Novos Povoadores

Apoiamos familias metropolitanas a instalar negócios em territórios rurais

"Portugal não é Plano" por @jaimequesado

Segundo um estudo da ONU, em 2015 a Região da Grande Lisboa vai comportar 45,3% do total da população do país, tornando-se a terceira maior capital metropolitana da União Europeia, logo a seguir a Londres e Paris.
Apesar da tónica colocada no desenvolvimento do interior, através de inúmeras acções de política pública, como é o caso do programa Pólos de Competitividade, o certo é que o tempo passa e Portugal parece não conseguir fugir ao destino de ser um país que ainda não conseguiu ser plano no jogo da grande competição global.
Os dados do estudo Prospectivas de Urbanização do Mundo, do Departamento dos Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas, são muito claros.
Além dos 45,3% de concentração da população portuguesa na Grande Lisboa (aumentando o número de habitantes de 3,8 milhões em 2000 para 4,5
em 2015), também a Área Metropolitana do Porto vai ter um crescente peso na demografia portuguesa, destacando-se em 2015 claramente como a segunda maior área urbana do país com 23,9% do total da população.
Ainda segundo o mesmo estudo, nas zonas rurais permanecerão apenas 22,5% da população e nas outras áreas urbanas vão viver apenas 8,3% dos portugueses.
Apesar da relativa reduzida dimensão do país, não restam dúvidas de que a aposta numa política integrada e sistemática de cidades médias é o único caminho
possível para controlar este fenómeno da metropolização da capital que parece não ter fim.
O papel das universidades e institutos politécnicos, que, nos últimos 20 anos, foram responsáveis pela animação de uma importante parte das cidades do interior, está esgotado. A política pública tem a responsabilidade de dar o mote e marcar a agenda.
Iniciativas como as Cidades e Regiões Digitais, Acções Inovadoras de Base Regional, entre outras, têm tido o incontornável mérito de colocar estas temáticas na agenda nacional.
Mas engane-se quem pense que serão capazes por si só de alterar o panorama global. O que está verdadeiramente em causa em tudo isto é a assumpção por parte do país de um verdadeiro desígnio estratégico de alterar o modelo de desenvolvimento.
Neste contexto, a questão surge então - que Pólos de Competitividade deverá o país privilegiar e de que forma deverão ser operacionalizados ao longo do território?

São conhecidas nesta material várias experiências internacionais, que vão da Finlândia ao modelo francês, passando pelo modelo de organização consolidado nos últimos anos em Espanha, através das Regiões Autónomas.
Não há soluções universais e deve ser atenta nesta matéria
a particular especificidade do nosso país e as competencies centrais de que dispõe.

Seria muito mau para Portugal e para os portugueses que, em 2015, 45,3% da população se concentrasse na Grande Lisboa.

Portugal tem que lutar por ser plano e isso corresponde mais do que nunca a uma exigência colectiva.

É por isso fundamental que a aposta concreta em projectos de fixação de riqueza e talentos nas cidades médias portuguesas tenha resultado. É um objectivo que não se concretiza meramente por decreto. É fundamental que a sociedade civil
agarre de forma convicta este desígnio e faça da criação destas ‘Novas Plataformas de Competitividade’ a verdadeira aposta
estratégica colectiva para os próximos anos.
Só assim se conseguirá evitar que Portugal se torne um país ‘dual’, incapaz de consolidar uma coesão territorial e social essencial na estratégica de afirmação colectiva como um país desenvolvido no novo mundo global. O ano que agora começa vai ser decisivo nesta matéria.

Donde o percurso tem que ser claro. Tornar Portugal um país plano com uma participação assumida por parte das elites e uma convergência de todos.

Jaime Quesado, Gestor do Programa Operacional
Sociedade do Conhecimento

in Expresso, 6 de Janeiro de 2007