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A aventura

Sinto a necessidade de formular um desejo limitado ao meu país, não facilmente definível, e que certamente ultrapassará o período de um ano. Desejo que ‘a aventura’ passe a ser o estado de espírito dominante dos portugueses.

Portugal enfrenta hoje uma competição internacional inescapável. A visão só pode ser uma: vencê-la. As nossas empresas têm que dominar globalmente nos mercados em que actuam. Temos que criar e vender produtos a essa escala.

Esta visão é ainda um sonho. Temos que o realizar para que não se transforme numa alucinação.

Algumas empresas estão preparadas para estes desafios. Mas a maioria dos portugueses não foram educados para eles. As nossas universidades criam empregados e não empreendedores. O conforto é mais desejado do que a aventura.

O grande desafio para o próximo ano é iniciar a reforma das universidades. As universidades têm que mudar os sistemas de governação e de gestão. Mas estes sistemas devem ser desenhados com um objectivo simples: recrutar os melhores professores e deixá-los à vontade.

Os melhores professores são os que ensinam e investigam na fronteira. São eles que atraem os melhores estudantes e os formam para a liderança científica e empresarial.

Os melhores professores são também aqueles que mais desejam e que melhor sabem utilizar a liberdade. Os sistemas de gestão devem ser desenhados para que a liberdade seja o valor primordial da Universidade.

Neste momento, as nossas melhores universidades têm corpos docentes envelhecidos. Entretanto, o país financiou a formação de milhares de jovens cientistas nas melhores universidades do mundo. Portugal começa também a ser atractivo para jovens investigadores de outros países.

Para contratar estes jovens talentos vão ser necessários recursos financeiros que as universidades só vão poder obter através de receitas próprias. Neste domínio, vão ter que profissionalizar a angariação de fundos.

A mudança na Universidade simbolizará o rejuvenescimento da sociedade portuguesa. Confio nas novas gerações de universitários para a criação de um ambiente de aventura intelectual que transforme Portugal.

Este processo não pode ser mais adiado. Tem que ser iniciado em 2007.

in Expresso, António Câmara