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Na rota da inovação

A capacidade de integrar tecnologias e gerar soluções para problemas complexos constitui um nicho de negócio em que Portugal pode ter cada vez mais reconhecimento e visibilidade global.


Não foi por acaso que a Comissão Europeia escolheu Portugal para organizar conjuntamente o primeiro Seminário de Alto Nível sobre boas práticas no âmbito da Agenda de Lisboa. Sob o lema ‘Excelência e Parcerias para uma Europa Inovadora’, uma dezena de boas práticas foram apresentadas. Dessas, duas são portuguesas. A primeira resulta da promoção de condições favoráveis à criação de empresas inovadoras, domínio em que Portugal foi recentemente classificado como ‘Top reformer’ pelo Banco Mundial. A segunda, partilhada com Espanha, é a criação de um Instituto Internacional de Investigação no domínio da Nanotecnologia, que reunirá 200 investigadores de alto nível - 1/3 portugueses, 1/3 espanhóis e 1/3 recrutados a nível mundial.

Também não foi por acaso que Portugal foi escolhido para a realização em Dezembro da Cimeira Europeia de Capital de Risco, na qual 200 investidores e instituições de investimento de toda a Europa discutirão tendências emergentes nos mercados das biotecnologias, das tecnologias da informação e da energia e interagirão com 150 empresas inovadoras - entre as quais 50 portuguesas - em busca de financiamento. Esse evento, que congrega em simultâneo quatro iniciativas no domínio do capital de risco e um concurso de empresas inovadoras, marca uma nova etapa na relação da economia portuguesa com as faixas mais dinâmicas da economia europeia e mundial.

O desenvolvimento acelerado do processo de globalização colocou Portugal - uma pequena economia aberta e fortemente exposta ao comércio internacional - perante um extraordinário desafio de modernização. Sem poder continuar a competir com base nos baixos custos dos factores de produção e sem dispor de uma base de qualificação capaz de fazer a diferença, Portugal apostou numa agenda de inovação e de modernização tecnológica, de forma a poder intervir no jogo da competitividade em pé de igualdade com as economias mais desenvolvidas.

Com o Plano Tecnológico e a resposta estimulante que instituições e sociedade civil têm dado à sua agenda, Portugal pode ambicionar ter de novo uma palavra a dizer como território de oportunidade e inovação. Na recente visita a Espanha, o Presidente da República surpreendeu o Rei de Espanha oferecendo-lhe um produto inovador de concepção portuguesa. Aí testemunhei como muitos empresários portugueses inovadores surpreenderam os espanhóis pela qualidade dos seus projectos e propostas de negócio. A capacidade de integrar tecnologias e gerar soluções para problemas complexos constitui um nicho de negócio em que Portugal pode ter cada vez mais reconhecimento e visibilidade global.

in Expresso, Carlos Zorrinho, Coordenador Nacional da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico