamente a Bélgica, onde viveu 20 anos, para se fixar em Poiares, a sua terra. Mas esta, em vez de progredir, só "tem regredido". "A Farmácia Portugal fechou há dois anos. Temos de ir a Peso da Régua ou a Vila Real comprar os medicamentos. O hospital é o de Peso da Régua; uma estrada estreita com curvas e inclinada. No Inverno, e com gelo, é um perigo. Agora querem fechar a escola. Tenho um filho de seis anos e uma filha de 14, e não vejo aqui futuro para eles. Qualquer dia é o centro de saúde que fecha. Que futuro lhes vou dar? Não venho para cá e vou vender o que aqui tenho", argumenta.
A Farmácia Portugal mudou-se há ano e meio para Vila Real, e é uma funcionária da junta de freguesia que recebe as receitas. "É um serviço que prestamos aos utentes, sobretudo às pessoas de idade. Os medicamentos chegam no dia seguinte, e se for urgente, ligo e vêm no próprio dia", conta Conceição Rodrigues, 42 anos, que muitas vezes recebe os pedidos da população na sua própria casa; afinal, são os seus vizinhos. É o antigo presidente da Junta, agora técnico da farmácia, que traz os remédios.
As juntas de freguesia tentam colmatar as falhas no acesso aos cuidados de saúde. E lamentam que as decisões sejam tomadas a nível central e sem consulta aos dirigentes locais. E sentem-se de mãos atadas. "Íamos à farmácia a Poiares, a 10 quilómetros, e agora temos que nos deslocar a Peso da Régua, que fica a 31 quilómetros. Já me prometeram que não fechavam o centro de saúde (extensão)... É muito complicado. Em Agosto, não temos médico na maior parte do tempo", diz José Maria Leonor, 58 anos, aposentado da GNR, presidente da Junta de Freguesia de Galafura. E sublinha: "São as leis do Governo, não são as câmaras nem as juntas que decidem. Eles é que lá sabem o que andam a fazer, mas está mal, a saúde é muito importante!"

in DN, Céu Neves e Orlando Almeida

UMA POPULAÇÃO QUE SE URBANIZA

O sistema urbano nacional apresenta uma dinâmica e densa articulação interna, avaliada nos finais da década de 90 do século passado (estudo Sistema Urbano Nacional. Cidades Médias e Dinâmicas Territoriais, DGOTDU, 1997) tendo sido então identificados seis sistemas urbanos regionais:
1. Norte Litoral, polarizado pela cidade-aglomeração do Porto, muito dinâmico, articulado numa lógica de valorização de complementaridades e especificidades que lhe confere uma capacidade de auto-regulação invulgar; ocupação do território densa e difusa em termos de população e de actividades; muito aberto ao relacionamento transfronteiriço com a Galiza.
2. Nordeste, estruturado por um eixo urbano linear em consolidação (Vila Real-Peso da Régua-Lamego) e por três cidades de dimensão média, pólos de retenção da população e da criação de emprego parcialmente articulado em dois eixos (Chaves-Vila Real-Peso da Régua-Lamego e Vila Real-Mirandela-Bragança) coincidentes com os principais eixos viários (IP3 e IP4), revelando-se insuficiências nas restantes articulações.
3. Centro, estruturado por dois eixos em formação e consolidação (Coimbra-Figueira da Foz, Guarda-Covilhã-Castelo Branco) e Viseu e a constelação de cidades/vilas envolventes (Aveiro-Ílhavo-Águeda-Oliveira do Bairro), revela uma distribuição espacial equilibrada.
4. Lisboa e Vale do Tejo, fortemente polarizado pela Área Metropolitana de Lisboa, que tende a integrar a dinâmica das cidades mais próximas como Santarém, Rio Maior e Torres Vedras; área muito densa, concentrada e dinâmica, fortemente internacionalizada.
5. Alentejo integra dois pequenos eixos com fraca capacidade polarizadora (Estremoz-Vila Viçosa e Santiago do Cacém-Sines-Santo André) e a cidade de Elvas, centro importante de relacionamento transfronteiriço; em estruturação, enquadrado num território extenso, de fraca densidade, com um modelo de povoamento muito concentrado e dinâmicas regressivas significativas.
6. Algarve (forma linear, determinado por um processo de forte urbanização da faixa litoral, implicando um esvaziamento do interior da Serra; região polinucleada com características de internacionalização de perfil turístico; muito aberto ao relacionamento transfronteiriço.

Autor: Nuno Pires Soares
Artigo completo em Atlas de Portugal

"Portugal não é Plano" por @jaimequesado

Segundo um estudo da ONU, em 2015 a Região da Grande Lisboa vai comportar 45,3% do total da população do país, tornando-se a terceira maior capital metropolitana da União Europeia, logo a seguir a Londres e Paris.
Apesar da tónica colocada no desenvolvimento do interior, através de inúmeras acções de política pública, como é o caso do programa Pólos de Competitividade, o certo é que o tempo passa e Portugal parece não conseguir fugir ao destino de ser um país que ainda não conseguiu ser plano no jogo da grande competição global.
Os dados do estudo Prospectivas de Urbanização do Mundo, do Departamento dos Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas, são muito claros.
Além dos 45,3% de concentração da população portuguesa na Grande Lisboa (aumentando o número de habitantes de 3,8 milhões em 2000 para 4,5
em 2015), também a Área Metropolitana do Porto vai ter um crescente peso na demografia portuguesa, destacando-se em 2015 claramente como a segunda maior área urbana do país com 23,9% do total da população.
Ainda segundo o mesmo estudo, nas zonas rurais permanecerão apenas 22,5% da população e nas outras áreas urbanas vão viver apenas 8,3% dos portugueses.
Apesar da relativa reduzida dimensão do país, não restam dúvidas de que a aposta numa política integrada e sistemática de cidades médias é o único caminho
possível para controlar este fenómeno da metropolização da capital que parece não ter fim.
O papel das universidades e institutos politécnicos, que, nos últimos 20 anos, foram responsáveis pela animação de uma importante parte das cidades do interior, está esgotado. A política pública tem a responsabilidade de dar o mote e marcar a agenda.
Iniciativas como as Cidades e Regiões Digitais, Acções Inovadoras de Base Regional, entre outras, têm tido o incontornável mérito de colocar estas temáticas na agenda nacional.
Mas engane-se quem pense que serão capazes por si só de alterar o panorama global. O que está verdadeiramente em causa em tudo isto é a assumpção por parte do país de um verdadeiro desígnio estratégico de alterar o modelo de desenvolvimento.
Neste contexto, a questão surge então - que Pólos de Competitividade deverá o país privilegiar e de que forma deverão ser operacionalizados ao longo do território?

São conhecidas nesta material várias experiências internacionais, que vão da Finlândia ao modelo francês, passando pelo modelo de organização consolidado nos últimos anos em Espanha, através das Regiões Autónomas.
Não há soluções universais e deve ser atenta nesta matéria
a particular especificidade do nosso país e as competencies centrais de que dispõe.

Seria muito mau para Portugal e para os portugueses que, em 2015, 45,3% da população se concentrasse na Grande Lisboa.

Portugal tem que lutar por ser plano e isso corresponde mais do que nunca a uma exigência colectiva.

É por isso fundamental que a aposta concreta em projectos de fixação de riqueza e talentos nas cidades médias portuguesas tenha resultado. É um objectivo que não se concretiza meramente por decreto. É fundamental que a sociedade civil
agarre de forma convicta este desígnio e faça da criação destas ‘Novas Plataformas de Competitividade’ a verdadeira aposta
estratégica colectiva para os próximos anos.
Só assim se conseguirá evitar que Portugal se torne um país ‘dual’, incapaz de consolidar uma coesão territorial e social essencial na estratégica de afirmação colectiva como um país desenvolvido no novo mundo global. O ano que agora começa vai ser decisivo nesta matéria.

Donde o percurso tem que ser claro. Tornar Portugal um país plano com uma participação assumida por parte das elites e uma convergência de todos.

Jaime Quesado, Gestor do Programa Operacional
Sociedade do Conhecimento

in Expresso, 6 de Janeiro de 2007

Encontro internacional de cidades inovadoras analisa problemas urbanos


Beja, Bragança e Portalegre correm risco de desaparecer

Portugal "cada vez mais macrocéfalo" põe a maioria das cidades dependentes dos serviços públicos

Algumas capitais de distrito como Bragança, Portalegre ou Beja "estão perto de situações perigosas" num país cada vez mais macrocéfalo. Dependentes dos serviços do Estado, a sua pequena dimensão não lhes permite captar investimento privado. Portugal continua a ser Lisboa, o resto é paisagem. O centralismo "quase genético" ganhou novo alento com a União Europeia e globalização.

"É uma combinação explosiva", diz o geógrafo Álvaro Domingues. "Pequena escala misturado com pouca diversidade funcional", se falhar um sector, "pode ser o caos" em cidades como Bragança, Portalegre ou Beja. A grande dificuldade destas áreas urbanas é sobreviver sem a dependência do investimento público.

Uma universidade, por exemplo, reconhece o autarca de Bragança Jorge Nunes, seria contributo "muito importante" para a cidade. No entanto, não partilha da visão do geógrafo. "A cidade tem capacidade de se afirmar e tenta ganhar centralidade: 60% das exportações de Trás-os-Montes hoje são de Bragança."

O que define a centralidade, agora que se desfazem as fronteiras? "A presença do Governo e da administração pública", responde Álvaro Domingues. A globalização económica alterou a sede de decisão: tudo emigra para a capital - "e, se calhar, Lisboa dará lugar a Madrid". A sede da empresa EDP Renováveis, por exemplo, é em Oviedo, Espanha.

Responsável pela cadeira de Geografia, Território e Formas Urbanas, na Universidade do Porto, Álvaro Domingues lembra que Portugal sempre foi um "reino com cabeça que descentraliza pouco". Nunca nenhuma elite, "desde a Igreja à nobreza", teve poderes para inverter a regra.

"Superconcentrado" durante o Estado Novo, continua macrocéfalo. Não trava o despovoamento do interior: é um país "dependente" dos serviços públicos para sobreviver. "Vai a Coimbra, tira a universidade e os hospitais e ela afunda-se no meio do Mondego", diz Domingues - que define como "cidades do Estado" as capitais de distrito.

Para além de Aveiro e Braga, "com uma economia diversificada", existem apenas "cidades do Estado". Ou seja, sobrevivem graças aos serviços públicos, modernizados nas últimas décadas com os fundos que chegaram da União Europeia.

Mesmo assim, refere o docente da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, algumas capitais de distrito estão em situação muito difícil.

O presidente da Associação Nacional de Municípios subscreve as palavras do geógrafo. O País "é cada vez mais centralizado", e a tendência centralista "reforçou-se" com o Governo de José Sócrates. Fernando Ruas dá este exemplo: os presidentes das comissões de coordenação e desenvolvimento regionais (CCDR) "eram eleitos pelos autarcas da área correspondente, agora passaram as ser nomeados pelo Governo".

Foi também o Executivo socialista, refere Fernando Ruas, a retirar as câmaras municipais da participação no Instituto de Conservação da Natureza. Antes, os municípios tinham uma palavra na gestão das áreas protegidas.

in DN, Francisco Mangas

Tax People Back Into the Cities


For the first time in history, more than half the world's population live in cities: by 2030, three out of five people will be city dwellers. But the British are bucking this trend. The 2001 census revealed an "exodus from the cities". Since 1981, Greater London and the six former metropolitan counties of Greater Manchester, Merseyside, South Yorkshire, Tyne and Wear, West Midlands and West Yorkshire have lost some 2.25 million people in net migration exchanges with the rest of the UK; in recent years this trend has accelerated.

This is not sustainable. British people need to be cured of the insidious fantasy of leaving the city and owning a house in the country: their romantic dream will become a nightmare for people elsewhere on the planet.

The fact is that rural households have higher carbon dioxide emissions per person than those in the city, thanks to their generally larger, detached or semi-detached houses, multiple cars and long commutes (cars are responsible for 12 per cent of greenhouse gas emissions in Europe - 50 per cent in some parts of the US). The regions with the biggest carbon footprints in the UK are not the metropolises of Glasgow or London, but the largely rural northeast of England, as well as Yorkshire and the Humber. In fact, the per capita emissions of the Big Smoke - London - are the lowest of any part of the UK.

To create a low-carbon economy we need to become a nation of city dwellers. We tax cigarettes to reflect the harm they do to our health: we need to tax lifestyles that are damaging the health of the planet - and that means targeting people who choose to live in the countryside. We need a Rural Living Tax. Agricultural workers and others whose jobs require them to live outside cities would be exempt. The revenue raised could be used to build new, well-planned cities and to radically upgrade the infrastructure of existing cities.

We have an opportunity to create an urban renaissance, to make cities attractive places to live again - not just for young adults, but for families and retired people, the groups most likely to leave the city. Turning our old cities into "smart cities" won't be easy or cheap, but in a recession this investment in infrastructure will boost the economy. We need to learn to love our cities again, because they will help us to save the planet.

P. D. Smith is an honorary research associate in the Science and Technology Studies Department at University College London and author of Doomsday Men: The Real Dr Strangelove and the Dream of the Superweapon (2008). He is writing a cultural history of cities. www.peterdsmith.com

in WIRED, PD Smith

Novos Povoadores à conquista do Interior



"Sou a prova viva de que com Internet podemos trabalhar em qualquer lado"

Frederico Lucas tem 37 anos, três filhos e uma ambição: promover o êxodo urbano, trazer consumidores para os territórios de baixa densidade.
Com o projecto Novos Povoadores, de que é co-autor, quer também demonstrar que se pode ganhar dinheiro a partir de qualquer sítio. Ele está a tentar fazê-lo, a partir de Trancoso. E há muitas famílias interessadas em seguir-lhe os passos.
Por Luísa Pinto

Quando cheguei, estava deslumbrado. Vim para Trancoso em 2004, atrás da minha ex-mulher. Depois de termos vivido em Telheiras, mudámo-nos para Azeitão. Foi lá que nasceu o nosso terceiro filho, em 2002. Foi em Azeitão que fiquei quando nos separámos, com os dois mais velhos, de três e cinco anos, na altura. Eu trabalhava como consultor na área da comunicação. Demorava uma hora a chegar a Lisboa, e outro tanto a regressar, gastava dez euros por dia, já sem contar com combustível, que nem me lembro a quanto estava. Quando me mudei, os meus custos fixos passaram de 1750 euros por mês, entre casa e infantários e ATL dos filhos, para 390 euros.

Poder almoçar e jantar fora os dias que me apetecesse era uma coisa que havia saído há muito das minhas possibilidades.
Aqui, passaram-me a sobrar semanas. Deslumbrei-me. Também com a qualidade de vida. Uma pessoa pode entrar às nove e sair às cinco, ganhar três vezes mais do que paga de renda e infantários (que aqui são subsidiados por toda a gente, entre câmara, Misericórdia e Segurança Social). É uma tranquilidade. O único dia em que há trânsito, isto é, dois carros num semáforo, é à sexta-feira, em que há mercado semanal.

Lembro-me que nos primeiros dias, depois de chegar, deixavam-me um saquinho de legumes à porta. Fazem muito isso. Sabem que alguém chega, não tem terras cá, e lá nos põem à porta batatas, cenouras… é uma coisa muito agradável. Mas há o outro lado, o do controlo social. Dá-me um certo gozo dizer que se o meu filho sair da escola, e se eu perguntar a duas ou três pessoas, alguém saberá onde ele está. Mas isto também significa uma perda de privacidade e de anonimato a que estávamos habituados nas cidades, onde nem se sabe o nome do vizinho de baixo.
Uma vez cheguei de Lisboa, bati à porta da minha ex-mulher, e foi a do lado que se abriu, e foi a vizinha quem me disse: ‘Os seus filhos foram ao cinema.’ Temos de aprender a viver com isto. Eu não conhecia a senhora. Mas ela sabia que os meus filhos estavam no cinema. Aliás, aqui há dias, voltei ao cinema com eles em Lisboa. Foi um susto. Paguei 38 euros. Em Trancoso pagamos pouco mais de sete.

Foi aqui, em Trancoso, que conheci a Ana Linhares e o Alexandre Ferraz e que, a três, desenhámos o projecto dos Novos Povoadores. O Alexandre, que é do Pombal, tirou um curso de turismo, era recepcionista de um hotel, e veio para cá em 2002 porque foi aqui que encontrou um emprego qualificado.
A Ana é de Barcelos e veio atrás do Alexandre, e atrás de emprego.

Somos o Santo António
Foi aqui que nos cruzámos todos, e isto já é um sinal das dificuldades que pode haver na integração numa comunidade rural. Não é por acaso que três pessoas que são de fora é que se juntam. Porque há dificuldade. Se tivéssemos sido acolhidos de outra maneira, este projecto não teria sido concebido assim e até podia ter sido feito com pessoas de cá. projecto Novos Povoadores surgiu de uma conversa com o Alexandre. Começamos a partilhar as dificuldades do desenvolvimento nestes territórios. Se estes territórios têm qualidade de vida para oferecer, por que é que as pessoas não os habitam? Chegamos à questão simples: porque não têm emprego.
Mas, então, eu também não tenho emprego em Trancoso e é aqui que eu moro. Sou assim uma ave tão rara? Há mais pessoas que podem fazer isto.

Eu posso trabalhar a partir de qualquer lado – aliás, agora estou a pensar mudar-me para Marvão –, a única coisa que preciso é ter acesso à Internet. É a economia DNS (Domain Name Server). Com ela, as pessoas já podem vir para estes territórios de baixa densidade, que precisam desesperadamente de consumidores, mas que não têm empregos para oferecer. Com a economia DNS, já não é o território que gera o seu posto de trabalho. Os postos de trabalho ganharam independência geográfica, o meu contabilista pode estar em Vila Real, onde quiser, só tem de receber os meus papéis.
Eu vou contratar o contabilista que me for mais barato, e o que conseguir ser mais competitivo.
Eu fiz o mesmo. A minha tabela de honorários desceu 30 por cento, desde que me mudei para Trancoso, onde continuo a trabalhar como consultor de várias empresas. O trabalho para uma dessas empresas obriga-me a ir uma vez por semana a Lisboa.

Não sou formado em economia do desenvolvimento, nem em gestão territorial. Mas especializei-me a devorar estes temas, e a frequentar tudo o que é congressos e seminários. Acho que a economia acabou com os postos de trabalho, para haver cada vez mais empreendedores. Cada vez mais ganhamos em função das peças que fazemos e cada vez menos ganhamos um ordenado de uma empresa, mas sim de um projecto específico. Isso acontece comigo há já 17 anos. Foi o que sempre fiz.

Tirei um curso técnico de realização, que nunca utilizei, e sou a prova viva de que se pensarmos em algo com Internet podemos trabalhar em qualquer lado. E habitar estes territórios que nos dão qualidade de vida.
Sabemos que há pessoas que procuram estes sítios. Sabemos que há municípios que precisam de quadros qualificados, de consumidores. Nós somos o Santo António. Casamos território com pessoas. Estivemos três anos a discutir o projecto, a desenhá-lo. Não sabíamos como fazer deste modelo um negócio. Só o conseguimos em Dezembro de 2008, quatro meses antes de apresentar o projecto.

Ganhar dinheiro
Quem paga o nosso serviço são as câmaras, por cada cinco famílias que se mudam para o território, e que lá ficam pelo menos um ano.
Mas nós não cobramos um cêntimo às famílias, e não lhes pagamos, sequer, um café. As despesas e as poupanças serão todas por sua conta. Nós só as ajudamos a maturar este processo, esta ideia. Para que elas percebam que estes territórios têm muitas características boas, e outras menos boas.
Não andámos à procura de ninguém. As famílias que se querem mudar é que nos procuram no site [http://www.novospovoadores.pt].
E trabalhamos com municípios aderentes, com aqueles que têm verdadeiramente um projecto, um objectivo.

(...)

Nós não somos uma agência imobiliária, mas ajudamos a identificá-las nos territórios que as famílias querem ocupar. Não somos agência de emprego, mas ajudamos a criar empreendedores.
E não procuramos só projectos de turismo e de agricultura biológica.
Os territórios de baixa densidade são sistematicamente vistos como oportunidades sempre coladas ao turismo. O que sabemos é que o turismo cresce e representa normalmente à volta de 20 por cento da actividade económica do país. E não cresce mais porque as pessoas procuram territórios autênticos, não vão para os sítios onde está tudo feito para o turista.
Trancoso tem 16 mil turistas por ano. Se duplicarmos o número de turistas, para 32 mil, e não há exemplos destes, ganhamos três dias de autonomia anual de orçamento municipal. Temos de multiplicar por cem o turismo para deixarmos de depender do orçamento [público]. Não é por aí que vamos conseguir a independência que se está a pedir aos territórios.

Eu acho que o interior sofre de excesso de dinheiro. Os recursos humanos desses territórios são indiscriminadamente integrados nos municípios, e, por falta de trabalho, são “anestesiados” para nada produzirem. São recursos com os quais o território deixa de poder contar para qualquer estratégia para a sua competitividade. E os outros, os empreendedores locais, são contratados pelos municípios ao preço que lhes é confortável para manterem o seu quadro de pessoal.
Deste modo não lhes resta qualquer motivação para competirem, ainda menos no mercado global. Receio que em muitos casos esta falta de visão estratégica não seja obra do acaso. E nesses locais não haverá projecto Novos Povoadores, com toda a certeza.

in Público, Luísa Pinto

População portuguesa estagnada, interior cada vez mais despovoado

No ano passado a população portuguesa praticamente estagnou, com um crescimento de 0,09%. Os dados do Instituto Nacional de Estatística divulgados nos Anuários Estatísticos Regionais mostram que essa evolução foi muito desigual e foi raro o concelho do interior que não perdeu população.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) conta 195 municípios que perderam população no último ano. Quase todos estes casos ficam no interior do país. Na grande maioria, a perda de pessoas deve-se a resultados negativos na taxa de crescimento natural, ou seja, mais mortes do que nascimentos.

Ao contrário do interior, a maioria dos municípios do litoral viram a população aumentar em 2008 - o litoral alentejano é uma excepção. Pampilhosa da Serra, Gavião e Almeida, são, no Continente, os concelhos que mais pessoas perderam no ano passado. Na lista de concelhos com descidas na população destaca-se, claramente, o interior do país.

No Litoral, Lisboa e Porto são, no entanto, algumas das excepções. A capital terá tido uma descida de 2,05% na população. Com menos 2,61%, o Porto é o sexto concelho do país onde se perderam mais habitantes. Sesimbra, Alcochete e Mafra (na Área Metropolitana de Lisboa) registaram os maiores crescimentos populacionais (acima de 3%). Esses aumentos devem-se sobretudo à taxa de crescimento migratória.

As migrações internas e externas foram aliás as principais responsáveis pelos crescimentos populacionais registados, segundo o INE, em 113 municípios.

A TSF contactou o presidente da câmara que, segundo o INE, mais perdeu população em 2008. O autarca de Pampilhosa da Serra não acredita nos números do INE e contrapõe com a evolução positiva dos eleitores registados.

José Brito diz que foi possível arranjar emprego e fixar a maioria dos jovens no concelho. A existir desertificação no interior do país, ela deve-se, de acordo com o presidente de câmara, à falta de investimento dos sucessivos governos, por exemplo, naquela parte da região Centro.

Contactado pela TSF, o Instituto Nacional de Estatística explica que o cálculo da evolução da população é feito com base no saldo natural (nados vivos menos óbitos) e no saldo migratório estimado (calculado com base em inúmeras fontes).

Os valores são provisórios e podem ser corrigidos no próximo recenseamento, mas o INE explica que o «recurso a estas fontes permite quantificar, de forma precisa, o saldo natural (devido à obrigatoriedade do registo dos nados vivos e óbitos), e analisar tendências que permitem estimar os saldos migratórios anuais».

Taxa de crescimento efectivo da população 2008
Os concelhos que mais pessoas perderam
Pampilhosa da Serra - 3,06%
Gavião - 2,82%
Almeida - 2,78% Os concelhos que mais pessoas ganharam
Sesimbra + 4,16%
Alcochete + 3,80
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in tsf.pt, Nuno Guedes

The Sustainable City

Já Vencemos!(*)



Foi em 25 de Setembro de 2005 que inaugurei o projecto "Inovação & Inclusão".

Nesse periodo a gestão autárquica nos territórios de baixa densidade era marcada pela perspectiva de angariação de industrias ou pela dinamização do turismo.

Defendia nessa data algo que poucos compreendiam: O futuro do "interior" está na captação de massa crítica, gente capaz de induzir dinamismo económico e social

Este era um objectivo conhecido e compreendido para as cidades universitárias mas muito mal aceite para os territórios de baixa densidade.

Nas apertadas curvas da vida conheci Alexandre Ferraz. Para além de um ser admirável, preocupava-se com dinamização de pequenos negócios num território multimunicipal da Beira Interior.

Um paper de António Covas com o título “O espaço rural: de espaço-produtor a espaço-produzido” foi o nosso rastilho para compreendermos que não estávamos sos nessa vontade de repensar o "interior".

A certeza de que se tratava de um desígnio veio com o então recem eleito Presidente da República e o seu Roteiro para a Inclusão.
Chegou-nos também daí uma mensagem de estímulo assinada por Nunes Liberato.

E hoje chegámos a um ponto admirável: É consensual que o futuro do interior passa pela concorrência directa aos territórios metropolitanos. Passou de território paraplégico e envelhecido a espaço de futuro. Está entre as melhores ofertas territoriais a nível europeu para actividades suportadas na economia digital.

Esta manhã, enquanto tomava café, Manuel Frexes confirmava em directo na RTP que o Fundão dispunha hoje de condições para acolher população metropolitana.
Pode parecer banal. Mas a frescura deste discurso contrasta com tudo o que se dizia até há poucos meses atrás.

Creio que a mensagem do projecto Novos Povoadores já passou!

Obrigado! Conseguimos. COLECTIVAMENTE!

(*) Nas longas noites de violência que sucederam o referendo timorense, alguém explicava na TSF que para eles o simples facto de resistirem já era uma vitória!
Ocorre o mesmo com o "interior". Tivemos a capacidade de resistir à imagem debilitada que lhes quiseram atribuir. E hoje, esse território é a imagem do futuro, deixando para os engarrafamentos de trânsito e para os minusculos escritórios o retrato da sociedade "old fashion".

Munícipios do interior perdem 10% de populaçãopor ano

por Ana Tomás Ribeiro



A desertificação do interior do país continua a crescer e boa parte destas autarquias perdem anualmente entre 10% a 15% da população, disse ao DN o presidente da Associação Nacional dos Municípios. O projecto Novos Povoadores, que quer levar para lá quem vive nas grandes cidades, já contava ontem com mais de cem famílias candidatas à mudança.

A desertificação do interior do país continua a crescer. "Uma parte dos municípios do interior já está a perder anualmente entre 10% a 15 da sua população " ,disse ontem ao DN o presidente da Associação Nacional dos Municípios, Fernando Ruas, baseando os seus cálculos em dados dos censos populacionais. Uma percentagem que virá a agravar-se se nada se fizer para travar o problema.

O autarca diz que não existem políticas nacionais para combater o problema, que não se resolve apenas com medidas locais. Pelo contrário, diz, há até políticas nacionais que têm "incentivado ou acelerado o despovoamento de algumas regiões, como é o caso do encerramento de serviços públicos" , como as maternidades. As grandes obras públicas que o Governo quer levar por diante são para o representante dos autarcas, projectos importantes para o país em termos de combate ao desemprego. "Mas uma parte da mão-de-obra para as executar também sairá do interior e isso poderá ser mais um factor a contribuir para a desertificação".

A prioridade da associação é travar a saída de mais pessoas do interior e fixar as famílias que lá existem. Com esse objectivo aquela estrutura associativa apresentou recentemente ao Governo um programa de combate ao problema que exige apoios estatais da ordem dos 730 milhões de euros com os quais "os munícipes podiam alavancar quer o emprego quer as economias locais", referiu Fernando Ruas. Aguardam agora pela resposta governamental.

Quanto a atrair pessoas dos grandes centros urbanos para essas regiões, um objectivo do projecto Novos Povoa- dores, cujos primeiro dados foram divulgados ontem pelo DN, considera que é importante, mas não prioritário.

Seja como for o projecto criado por três amigos - Frederico Lucas, Ana Linhares e Alexandre Ferraz (ver caixa perfis) - e que conta, na sua implementação com a parceria do Intec, Instituto de Tecnologia Comportamental, e coma experiência de Patrícia Palma e Miguel Lopes (ver caixa)- já contava ontem com mais de cem famílias candidatas a deixar os grandes centros urbanos para irem viver para uma cidade de média dimensão.

A primeira autarquia a acolher alguns destes novos povoadores, que deverão mudar-se no início do próximo ano lectivo, será Abrantes. A Câmara local e a Associação Tagus Vallei, a promotora do Tecnopólo Vale do Tejo, deverão assinar o protocolo com os Novos Povoadores ainda em Abril , disse ao DN Céu Albuquerque, vereadora do ambiente e desenvolvimento económico daquela autarquia (ver reportagem no texto ao lado). Numa primeira fase vão acolher 20 famílias. Mas há já outros municípios interessados na ideia.

in DN

Desenvolvimento: Portugal deve ajudar regiões mais atrasadas a encontrar vantagens competitivas - OCDE

Porto, 29 Set (Lusa) - A OCDE recomenda que Portugal ajude as regiões mais atrasadas a identificarem nichos de desenvolvimento para que seja possível redobrar "os esforços para captar vantagens competitivas regionais diferenciadas".
O relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) sobre o "Estudo Territorial de Portugal", hoje apresentado no Porto, sustenta que a política regional portuguesa "tem registado progressos significativos nos anos mais recentes", mas considera ainda que o país tem assimetrias regionais acentuadas.

Este estudo foi solicitado pelo Governo português, à OCDE, em finais de 2005.

O secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Rui Baleiras, disse que retira como primeira lição deste relatório "a convicção que a mudança de paradigma na política regional que este governo iniciou em Portugal constitui condição necessária para ultrapassar os défices estruturais da economia nacional e retomar uma rota de convergência assente na competitividade de todos os territórios".

"O estudo reconhece que Portugal encetou a implementação de um novo paradigma de política regional, um modelo que dá maior atenção às características das diferentes regiões e na reformulação e na execução das políticas públicas", disse.

Segundo frisou, a concentração do investimento público em torno de infra-estruturas físicas e nos serviços colectivos "não foi suficiente para desencadear uma dinâmica de desenvolvimento endógeno baseada em recursos competitivos".

"A orientação política para objectivos de competitividade que procurem reverter défices estruturais da economia portuguesa exige políticas baseadas numa abordagem territorial que promovam economias de aglomeração e gerem efeitos de difusão nos diversos territórios", sustentou.

O secretário de Estado salientou ainda que "o desafio da competitividade, quer pela sua complexidade quer pelo dinamismo da sua evolução, apenas pode ser ganho com base em estratégias de forte cooperação entre os actores relevantes".

"Daí a recomendação da OCDE para a relevância de promover uma maior coerência de intervenções sectoriais do governo central", afirmou Rui Baleiras.

O secretário de estado defendeu também intervenções locais e sub-regionais dos governos locais, num contexto de maior articulação com as acções de outros actores de desenvolvimento, nomeadamente empresas e suas associações, universidades e associações de desenvolvimento local e regional.

Ainda segundo o estudo da OCDE, hoje divulgado, a economia portuguesa "carece de esforços continuados para valorizar o potencial humano e promover actividades baseadas no conhecimento".

"A política de inovação poderá atingir maior eficácia através da conjugação da liderança nacional e das interfaces regionais", refere o documento.

Acompanhar as regiões menos desenvolvidas "com mecanismos adequados" para melhorar a prestação de serviços públicos e "facilitar a evolução" dessas regiões para a autonomia sem criar "armadilhas de pobreza" é outra das recomendações.

A OCDE entende também que "os anos mais próximos poderão vir a determinar o futuro de Portugal na economia globalizada".

Contudo, salienta que "o investimento em recursos de longo prazo para a competitividade deve prosseguir através de estratégias diferenciadas baseadas no potencial específico de cada região".

O relatório sublinha ainda que Portugal tem pela frente uma "série de desafios estruturais" e sustenta que o país "precisa seguramente de reforçar os seus níveis de rendimento e crescimento e de travar o aumento acelerado do desemprego".

"Ainda mais importante - sustenta o relatório - Portugal tem que modernizar a sua economia, confinada a uma especialização sectorial de baixos conhecimentos ao investimento modesto na inovação, a uma força de trabalho relativamente pouco qualificada como um dos mais baixos ritmos de recuperação no espaço da OCDE, e a um custo de oportunidade elevado no Ensino Superior".

A OCDE entende também que os "instrumentos financeiros actualmente em Portugal para apoiar as despesas subnacionais continuam mais concentrados em reduzir o impacto negativo das disparidades regionais do que em promover o impacto positivo das especificidades regionais".

"No mínimo, a política regional deve tentar proporcionar aos cidadãos igual acesso a uma série elementar de bens e serviços públicos independentemente da sua localização", sublinha.

O relatório da OCDE considera ainda que, "de um modo geral, as autarquias locais em Portugal têm pouca autonomia financeira e dependem fortemente de subsídios provenientes do governo central".

Para a OCDE, as regiões mais marginalizadas "não devem ser ignoradas, devendo ser lançados mecanismos diferenciados a fim de evitar criar uma cultura de assistência e não desincentivar essas regiões de valorizarem o seu próprio potencial ao longo do tempo".

JAP.

in RTP

Alentejo é o futuro do potencial do País


O Alentejo é o espaço que apresenta a mais forte concentração de potencial de crescimento do conjunto da economia portuguesa". Quem o diz é o antigo ministro das Finanças, Ernâni Lopes, que refuta a ideia de que a região Sul do País "não tem futuro".


Em conferência de imprensa para apresentar o relatório da SaeR - Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco, à qual preside, o ex-governante considera que todo o território a Sul do Tejo, "e não só Almada e Seixal", constituem o que chama ‘Grande Ogiva do Sul’, com destaque para o Alentejo. Para Ernâni Lopes, a região deve investir na agricultura de valor acrescentado e num tipo de turismo particular: o de atracção para segunda residência para os mais idosos do norte da Europa que possuem um elevado poder de compra.

Por isso mesmo, defende que é necessário dotar o Alentejo de uma rede que permita o "acesso a serviços de saúde de padrão europeu" de forma a responder à necessidade destes novos turistas. O economista faz ainda questão de salientar que, com dezenas de milhões de potenciais clientes nos países escandinavos, o Alentejo tem condições "quase inultrapassáveis" para garantir o sucesso desta iniciativa.

"O Alentejo não é um caso perdido. O mercado está lá e neste momento tem uma oportunidade muito clara que durará pelos próximos trinta anos", referiu sem, no entanto, ignorar os efeitos que a crise na economia espanhola poderão ter no desenvolvimento da região. "Temos um verdadeiro problema com a economia espanhola, mas este tipo de investimento é planeado durante anos", salienta.

Já em Junho passado, os autarcas do Alentejo, reunidos no Congresso Alentejo XXI, em Beja, manifestaram a convicção de que "é possível, a médio prazo, transformar o Alentejo no principal factor de de-senvolvimento do País".

"São medidas de circunstância"

O antigo ministro das Finanças de Mário Soares, Ernâni Lopes, considera que as medidas tomadas pelo Governo para combater a crise são "de circunstância e que pouco fazem para um problema conjuntural. "São medidas pontuais que não fazem a diferença", disse reconhecendo-lhes apenas um efeito imediato. Quanto ao futuro da economia portuguesa, o especialista não se mostra optimista: "Está mal e tenderá, possivelmente, a piorar até 2010". E defendeu que "o importante não é sair da crise, mas sim como passar por ela".

Perigos do choque petrolífero

O relatório da SaeR, empresa de avaliação de empresas e risco liderado por Ernâni Lopes, alerta para o perigo do choque petrolífero que a economia mundial atravessa. "Não se sabe quando vai acabar", defende o especialista, recordando as consequências da crise da OPEP, em 1973, que aumentou os preços do petróleo em 300 por cento. No relatório da SaeR consta o alerta para o agravar de "tensões internas na sociedade portuguesa", como reflexo da instabilidade criada pelos constantes aumentos dos preços dos combustíveis.
in Correio da Manhã, Pedro H. Gonçalves

Aviação: Flexibilidade, aumento de capacidade das pistas e terminais mais baratos são desafios de futuro


O especialista norte-americano em sistemas aeroportuários Richard de Neufville apontou hoje a flexibilidade dos aeroportos, o aumento da capacidade das pistas e a redução de custos como os principais desafios num sector cada vez mais marcado pela incerteza.

Numa conferência promovida pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, o professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT) afirmou ser possível diminuir os custos do sistema aeroportuário em 25 por cento em cada um destes factores.

"Os investimentos têm que ser pensados de forma flexível, antecipando eventuais cenários e com possibilidades de adaptação a várias possibilidades de futuro, que não sabemos como será. Temos que ser humildes e admitir vários cenários, com companhias `low cost`, sem companhias `low cost` ou com uma mistura das duas", sustentou Richard de Neufville.

Segundo salientou, o objectivo do ponto de vista da engenharia das infra-estruturas aeroportuárias deverá ser a melhor relação entre custo e benefício, e não a excelência técnica, o que significa que a tecnologia "não é um fim em si mesmo" e que as soluções encontradas têm que ser eficientes a nível de custos.

Num contexto de rápida e profunda mudança no sector, de Neufville destacou que a prática do século XX está "obsoleta" e que há uma nova "agenda de desenvolvimento" para o século XXI, com destaque para o crescente domínio das transportadoras `low cost` (de baixo custo) em termos de volume de tráfego, dimensão financeira e inovação.

Como principais "incertezas" no sector, o investigador apontou a evolução do volume de tráfego e onde esta ocorrerá.

Factores que, frisou, "não obedecem a uma tendência, mas dependem das decisões das companhias `low cost`, tendo em conta os destinos onde acreditam que farão melhor negócio e, eventualmente, condições especiais oferecidas pelos aeroportos".

"As companhias `low cost` não têm lealdade a nenhum país, entram e saem de acordo com condições que lhes são oferecidas, e o crescimento do tráfego aéreo pode mudar para determinados destinos devido a, por exemplo, questões ligadas ao turismo, tal como é afectado pelo desenvolvimento de aeroportos secundários", afirmou.

Face a este cenário de incerteza e mudança, Richard de Neufville aponta o `desenho flexível` como um dos principais desafios no desenvolvimento e investigação aeroportuários, "de forma a reduzir os riscos de construir infra-estruturas que não vão ser usadas".

A este nível, apontou várias possibilidades, desde o desenvolvimento faseado dos aeroportos (de preferência feito antecipando várias possibilidades e a capacidade de rápida expansão), aos `designs` híbridos e adaptados a mudanças mesmo que diárias.

Relativamente ao desafio de aumentar a capacidade das pistas, o investigador disse ser particularmente válido para a Europa, "onde a capacidade está cerca de 25 por cento abaixo do melhor `benchmark`".

"É preciso eliminar os `slots` tal como estão actualmente definidos, admitindo-lhes uma grande variabilidade consoante o estado do tempo e a melhoria da precisão dos sistemas de localização de aeronaves, por exemplo", disse.

"O `benchmark` internacional indica que são possíveis grandes melhorias a esse nível", acrescentou.

Finalmente, Richard de Neufville destaca o desafio de diminuir os custos dos terminais aeroportuários, abandonando os "luxos obsoletos" do século XX e fazendo antes corresponder as infra-estruturas ao tipo de utilizadores, construindo "terminais low cost para companhias low cost".

PD/Lusa

in RTP

A Nova Economia Colectiva



A dinamização recente entre nós de iniciativas integradas de ‘pólos de competitividade’ no âmbito de sectores estratégicos como a saúde, têxtil e automóvel, entre outros, é o melhor exemplo de que só com projectos de “eficiência colectiva” se conseguirá um novo modelo de desenvolvimento para Portugal.

A excessiva concentração de activos empresariais e de talentos nas grandes metrópoles, como é o caso da Grande Lisboa, uma aterradora desertificação das zonas mais interiores, na maioria dos casos divergentes nos indicadores acumulados de capital social básico, suscitam muitas questões quanto à verdadeira dimensão estruturante de muitas das apostas feitas em matéria de investimentos destinados a corrigir esta ‘dualidade’ de desenvolvimento do país ao longo dos últimos anos.

Apesar da relativa reduzida dimensão do país, não restam dúvidas de que a aposta numa política integrada e sistemática de cidades médias, tendo por base o paradigma da inovação e do conhecimento, com conciliação operativa entre a fixação de estruturas empresariais criadoras de riqueza e talentos humanos indutores de criatividade, é o único caminho possível para controlar este fenómeno da metropolização da capital que parece não ter fim. O papel das universidades e institutos politécnicos que nos últimos 20 anos foram responsáveis pela animação de uma importante parte das cidades do interior, com o aumento da população permanente e a aposta em novos factores de afirmação local, está esgotado.


É por isso fundamental que a aposta concreta em projectos de fixação de riqueza e talentos nas cidades médias portuguesas tenha resultado. É fundamental que a sociedade civil agarre de forma convicta este desígnio e faça da criação destas ‘novas plataformas de competitividade’ a verdadeira aposta estratégica colectiva para os próximos anos. O aumento dos fluxos migratórios do interior para as grandes cidades, por um lado, e para o estrangeiro, por outro, envolvendo tanto talentos como segmentos indiferenciados da população afectados pela onda crescente de desemprego, tem que ter uma resposta cabal. Só assim se conseguirá evitar que Portugal se torne um país ‘dual’, incapaz de consolidar uma coesão territorial e social essencial na estratégia de afirmação colectiva como um país desenvolvido no novo mundo global.

A política pública tem a responsabilidade de dar o mote e marcar a agenda. Iniciativas como ‘Cidades e Regiões Digitais’, ‘Acções Inovadoras de Base Regional’, entre outras, têm tido o incontornável mérito de colocar estas temáticas na agenda e de reforçar os infelizmente nem sempre muito fortes níveis de cooperação e articulação entre actores territoriais (municípios, universidades, centros I&D, entre outros). Mas engane-se quem pense que serão capazes por si só de alterar o panorama global. O que está verdadeiramente em causa em tudo isto é a assumpção por parte do país de um verdadeiro desígnio estratégico de alterar o modelo mais recente de evolução de desenvolvimento e de implementar ‘pólos de competitividade’ ao longo do país, fixando dessa forma riqueza e talentos que doutra forma tenderão a concentrar-se unicamente na grande metrópole.

Acima de tudo, há que tomar opções de forma precisa e ser muito claro que haverá zonas territoriais preteridas face a outras, mas o bem de uns é o bem de todos. O papel do investimento directo estrangeiro de inovação, articulado com universidades e outros centros de competência, vai ser decisivo nesta área e ao Estado caberá a inelutável missão de regular com rigor e sentido estratégico esta nova forma de economia colectiva.

in Expresso, Francisco Jaime Quesado

Governo: Plano Ordenamento Área Metropolitana Lisboa articulado com novo aeroporto e 3º travessia Tejo


Lisboa, 15 Mai (Lusa) - O Governo aprovou hoje uma resolução que determina a alteração do Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa, para articulá-lo com projectos como o novo aeroporto de Lisboa e nova travessia do Tejo.

De acordo com o comunicado do Conselho de Ministros, a alteração daquele instrumento de planeamento ficará a cargo da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, fixando-se um prazo de nove meses para o efeito.

"Esta alteração prende-se com a necessidade de articulação entre o modelo territorial e os investimentos e projectos, em curso ou previstos, fortemente reestruturadores em termos territoriais, económicos e de mobilidade, como é o caso do Novo Aeroporto de Lisboa (NAL), das Plataformas Logísticas, da Rede Ferroviária de Alta Velocidade e da Nova Travessia do Tejo", lê-se no comunicado do Conselho de Ministros.

Na reunião semanal do Conselho de Ministros foi ainda aprovada uma resolução que aprova o Plano de Ordenamento do Parque Natural do Litoral Norte, "estabelecendo os regimes de salvaguarda de recursos e valores naturais e fixando os usos e o regime de gestão a observar na sua área de intervenção".

"Pretende-se, deste modo, garantir a conservação da natureza e da biodiversidade, a manutenção e a valorização da paisagem, a melhoria da qualidade de vida e o desenvolvimento económico das populações", é ainda referido.

O Governo aprovou ainda uma resolução que cria uma nova medida no âmbito do programa INOV, o INOV-Mundus.

Segundo a nota do Conselho de Ministros, esta medida visa, ao longo dos próximos três anos, abranger 250 jovens qualificados, mediante a realização de estágios profissionalizantes, essencialmente de carácter internecional, a efectuar junto de entidades públicas ou privadas e organizações nacionais ou internacionais, cuja área de actuação reporte à cooperação para o desenvolvimento.

VAM.

Lusa

Fujitsu cria 300 empregos qualificados

Empresa japonesa expande em 2008 centro de atendimento de Lisboa que dá suporte a 106 países e 13 línguas
A Fujitsu Services vai investir 10 milhões de euros em 2008 na ampliação do Centro de Competências de Service Desk de Lisboa que vai passar dos actuais 200 para 500 colaboradores. A parte de leão deste investimento (80%) será canalizado para melhoria de recursos humanos, incluindo salários, formação, recrutamento e gestão, sendo o restante aplicado na adaptação das actuais instalações do Green Park em Lisboa.

Em cada um dos anos subsequentes a empresa projecta investir mais 4,2 milhões de euros na formação contínua e desenvolvimento de competências específicas. “Vamos criar valor e formar quadros de elevada qualificação tecnológica”, considera Andrew MacNaughton, director-geral da Fujitsu Services para a EMEA (Europa, Médio Oriente e África).

O centro da Fujitsu em Lisboa presta serviços de suporte nas áreas de aplicações e infra-estruturas de tecnologias de informação a cerca de 40 mil utilizadores (em 13 línguas de 106 países), de grandes empresas como a Reuters ou a BP. Para assegurar uma cobertura 24 horas por 7 dias da semana, funcionará em articulação com centros Fujitsu da Malásia e dos EUA. “As equipas são polivalentes e de diversas nacionalidades, devendo a equipa portuguesa representar cerca de 80%”, refere Andrew MacNaughton, director-geral da Fujitsu Services para a EMEA (Europa, Médio Oriente e África), adiantando que têm sido recrutados muitos emigrantes portugueses de segunda geração que têm a vantagem de ser fluentes na língua do país de acolhimento. “O domínio da língua é fundamental de forma a conseguirem uma compreensão e resolução rápida dos problemas dos utilizadores”, salienta o dirigente da Fujitsu Services.

Além da apetência dos portugueses para falar diversos idiomas, a escolha do nosso país para instalar este centro «nearshore» (deslocalização para perto, por oposição ao «offshore», para a Índia ou China) deve-se, segundo Andrew MacNaughton, ao custo mais reduzido da mão-de-obra portuguesa e à sua capacidade em “ integrar rapidamente equipas de trabalho”. E também destaca a “proximidade geográfica com os grandes centros de decisão europeus” e o “forte alinhamento cultural”. Até agora, os centros de suporte da Fujitsu situavam-se na Holanda, sendo a estratégia da empresa apostar em Portugal e na Irlanda do Norte, por ser o local escolhido para a prestação de serviços à Administração Pública do Reino Unido (a qual não vê com bons olhos a deslocalização de serviços públicos para países terceiros). Entretanto, a empresa estuda uma terceira localização no Leste europeu.

Andrew MacNaughton refere, por outro lado, que o «nearshore» está a recuperar terreno ao «offshore». “Alguns centros de «helpdesk» que tinham sido deslocalizados para a Índia estão a voltar para a Europa pelo facto de os indianos, apesar de serem fluentes em língua inglesa, terem um sotaque que muitas vezes não é entendido pelos britânicos”.

Por outro lado, Andrew MacNaughton mostra-se agradado com o desempenho comercial da subsidiária portuguesa da Fujitsu Services, que tem ganho importantes contratos na área do retalho e da Administração Pública. Embora manifeste preferência pelo crescimento orgânico, não descarta a possibilidade de acelerar a expansão em Portugal através de alguma aquisição táctica, a exemplo do que aconteceu recentemente na Alemanha com a aquisição da TDS e em França com a compra da GFI. “Temos tido um crescimento médio nos últimos três anos de 17%, sendo 12% orgânicos e os restantes 5% por aquisições”, refere.

Sobre as tendências actuais do mercado, o director-geral da Fujitsu EMEA observa que o crescimento do BPO (Business Process Outsourcing, ou externalização de processos de negócio) na Europa está aquém das expectativas dos analistas. “É no «outsourcing» de tecnologias de informação que observo mais oportunidades”, observa, considerando que em Portugal o mercado vai expandir-se no sector bancário como resultado de eventuais consolidações e também na área da saúde.

in Expresso, João Ramos

APOSTAR NAS PESSOAS

80%
dos 10 milhões que a Fujitsu Services vai investir em Portugal em 2008 serão gastos nos recursos humanos, nomeadamente na qualificação e valorização das competências dos 500 colaboradores

Lisboa adere programa internacional redução emissões carbono

Lisboa vai aderir à segunda fase de um programa de redução das emissões de carbono, a par de Birmingham, Hamburgo e Madrid, disse à Lusa fonte do gabinete do presidente da autarquia, António Costa.

O autarca desloca-se na quarta-feira a São Francisco, uma das cidades pioneiras do programa CUD, de redução das emissões de carbono, juntamente com Seul e Amesterdão.

O programa resulta de uma parceria entre a Clinton Global Initiative, da Fundação Bill Clinton, a empresa de consultoria Cisco e o Massachusetts Institute of Technology (MIT).

As áreas-chave para a redução das emissões de carbono são a gestão de tráfego, teletrabalho, edifícios inteligentes, planeamento urbano, energias renováveis e promoção de tecnologias «verdes».

A Cisco, empresa onde está o antigo conselheiro da Presidência da República Diogo Vasconcelos, já criou um grupo de trabalho para a cidade de Lisboa.

Em São Francisco, o programa teve repercussão em diversas áreas, desde os transportes à criação para cada cidadão da sua «pegada» ambiental, ou seja, as consequências para o ambiente dos seus gestos quotidianos.

Em Seul, o projecto centrou-se essencialmente na componente do teletrabalho e na melhoria do sistema de transportes.

ACL.

in Diário Digital

“As cidades são colmeias de actividade humana”

No seu livro “Criar cidades sustentáveis” (nº2 dos Cadernos Shumacher para a Sustentabilidade, das edições Sempre Em Pé) Hébert Girardet apresenta-nos a cidade como um ser vivo que para sobreviver tem de acumular recursos, fazer a triagem dos que lhe trarão mais benefícios e mais valias, e eliminar aquilo de que já não precisa, o lixo orgânico e não orgânico.

Conforme vai crescendo, a cidade vai-se tornando numa sorvedora de recursos e numa aglutinadora de necessidades que tende a esgotar os bens à sua volta necessitando, por isso, de se abastecer cada vez mais longe. Esgota assim as reservas que lhe estão mais próximas e muitas vezes as que lhe estão muito distantes.

O autor refere que as cidades são hoje centros de mobilização (de pessoas, produtos, bens) que constituem a matriz do desenvolvimento económico, que nem sempre se tem mostrado coincidente com as necessidades do mundo natural.

As cidades são actualmente o “habitat” humano e a tendência dominante é para que se tornem no local preferencial para o ser humano viver e, devido a isso, devemos analisar o que será preferencial, ter cidades compactas que centralizam serviços e permitem uma poupança de energia e recursos, ou, cidades em extensão, quase sem limite espacial, que permitem construir habitações ajardinadas mas que obrigam a que haja um maior gasto de transporte (e dos recursos associados).

Qual deve ser então o modelo ideal de cidade? Como tornar então a cidade num espaço mais apetecível para viver? Como podemos torná-la sustentável? Como podemos potenciar a qualidade de vida das pessoas no espaço urbano minimizando os impactos ambientais inerentes? Como conseguir uma maior eficiência energética? “Poderão as cidades modernas reduzir o seu impacto na biosfera por processos de auto-regulação e auto-limitação esclarecidos?” (Hébert Girardet)

Estas poderão ser algumas das grandes questões que assolam os espíritos preocupados. São também alguns dos temas que a humanidade discute e precisa de continuar a discutir para o bem da sua sobrevivência e da do planeta.

Enquanto cidadãos do mundo e habitantes das cidades não nos podemos aliar de participar no debate e de desenvolver esforços para contribuir para uma maior sustentabilidade da vida urbana e do ambiente natural. Como alguém dizia “Nós não herdámos a Terra dos nossos pais, pedimo-la emprestada aos nossos filhos”.

in Região Sul Cláudia Luz, Mestre em Gestão Pública

Cooperação transfronteiriça: Secretário de Estado do Desenvolvimento Regional considera que portugueses devem ser mais "pró-activos"

Badajoz, Espanha, 06 Fev (Lusa) - O secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Rui Baleiras, desafiou hoje os portugueses interessados em desenvolver projectos de cooperação transfronteiriça com Espanha a serem "mais pró-activos" do que no passado, para aproveitarem os apoios comunitários até 2013.
"No passado, os actores portugueses foram demasiado passivos na apresentação de candidaturas. Esperaram que fossem contactados por parceiros espanhóis, que precisavam de um parceiro do lado português para terem acesso aos fundos comunitários", afirmou a agência Lusa, à margem de um seminário em Badajoz, Espanha.

O secretário de Estado, que participou na apresentação do novo Programa Operacional de Cooperação Transfronteiriça Portugal-Espanha 2007-2013, fazia o balanço dos três programas europeus transactos destinados a apoiar projectos em regiões europeias de fronteira (INTERREG).

Para este novo período de apoios comunitários, frisou, a mensagem a passar para o terreno é a de que, "desta vez, os portugueses tem que ser mais pró-activos".

"Devem ter a ambição de liderar consórcios, de serem eles a propor o projecto e a ir à procura dos parceiros em Espanha", estimulou, exemplificando que seminários como o que decorre na cidade de Badajoz, com cerca de 800 participantes, permitem esses contactos para futuras parcerias.

O PO de Cooperação Transfronteiriça Portugal Espanha, que vai vigorar até 2013, conta com uma dotação financeira próxima dos 360 milhões de euros, sendo que o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) suporta 267,4 milhões de euros.

A cooperação transfronteiriça entre os dois países, no âmbito do PO, vai assentar em quatro eixos fundamentais: fomento da competitividade e promoção de emprego, meio ambiente, património e prevenção de riscos, ordenamento do território e acessibilidades e fomento da cooperação e integração sócio-económica e institucional.

O PO visa promover o desenvolvimento das zonas fronteiriças, reforçando as relações económicas e as redes de cooperação existentes em cinco áreas territoriais específicas, nomeadamente Galiza/Norte de Portugal, Norte de Portugal/Castela e Leão, Centro/Castela e Leão, Alentejo/Centro/Extremadura e Alentejo/Algarve/Andaluzia.

O secretário de Estado afiançou à agência Lusa que, neste PO dedicado à cooperação transfronteiriça, a prioridade vai ser dada a "projectos de natureza imaterial".

"O programa de cooperação transfronteiriça, tanto em Espanha como em Portugal, no passado, serviu para fazer mais do mesmo, basicamente o mesmo tipo de iniciativas que os PO regionais financiavam. Houve a preocupação de mudar e deste programa ser um complemento a esses PO regionais", disse.

Projectos como "rotundas ou pontes" não vão ser financiados, garantiu, contrapondo que, com sinal positivo, encontram-se iniciativas que permitam a "gestão em comum de equipamentos colectivos" ou "agilizar a prestação de socorro, do outro lado da fronteira, por unidades de protecção civil do outro país".

Melhorar o combate a incêndios florestais e colaborar na valorização do património ecológico de um lado e outro da fronteira foram outros dos exemplos dados por Rui Baleiras, que aludiu ainda a iniciativas ligadas ao projecto de navegabilidade do rio Guadiana, este já apoiado pelo PO regional do Algarve.

No seminário de hoje, que se prolonga até quinta-feira, também o secretário-geral de Presupuestos Y Gastos, Luis Espadas Moncalvillo salientou que a cooperação territorial, em especial a transfronteiriça, por apoiar as regiões raianas, tradicionalmente "mais deprimidas", é importante para a coesão económica e social de cada país.

Os anteriores programas europeus de apoio transfronteiriço, afiançou, foram "catalizadores do desenvolvimento" na raia espanhola e portuguesa, devendo agora esse esforço ser prosseguido, para que as fronteiras deixem de ser "um obstáculo"e possam ser fomentado "o crescimento económico e o emprego" nessas regiões.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

NAL - Novo Aeroporto de Lisboa



A opção por Alcochete vem confirmar a estratégia definida em meados dos anos 90 em estender Lisboa para uma região onde é possivel crescer de forma ordenada.
Por outro lado, combate a litorazição do território e dinamiza uma das regiões mais complexas da europa: A Península de Setúbal.

Um sinal positivo para o Ordenamento.

Interior rural é o próximo alvo do turismo do Algarve

O interior rural é o próximo alvo do turismo algarvio, com a valorização pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve de projectos que estimulem o desenvolvimento local e que poderão beneficiar de apoios comunitários.

“Queremos fazer uma discriminação positiva do interior. A costa não está cem por cento esgotada, mas quase. Além disso, o Plano Regional de Ordenamento do Território para o Algarve (PROTAL) impõe limites mais rígidos à construção no litoral, por isso é preciso dinamizar o interior”, disse à Lusa o presidente da CCDR do Algarve, João Faria, adiantando que já existem pedidos de licenciamento de empreendimentos nestas zonas.

Estes projectos poderão ser apoiados com fundos comunitários inscritos no Programa Operacional do Algarve (PO) para o período 2007-2013. “Não vamos financiar directamente os empreendimentos, mas podemos apoiar equipamentos e infra-estruturas que sirvam a zona onde se inserem”, afirmou o presidente da CCDR do Algarve.

O QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) para o período de 2007-2013, que enquadra o destino do actual pacote de verbas comunitárias para Portugal, tem programas operacionais (PO) para cada uma das cinco regiões de planeamento do Continente – Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve – e um para cada região autónoma.

Complementarmente ao Feder (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, que se destina a corrigir as assimetrias regionais), a aposta no interior algarvio contempla também verbas para o desenvolvimento das actividades rurais e ligadas ao turismo de natureza.

PO Algarve tem 175 milhões de euros

Exemplo disso são os projectos da Via Algarviana, uma rota pedestre que liga Alcoutim ao cabo de São Vicente, numa extensão de 240 quilómetros que atravessa a serra algarvia, e da Ecovia, direccionada para a utilização de bicicletas, que têm já financiamentos previstos no PO do Algarve.

Para João Faria, importa também criar “pontos de interesse” que promovam as aldeias, “frágeis em termos de capacidade de atracção”, como a festa dos presépios e o concurso de gastronomia que premeia as melhores receitas típicas.

O programa de revitalização das aldeias vai ter continuidade, garantiu o responsável da CCDR, apesar de haver menos dinheiro para distribuir no novo ciclo de apoios comunitários.

O Programa Operacional (PO) Algarve21 conta com uma dotação de 175 milhões de euros, um terço do investimento do anterior ciclo de programação, orientando as verbas para três eixos: competitividade, inovação e conhecimento (90 milhões), valorização territorial e desenvolvimento urbano (61 milhões) e protecção e qualificação ambiental (18 milhões).

“Havendo menos dinheiro, temos de ser mais selectivos”, frisou João Faria, acrescentando que “é preciso garantir a competitividade na região e investimentos no sector privado que permitam um crescimento sustentado.

Daí que o eixo da competitividade absorva cerca de metade dos fundos disponíveis, merecendo especial atenção a criação de zonas onde as empresas se possam implantar.

Formação superior aproxima-se do mercado

Fomentar o empreendedorismo qualificado é outra prioridade que se pretende promover com estímulos financeiros.

Neste contexto, as universidades do Algarve surgem como um parceiro interessante, já que “têm centrado as suas actividades em sectores prometedores” e com potencial ligação ao meio empresarial nas áreas das ciências do mar, dos sistemas inteligentes e das ciências da saúde e biotecnologias.

No ano lectivo de 2004/2005, os cursos de licenciatura com maior número de matriculados eram gestão de empresas, economia, biologia marinha e pescas, engenharia biotecnológica, engenharia de ambiente, de sistemas e informática.

Nas Escolas Superiores (Tecnologia e Hotelaria e Turismo), o maior volume de matriculados encontrava-se nos cursos de gestão, turismo, engenharia eléctrica e electrónica, engenharia civil e engenharia mecânica.

“Este perfil de frequências posiciona as Faculdades e Escolas da Universidade do Algarve num patamar de relação activa com trajectórias formativas que valorizam uma integração no mercado de trabalho menos dependente do emprego público e mais ligadas ao empreendedorismo e a funções técnicas e de gestão, próximas da economia empresarial”, sublinha o documento relativo ao programa Operacional do Algarve (2007-2013).

Pacote anterior de fundos executado a 80 por cento

Os primeiros concursos (sistemas de incentivos, regeneração urbana, modernização administrativa e acções de valorização do litoral) já foram abertos e prolongam-se até Abril, dependendo do eixo ao qual são apresentadas as candidaturas.

Relativamente ao anterior programa (2000-2006), cerca de 80 por cento está já executado e João Faria acredita que não vai ficar dinheiro por gastar.

O Programa Operacional do Algarve completou o ciclo de programação com uma dotação global de 485 milhões de euros, tendo disponibilizado 275 milhões de euros para intervenções sectoriais desconcentradas, 163 milhões para apoiar investimentos municipal e intermunicipal e 47 milhões de euros para acções integradas de base territorial.

O eixo 2 (acções integradas de base territorial) foi o que teve uma execução mais baixa, devido ao atraso sofrido pelos programas Polis. Ainda assim, este eixo revelou forte dinamismo no que respeita às aprovações, que cresceram 66 por cento, comparativamente à média dos outros dois eixos que rondou os 20 por cento.

in Público

Coesão territorial no cerne da agenda política da UE

Em 23 e 24 de Novembro, a convite da Presidência Portuguesa da União Europeia, a Comissária Danuta Hübner reunir-se-á com os ministros responsáveis pelo desenvolvimento regional e o ordenamento do território em Ponta Delgada, nos Açores, para uma troca de impressões informal sobre coesão territorial e desenvolvimento regional. Tal como acordado na reunião anterior realizada em Leipzig, em Maio do corrente ano, os ministros adoptarão o primeiro programa de acção para a implementação da agenda territorial da UE.

Na perspectiva desta reunião, Danuta Hübner declarou: «A necessidade de reforçar a cooperação territorial na Europa foi inicialmente contemplada em Roterdão, em 2004, pelo que não posso deixar de me congratular pela natureza operacional deste primeiro programa de acção. Chegámos a um ponto de viragem: não só o Tratado Reformador reconhece a dimensão da coesão territorial no âmbito da política regional, como também, em breve, serão aplicadas medidas concretas no quadro do programa de acção e em 2008, será publicado o Livro Verde que a Comissão está actualmente a elaborar neste domínio. Poderemos assim utilizar o nosso potencial territorial em prol de uma Europa mais sustentável, mais competitiva e mais coesa.»

A política de coesão da UE deve ser capaz de corresponder de forma mais objectiva e específica às necessidades e características territoriais, às oportunidades e aos desafios geográficos das regiões e das cidades. Ao redefinir o mapa da Europa, acrescentando territórios ainda mais diversificados e novas disparidades, o alargamento veio também representar um desafio para a coesão territorial. É por este motivo que a «Agenda Territorial da UE» acordada na reunião ministerial de Maio advoga as vantagens da prossecução de uma política integrada de desenvolvimento territorial e insta a que a cooperação e o estabelecimento de redes neste domínio sejam reforçados no futuro.

Programa de acção para a implementação da agenda territorial da UE

O programa de acção apresentado pela Presidência Portuguesa nos Açores propõe 15 acções, que deverão ser realizadas entre 2007 e 2011. Entre as prioridades assinaladas, destacam-se as seguintes:

* Influenciar os dossiers fundamentais da UE e inserir uma dimensão territorial e urbana noutras políticas sectoriais da UE. Neste contexto, os ministros responsáveis pela política regional apresentarão em Portugal uma contribuição para o Livro Verde sobre as alterações climáticas que a Comissão adoptou em Junho passado, a fim de sublinhar a importância de integrar a dimensão territorial nesta questão.
* Consolidar a governação a vários níveis na UE e nos Estados-Membros, com base em parcerias comuns entre os intervenientes comunitários, nacionais, regionais e locais.
* Aprofundar os conhecimentos em matéria de ordenamento do território a nível da UE (estado dos territórios, tendências, repercussões políticas nos Estados-Membros). O Observatório em Rede do Ordenamento do Território Europeu (ORATE), um dos programas que será realizado no quadro da política de coesão no período de 2007 a 2013, visa precisamente a aquisição de conhecimentos científicos, a nível europeu, no domínio do desenvolvimento territorial.

Novo tratado visa coesão territorial e maior subsidiariedade

O tratado adoptado em Lisboa em 18 de Outubro, e que se prevê venha a ser assinado em 13 de Dezembro, introduz explicitamente a coesão territorial como terceira dimensão da política regional (a par das dimensões social e económica). Desta forma, contribuirá para reforçar o papel das autoridades locais e da sociedade civil a nível da UE. Reconhece igualmente que há que solucionar as disparidades territoriais que afectam a competitividade global da economia: disparidades geográficas (ilhas, regiões periféricas, zonas escassamente povoadas) ou dinâmicas territoriais (emergência de focos de pobreza, polarização de determinadas zonas, fenómenos de suburbanização, etc.).

Em Setembro de 2008, a Comissão adoptará um Livro Verde sobre coesão territorial e, em simultâneo, encetará uma vasta consulta pública na matéria. Este Livro Verde apresentará uma análise actualizada das disparidades verificadas no território europeu e iniciará o debate sobre a melhor forma de ter em conta a dimensão territorial nas políticas e nos programas da UE.

Antecedentes

A noção de coesão territorial assumiu uma dimensão fundamental na política de coesão desde a adopção, em 1999, do Plano de Desenvolvimento do Espaço Comunitário (PDEC). Em 2004, na reunião informal realizada em Roterdão sob a égide da Presidência Neerlandesa, perante a enorme repercussão, frequentemente imperceptível, das políticas comunitárias no desenvolvimento territorial dos Estados-Membros, os ministros decidiram introduzir a dimensão territorial no processo de Lisboa. Durante a reunião informal de ministros organizada pela Presidência Alemã, em Leipzig, em Maio de 2007, os ministros adoptaram a agenda territorial da UE.
Para mais informações sobre a política regional, consultar:

http://ec.europa.eu/regional_policy/index_en.htm
Programa ORATE:

http://www.espon.eu

in europa.eu

"Eu defenderia a solução 1+Portela"

Carlos Borrego admite que a previsível expansão urbanística na margem esquerda do Tejo é o principal problema a acautelar na construção do aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete
Não tem dúvidas da necessidade de um novo aeroporto, que deve ser pensado depois de uma ampla avaliação ambiental e económica estratégica que estudasse não só a localização, mas o tipo de infra-estrutura que acrescentaria competitividade ao país e que melhor se enquadrasse no mercado aéreo europeu. Carlos Borrego, director do Instituto do Ambiente e Desenvolvimento da Universidade de Aveiro, coordenou a equipa que avaliou as questões ambientais da proposta da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) para localizar o novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete, concluindo que esta opção é melhor do que a Ota. Sobre a continuação da Portela, levanta dúvida, justificando-a apenas como aeroporto secundário.

PÚBLICO - Como surge associado ao projecto da CIP?
Carlos Borrego - Resultou de conversas que decorriam há alguns meses sobre o interesse que a CIP tinha em verificar se não havia alternativa. Nós tínhamos feito alguns trabalhos com o José Manuel Viegas, que liderou a parte das acessibilidades e transportes, para ver se com novas metodologias de análise de terreno éramos capazes de encontrar outras soluções. E chegámos à conclusão de que haveria - foi quando apareceram localizações como o Poceirão e as Faias, entre outras. A ideia inicial era recuperar alguns dos estudos feitos para a Ota e Rio Frio, mas chegámos à conclusão de que não se justificava porque tínhamos de adoptar uma nova metodologia. E fui desafiado a tentar fazer este trabalho.
Está convencido de que há necessidade de um novo aeroporto?
Acho que sim. Basta olhar para o crescimento da Portela em número de aviões, para a sua localização e para o que se passa na Europa. Quase todos os outros países já construíram os seus segundos aeroportos das capitais e estão completamente integrados em termos económicos a explorá-los. Nós seremos o último país. E temos por isso que ser suficientemente competitivos para poder entrar no mercado. E daí que uma das preocupações desta nova localização seja permitir que o aeroporto não tenha de ser pago através das taxas mas pelo seu preço mais baixo. O aumento do tráfego aéreo vai continuar, não necessariamente pelas low-cost, mas porque continuará a ser um dos grandes transportes de massas. Por outro lado, a localização da Portela não é a melhor porque não estamos a falar nisto apenas como um aeroporto para Lisboa. Tem de ser uma decisão suficientemente estratégica para ser um aeroporto nacional. E há ainda a questão económica: Portugal tem de ter uma infra-estrutura que esteja integrada na estratégia europeia de aeroportos.
E quanto à opção Portela+1?
Não a estudámos. Na minha opinião, e sem ter base em estudos técnicos, a Portela tem muita dificuldade em ser justificada devido à proximidade de áreas habitacionais. Não quero dizer que a Portela tenha de mudar de função: pode eventualmente continuar a ser um aeroporto, com outro tipo de objectivos. Mas não é possível responder na Portela a esta necessidade de ter um aeroporto competitivo, ou seja, com taxas baratas e muitos aviões por hora, nem com muito tráfego de carga.
Mas, para validar outros cenários, não deveria ser estudado o cenário Portela+1?
Provavelmente. Mas provavelmente eu defenderia 1+Portela por todas as razões que já referi.
Alcochete mais Portela?
Não sei, porque Alcochete tem condições para ser o aeroporto sem necessidade da Portela. E, olhando para a Europa, as cidades que mantiveram os segundos aeroportos estão a ter grandes problemas nas suas companhias de bandeira e nas taxas aeroportuárias. Se calhar Portugal tem de fazer um estudo mais aprofundado da componente económica para garantir que o aeroporto a construir não tem esse problema. E manter a Portela deveria ser estudado com mais atenção.
É contra manter a Portela?
Não. Mas não tenho dados que me permitam dizer que a Portela tem capacidade para crescer. Daí falar-se no Portela+1 e aqui é que está a questão crítica: o que é que queremos para Portugal? Nós precisamos de uma avaliação estratégica sobre o aeroporto. Não podemos olhar para isto vendo apenas a localização, mas sim perguntarmo-nos que tipo de aeroporto é que nós queremos. Faça-se uma avaliação ambiental estratégica - que se faz em seis meses - para tomar essa decisão. Seria o que esperaria que o LNEC fizesse para saber qual a melhor localização e quais as melhores infra-estruturas com a componente económica incluída.
Se o estudo do LNEC for só sobre a localização, acha que seria melhor esperar que essa avaliação estratégica fosse feita para tomar uma decisão?
O que permitiria decidir melhor era essa avaliação e, se o LNEC não a fizer, vou continuar a sentir que falta qualquer coisa para substanciar a decisão.
Despindo o fato de consultor da CIP, como habitante de Aveiro, não preferia a Ota?
Preferia ter um bom aeroporto no Porto. E este é mais uma vez o problema: o que é que nós queremos fazer dos aeroportos nacionais? Precisamos ou não de um bom aeroporto no Porto que sirva os interesses daquela região mais a Galiza? Há aqui questões que são mais do que um jogo de localizações.
O seu estudo refere amiúde que há dados incompletos. Não receia que estudos aprofundados venham pôr em causa as suas conclusões?
Só tirámos conclusões do que para nós era um dado adquirido. Deixámos algumas questões em aberto, como a da conservação da natureza. Todos os números que surgem no trabalho relativo a essa componente estão por excesso. A maior dificuldade que encontro tem a ver com o ordenamento do território.
Está confiante que a Comissão Europeia possa aprovar este projecto?
Se houver vontade política, não é a União Europeia que vai condicionar essa opção estratégica portuguesa se for bem fundamentada. E daí novamente o desafio para a avaliação ambiental estratégica deste sistema.

in Público

Polis de 3ª geração arranca em 2008

O Governo espera receber todas as candidaturas até ao final de Abril de 2008 para começar com as obras no terreno no fim do Verão.
O Governo quer que até 2015 sejam implementadas 60 operações de regeneração urbana em Portugal ao abrigo da Política de Cidades Polis XXI debatida num seminário internacional sobre urbanismo que decorre entre hoje e sexta-feira em Faro.

O secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades apontou esta como a meta traçada pelo ministério para apoiar a regeneração urbana de espaços como centros históricos, frentes ribeirinhas ou bairros críticos.

João Ferrão falava aos jornalistas à margem de um seminário internacional que decorre na antiga Fábrica da Cerveja, em Faro, sob o tema "Espaços Urbanos Criativos", inserido no projecto "Cidades Inteligentes".

De acordo com o governante, o período para os municípios se candidatarem abre durante o primeiro trimestre de 2008, prevendo-se que depois do Verão do próximo ano já haja concretizações no terreno.

"Estou confiante que no segundo semestre de 2008 teremos as primeiras intervenções aprovadas", referiu, sublinhando tratar-se de candidaturas "complexas" que requerem tempo para ser preparadas.

"A concretização desta política pressupõe bons projectos e temos que criar condições para que os projectos amadureçam", observou João Ferrão, que presidiu à abertura do seminário em conjunto com o presidente da Câmara de Faro e o vice-presidente do Banco Europeu de Investimento.

João Ferrão defendeu ainda a agregação em rede das pequenas cidades para apresentarem candidaturas conjuntas para que, articuladas entre si, consigam ganhar maior dimensão e beneficiar mais dos projectos.

Outro dos instrumentos da Política de Cidades Polis XXI hoje debatido em Faro refere-se às redes urbanas para a competitividade e inovação, tendo sido traçado pelo Ministério do Ambiente que até 2015 haja 31 redes ou cidades com programas estratégicos.

No que respeita às acções inovadoras para o desenvolvimento urbano, a meta é que haja 75 projectos inovadores até 2015.

in Observatório do Algarve

Portugal, Um Retrato Social - Mudar de vida



O valor deste trabalho de António Barreto / Rui Branquinho é inquestionável.
Fica aqui um retrato daqueles que julgaram encontrar nas grandes cidades uma vida melhor.

Vinte mil postos de trabalho na região de Setúbal

A Associação Empresarial da Região de Setúbal (Aerset) prevê a criação de 20 mil postos de trabalho na região dentro de dois a cinco anos, disse à Lusa o economista António Capoulas, presidente da instituição.

Na base desses empregos está "um modelo de desenvolvimento integrado" que abarca a Plataforma Logística do Poceirão, a náutica de recreio, as energias renováveis (solar, eólica, ondas do mar), o turismo residencial (na península de Setúbal e no Alentejo Litoral) e as trocas comerciais entre os três portos que servem a região - Lisboa, Setúbal e Sines -, adiantou o responsável.

Para o economista, o número de postos de trabalho pode ainda vir a ser "potenciado e aumentar" caso o novo aeroporto internacional de Lisboa venha a ser construído em Alcochete e a base aérea do Montijo passe a receber voos de companhias de baixo custo (low cost).

Para apoiar o modelo de desenvolvimento proposto, a Aesert destaca como obra fundamental, a curto prazo, a Circular Rodoviária Interna da Península de Setúbal (CRIPS), também conhecida por Arco Ribeirinho Sul.

Trata-se de uma rodovia com 40 quilómetros, que se inicia na Trafaria e ligará por três ou quatro viadutos (por cima dos esteiros do Tejo) as penínsulas de Almada, Seixal, Barreiro, Moita e Montijo, indo entroncar depois na Ponte Vasco da Gama.

Segundo especialistas contactados pela agência Lusa, a obra é fundamental para fechar a CRIL, que terá continuação para a margem sul através de uma ligação Algés/Trafaria, por ponte ou túnel.

Estudada em 1992 pelo Gabinete da Travessia do Tejo em Lisboa (Gattel), a obra está agora na competência das Estradas de Portugal, entidade a quem compete estudar e executar.

"O fecho do Arco Ribeirinho Sul faz todo o sentido em termos do ordenamento do território e do urbanismo, e tem mesmo de se fazer, tendo em conta a qualidade de vida e a segurança", disse à Lusa Luís Machado, antigo técnico do Gattel.

A obra é também essencial para o acesso à base aérea do Montijo, se funcionar como "Portela +1" para as companhias "low cost", e melhora também o acesso ao Campo de Tiro de Alcochete, que ganha forma como alternativa à Ota, considera António Capoulas, presidente da Aerset.

A propósito de Alcochete, Capoulas disse que foi a Aerset quem sugeriu a prioridade do Campo de Tiro entre as localizações possíveis na margem sul para o novo aeroporto de Lisboa, em alternativa à Ota.

A associação colaborou desde o primeiro momento no estudo apresentado pelo presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) para a alternativa Alcochete e "só não patrocinou financeiramente por razões de reestruturação interna", disse António Capoulas.

Os trabalhos do estudo efectuado por 20 especialistas decorreram entre Dezembro e Junho, e o estudo inicial apresentava tinha três localizações - Alcochete, Poceirão e Faias.

"O Campo de Tiro de Alcochete tinha tido má recepção dos ambientalistas e ficámo-nos pelo Poceirão. Mas o Campo de Tiro é enorme (8.000 hectares contra os 1.800 hectares da Ota) e tem ao lado a Companhia das Lezírias (14.000 hectares), para no caso de haver especulação imobiliária reverter a favor do Estado, que também precisa de valorizar o seu património", adiantou o responsável.

Dos citados 8.000 hectares, "três mil têm plantados eucaliptos e sobreiros muito poucos, o que também abona a favor de Alcochete", acrescentou António Capoulas.

A Aerset acompanhou a evolução dos trabalhos, "liderados pelos professores Carlos Borrego e Hernâni Lopes, e houve 15 empresas do distrito, que compõem a direcção da associação, que discutiram várias vezes a problemática", na própria sede.

"Depois sugerimos que o Campo de Tiro de Alcochete fosse prioritário na análise das localizações possíveis na margem sul, na parte mais a leste, situada no concelho de Benavente", sublinhou o presidente da Aerset.

Embora Benavente pertença ao distrito de Santarém, para efeitos de acesso aos fundos estruturais do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) 2007/2013 está incluído na região do Alentejo, beneficiando assim de mais verbas, disse o economista

"Além disso pode funcionar em simultâneo com o aeroporto da Portela pelo tempo que se entender, para que se estude o melhor quadro para o sistema aeroportuário nacional, coisa que nunca se fez", comentou.

Por outro lado, Capoulas confirmou que a hipótese do túnel ferroviário Chelas-Montijo, já estudada nos anos 90 no tempo do ministro das Obras Públicas Joaquim Ferreira do Amaral, ganha novamente força, "solução que fica por metade do preço da ponte Chelas-Barreiro e sem o impacto visual no estuário".

"E, se o aeroporto vier para Alcochete, existe já a nova solução rodoviária da ponte do Carregado, que contribuirá para uma boa acessibilidade", adiantou o economista.

Por outro lado, fontes próximas da Associção Portuguesa para o Desenvolvimento do Transporte Ferroviário (Adfer) disseram à Lusa que a hipótese de túnel sob o Tejo poderá ser retomada e que custará menos de mil milhões de euros, ou seja metade da travessia Chelas-Barreiro, servindo inclusive para a travessia do TGV, com ligação à plataforma do Poceirão

Também a travessia Algés-Trafaria por túnel rodoviário, em alternativa a uma ponte rodoviária, "deverá ser a hipótese mais viável" para fechar a CRIL, prologando-se na margem sul pela futura CRIPS, segundo as mesmas fontes.

Capoulas considerou estes dois túneis como a melhor opção para o desenvolvimento da margem sul, melhorando também as ligações fluviais.

As duas ligações aliadas ao Arco Ribeirinho Sul podem atrair um "cluster" de actividades náuticas de excelência, na margem sul do Tejo que é "transversal ao hipercluster do Mar estudado por Hernâni Lopes, lembrou o presidente da Aerset.


© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

Ideias criativas para cidades mais felizes

Projectos serão divulgados no sítio do Expresso

O concurso ‘Vamos Fazer Cidade’ confirmou que o simples é bom. Iniciativa do Expresso e da Trienal de Arquitectura, sugeriu a intervenção em cinco locais de outras tantas urbes lusas. Sempre visando a participação de leitores, com interpretação das suas ideias por arquitectos jovens.

Os resultados, publicados na Única ao longo das cinco semanas de Junho e apresentados ao vivo pelos leitores e arquitectos premiados na sessão da Cordoaria de 5 de Julho passado, demonstram a capacidade de participação cívica do público urbano quando devidamente motivado.

Provou-se a força da ideia de re-habitar (mais que reabilitar) a cidade e, sobretudo, o espaço público, que, mesmo quando maltratado, constitui a área de uso democrático por excelência. Confrontaram-se intervenções em cidades grandes e pequenas (Lisboa e Aveiro) ou no núcleo histórico e na periferia (Guimarães e Évora).


Foram contrapostas de modo criativo as visões dos leitores e dos arquitectos, todos cidadãos, mas com universos e especializações distintas; apenas em Lisboa e Porto os leitores não eram, também, arquitectos. Aqui brotou mais forte o confronto de ideias e visões de cidade.

As propostas situaram-se no quadro do possível (por exemplo, não pretendendo erradicar o automóvel), evitando com bom senso intervenções pesadas, sem nunca deixar de mostrar imaginação e inovação. Assim os municípios locais possam interessar-se por desenvolver alguns dos temas nos locais sugeridos.

- Em Aveiro, a escolha para a ‘avenida da estação’ (Lourenço Peixinho) foi parti-la em dois espaços funcionalmente opostos: uma longa faixa mais humanizada e pedonal (a sul), com espaços de fruição, enquanto a norte se juntavam as faixas rodoviárias, secundarizadas como deve ser.

- Em Lisboa, a intervenção para a Av. da Liberdade pareceu similar à de Aveiro, com maior escala e arrojo dos elementos propostos. O sentido mais criativo transparece na plasticidade curva e na tridimensionalização dos espaços de estar, de auditórios a «skateparks». Alguma dúvida fica quanto ao peso das superfícies elevadas de transposição das vias transversais.

- Em Évora e no Porto (ao longo do antigo ramal de Mora/ciclovia e da Av. dos Aliados, respectivamente), a opção pendeu para uma intervenção de grande leveza, sem propostas de construção, tudo muito paisagístico, com lagos, hortas urbanas e suaves sombreamentos por árvores, aproveitando com inteligência os lugares desprezados ou disponíveis.

- Finalmente, a proposta para Guimarães foi a mais ‘à arquitecto’, com uma detalhada articulação sistémica de sectores urbanos (Leste-Oeste, Norte-Sul), em volta do Centro Cultural Vila Flor, procurando congregar e revitalizar antigas fábricas, campos abandonados, perdidos teatros Art Déco...


in Expresso, José Manuel Fernandes e Rui Cardoso

15 cidades excedem limite de poluição


O Expresso fez um «ranking» das cidades mais poluídas. Lisboa lidera, seguida de Guimarães, Paredes e Espinho

Um mero assador de castanhas localizado junto a uma estação de medição da qualidade do ar fez disparar os níveis de concentração de partículas nocivas para a saúde. Isto aconteceu em Novembro, em Entrecampos.

Por aqui se vê a que ponto é complexa a medida da poluição atmosférica. Mas não é nenhum acaso que faz da Avenida da Liberdade a mais poluída do país. Ali, o tráfego intenso e a morfologia (avenida estreita, ladeada por prédios altos) concentram os poluentes emitidos pelos carros.

Dados da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) - que ajudou o Expresso a elaborar este «ranking» - indicam que a capital, em 2005, teve 183 dias durante os quais se verificou excesso de concentração de partículas. A norma apenas admite um máximo de 35 dias nestas condições. Madrid teve menos um dia de excesso de partículas. Contudo, estes dados referem-se a 2006.


Mas se Lisboa lidera pelas piores razões, o Norte de Portugal reúne o maior número de cidades que ultrapassam os limites legais de concentração de partículas. Guimarães, Paredes e Espinho ocupam os lugares cimeiros do «ranking», logo a seguir à capital. Esta classificação apenas reflecte os locais - em 44 cidades - onde estão instalados postos de medição. Para se ter uma ideia global é preciso ponderar as diversas medições.

Além dos carros e fábricas, a poluição atmosférica é acentuada por fenómenos como as elevadas temperaturas, ou os incêndios no Verão, ou até por episódios de transporte de partículas a partir do Norte de África.

“As excedências (dias em que os limites máximos são ultrapassados) ameaçam a saúde pública, por estarem associadas ao transporte de metais pesados tóxicos que provocam problemas respiratórios”, refere Dília Jardim, chefe da Divisão de Ar e Ruído da APA. A Comissão Europeia tem vindo a apertar os limites admissíveis destes poluentes, considerados responsáveis pela redução de nove meses na esperança média de vida dos europeus. Um estudo da Universidade Nova indica que 35% do atendimento pediátrico no Hospital D. Estefânia, em 2004, se deveu a doenças respiratórias.

A UE impôs em 2001 uma norma que obrigava as regiões mais poluídas a ter Planos e Programas de Qualidade do Ar. A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo concluiu os seus em 2005, mas a sua homóloga do Norte ainda não o fez.

Só há dois meses o Governo aprovou legislação que responsabiliza as Câmaras Municipais pela aplicação no terreno de medidas correctoras da poluição do ar exterior. “A Câmara de Lisboa não ligou nenhuma a estes planos”, critica o presidente da referida comissão, Fonseca Ferreira, lembrando ser ao município que compete decidir e aplicar as medidas.

Marina Ferreira, presidente da Comissão Administrativa da autarquia, contrapõe: “Tomámos medidas fortíssimas para condicionar o tráfego, designadamente aumentando as tarifas de estacionamento, aprovando o plano de pormenor que prevê a pedonização dos eixos laterais da Avenida da Liberdade, ou construindo o Túnel do Marquês, que reduz o congestionamento”.

Em tom de remate, Francisco Ferreira, da Quercus, lembra que “noutras cidades europeias o estacionamento é caro, não há alternativas, e o dinheiro serve para financiar os transportes públicos, enquanto em Lisboa 70% dos carros que entram não pagam nada e o dinheiro do estacionamento vai para a EMEL ou para os donos dos parques”.


in Expresso, Carla Tomás

I'm not dead!


Estive na passada semana em três cidades espanholas: Málaga, Sevilha e Mérida

O resultado excedeu as expectativas. Os problemas de ordenamento tornam-se mais evidentes quando analisamos cidades que acabámos de conhecer.

Por outro lado, e para quem não se lembra, PORTUGAL NÃO TEM NENHUMA CIDADE COM A DIMENSÃO DE MÁLAGA: Desconhece por completo a realidade de uma cidade com 700.000 habitantes.

Posso revelar, antes de aprofundar o tema e publicar as respectivas fotografias, que concluo hoje que as cidades superiores a 100.000 habitantes na península ibérica começam a perder dimensão humana.

Volto em breve ao tema.

Ota

O coordenador do estudo sobre o ordenamento do futuro aeroporto da OTA, Augusto Mateus, afirmou que Alcochete seria uma solução mais flexível para a construção do futuro aeroporto.
Numa entrevista publicada no “Semanário Económico”, o antigo ministro socialista da Economia disse que a carreira de tiro de Alcochete "pode vir a ser estudada", justificando que "tem dimensão mais do que suficiente para se fazer algo mais flexível (comparando com a Ota)" e "onde eventualmente poderá ser possível oferecer, antes de 2017, uma primeira alternativa".

Augusto Mateus, que está a coordenar um estudo sobre o ordenamento das actividades na envolvente do novo aeroporto de Lisboa, considerou "redutora" a decisão do Governo de só ter estudado a localização da futura infra-estrutura na Ota e em Rio Frio.

"Outras potenciais localizações, algumas de utilização militar, não foram estudadas e podem sê-lo facilmente. Podemos vir a descobrir que temos uma localização melhor que a Ota, que pode custar menos dinheiro, que permite fazer uma coisa mais flexível, faseada, com mais oportunidades de expansão em caso de sucesso total", salientou.

Augusto Mateus sublinhou que um estudo sobre novas localizações “não demoraria um ano”, ao contrário do que o Governo tem referido.

O antigo ministro esclareceu que a localização na Ota "tem um conjunto de limitações dimensionais" apesar de ser "possível fazer na Ota um bom aeroporto, mas com muitas limitações, repetiu.

"Não há milagres. A orografia e o desordenamento não ajudam, é o eixo mais congestionado, próximo das empresas e das pessoas", acrescentou.

Ainda sobre a continuidade na elaboração de estudos sobre possíveis localizações do aeroporto, Augusto Mateus disse que a nível político as pessoas estão "muito mais abertas do que demonstram publicamente no funcionamento das instituições".

Sobre o trabalho que está a fazer, o coordenador disse que "gostaria de estar a fazer um trabalho com dois ou três locais alternativos, para poder apresentar os aspectos mais positivos e negativos do ponto de vista do desenvolvimento económico e social e das opções de ordenamento do território".

in Rádio Renascença

Portugal e o futuro: um compromisso hoje

A apresentação em livro das reflexões do movimento "Compromisso Portugal" suscita, em vésperas de início de mais uma Presidência Portuguesa da União Europeia, algumas breves reflexões sobre a dimensão duma abordagem que mais do que nunca hoje deve ser feita sobre os desafios do nosso país num futuro global cada vez mais incerto.

Discutir e avaliar hoje a dimensão estrutural do que deve ser Portugal e o Futuro é de forma clara antecipar com sentido de realismo um conjunto de compromissos que teremos que ser capazes de fazer para garantir o papel do nosso país num quadro competitivo complexo mas ao mesmo tempo altamente desafiante.

Há dez anos a Irlanda e a Finlândia, cada qual na sua identidade operacional, colhiam os primeiros resultados duma "Aposta Estratégica Transversal da Sociedade" para os paradigmas da Educação, Inovação e Conhecimento. Não basta – e nem é, aliás, a opção mais adequada – reiterar estes exemplos , e fazer dum exercício administrativo de benchmarketização do sucesso destes casos a mais natural matriz de opção estratégica para o nosso país. Realidades diferentes, com actores e envolventes diferentes, implicam naturalmente lógicas de actuação diferentes e no nosso caso isso é mais do que óbvio. O exercício, mais complexo, passa naturalmente, por uma "leitura" mais completa das variáveis em jogo e por uma verdadeira "estratégia intelectual" para o país.

Compromisso Escola

A Educação tem que ser a grande "ideia" para o país. Na "Escola Nova" de que o país precisa, tem que se ser capaz de dotar as "novas gerações" com os instrumentos de qualificação estratégica do futuro. Aliar ao domínio por excelência da Tecnologia e das Línguas a Capacidade de com Criatividade e Qualificação conseguir continuar a manter uma "linha comportamental de justiça social e ética moral" como bem expressou recentemente Ralph Darhendorf em Oxford.

Tem que se ser capaz de desde o início incutir nos jovens uma capacidade endógena de "reacção empreendedora" perante os desafios de mudança suscitados pela "sociedade em rede"; os instrumentos de modernidade protagonizados pelas TIC são essenciais para se desenvolverem mecanismos autosustentados de adaptação permanente às diferentes solicitações que a globalização das ideias e dos negócios impõe. Esta nova dimensão da educação configura desta forma uma abordagem proactiva da sociedade abordar a sua própria evolução de sustentabilidade estratégica.

Compromisso Empresa

Os "Centros de Competência" do país (Empresas, Universidades, Centros de I&D) têm que ser "orientados" para o valor. O seu objectivo tem que ser o de induzir de forma efectiva a criação, produção e sobretudo comercialização nos circuitos internacionais de produtos e serviços com "valor" acrescentado susceptíveis de endogeneizar "massa crítica" no país. Só assim a lição de Porter entra em acção. A "internalização" e adopção por parte dos "actores do conhecimento" de práticas sustentadas de racionalização económica, aposta na criatividade produtiva e sustentação duma "plataforma de valor" com elevados graus de permanência é decisiva.

Só assim se pode legitimar uma expectativa positiva mais do que pretendida de sustentabilidade de um modelo de desenvolvimento económico e social orientado para o futuro. Todos aqueles que estão envolvidos num processo sustentado de criação e consolidação de "valor" nas organizações a que pertencem têm que fazer desse desiderato a base motivacional permanente do seu contributo enquanto protagonistas activos num Sistema Nacional de Inovação e Conhecimento que se pretende objecto de um processo de reinvenção permanente.

Compromisso Território

A "Cooperação" estratégica entre sectores, regiões, áreas de conhecimento, campos de tecnologia, não pode parar. Vivemos a era da Cooperação em Competição e os alicerces da "vantagem competitiva" passam por este caminho. Sob pena de se alienar o "capital intelectual" de construção social de valor de que tanto nos fala Anthony Giddens neste tempo de (re)construção. Na economia global das nações, os "actores do conhecimento" têm que internalizar e desenvolver de forma efectiva práticas de articulação operativa permanente, sob pena de verem desagregada qualquer possibilidade concreta e efectiva de inserção nas redes onde se desenrolam os projectos de cariz estratégico estruturante.

Importa uma "estratégia intelectual" para Portugal. A desertificação do interior, a incapacidade das cidades médias de protagonizarem uma atitude de catalisação de mudança, de fixação de competências, de atracção de investimento empresarial, são realidades marcantes que confirmam a ausência duma lógica estratégica consistente. Não se pode conceber uma aposta na competitividade estratégica do país sem entender e atender à coesão territorial, sendo por isso decisivo o sentido das efectivas apostas de desenvolvimento regional de consolidação de "clusters de conhecimento" sustentados.

Compromisso Estado

A Reinvenção Estratégica do Estado, enquanto "plataforma de centralidade" onde convergem as dinâmicas de qualificação dos diferentes actores sociais, ganhou hoje um paradigma que não se pode cingir às especificações operativas de mecanismos mais ou menos necessários de Governo Electrónico ou de ajustamentos organizacionais adequados a determinados posicionamentos conjunturais de orgânica interna. Como muito bem nos elucida Samuel Hungtinton, a propósito do eventual choque de civilizações, o que está em causa é a capacidade endógena do Estado se autoreferenciar como o primeiro antes de mais e último antes de tudo centro de racionalidade dos processos sustentados de evolução da sociedade civil.

Esta cumplicidade estratégica é essencial para a garantia de padrões coerentes de desenvolvimento e equilibrio social. Nas sábias palavras de Francis Fukuyama, a propósito da Nova América, só assim se garante a verdadeira dimensão de confiança entre todos os que acreditam no futuro. É neste sentido que a legitimidade de actuação e sustentação estratégica se torna central. Processos de compromisso e convergência entre uma base central forte e pontos de descentralização territorial autónomos e indutores de riqueza e bem-estar social a partir da inovação e conhecimento têm que ter por base uma forte relação de cumplicidade estratégica entre todos os actores do tecido social. Um compromisso sério entre uma capacidade natural de mobilizar e empreender e ao mesmo tempo uma vontade de tornar os processos estáveis nos resultados que potenciam.

O papel das pessoas é decisivo. São cada vez mais necessários "actores do conhecimento" capazes de induzir dinâmicas de diferenciação qualitativa nos territórios. Capazes de conciliar uma necessária boa coordenação das opções centrais com as capacidades de criatividade local. Capazes de dar sentido à "vantagem competitiva" de Portugal, numa sociedade que se pretende em rede.

in Jornal de Negócios, Jaime Quesado

Vive-se pior em Lisboa


A capital portuguesa perdeu competitividade e qualidade de vida. Agora fazem-se planos para o futuro

Lisboa está altamente desconfortável. É um lugar onde não é bom viver”. É nestes termos que António Fonseca Ferreira, natural de Trancoso, mas residente há muito na capital, se refere à principal cidade portuguesa.

Muitos lisboetas pensam o mesmo. A diferença é que este preside à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região de Lisboa e Vale do Tejo. Para Fonseca Ferreira, uma das coisas mais urgentes é resolver os problemas da mobilidade, do estacionamento e do trânsito no centro da cidade. Nem que tenha de colocar portagens às portas da capital...

Não menos importante é inverter o processo de despovoamento do centro e fuga para os subúrbios. Está convencido de que Lisboa atingiu o ponto mais baixo em termos populacionais. A situação é tão má que “a partir daqui só tem que melhorar”.

A poluição atmosférica na Avenida da Liberdade acentuou-se de forma dramática. Segundo as normas europeias, só em 35 dias por ano seria tolerada a ultrapassagem do nível máximo de partículas e outros poluentes. Na prática esse limite foi ultrapassado em 170 dias. Ou seja, em metade do ano esteve em perigo a saúde pública.

Fonseca Ferreira acaba de apresentar um estudo da Comissão, intitulado ‘Lisboa 2020 - Uma Estratégia de Lisboa para a Região de Lisboa’. Este trabalho levanta outro problema, talvez o mais grave: “Esta região anda a ser desgovernada por cerca de 50 entidades diferentes”. Por isso vai propor a criação de um Fórum Metropolitano, que assegure boa comunicação entre todos os organismos de decisão.

Mais uma entidade a juntar às outras 50? Fonseca Ferreira garante que não. “Seria uma entidade de articulação entre a Comissão, a Junta Metropolitana, as administrações, as empresas e as universidades”.

Explicações à parte, o que é mesmo necessário é que em 2020 a região de Lisboa seja relevante em termos europeus. Coisa que “hoje ainda não é”.

A única excepção é o turismo. As zonas de Setúbal e do Oeste têm aprovadas e em construção 50 mil camas. “Nos próximos dois anos vamos ter um grande desenvolvimento no turismo residencial”. Isso inclui alguns empreendimentos com a chancela governamental de Projectos de Interesse Nacional. Há quem veja nesta figura uma ingerência do poder central na gestão autárquica, Questionado sobre o assunto, Fonseca Ferreira discorda desta crítica.

Também responde negativamente à hipótese de o aeroporto da Ota acentuar os desequilíbrios territoriais da região. Isto quando no documento agora apresentado se volta a falar de Lisboa como cidade de duas margens.

“A margem sul não é um deserto, mas a verdade é que a Portela influencia seis milhões de pessoas, das quais 4,9 estão na margem norte”. Confessa-se um adepto da opção Ota.

Mas para evitar maiores desequilíbrios numa região rasgada a meio pelo estuário do Tejo, para compensar a construção de um aeroporto a norte, defende a transferência de algumas valências para a margem sul. “Queremos dinamizar um pólo de competitividade automóvel (em Palmela), turismo de qualidade (Tróia), logística (Poceirão) e urbanismo (no arco ribeirinho de Cacilhas, Seixal e Barreiro)”. Quando se construir a terceira ponte no estuário do Tejo “então ficaremos servidos para 40 ou 50 anos”. Eventualmente, poder-se-ia fazer uma ligação entre o Terreiro do Paço e Cacilhas em túnel, unindo os sistemas de metropolitano das duas margens. “É um problema de custo/benefício a estudar”.


Vítor Andrade, EXPRESSO

A explosão suburbana


Uma praga alastra das áreas metropolitanas ao conjunto do território português: a doença suburbana

Durante décadas, sempre que se falava em crescimento de subúrbios, pensava-se automaticamente nas periferias de Lisboa e do Porto. Nos últimos anos, o fenómeno ganhou uma nova dimensão. Agora, quase todas as capitais de distrito se despovoam, pelo menos no que às áreas centrais diz respeito, alastrando à sua volta e ‘invadindo’ os concelhos vizinhos, como uma espécie de mancha de óleo de aglomerações-satélites (a infografia que acompanha este texto é ilustrativa desta nova tendência). Ou seja, o mecanismo de transferência de população entre o interior e o litoral referido na edição da semana passada é muito mais complexo do que parece. O interior despovoa-se, mas não são necessariamente as cidades litorais seculares que crescem. Isso acontece - e de uma forma que só encontra analogia no alastramento de uma epidemia - nas zonas suburbanas. Entretanto, políticas desgarradas e de vistas curtas persistem em retirar equipamentos das cidades em vias de despovoamento (veja-se, na pág. 35, o exemplo da projectada transferência do Instituto Português de Oncologia de Lisboa para Oeiras) ou encaram o fecho de maternidades, postos de polícia ou serviços regionais numa lógica de gestão pontual, à margem de qualquer visão de conjunto do equilíbrio do território.

Do ponto de vista urbanístico, estas novas zonas habitacionais periféricas são desastrosas: poucos espaços livres, construção em altura de baixa qualidade, equipamentos colectivos subdimensionados ou inexistentes. A rede de infra-estruturas, seja de transportes e comunicações seja de água, luz ou saneamento, corre atrás do prejuízo e com várias voltas de atraso. O IC19, a via rápida (só de nome) que liga Lisboa a Sintra, é um caso paradigmático: onde em 1991 circulavam 12 mil veículos por dia, passaram a andar 24 mil em 1996. Hoje, transitam dez vezes mais carros que em 1991 e circula-se cada vez pior, apesar de sucessivos e caros alargamentos e desnivelamentos. Há quem deixe o carro à beira do IC19 e faça o trajecto de e para casa a pé, para ganhar uns preciosos minutos no engarrafamento da manhã. De resto, para avaliar onde chegou o pesadelo dos subúrbios, veja as duas reportagens que acompanham este texto, referentes aos arredores do Porto e de Lisboa. É certo que a vida nestas aglomerações não tem só um lado negativo (como as reportagens também registam), e não é menos certo que aqui se produz uma parte importante da riqueza gerada no país. Mas em que condições!

Se, como se referiu no caso do IC19, há mais carros, é porque há mais gente. Prescindindo da discussão sobre a maior ou menor utilização pelos portugueses do transporte público (que será abordado numa das próximas edições destes trabalhos dedicados ao Mês das Cidades), o nível de engarrafamento do IC19 mede o grau de falhanço do planeamento do território nas últimas décadas. Sintra é o concelho da Área Metropolitana de Lisboa onde se licenciaram mais fogos entre 1994 e 1998, alguns ainda por construir. Com um total de 28.375 fogos construídos nos últimos cinco anos, este concelho acolheu (imagina-se como) mais de um terço da construção do distrito de Lisboa.

O que eleva a irracionalidade aos píncaros é começar a verificar-se outro fenómeno, cujas consequências ainda não estão bem avaliadas: o abandono dos subúrbios de pior qualidade, onde estão a multiplicar-se os andares devolutos. O que não admira, se soubermos que a construção prevista nos planos directores municipais dava para albergar outro Portugal.


Luísa Schmidt e Rui Cardoso, EXPRESSO

Desabafo


Tenho revisto nos últimos dias os programas "Prós & Contras" sobre a Ota.
Quanto mais os revejo mais fico revoltado, (o que até denunciará que sou masoquista).
Defende o PNPOT as cidades policêntricas - que discordo porque agravará as assimetrias regionais - e afastar-nos-á do modelo de cidades médias à escala ibérica.

Isto significa que na minha opinião, a melhor solução para o desenvolvimento sustentável do país seria de Portela + TANCOS, sendo que a Portela ficaria com o tráfego de passageiros (tradicional) e TANCOS com as mercadorias e com a aviação Low Cost. Esta solução custaria ao país 300 milhões de euros - custo final da remodelação do Aeroporto do Porto - isto é 5% do valor de investimento previsto, dinamizaria a linha do norte, tal como a Ota, traria tarifas concorrenciais a essa infraestrutura e promoveria a região Santarém/Abrantes.

Mas o PNPOT defende outra coisa: Cidades Policêntricas.
Neste pressuposto, seria previsivel que um dos centros fosse colocado na margem sul, "expandido a cidade de Lisboa para a região menos saturada", argumento utilizado para a actual localização da Ponte Vasco da Gama.
Mas não! O argumento utilizado para definir a actual localização da PVG, a bem do ordenamento e "contra" o ambiente, não serve para a futura localização do Aeroporto!
Mais estranho ainda é a compreensão do argumento de Mário Lino, que refere-se a uma região a 20 kms do centro de Lisboa como "deserto" o que me leva a questionar se existe melhor localização para um aeroporto do que um deserto a 20 kms do centro económico do país.
Para além disso, e quem conhece o território como reclama o autor do PNPOT, a Península de Setúbal vive problemas gravíssimos de desemprego no sector terciário. Sabendo que um aeroporto emprega, entre directos e indirectos, 15 a 25 mil pessoas, que solução melhor se vislumbra como solução?

Ou será que sou eu que não estou a compreender e os policentros têm que ser litoralcentros?
... Saberá algum dos leitores qual a dimensão da faixa litoral na nossa vizinha Espanha?!

Um monumental equívoco


O imobilismo de Portugal contrasta com a imaginação e ousadia das autoridades de Castela-Leão

Ocasiões existem em que nos vemos obrigados a abordar temas passados, de forma recorrente. É o caso de notícias recentes, veiculadas pela comunicação social, segundo as quais não há contrapartidas nacionais à recente decisão de Espanha em reabrir, numa primeira fase ao tráfego turístico, um troço ferroviário tocando a fronteira de Portugal. Com um orçamento de 25 milhões de euros, aprovado pelo Governo de Madrid, perspectiva-se (2010) a reactivação do troço de 78km, compreendido entre Fuente de San Esteban e Barca de Alva, faltando apenas a reabilitação dos 28km separando a fronteira do Pocinho, para restabelecer-se a ligação directa, do Porto a Salamanca e à Meseta Central, absurdamente interrompida a partir de 1985.

texto completo em Expresso

Augusto Mateus


O Prof. Augusto Mateus deu uma entrevista ao programa Balanço & Contas da RTP2.

Um vídeo a não perder.

Prós & Contras

"As Cidades são como as mulheres!
A beleza que transparecem estão mais dependentes do cuidado que se tem com elas do que da sua beleza natural"

(as palavras não são estas mas julgo ter respeitado o conceito)

Mário Zambujal

Assimetrias


Um estudo da Marktest mostra bem as grandes assimetrias que existem em Portugal. Em 25 concelhos, que representam apenas 6% do território português, está concentrado 50% do seu poder de compra, 45% da população, 47% das empresas, 70% da facturação empresarial, 73% dos impostos do Estado e 78% do crédito bancário.

(...)

"A repartição geográfica do sales index mostra-nos a sua litoralização e a sua concentração num número muito restrito de concelhos", refere a Marktest, adiantando que "25 concelhos apenas concentram mais de metade do poder de compra de todos os 278 concelhos que compõem o Continente".

Neste grupo de 25 concelhos contam-se Lisboa, Porto, Sintra, Oeiras, Vila Nova de Gaia, Cascais, Loures, Almada, Coimbra, Matosinhos, Braga, Amadora, Seixal, Setúbal, Guimarães, Leiria, Gondomar, Santa Maria da Feira, Maia, Loulé, Vila Franca de Xira, Odivelas, V. N. de Famalicão, Viseu e Aveiro.

Destes, 11 concelhos situam-se na área da Grande Lisboa (até Setúbal), 7 na região do Grande Porto e 1 no Algarve. Para além de Leiria e Aveiro, que são concelhos do litoral, apenas 4 são concelhos do interior (Braga, Coimbra, Guimarães e Viseu), sendo três deles capitais de distrito.

Os 25 concelhos com mais poder de compra ocupam 5,8% da área total do Continente e concentram 44,9% da população aí residente. Aqui estão também localizados 47,1% dos estabelecimentos empresariais e 53,3% das suas pessoas ao serviço.

Da mesma forma, concentram 69,7% da facturação das empresas, 73,2% dos impostos cobrados pelo Estado e 61,2% dos impostos autárquicos. Estes 25 concelhos são ainda responsáveis por 62,1% dos depósitos bancários e por 78,2% do crédito bancário concedido.

A lista dos concelhos com maior índice de poder de compra regional é encabeçada por Lisboa, responsável por 11,3% do poder de compra do Continente. O Porto concentra 3,9% deste índice e Sintra 3,3%. Oeiras e Vila Nova de Gaia estão "empatados", com um índice de 2,3%, um pouco acima dos 2,1% de Cascais. Estes seis concelhos concentram, no seu conjunto, um quarto do poder de compra do Continente.



in Jornal de Negócios

Estado é quem mais investe nos SIG

Além das instituições estatais, também as empresas de telecomunicações, banca e utilities começam a recorrer aos serviços georreferenciados disponibilizados a partir da Internet

Os Sistemas de Informação Geográfica (SIG) são uma importante ferramenta de apoio à tomada de decisão e servem de complemento a várias outras aplicações, como sistemas de gestão integrados, business intelligence ou aplicações customer relationship management.

Das inúmeras vantagens que se podem enumerar à utilização dos SIG, a valorização da informação sobre o território nacional para a criação ou implementação de legislação nas mais diversas áreas é um dos factores de destaque. É importante que um Estado conheça a realidade do seu território ao detalhe. Só desta forma é que em muitas situações é possível actuar em conformidade com o interesse público.



Texto completo em Semana Informática

VARIAÇÃO DA POPULAÇÃO E DO PIB DAS REGIÕES NUTS II E NUTS III NO PERÍODO 1991-2003



Com o intuito de ilustrar sinteticamente o desempenho relativo das regiões nos últimos anos, apresenta-se no gráfico anterior um exercício simples de associação, para as NUTS II e NUTS III, entre a taxa de variação média anual do PIB e a taxa de variação média anual da população, ambas no período 1991-2003. Esta ilustração permite constatar que, sendo embora muito variadas as situações representadas, o efeito “dimensão da população” é determinante: como seria expectável, a região
de Lisboa influencia significativamente o comportamento da média nacional, superando mesmo esta em ambas as variáveis. Neste quadrante insere-se também a região do Algarve, revelando a respectiva atractividade e o seu bom desempenho económico. Em contraste, a região Norte mostra um menor vigor no crescimento do PIB, sendo dispersa a localização relativa das respectivas NUTS III. O Alentejo revela, pelo seu lado, alguma homogeneidade no comportamento das sub-regiões, encontrando-se no quadrante menos favorável (com as taxas de crescimento em posições inferiores à média nacional). Com um desempenho favorável em termos de crescimento do PIB, mas apresentando redução em termos populacionais, encontram-se o Centro, os Açores (muito próximos da média nacional em ambas as variáveis) e a Madeira (que evidencia um forte crescimento do PIB e um decréscimo populacional ao longo do período).

In QREN

Manutenção da TAP deslocada para Beja

O investimento da TAP no futuro aeroporto de Beja poderá chegar a 100 milhões de euros, se a oficina de motores acompanhar a manutenção

A unidade de negócio de manutenção e engenharia da TAP está na iminência de trocar a Portela por Beja, de modo a resolver a situação de “estrangulamento de hangares e posições para fazer manutenção de aviões” com que se debate em Lisboa.

O crescimento da frota da transportadora aérea nacional - com mais 14 aviões no espaço de dois anos - já forçou a empresa a recusar propostas para a manutenção de 75 aviões para terceiros, só em 2006, revelou Jorge Sobral, vice-presidente executivo da TAP.

E, como não pode esperar pela construção do novo aeroporto da Ota, a partida para Beja afirma-se como a única solução viável. “A decisão terá de ser tomada até Setembro”, assegura o mesmo responsável.

No aeroporto da cidade alentejana, a TAP criará quatro posições para a manutenção de «wide-bodies» e oito posições para «narrow-bodies». Todos os serviços de engenharia serão igualmente deslocados para Beja, num total de mil efectivos, 400 dos quais recrutados localmente. “Será um pólo de desenvolvimento na região”, prevê Jorge Sobral.

in Expresso


A concretizar-se, este exemplo será revelador das oportunidades de descentralização e descongestionamento da Área Metropolitana de Lisboa

25 concelhos concentram mais de metade do poder de compra em Portugal

Um estudo da Marktest mostra bem as grandes assimetrias que existem em Portugal. Em 25 concelhos, que representam apenas 6% do território português, está concentrado 50% do seu poder de compra, 45% da população, 47% das empresas, 70% da facturação empresarial, 73% dos impostos do Estado e 78% do crédito bancário.

"Uma análise dos dados relativos ao índice de poder de compra regional (sales index) da Marktest, permite verificar como este indicador se concentra num número muito restrito de concelhos. De facto, 25 dos 278 concelhos do Continente concentram metade (50,2%) do índice de poder de compra regional", refere o estudo.

"A repartição geográfica do sales index mostra-nos a sua litoralização e a sua concentração num número muito restrito de concelhos", refere a Marktest, adiantando que "25 concelhos apenas concentram mais de metade do poder de compra de todos os 278 concelhos que compõem o Continente".

Neste grupo de 25 concelhos contam-se Lisboa, Porto, Sintra, Oeiras, Vila Nova de Gaia, Cascais, Loures, Almada, Coimbra, Matosinhos, Braga, Amadora, Seixal, Setúbal, Guimarães, Leiria, Gondomar, Santa Maria da Feira, Maia, Loulé, Vila Franca de Xira, Odivelas, V. N. de Famalicão, Viseu e Aveiro.

Destes, 11 concelhos situam-se na área da Grande Lisboa (até Setúbal), 7 na região do Grande Porto e 1 no Algarve. Para além de Leiria e Aveiro, que são concelhos do litoral, apenas 4 são concelhos do interior (Braga, Coimbra, Guimarães e Viseu), sendo três deles capitais de distrito.

Os 25 concelhos com mais poder de compra ocupam 5,8% da área total do Continente e concentram 44,9% da população aí residente. Aqui estão também localizados 47,1% dos estabelecimentos empresariais e 53,3% das suas pessoas ao serviço.

Da mesma forma, concentram 69,7% da facturação das empresas, 73,2% dos impostos cobrados pelo Estado e 61,2% dos impostos autárquicos. Estes 25 concelhos são ainda responsáveis por 62,1% dos depósitos bancários e por 78,2% do crédito bancário concedido.

A lista dos concelhos com maior índice de poder de compra regional é encabeçada por Lisboa, responsável por 11,3% do poder de compra do Continente. O Porto concentra 3,9% deste índice e Sintra 3,3%. Oeiras e Vila Nova de Gaia estão "empatados", com um índice de 2,3%, um pouco acima dos 2,1% de Cascais. Estes seis concelhos concentram, no seu conjunto, um quarto do poder de compra do Continente.


in Jornal de Negócios

Rede Cidades Medias



O CIUMED, projecto financiado pelo programa comunitário INTERREG IIIB SUDOE, que decorreu entre Janeiro de 2003 e Novembro de 2005, teve como objectivo principal contribuir para a promoção, no sudoeste europeu, de um sistema policêntrico e equilibrado de cidades capaz de transmitir a todos os municípios, por mais pequenos que fossem, os impulsos do desenvolvimento económico e do bem-estar social.

Síndromo da 2.ª Circular

A 2.ª Circular de Lisboa espelha bem a excessiva concentração de serviços que hoje existe na capital do país. As competências têm passado para segundo plano em favor da geografia

Hoje, o desenvolvimento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) permite abordagens inovadoras, facilitando a dispersão geográfica de pessoas e funções trabalhando e contribuindo para o desenvolvimento do mesmo processo. Os chamados BPO (Business Process Outsourcing) e mais recentemente o KPO (Knowledge Process Outsourcing), são exemplos da possibilidade de dispersar serviços dentro ou fora do país.

Exemplo clássico desta abordagem é a localização de «call centers» em cidades onde o custo da mão-de-obra e da logística é bastante mais competitivo que nas grandes cidades.

texto completo em Expresso, autoria de Paulo Nordeste, Vice Presidente Executivo da PT Inovação

Começo aqui!


É com muito gosto que aceito o convite para participar no Inovação & Inclusão, uma vez que o blog retrata temáticas com as quais me identifico.

Deixo aqui uma pequena reflexão que serve, também, como breve apresentação:

Em que medida, as Universidades e outras instituições de ensino superior “do Interior” podem ter um papel fundamental na captação, preparação e fixação de jovens, capazes de dinamizar a região?

Porque, o que de facto, acontece é que chegam muitas vezes por acaso e findo o curso, podem permanecer, caso lhes sejam facultadas condições para tal!

Contas Regionais do INE: Norte perde peso na economia portuguesa

A economia portuguesa cresceu 0,7 por cento em termos médios entre 2000 e 2003, com a região Norte a perder peso no valor da riqueza criada, segundo as contas regionais do Instituto Nacional de Estatística (INE) hoje divulgadas.

Em termos nominais, o produto interno bruto (PIB) subiu 4,3 por cento nos três anos entre 2000 e 2003, e em termos reais (ou seja, descontando a inflação) subiu 0,7 por cento.

O Norte cresceu menos do que a média, perdendo peso no conjunto da riqueza criada internamente, enquanto a Madeira, os Açores, o Algarve e o Centro registaram taxas de crescimento superiores à média. As regiões Norte e de Lisboa representam, juntas, cerca de 65 por cento do PIB português e 63 por cento do emprego total.

Rendimento disponível subiu 4,8 por cento

O rendimento disponível das famílias portuguesas melhorou 4,8 por cento entre 2000 e 2003, crescendo a um ritmo superior ao da economia, segundo as contas divulgadas pelo INE, com dados definitivos para o período 2000-2003 e preliminares para 2004.

O crescimento do rendimento disponível foi mais elevado no Algarve (6,9 por cento) e na Madeira (6,6 por cento) e mais baixo no Norte (4,1 por cento) e Centro (4,5 por cento), com estas duas últimas regiões a afastarem-se da média nacional.

Os dados do Valor Acrescentado Bruto, uma medida do valor da produção, mostra que a importância do sector primário (inclui a agricultura) baixou nesses três anos, tendo aumentado a do secundário (indústria) e terciário (serviços).

Lisboa é única região com riqueza por habitante acima da média da UE

Lisboa foi a única região do país que conseguiu ultrapassar a riqueza média gerada por habitante no conjunto da União Europeia, entre 2000 e 2004, aproximando-se dos 110 por cento, medida em paridades de poder de compra.

As contas regionais hoje divulgadas mostram que Portugal gerou nesses quatro anos uma riqueza (PIB) por habitante de 77 por cento da produzida pela União Europeia a 25 Estados-membros,.

No Norte, uma região com muitas disparidades, o PIB por habitante em paridades de poder de compra não foi além de 62 por cento da média UE, apresentando-se como a região com maior afastamento face aos parceiros comunitários.

Actividades financeiras e imobiliárias absorveram 1/3 do investimento

As actividades financeiras e imobiliárias absorveram mais de um terço (35%) do investimento português em 2003, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) hoje divulgados.

Esta elevada percentagem deve-se sobretudo ao investimento em habitação, segundo o INE, o qual apresenta uma grande disparidade regional (é mais significativo em Lisboa e no Norte).

O segundo grupo de actividades com mais peso no investimento em Portugal foi o de “comércio, alojamento, restauração, transportes e comunicações”, com 22 por cento.

in Público

António Borges critica projectos como Ota e TGV

O economista António Borges criticou quinta-feira à noite a vontade do Governo em construir o aeroporto da Ota e o comboio de alta velocidade TGV.

Perante centena e meia de pessoas, no jantar- conferência da Liga de Amigos da Casa Museu João Soares, em Leiria, o ex-governador do Banco de Portugal, advertiu que «é preciso muito cuidado, porque quando se canaliza a energia do País para certos projectos, está-se necessariamente a descurar outros».
Para António Borges, o nosso problema fundamental «é o das empresas, da competitividade, que é onde temos de apostar e depois, se isso correr bem, então vamos às infra-estruturas».

«Os grandes projectos públicos continuam a ser identificados como sinónimo de progresso. Toda a gente gosta de ter boas estradas, comboios rápidos ou belíssimos aeroportos, mas não é isso que vai resolver os problemas das empresas, da concorrência, da manutenção dos postos de trabalho», reafirmou.

O vice-presidente do banco de investimento Goldman Sachs lembrou que «o país europeu que tem tido mais crescimento económico é a Irlanda, que praticamente não tem auto-estradas, tem um aeroporto que é uma vergonha e não tem um único comboio rápido».

O economista exemplificou também com Inglaterra, país onde vive actualmente, apontando os aeroportos da área de Londres, «onde os aeroportos são uma coisa sinistra, mas eles não constroem novos, quando muito limitam-se a ampliá-los».

Diário Digital / Lusa

Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território (PNPOT)

Elaborada proposta de Lei para discussão e votação na Assembleia da República

Com esta Proposta de Lei, a submeter à aprovação da Assembleia da República, pretende-se aprovar o Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território (PNPOT), o qual, juntamente com a Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável (ENDS), deve constituir o quadro de referência para as diversas intervenções com impacte territorial.

O PNPOT visa dotar o País de uma visão estratégia para as diversas políticas com incidência territorial, constituindo, também, um instrumento de cooperação com os demais Estados-membros para a organização do território da União Europeia.

O PNPOT estabelece, assim, as grandes opções com relevância para a organização do território nacional, consubstanciando o quadro de referência a considerar na elaboração dos demais instrumentos de gestão territorial.

Considerando que o ordenamento do território nacional deve traduzir e apoiar as grandes opções estratégicas definidas para o País, numa óptica de construção de unidade na diversidade, o PNPOT define como objectivos estratégicos a concretizar nos vários níveis de planeamento:

a) Conservar e valorizar a biodiversidade, os recursos e o património natural, paisagístico e cultural, utilizar de modo sustentável os recursos energéticos e geológicos, e prevenir e minimizar os riscos;

b) Reforçar a competitividade territorial de Portugal e a sua integração nos espaços ibérico, europeu, atlântico e global;

c) Promover o desenvolvimento policêntrico dos territórios e reforçar as infra-estruturas de suporte à integração e à coesão territoriais;

d) Assegurar a equidade territorial no provimento de infra-estruturas e de equipamentos colectivos e a universalidade no acesso aos serviços de interesse geral, promovendo a coesão social;

e) Expandir as redes e infra-estruturas avançadas de informação e comunicação e incentivar a sua crescente utilização pelos cidadãos, empresas e administração pública;

f) Reforçar a qualidade e a eficiência da gestão territorial, promovendo a participação informada, activa e responsável dos cidadãos e das instituições.

O programa de acção que integra o PNPOT desenvolve e concretiza estes objectivos estratégicos através de um conjunto de objectivos específicos, de medidas prioritárias e de orientações para os instrumentos de gestão territorial. A execução desse programa de acção será descentralizada a nível regional e sectorial, contando com o envolvimento e a co-responsabilização de todos os Ministérios na prossecução do objectivo comum de ordenar o território de Portugal.

in Portal do Governo

Descentralizar a Inovação

Seria bom haver mais casos no país como o «cluster» das telecomunicações de Aveiro em torno da InovaRia. Emergiu um grupo de PME e atraíram-se multinacionais

Num mundo cada vez mais globalizado, os processos e funções das empresas tendem a localizar-se nos sítios onde a relação custo-benefício é mais atractiva. Esta realidade, que conduz muitas vezes a situações dramáticas de aumento de desemprego, começa a abranger não só as actividades de produção e de serviços de suporte, mas também as actividades de Investigação e Desenvolvimento.

Os grandes fornecedores têm já localizados nos países de maior potencial de crescimento, como a China e a Índia, pólos de I&D que, tirando partido da oferta abundante de quadros qualificados, complementam a capacidade dos centros de competência situados nos Estados Unidos e na Europa.

Assim sendo, para que uma política de atracção de investimento estrangeiro seja credível e sustentável ela terá que conseguir fixar actividades de I&D que garantam a participação das unidades localizadas em Portugal, na cadeia de valor do grupo empresarial a que pertencem.

Portugal terá assim que desenvolver uma estratégia concertada, envolvendo universidades, autarquias, agências governamentais, associações e empresas de referência, que permita criar condições competitivas para a atracção de investimento de qualidade. Esta estratégia implica fazer escolhas sectoriais e regionais por forma a criar a massa crítica necessária para poder competir no mercado mundial.

O «cluster» de telecomunicações existente em Aveiro é um exemplo de que é possível ter sucesso. Tendo como âncora a PT Inovação, o «cluster», hoje organizado em redor da associação Inova Ria, permitiu criar um número significativo de PME de base tecnológica e atrair empresas como a NEC e, mais recentemente, a Siemens. O volume de vendas ultrapassa já os cem milhões de euros, empregando mais de 1000 pessoas, na sua maioria engenheiros e técnicos. Estes quadros são oriundos essencialmente das universidades de Aveiro, Coimbra e Porto.

Seria bom que casos como este se pudessem multiplicar e alargar às diferentes regiões do país.

paulo.nordeste@sapo.pt

in Expresso, Paulo Nordeste

As novas cidades-aeroporto


Os aerotropolis são vistos como uma estratégia de desenvolvimento económico para o século XXI

Os aeroportos são cada vez mais vistos como um motor da economia mundial. “Estas infra-estruturas vão ser determinantes na localização das empresas e dos negócios, assim como no desenvolvimento urbano para o século XXI, tal como as auto-estradas o foram no século XX, os caminhos-de-ferro no século XIX e os portos marítimos no século XVIII”, defende John Kasarda, o grande teórico dos ‘aerotropolis’ (vocábulo que resulta da combinação de aeroporto com metrópolis).

Este professor universitário americano, e director do Kenan Institute of Private Enterprise, advoga que, em vez de se construírem os aeroportos na periferia das cidades para serem o mais possível evitados, devemos antes transformá-los no centro e planear o resto da cidade à sua volta. Os aerotropolis são precisamente isso: cidades cujo centro é o aeroporto, rodeado de centenas de hectares de espaço industrial, escritórios, serviços de logística, hotéis, restaurantes, entretenimento e habitação.


Não é ficção


Apesar do conceito parecer futurista, quase ficção científica, os aerotropolis começam a ser uma realidade: na Ásia vários destes projectos estão em curso em Pequim, Seul, Xangai, Banguecoque e Kuala Lumpur. Nos Estados Unidos, estão planeados aerotropolis em Detroit, Memphis, Denver e Dallas. Na América do Sul, está previsto um em Belo Horizonte, no Brasil. E na Europa, o aeroporto de Amesterdão já começa a ganhar contornos de uma cidade-aeroporto.

Mas qual o grande objectivo dos aerotropolis? Tudo se prende com a evolução do comércio global. John Kasarda afirma que a questão crítica é a competitividade: “O comércio é cada vez mais global e exige maior rapidez de transporte, o que é feito cada vez menos pela via terrestre e mais por meio aéreo. As empresas valorizam mais a rapidez, agilidade e acessibilidade no fornecimento dos seus produtos e serviços aos clientes”, comenta.

Kasarda sublinha que, nos últimos 30 anos, o PIB Mundial cresceu 154% e o valor do comércio mundial cresceu 355%. Mas o valor da carga aérea disparou para um astronómico valor de 1395%.

Hoje 40% do valor económico de todos os bens produzidos no mundo é aerotransportado, assim como 70% de todas as compras feitas pela Internet. Dos vários projectos de aerotropolis em curso, o Dubai World Central é o mais megalómano.

A primeira fase de conclusão do aeroporto deste emirado será em finais de 2008 e terá uma cidade logística com 1,2 milhões de metros quadrados, servido por auto-estradas próprias com fábricas e armazéns para empresas como a Boeing, Caterpillar, Chanel, LMVH, Mitsubishi, Porsche e Rolls-Royce. Num segundo anel, estarão sediadas empresas como a IBM, Microsoft e Oracle.

No terceiro anel, surgirão habitações para 77 mil residentes, servidas de alguns dos maiores centros comerciais do mundo, campos de golfe, torres de escritórios e complexos de entretenimento.


in Expresso, Manuel Posser de Andrade

Ecoline: Conhecer para mudar!

O projecto ECOLINE - Conhecer mais para Mudar melhor traduz-se em três objectivos de níveis diferentes e relacionados entre si:

Objectivo Geral
Fornecer informação sobre ambiente. Disponibilizar essa informação de forma acessível através de aplicações multimédia em português, no sentido de suprir uma carência crónica patente na sociedade portuguesa: o elevado défice informativo em matérias ambientais.

Objectivo Operacional
Contribuir para a comunicação ambiental. Construir uma página on line sobre ambiente, que trate e divulgue informação de diversas proveniências: dados recolhidos na imprensa escrita para o século XX, imagens fotográficas e televisivas, históricas e actuais, e estatísticas de ambiente.

Objectivo Estratégico
Promover a cidadania ambiental. Estimular o maior envolvimento dos cidadãos nas questões ambientais através da criação de um instrumento que permita uma informação diversificada e completa, consistente e acessível, potenciando uma participação pública mais efectiva e eficaz no que diz respeito ao ambiente e qualidade de vida.

Placing Innovation: A Geographical Information Systems (GIS) Approach to Identifying Emergent Technological Activity

Political leaders and economic planners from Albuquerque to Zurich widely recognize that the future economic well-being of their respective regions depends to a significant extent upon the innovative capacity of the people and institutions they attract and retain. Effective policy formulation and program design require at minimum (1) accurate, current and comprehensible information regarding the characteristics of regional innovation systems over time, and (2) indicators that assist in understanding the potential complementarities of public policy and private incentives resulting in desired social outcomes. This project seeks to advance research along both of these dimensions. Specifically, the paper proposes a method for identifying regions with emergent technological capabilities. The method builds upon work by CHI Research that uses patent data to identify nascent technological domains. We present maps of regional innovative capacity constructed from a method that is (1) applied consistently across different spatial scales of analysis, and (2) based on an underlying model of the process of technology development. We identify economic, cultural, and policy determinants of regional innovative capacity and technology entrepreneurship.

by Philip E Auerswald, School of Public Policy, George Mason University, VA, USA

Provedor do Interior

Nos gabinetes alcatifados se enunciam retóricas condoídas sobre as áreas deprimidas, magníficos manifestos, e, todavia, mais força tem, na adversidade, a simples esteva com a sua alva fragilidade rompendo o chão pedregoso, a falha de xisto.

Audio do programa Sinais da TSF.

in TSF, Sinais de Fernando Alves

Expansão Urbana: Costa portuguesa ameaçada



Metade das zonas urbanas do continente estão concentradas em 13 quilómetros de costa, refere um relatório da Agência Europeia de Ambiente (AEA) divulgado esta segunda-feira. «Portugal tem tido um dos mais rápidos crescimentos urbanos da União Europeia»

Os maiores focos concentram-se na linha de costa das áreas metropolitanas de Lisboa/Setúbal e Porto/Viana do Castelo, assim como no Algarve. Locais onde a expansão urbana, entre 1990 e 2000, foi superior a 10%.

A AEA explica que o crescimento é sobretudo residencial e se deve à procura de imigrantes da Europa do Norte e de reformados portugueses.

«A Europa é dos continentes mais urbanizados da terra», cerca de 75% da população vive em áreas urbanas e esse valor poderá crescer para 80% em 2020.

«Diariamente, todos testemunhamos as mudanças aceleradas, visíveis e críticas no uso dos solos que, de uma forma sem precedente, modelam a paisagem e afectam o ambiente no interior e na periferia das cidades», alerta o relatório.

Em Portugal, não faltam exemplos dessas alterações, algumas ainda em discussão, como o Ikea em Gaia ou a plataforma logística no Ribatejo, ambos previstos para uma zona da reserva ecológica nacional.

Se, nalguns casos este crescimento pode ter efeitos benéficos no ambiente- «o consumo de energia tende a ser menor nas áreas urbanas»,o tratamento de resíduos urbanos e de águas residuais também fica facilitado-, por outro lado, nascem novos problemas localmente- poluição atmosférica (na Avenida da Liberdade registam-se as mais altas emissões de CO2 da Europa), ruído, escassez de água potável, dificuldades na gestão de resíduos, ausência de espaços verdes, entre outros.

«A expansão é particularmente evidente em países ou regiões que beneficiaram de políticas regionais e de financiamentos comunitários» e que, para além de terem uma elevada densidade populacional, têm apresentado um «vigoroso crescimento económico», tendo sido esse o caso de Portugal, segundo a AEA.

A agência acusa ainda as actuais políticas de ordenamento de falta de visão de desenvolvimento urbano e de serem demasiado permeáveis às lógicas de mercado. Recorde-se que em Portugal ainda não foi aprovado o programa nacional de política de ordenamento do território.

ioli.campos@sol.pt

in SOL, Ioli Campos

As Cidades e a Inovação


É esta difusão em rede da "inovação" que se pode dinamizar com o projecto da "Capital Europeia da Inovação", reconhecendo que quando se fala de "inovação" está a falar-se de "organizar" objectivamente o processo da "inovação" criando as infra-estruturas necessárias e as redes relacionais adequadas à consolidação duma "pulsão" inovadora através da Europa.

Estamos a falar de uma convergência entre o processo político – a gestão da cidade e das suas áreas de influência – e o processo económico – o reforço das condições de competitividade da região e das empresas nela localizadas.

Artigo interessante que confronta o actual modelo de desenvolvimento com a Estratégia de Lisboa.

Mais uma síntese de conceitos!

Porto perguntas sem resposta?

Elisa, Ferreira, Eurodeputada

Penso não fazer nenhuma revelação especial se disser que gosto muito da minha terra, o Porto, e que tenho imenso orgulho nela. No entanto, tal como acontece frequentemente com os filhos ou com os que nos são muito próximos, a excessiva aproximação reduz-nos por vezes a capacidade de ver as situações em perspectiva; nesses momentos, as opiniões ou reacções de "forasteiros", sejam eles nacionais ou estrangeiros, tornam-se um instrumento insubstituível de auto-conhecimento. Foi o que ocorreu comigo, há dias, ao participar numa reunião que levou à cidade do Porto um número interessante de portugueses cultos e bem informados; são precisamente algumas questões e perplexidades vindas dessas pessoas que fundamentam os comentários seguintes.

Uma primeira consideração, partilhada por quase todos, dizia respeito à qualidade das instalações do novo Aeroporto do Porto. Curiosamente, vivendo maioritariamente em Lisboa, muitos daqueles cidadãos começavam por desconhecer uma das melhores infra-estruturas nacionais. Logo depois veio a nota que já se tornou corrente tal como uma "bela adormecida", o novo aeroporto - limpo, arejado e moderno - exibe amplos corredores vazios, onde os passos e o rolar dos "trolleys" ecoam; e, verdade seja dita, o contraste é mais flagrante quando se tornam cada dia mais desagradáveis os atrasos frequentes e o ar superlotado, pouco cuidado e visual e fisicamente poluído do aeroporto da capital.

Daqueles atentos e activos cidadãos choveram diversas perguntas para as quais não tive resposta e que aqui quero partilhar. Por que é que o tráfego que sobrecarrega o actual aeroporto de Lisboa não é repartido com o Porto de forma a optimizar as duas infra-estruturas? Por que é que o aeroporto do Porto não se especializa em atrair as companhias "low-cost"? Por que é que, sendo o aeroporto do Porto muito mais qualificado que o de Vigo, há aparentemente mais portugueses a apanhar voos internacionais na Galiza do que galegos a fazer o inverso? Que estratégia de promoção do aeroporto do Porto está a ANA a seguir? Não seria recomendável uma autonomia relativa na gestão do aeroporto do Porto, à semelhança do reconhecido sucesso da gestão do porto de Leixões, para que algumas destas ineficiências encontrassem solução? Como irão os processos de privatização previstos influenciar a gestão desta magnífica infraestrutura?

Tantas perguntas rapidamente deram lugar a outras, mais prospectivas. Havendo já sobrecapacidade instalada, continua a justificar-se o novo aeroporto da Ota? E tendo o aeroporto do Porto interface com o metro, o aumento da velocidade ferroviária da ligação Porto-Lisboa e Porto-Vigo não obrigará a rever todo este quadro? Será que a anunciada antecipação da ligação a Vigo acabará por reforçar a atractividade do Porto em relação à Galiza ou será o contrário que vai ocorrer?

De novo, não fui capaz de responder, tal como não sou capaz de entender os valores a que se chegou nos cálculos que inicialmente justificaram que a penalização das SCUT ocorresse só no Norte; como confesso que também não sou capaz de dizer quais os novos projectos estruturantes que, no âmbito da nova fase de apoio da União Europeia, vão ajudar o Norte a sair do seu marasmo e a dar conteúdo à Estratégia de Lisboa na cidade e na região; como igualmente não sou capaz de saber o que será a Administração Pública quando o PRACE estiver implementado e que nível hierárquico terá ela na cidade e na Região…

A verdade, porém, é que temos de ter respostas, como sociedade, para estas e outras questões. Porque, mesmo que pessoalmente possa tentar obtê-las de forma parcelar e individual, em democracia as respostas e as estratégias, as decisões e a respectiva razão de ser têm de ser claras e de fazer sentido aos olhos dos cidadãos em geral.

É também verdade que, como diz o povo, "quem não aparece, esquece". O Porto e a região que naturalmente lidera, o Norte, apresentam um dos maiores índices de desemprego nacional e a tendência mais marcada de declínio a nível nacional, tal sendo uma das infelizes causas para a maior fatia de apoio comunitário que o país vai continuar a receber. Ora, uma região pobre de um país pobre não pode ser laxista nem tímida na defesa dos seus interesses nem, muito menos, dar-se ao luxo de gerir ou deixar gerir mal aquilo que tem de bom. As respostas existem e podem mesmo ser negociadas, desde que as perguntas surjam colocadas de forma clara por quem para tal tem legitimidade ou, mais do que isso, o dever de o fazer...

Elisa Ferreira escreve no JN, semanalmente, aos domingos

Como se reflecte a inovação nas empresas dos distritos de Aveiro, Coimbra e Leiria

Avaliar até que ponto a inovação é transferida para as empresas e incrementa, na prática, a sua competitividade, é o aspecto essencial de um estudo, de âmbito internacional, em que participa o Instituto de Estudos Regionais e Urbanos (IERU) da Universidade de Coimbra. No trabalho que aqui se apresenta, da autoria do Professor Henrique Albergaria, director do IERU, os dados permitem desde já avaliar, ainda que numa fase precoce, a capacidade das empresas dos distritos de Aveiro, Coimbra e Leiria em definir uma estratégia de desenvolvimento assente numa base tecnológica e no grau de integração que a inovação tem no seu tecido empresarial.
«Existe a convicção generalizada de que a inovação é o ingrediente mágico da competitividade e que sem ela nem as empresas sobrevivem facilmente, nem os países conseguem prosperar. Ciente da importância da inovação e procurando aumentar a competitividade europeia, constantemente ameaçada pelos EUA e por alguns países asiáticos, o Conselho Europeu, fixou em 2000 o objectivo de converter a União Europeia, no prazo de 10 anos, na economia baseada no conhecimento mais competitiva e dinâmica do mundo (objectivo que é conhecido como a Estratégia de Lisboa).
Os dados mais recentes revelam que os objectivos associados à estratégia de Lisboa, nomeadamente o de fazer subir até aos 3% as despesas de I&D no conjunto da EU, são inalcançáveis até 2010. Mais grave ainda, existe o risco da EU continuar a perder competitividade face aos seus concorrentes mais directos. Portugal, em particular, tem redobradas razões para investir na inovação dado que a intensidade de I&D no nosso país (1% do PIB) é cerca de metade da média comunitária.
Mas investir em inovação é apenas umas das facetas do problema. Do ponto de vista económico o que interessará, em definitivo, é avaliar até que ponto a inovação é transferida para as empresas e incrementa, na prática, a sua competitividade.
A informação estatística oficial fornece elementos esclarecedores sobre a importância da inovação nas empresas, embora, por motivos de colecta de informação, o tratamento dos dados se efectue à escala nacional, privilegiando-se assim a análise sectorial ou o estudo comparativo dos diferentes países europeus.
No entanto, embora muito menos estudada, a desigual capacidade das regiões em integrar a inovação nos seus tecidos produtivos é um tema que deveria merecer uma atenção particular dada a importância que tem para a elaboração de políticas que visam promover o desenvolvimento regional sustentado.
É essa a perspectiva do projecto ATI – Aglomeração Território e Inovação, projecto internacional financiado pelo programa INTERREG IIIB-SUDOE e coordenado pela Câmara de Comércio e Indústria de Pau-Béarn em que as questões de atractividade do território e da inovação são analisadas à escala regional e infra-regional. Enquanto parceiro do projecto, o IERU começou por desenvolver um trabalho exploratório que consistiu na análise sumária dos distritos do litoral da região Centro (Aveiro, Coimbra e Leiria) na óptica da inovação. É uma síntese desses resultados que aqui se apresenta.
1. A inovação nas empresas: fontes estatísticas

Tão importante quanto saber qual a situação e as tendências a nível nacional é analisar o potencial de inovação e a capacidade que a nível regional as empresas revelam para integrar a inovação na sua actividade. A análise do perfil produtivo dos distritos de Aveiro, Coimbra e Leiria na óptica da inovação a partir dos resultados do CIS (Community Innovation Survey) corrobora essa ideia.
O CIS é um inquérito harmonizado às empresas dos países da UE que permite analisar o seu desempenho em matéria de inovação. Actualmente o CIS vai na sua 4.ª edição mas os dados que aqui se apresentam referem-se ao CIS III cujo período de referência é 1998-2000.
O universo considerado para a realização deste inquérito corresponde ao total de empresas com 10 ou mais trabalhadores e pertencentes aos sectores da indústria e dos serviços.
Para a selecção da amostra e recolha dos dados utilizou-se o método de amostragem estratificada segundo a dimensão das empresas (pequenas, com 10 a 49 trabalhadores, médias, com 50 a 249 trabalhadores e grandes, com mais de 250), e a actividade principal da empresa (3 classes e 42 actividades), pelo que os dados desagregados por distrito não têm representatividade a nível regional. Ainda assim, atendendo ao peso dos distritos analisados no total nacional, os resultados disponíveis permitem tirar algumas ilações relativamente à importância da inovação na actividade das empresas dos distritos estudados, assim como sobre o tipo de inovações introduzidas.
O número de empresas que constituem a população de referência para o CIS III em Portugal foi de cerca de 24.000 empresas, das quais 3.107 no distrito de Aveiro, 889 no distrito de Coimbra e 1.517 no distrito de Leiria.

2. Introdução de processos e produtos novos nas empresas de Aveiro, Coimbra e Leiria

Na óptica do CIS, o requisito mínimo para que se atribua a classificação de inovação é que o produto, processo, método de marketing ou organizacional seja novo (ou significativamente melhorado) para a empresa. Nessa pressuposto, que nos dizem os dados acerca da adopção de processos novos e a introdução no mercado de produtos novos?
Começando pela percentagem de empresas que afirmaram ter adoptado novos processos produtivos entre 1998 e 2000, constata-se que abaixo da média nacional (31,1% de respostas afirmativas), só figura o distrito de Leiria (27,0%). Pela positiva o destaque vai para o distrito de Coimbra que regista 47,6% de respostas afirmativas e depois para Aveiro (37,3%).
No que diz respeito à venda de produtos inovadores entre 1998 e 2000 (Quadro 1), constata-se que são muitas mais as empresas que lançam produtos novos para elas mas que já existem no mercado, do que as empresas que lançam produtos que são novos no mercado. Em ambos os casos o destaque vai para o distrito de Leiria. Assim, neste distrito, 28,7% das empresas declarou ter lançado um produto novo no mercado enquanto que em Coimbra essa percentagem foi de 21,7%, muito próximo da média nacional.
No que se refere ao lançamento de produtos que são apenas novos para as empresas que os fabricam mas que já existem no mercado, verifica-se que o destaque vai novamente para Leiria onde a taxa de respostas afirmativas atinge 40,8%, muito acima de Coimbra (28,7%) e da média nacional (27,9%).

3. Recursos humanos e financeiros afectos à inovação

No que respeita à avaliação dos recursos financeiros que as empresas afectam às actividades de inovação, os dados recolhidos permitem concluir que de todas as actividades consideradas, é na “aquisição de maquinaria e equipamento” que os montantes despendidos pelas empresas são mais avultados, atingindo 89% do total de despesas declaradas pelas empresas sedeadas no distrito de Coimbra (ver Quadro 2). Dos distritos em causa, é em Aveiro onde as despesas com a aquisição de novos equipamentos são menores, apesar de corresponderem a quase metade do total gasto em inovação. Neste distrito assumem particular relevância as despesas com “formação, marketing, projecto industrial e outros procedimentos”, aproximando-se mais da média nacional do que os restantes distritos.
No que diz respeito aos recursos humanos que se dedicam a actividades de investigação e desenvolvimento nas empresas (e medidos em ETI – equivalente tempo inteiro), o total nacional estimado no quadro do CIS III foi de 12.392 ETI. Desse total, 13% fazem parte de empresas localizadas no distrito de Aveiro, 9% localizam-se em Coimbra e apenas 3,3% em Leiria.

4. Mudanças estratégicas e organizacionais

Questionaram-se as empresas acerca de mudanças estratégicas e organizacionais ocorridas no período de 1998 a 2000 (Quadro 3). Constata-se que são as empresas leirienses as que mais inovam na estratégia e nas estruturas organizacionais, embora as empresas localizadas no distrito de Coimbra revele um desempenho satisfatório face à média nacional sobretudo no que diz respeito às mudanças estratégicas.
Na introdução de novas técnicas de gestão sobressaem as empresas de Coimbra, embora tanto Leiria como Aveiro apresentem também resultados superiores à média nacional. As empresas do distrito de Coimbra são ainda as que mais inovam nos conceitos de marketing e na estética dos produtos, apresentando, em ambos os casos, valores claramente acima da média do país.

5. Fontes de informação

Relativamente às fontes de informação de que resultaram sugestões para projectos de inovação o inquérito considera as fontes internas, as fontes de mercado, as fontes institucionais e outras. No Quadro 4 constam para cada tipo de fonte de inovação a percentagem de empresas de Aveiro, Coimbra e Leiria que atribuíram a nota “Alta” à utilização que fizeram da referida fonte.
Constata-se que as fontes internas de inovação, sobretudo as oriundas da própria empresa, assumem um papel preponderante na implementação de inovações já que mais de 35% das empresas nacionais reconhece a sua importância como “Alta”. Em termos regionais, verifica-se que as fontes oriundas da própria empresa são preponderantes e claramente acima da média nacional nos distritos de Aveiro e Leiria. As empresas do distrito de Coimbra revelam a particularidade de utilizarem em larga escala (metade do total) as fontes de inovação internas oriundas de outras empresas do grupo.
Relativamente às fontes de mercado, as respostas obtidas mostram que tanto os fornecedores como os clientes, constituem uma importante fonte de informação para uma elevado percentagem de empresas, com destaque para Aveiro e Leiria, distritos onde a taxa de respostas com a nota “Alta” em relação ao total das empresas está muito acima da média nacional. Os concorrentes, por outro lado, como seria de esperar, são a fonte de mercado a que as empresas menos recorrem.
No que diz respeito às fontes institucionais que as empresas têm ao dispor, designadamente o Ensino Superior e institutos de I&D, públicos ou privados, os dados disponíveis tornam bem evidente a sua fraca utilização. As respostas são muito insatisfatórias, principalmente tendo em conta que nestes distritos estão localizadas duas universidades públicas (Aveiro e Coimbra) e vários outros estabelecimentos de Ensino Superior ou Politécnico. Fica assim bem clara a debilidade das ligações Universidade – empresa para a transferência de conhecimentos e tecnologia, cujos efeitos poderiam ser muito favoráveis ao desempenho das empresas e ao seu posicionamento competitivo.
Nas outras fontes de informação, o destaque vai para as feiras e mostras de produtos, que 41,7% das empresas de Leiria e 37,2% de Aveiro consideraram ser um fonte de inovação “Alta”, percentagens bem superiores à média nacional (25,3%) e à registada no distrito de Coimbra (20,5%). Ao contrário, é diminuta a percentagem de empresários que atribui uma importância elevada às conferências, reuniões e publicações, enquanto fonte de inovação. Neste caso o destaque vai para Coimbra onde apenas 2,4% dos empresários classificaram esta fonte de inovação como “Alta”, percentagem bem abaixo da média nacional (8,6%).
Em jeito de conclusão, importa começar por recordar que os indicadores que definem o posicionamento de Portugal em matérias relacionadas com I&D e com a inovação, colocam o nosso País numa posição pouco invejável no contexto da União Europeia. Esta situação já de si indesejável, reflecte-se aparentemente de forma significativamente diferenciada a nível regional, como o sugere alguns dos apuramentos realizados a partir do CIS III relativos à inovação nas empresas dos distritos de Aveiro, Coimbra e Leiria.
É certo que a amostra do CIS III não foi construída para ser representativa a nível distrital e por isso os resultados aqui apresentados não podem ser interpretados sem esse alerta, embora a dimensão do enviesamento seja significativamente temperada pelo peso económica que os distritos de Aveiro, Coimbra e Leiria têm no total nacional.
Contudo, a insuficiente representatividade dos dados para este nível espacial não compromete os aspectos essenciais da análise, interessando sobretudo, para cada um dos indicadores escolhidos, estimar a ordem de grandeza da diferença dos valores que separam os distritos entre eles e em relação à média nacional.
Assim, assumindo que o principal objectivo da análise é avaliar, ainda que grosseiramente, a capacidade de cada distrito em definir uma estratégia de desenvolvimento assente numa base tecnológica e no grau de integração que a inovação tem no seu tecido empresarial, os resultados apresentados sugerem a existência de situações muito diferenciadas que não deixarão de condicionar fortemente os cenários de desenvolvimento que é possível traçar para o seu futuro».

E ainda...

Doutorado em Economia na especialidade de Planeamento e Economia Regional, Henrique Soares de Albergaria, de 57 anos, é desde 1985 Professor Auxiliar da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e tem leccionado também na Faculdade de Direito, desde 1995 no Curso de Estudos Europeus (Política Regional) e desde 2004 na licenciatura em Administração Pública (Economia Urbana).

Presidente do IERU (Instituto de Estudos Regionais e Urbanos) da Universidade de Coimbra) desde Outubro de 1991, Henrique Albergaria já foi director do INE na Região Centro (1991-2004), representante de Portugal no grupo de trabalho da OCDE sobre Indicadores Territoriais (1999-2004), no grupo de trabalho do Eurostat sobre Estatísticas Urbanas (1999-2002) e presidiu à Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional (1996-2005).

O Instituto de Estudos Regionais e Urbanos (IERU) da Universidade de Coimbra é um organismo interdisciplinar de investigação e formação científicas nas áreas das problemáticas regional e urbana e do desenvolvimento. Constituído em 1986 na dependência directa da Reitoria, assumiu a forma de associação sem fins lucrativos em 24 de Julho de 1992.

Os objectivos principais do IERU são a promoção da investigação científica, a prestação de serviços a instituições públicas ou particulares e o ensino pluridisciplinar de estudos de pós-graduação. Nos anos mais recentes, o IERU tem desenvolvido projectos financiados pelos programas comunitários INTERREG e ESPON, e elaborado estudos para diversos organismos, principalmente Câmaras Municipais.

O IERU, com a Região de Lafões, participa no projecto AGATE (Agricultura, Aglomeração Atlântica & Território), financiado pelo programa europeu INTERREG IIIB - Espaço Atlântico e no qual estão envolvidos parceiros de vários países (Portugal, Espanha, França, Escócia e Irlanda) e que tem, entre outros, os seguintes objectivos: Desenvolver a interdependência entre as zonas rurais e os centros urbanos; promover a cooperação entre os actores locais e as parcerias público-privados; promover a emergência de projectos estruturantes para a região.

O CIUMED, no qual o IERU participa, é um projecto financiado pelo programa comunitário INTERREG IIIB SUDOE, cujo objectivo principal é contribuir para a promoção, no sudoeste europeu, de um sistema policêntrico e equilibrado de cidades, capaz de transmitir a todos os municípios, por mais pequenos que sejam, os impulsos do desenvolvimento económico e o bem-estar social.

O projecto ATI - Aglomeração Território e Inovação, no âmbito do qual o IERU elaborou o estudo que publicamos nestas páginas, visa melhorar o conhecimento dos territórios a fim de concretizar os parâmetros da sua atractividade; procurar as ligações entre a investigação universitária e a investigação aplicada à indústria na rede de cidades médias do Sudoeste europeu, a fim de favorecer e potenciar os grandes eixos de desenvolvimento económico e os recursos locais; integrar as cidades de média na rede de inovação a fim de identificar os seus recursos próprios e o seu potencial de desenvolvimento.


in Campeão das Provincias

Finanças locais


Questão existêncial: Fará sentido aplicar o principio da União Europeia sobre a distribuição de fundos monetários pelas regiões mais desfavorecidos nas leis das finanças locais?

Qual a importância das contribuições do OGE nas finanças autárquicas das duas áreas metropolitanas? Serão essas contribuições imprescindiveis?

Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território: Preâmbulo



Está neste momento em discussão pública o Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território.

Trata-se de um programa a 25 anos que pretende definir métodos e etapas para o ordenamento do território.
A questão que sobressaiu da minha primeira avaliação é que este programa prevê o crescimento das grandes cidades em detrimento do interior do território.

Sendo as grandes cidades um dos maiores entraves ao crescimento do país, face aos custos económicos, logísticos e ambientais que impõem, parece-me ser um programa de premissas erradas.

Será assim tão certo que não teremos nos próximos anos um êxodo urbano? Estarão os empresários e a população tão desatentos à qualidade e baixo custo de vida das médias cidades do interior?

Será que os novos projectos do sector da comunicação e informação, onde se podem incluir a maioria dos call-centers, estarão previstos para as cidades com custos elevados (incluíndo os salariais) quando equiparados às cidades do interior?

Tenho dúvidas. Muitas dúvidas. As tendências das multinacionais são muito esclarecedoras e "PORTUGAL" ainda não percebeu: A relação custos/produtividade da nossa mão de obra está desajustada na economia europeia. Ou trabalhamos esta equação, ou teremos o espectáculo das deslocalizações por muitos anos.

Interioridade: Vantagem ou desvantagem?



A propósito do post sobre a evolução da população de Trancoso, iniciou-se uma interessante discussão que venho retomar.
A questão que se coloca é se, nos próximos 20 anos, a "interioridade" é genericamente um factor de diferenciação positiva ou negativa!
Esta minha dúvida advém da constatação que os decisores nas médias organizações vivem cada vez mais a centenas de kilometros dos seus escritórios, convertendo as tradicionais reuniões em teleconferência ou em conferência telefónica.

Alguns dados que vale a pena revelar: O tráfego rodoviário de ligeiros nas autoestradas revela deslocações para os grandes centros entre as 18 horas de domingo e as 10 horas da manhã de segunda. Tráfego no sentido inverso entre as 18 horas de QUARTA FEIRA e as 24 horas de sexta feira. Sendo que entre quarta e quinta feira fazem o circuito inverso 50% dos automobilistas que na noite de domingo se deslocaram para os grandes centros urbanos.
O intercidades e a Rede Expresso revelam os mesmos dados...
Os empresários nacionais de grandes organizações trabalham habitualmente um a dois dias por semana apartir das suas residências. Tratando-se de empresários que têm conseguido encontrar novas oportunidades de negócio para este periodo de estagnação económica em Portugal, não creio que estejam a "dormir" nesses dias de ausência ás suas sedes profissionais.
A reflexão que estes dados nos merece é se não estamos perante uma nova tendência de êxodo urbano (seiscentas referências em lingua portuguesa) sendo as cidades do interior as beneficiárias desse êxodo.

Por outras palavras, se exemplos como o Burgo Medieval de Colleta Di Castel Bianco (na foto) não irão polvilhar o nosso território nacional.

Poluição



O diário público publicou hoje um artigo sobre os niveis de poluição em Lisboa.

Tenho insistentemente defendido que a concentração em Lisboa de tudo o que é organismo por parte do estado consegue funcionar como alavanca promotora de zonas residenciais tão perversas como Massamá ou Amadora.

Dito isto, para quê palavras?!