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Desafios para a globalização

Portugal deveria ter a ambição de se tornar um centro de excelência, atraindo talento de todo o mundo em áreas tecnológicas avançadas
As mudanças que se observam em múltiplas e diversificadas actividades económicas a nível mundial têm em comum a utilização do conhecimento e inovação como factores de competitividade. Enquanto que o valor económico do conhecimento depende da sua maior ou menor adequação às actividades geradoras de produtos e serviços, a relevância da inovação depende da sua maior ou menor adequação para os diferenciar.

Conhecimento e inovação com estas características só podem ser alicerçados num sistema de educação de alta qualidade e nivelado internacionalmente. A educação de nível superior terá que conceder prioridade aos domínios tecnológicos que suportam as indústrias de conhecimento intensivo e atribuir-lhes papel catalizador do desenvolvimento económico nacional. Será com o conhecimento e a inovação, mais do que com a intensidade de capital ou o custo de mão-de-obra, que será conquistada a competitividade internacional.

A rápida modernização do tecido industrial nacional de base tecnológica e, em particular, a emergência de sectores tecnológicos não tradicionais, requer a existência de condições estruturantes que garantam capacidade de engenharia, em quantidade e qualidade. Perante o desafio de terem que crescer rapidamente por força da dinâmica da competitividade mundial, as novas empresas tecnológicas serão inevitavelmente confrontadas com a necessidade de assegurarem um elevado e constante «in-flow» de engenharia de alta qualidade. A alternativa à dificuldade de se encontrar a curto e médio prazo a capacidade de engenharia nacional necessária só poderá ser o recurso à utilização de capacidade de engenharia estrangeira. Portugal deveria ter a ambição de se tornar num centro de excelência para a atracção de capacidades e talentos internacionais em domínios tecnológicos avançados, pelo impacto que resultaria na sustentabilidade a curto e médio prazo das novas empresas que ambicionam competir à escala global.

A não materialização deste objectivo conduzirá inevitavelmente à deslocalização internacional de centros de investigação e desenvolvimento para grandes centros de produção de engenharia altamente qualificada, de que são exemplos mais paradigmáticos a Índia e a China.

O desafio é grande, mas ainda maior será o impacto negativo que poderá ter para a sustentabilidade de um novo tecido industrial emergente em Portugal a incapacidade de o alimentar com a matéria-prima estratégica que o capital humano representa. Este desafio deverá representar um enorme estímulo para que ocorram muito rapidamente mudanças significativas promovidas por políticas de desenvolvimento acelerado de recursos internos e, sobretudo, de captação de recursos externos.

CEO da Chipidea

in Expresso, Epifânio da Franca