Novos Povoadores®

Apoiamos a instalação de negócios em territórios rurais

"Eu vivi muitos anos em Lisboa!"

Não é todos os dias que escutamos esta frase TRÊS vezes de diferentes pessoas.
O dia começou na Loja do Cidadão de Viseu, balcão da Portugal Telecom. Dois postos de atendimento, sendo que um disponivel e o outro com duas pessoas em espera. "Oh Ana Paula, podes atender mais este senhor que tem um pedido pendente?!", exclamava a colega que mais uma vez suspeitava que aquele cliente "ia dar água pela barba".
E a Ana Paula lá ia resolvendo os assuntos, ao telefone com a "Marta" de Lisboa, ultrapassando as "dúvidas" que existiam nos diversos pedidos.
No final exclamou: "Eu vivi muitos anos em Lisboa!" Conheço bem a empresa porque já passei por outros serviços.
Achei curioso e continuei o meu dia dedicado à burocracia.
Á tarde, na Repartição de Finanças de Trancoso, fico a saber que mais duas funcionárias daquele serviço, para além de uma terceira que já sabia, também fugiram do stress citadino!

A tónica comum a esta gente é a capacidade de pegar num assunto, aparentemente complicado, com a determinação de o resolver após alguns minutos de contactos "com quem tiver de ser": Sem receios de perturbar a hierarquia.

No final pergunto: Será que a DGOTDU continua a considerar estranho e pouco previsivel o fenómeno do "Exôdo Urbano"?

Desconheço os dados estatísticos, mas algo me parece estranho.

Lisboa mais pobre


LISBOA foi a região da Europa que mais empobreceu entre 2001 e 2003. De acordo com as estatísticas para as regiões NUTS II divulgadas na passada segunda-feira pelo Eurostat, o produto interno bruto (PIB) «per capita» em paridade de poderes de compra da região da capital portuguesa foi o que mais se afastou da média europeia neste período.

A riqueza média por habitante recuou 11 pontos percentuais e estava, no final de 2003, nos 104,3% da União Europeia. Este valor é mesmo inferior ao registado oito anos antes, em 1995, quando o PIB «per capita» da região de Lisboa representava 106,6% do nível médio europeu.

Um recuo que, em larga medida, se deve ao fraco desempenho económico português ao longo destes três anos. A economia nacional apresentou um acentuado abrandamento a partir de 2001 e, em 2003, entrou mesmo em recessão com uma contracção do produto de 1,1%. Embora Lisboa esteja acima da média da União Europeia alargada, continua abaixo da média dos Quinze e ainda muito longe das regiões mais ricas do Velho Continente. No topo da lista está a região de Bruxelas com quase três vezes o PIB por habitante da média da UE (277%). Igualmente bem classificados no «ranking» dos mais ricos da União Europeia estão as regiões do Luxemburgo, Paris, Londres e Hamburgo que apresentam todas níveis de riqueza «per capita» acima do dobro da média.

Entre as zonas mais dinâmicas da Europa destacam-se quatro regiões gregas a crescer mais de 10 pontos percentuais da média europeia entre 2001 e 2003, o Luxemburgo que registou o maior aumento neste período e a zona de Bratislava, na Eslováquia, cujo rendimento «per capita» ganhou 8,9 pontos percentuais à média europeia.

Os problemas económicos nacionais não se esgotam, no entanto, na região de Lisboa que continua a ser, apesar de tudo, a mais rica de Portugal. Na lista das dez maiores divergências entre 2001 e 2003 estão mais três zonas portuguesas, nomeadamente Algarve, Norte e Centro que apresentaram diminuições do PIB por habitante em percentagem da média europeia de, respectivamente, 6,5%, 6,4% e 5,8%.

No conjunto das cinco regiões portuguesas continentais consideradas na classificação NUTS II, que correspondem às áreas de Coordenação Regional e que são consideradas para efeitos de fundos comunitários, apenas o Alentejo não está entre as mais afectadas. A região alentejana perdeu, ainda assim, quase 6 pontos percentuais face à média europeia e apenas ultrapassava os Açores e o Norte no final de 2003, em termos de riqueza criada por habitante. Os Açores e a Madeira também se afastaram da Europa entre 2001 e 2003. O arquipélago presidido por Alberto João Jardim passou de um PIB «per capita» de 92,3% em 2001 para 90,4% em 2003, enquanto nos Açores a queda foi de 64,5% para 61,1% nestes três anos.

Na Península Ibérica, só as sete regiões portuguesas - as cinco do continente e as duas autónomas - e uma espanhola divergiram da média europeia . Tudo isto devido ao elevado dinamismo da economia espanhola que, ao contrário de Portugal que tem estado praticamente estagnado, tem apresentado taxas de crescimento acima dos 3% nos últimos anos.

Apesar do tombo da região de Lisboa, a zona da capital continua bastante distante das restantes nacionais e a ser uma das mais ricas da Península Ibérica. Na desagregação NUTS III, que divide Portugal em quase trinta regiões, a zona de Lisboa apresenta um rendimento acima de 120% da média europeia e ultrapassa mesmo cidades como Barcelona.

in EXPRESSO, João Silvestre

Málaga é modelo na tecnologia


EM QUINZE anos, a província de Málaga alterou a sua especialização produtiva implantando a economia do conhecimento no seu dia-a-dia.

O «milagre» deveu-se à criação em 1992 do Parque Tecnológico da Andaluzia (PTA), nos arredores da cidade de Málaga, terra natal de Pablo Picasso. No ano passado, o PTA facturou mais de 1000 milhões de euros (mais do que o Taguspark, o maior parque tecnológico português) através das 375 empresas e entidades ali sediadas, a maioria das quais nasceu ali. Só nos últimos doze meses, foram criadas 100 «start-ups».

De uma zona agro-turística, inserida na conhecida Costa del Sol andaluza, o PTA mudou radicalmente a paisagem económica, equivalendo hoje a ¼ do PIB gerado pelo turismo e representando 1,5 vezes o produto gerado pela agricultura local. Este papel de mudança valeu-lhe ser considerado, internacionalmente, como modelo de pólo tecnológico em regiões menos desenvolvidas. «Representamos, de facto, um exemplo de como se pode transformar toda uma região, criando um ambiente de inovação e de economia do conhecimento onde anteriormente nada existia», afirmou ao EXPRESSO Felipe Romera Lubias, director-geral do PTA, que é, também, presidente da Associação dos Parques Científicos e Tecnológicos de Espanha (APTE). O próprio impacto em toda a Andaluzia (7,3 milhões de habitantes) é significativo - o investimento privado em Investigação & Desenvolvimento (I&D) no pólo tecnológico representa 25% de todo o investimento empresarial na região andaluza,

O PTA criou «excelente visibilidade tecnológica numa região que não o era de todo», sublinha Romera, que acrescenta: «Se em alternativa tivéssemos investido no turismo os 150 milhões de euros de fundos públicos - 25% de um total de 600 milhões investido no parque desde 1992 -, duvido que os resultados viessem a ser semelhantes. Não creio que criássemos um novo sector de desenvolvimento, o do conhecimento, que tem muito mais valor acrescentado do que os sectores tradicionais».


Líder em Espanha



O peso tecnológico do PTA é hoje reconhecido em Espanha: lidera em número de projectos de I&D financiados por fundos públicos em parques tecnológicos e ocupa, por ora, o primeiro lugar em investimento público, logo seguido pelo Parque de Investigação Biomédica de Barcelona (que abriu em Maio deste ano e que já mobilizou uma verba de 110 milhões).

O modelo é, por isso, «cobiçado» na América Latina e no Magrebe. «Mais do que os nossos êxitos em transformar uma região agro-turística, procuramos transmitir-lhes os nossos erros, para que não os repitam», conclui Felipe Romera.


in Expresso, Jorge Nascimento Rodrigues

Comparação em números
PTA Málaga

375 empresas instaladas
€1000 milhões de facturação anual
8600 trabalhadores
€600 milhões de investimento privado e público

Taguspark Oeiras

160 empresas instaladas
€900 milhões de facturação anual (inclui parte do BCP)
8000 trabalhadores (incluindo BCP)
€400 milhões de investimento

A Rede Social

É necessária uma estratégia intelectual baseada nos actores de conhecimento

A NECESSIDADE de uma «sociedade em rede» em Portugal volta a estar em cima da mesa. Em tempo de clarificação do ideal europeu com a validação referendária da constituição em andamento, a análise de números recentes de comportamento do Investimento Directo Estrangeiro, a consolidação da mensagem da necessidade da aposta na inovação e conhecimento, confirma a oportunidade da bandeira tecnológica como o grande referencial de actuação. Ou seja, «revisitar» Manuel Castells seis anos depois, com uma matriz social mais amadurecida e um patamar de organização empresarial alterado.

A lição de Castells foi clara - há que apostar nas «competências centrais» do país, desenvolver uma cultura de qualidade e rigor com efeito escala na produtividade empresarial alavancada na excelência dos talentos e na boa articulação com os «Centros de Competência». Mais disse o professor de Berkeley que era importante fazer desta «lógica estruturada de intervenção» um instrumento central de qualificação estratégica dos diferentes segmentos do «tecido social», conferindo-lhe uma lógica de vitalidade adaptada às dinâmicas de mudança da globalização.

A Educação tem que ser a grande «ideia» para o país. Na «escola nova» de que o país precisa, tem que se ser capaz de dotar as «novas gerações» com os instrumentos de qualificação estratégica do futuro. Aliar ao domínio por excelência da Tecnologia e das Línguas, a Capacidade de com Criatividade e Qualificação conseguir continuar a manter uma «linha comportamental de justiça social e ética moral», como bem expressou recentemente Ralph Darhendorf em Oxford.

Tem que se ser capaz de desde o início incutir nos jovens uma capacidade endógena de «reacção empreendedora» perante os desafios de mudança suscitados pela «sociedade em rede»; os instrumentos de modernidade protagonizados pelas TIC são essenciais para se desenvolverem mecanismos auto-sustentados de adaptação permanente às diferentes solicitações que a globalização das ideias e dos negócios impõe. Esta nova dimensão da educação configura desta forma uma abordagem proactiva da sociedade ao abordar a sua própria evolução de sustentabilidade estratégica.

Os «Centros de Competência» do país (Empresas, Universidades, Centros de I&D) têm que ser «orientados» para o valor. O seu objectivo tem que ser o de induzir de forma efectiva a criação, produção e sobretudo comercialização nos circuitos internacionais de produtos e serviços com «valor» acrescentado. Só assim a lição de Michael Porter entra em acção.

A «internalização» e adopção por parte dos «actores do conhecimento» de práticas sustentadas de racionalização económica, a aposta na criatividade produtiva e na sustentação duma «plataforma de valor» com elevados graus de permanência é decisiva.

A cooperação estratégica entre sectores, regiões, áreas de conhecimento, campos de tecnologia, não pode parar. Vivemos a era da Cooperação em Competição e os alicerces da vantagem competitiva passam por este caminho. Sob pena de se alienar o capital intelectual de construção social de valor de que tanto nos fala Anthony Giddens neste tempo de (re)construção.

Na economia global das nações, os «actores do conhecimento» têm que internalizar e desenvolver de forma efectiva práticas de articulação operativa permanente, sob pena de verem desagregada qualquer possibilidade concreta e efectiva de inserção nas redes onde se desenrolam os projectos de cariz estratégico estruturante.

Importa uma «estratégia intelectual» para Portugal. A desertificação do interior, a incapacidade das cidades médias de protagonizarem uma atitude de catalisação de mudança, de fixação de competências, de atracção de investimento empresarial, são realidades marcantes que confirmam a ausência duma lógica estratégica consistente.

Não se pode conceber uma aposta na competitividade estratégica do país sem entender e atender à coesão territorial, sendo por isso decisivo o sentido das efectivas apostas de desenvolvimento regional de consolidação de «clusters de conhecimento» sustentados.

in Expresso, Francisco Jaime Quesado, Gestor do Programa Operacional Sociedade do Conhecimento

VER e chorar por mais!

Encontrei recentemente o blog Finisterra.

Visita obrigatória para quem aprecia o meio aquático.

Lisboa foi a única região que não contribuiu para o aumento da taxa de emprego

Subtítulo do semanário Expresso do artigo "Mais 53 mil postos de trabalho".

Terminou no passado dia 9 de Agosto a discussão pública do PNPOT, onde se prevê o crescimento das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto nos próximos 25 anos.
aqui expliquei os motivos pelos quais essa perspectiva não faz sentido.

Mas hoje o Semanário Expresso revela esta informação que partilho com os visitantes. Na minha opinião, o puzzle começa a fazer sentido.

Inovação e Inclusão: Iniciativa Privada Precisa-se!


O interior do país vive maioritariamente um regime comunista. O estado assume todas as iniciativas por falta de quorum da iniciativa privada.
A minha última surpresa foi uma empresa de catering com capitais públicos. E obviamente capitalizada!
Existindo mão de obra de baixo custo no interior, muitas iniciativas poderiam proliferar a par da formação/especialização de trabalhadores.

Mas o que encontramos é estranho: Desemprego na actividade agricola e indústrial e falta de mão de obra para estabelecimentos comerciais que tenham horários alargados de funcionamento. "Ás 18:00 tenho que estar em casa para fazer o jantar ao meu marido; No fim de semana não trabalho"

...Será que não é o protecionismo municipal a preverter a competitividade das "suas" empresas locais?

À beira dos limites

Este artigo, publicado hoje no Expresso, poderia bem ser o editorial deste blogue.

"OS SINAIS são visíveis de que o modelo de crescimento em que o mundo tem vivido desde a Revolução Industrial caminha para o seu colapso nos próximos 50 anos, se uma mudança de políticas não for seriamente implementada e mantida. O mundo arrisca-se a forçar os seus limites físicos. O que se passa hoje em torno do pico do petróleo é um exemplo, face à emergência de potências económicas populosas que se transformaram de «pigmeus» no consumo de energia em máquinas «energívoras». O disparo do número e impacto dos desastres naturais ocorridos anualmente é outro aviso. Em menos de 20 anos poderá ser a vez da produção total alimentar atingir o seu pico. As tendências desenhadas em Limites ao Crescimento, o relatório do Clube de Roma de 1972, consideradas na altura catastrofistas e insensatas, parecem mais realistas do que nunca, recorda o economista Dennis Meadows, um dos seus autores.

«Infelizmente o mundo tem-se movido pelos caminhos dos nossos piores cenários de então. É ainda cedo para julgar a 100% se estávamos certos ou errados nas principais conclusões que tirámos em 1972, pois nenhuma das nossas projecções mostrava paragem do crescimento antes do período 2030-2050. Mas os sinais estão diante de nós», refere ao EXPRESSO Dennis Meadows, 64 anos, que confessa estar hoje mais pessimista do que há 34 anos atrás. «Enfrentamos o risco de uma série de picos. Na altura, não especificámos o caso do petróleo. Mas é um bom exemplo de um importante limite. Também não referimos o caso do gás natural, que poderá atingir o seu pico daqui a 20 anos, pelo que não é uma solução de longo prazo», adianta. O preço alto de algumas «commodities» e as guerras pelos recursos e pontos logísticos estratégicos começam a ser hoje «reguladores» à bruta desse desequilíbrio estrutural.

O relatório de 1972 baseou-se num modelo computacional - baptizado de «World3» - inspirado na teoria da dinâmica de sistemas de Jay Forrester, o cientista do Massachusetts Institute of Technology (MIT) que influenciou o grupo de quatro jovens investigadores em que participava Dennis, a sua mulher Donella (já falecida, e a quem se atribui a liderança do projecto), Jorgen Randers e William Behrens. O modelo originou 12 cenários que traziam uma mensagem clara: «As tendências actuais de crescimento não são sustentáveis. A população global e a actividade económica crescem de um modo exponencial que levará a ultrapassar os limites físicos dos recursos, que são finitos». A equipa do MIT não poderia sequer imaginar os efeitos do que viria a acontecer anos depois - a gestão política do petróleo, o início das reformas económicas na China em 1978, o colapso da União Soviética e a abertura a um novo alargamento da economia de mercado no mundo e a mudança de política económica na Índia em 1991.

Esta dinâmica de stresse sobre os recursos, se não for invertida, terá efeitos económicos dramáticos duráveis. «É um ciclo que se auto-alimenta», conclui Dennis Meadows."


In EXPRESSO, Jorge Nascimento Rodrigues

TÍTULOS PERIGOSOS! Alguém devia já ter clarificado ...



Texto da autoria de José Palma Rita, publicado no Largo das Alterações

"O défice de qualificação da nossa população activa é bem conhecido de todos: bastante superior ao dos restantes países da UE e da OCDE, tal como atestam as estatísticas periódicas dos mesmos. Perante tal evidência consensualizada, como é possível que se permita que a comunicação social interprete abusivamente (isto é, oportunamente do ponto de vista comunicacional) as conclusões de um estudo sobre os resultados da formação profissional em termos de empregabilidade, sem que alguém venha a terreno esclarecer como estão erradas a induções construídas a partir de conclusões telegráficas?
Tenho dificuldade em aceitar como supostamente verdadeiros (porque publicamente apresentados e não contestados) os títulos de notícias que levam os jovens, adultos, empregados e desempregados deste país a julgar que não vale a pena apostar no aumento das suas qualificações, quando sabemos que:
O desemprego continua ainda assim a afectar mais os que se situam nos escalões mais baixos de qualificação;
Os detentores de qualificações dos níveis superiores tendem a estar menos tempo na situação de desemprego, aproveitando mais facilmente as oportunidades induzidas pelos ciclos de recuperação da economia.
É muito perigoso permitir (passivamente) fazer crer que, em Portugal, a formação profissional não garante emprego e que é inútil para quem a frequenta, nomeadamente na óptica da procura de emprego e da redução do tempo de permanência no desemprego.

Por dever de consciência, permito-me fazer aqui um exercício hipoteticamente explicativo dos resultados brutos do estudo, os quais ampliaram (não correctamente) vários órgãos de comunicaçao social, tendo em conta que se trata apenas de um exercício explicativo, sujeito a contestação séria e fundamentada (não em conversa de seminários para preencher curriculum, em títulos académicos para progressão na carreira ou idiotice politiqueira). À séria mesmo.

O perfil do formando-tipo do estudo revela um público adulto e feminino, que vive acima do Tejo (povoamento urbano e certamente metropolitano), a que se deve juntar o facto de deterem qualificações ao nível do ensino superior, de onde decorrem várias hipóteses de explicação do desajustamento entre a formação recebida a (falta) empregabilidade imediata:

São adultos os ex-formandos porque terminam as licenciaturas e mestrados cada vez mais tarde (porque os fazem de seguida), sendo mais tardia a sua entrada no mercado de trabalho;
Muita da formação de base (ministrada pelo IEFP) aos casos em que o inquérito revela dificuldades de inserção no mercado de trabalho foi dirigida a este tipo de públicos ao abrigo dos programas Fordesq e FAQ (Formação de Activos Qualificados);
São as mulheres que mais frequentam as licenciaturas que maiores excedentes têm gerado no mercado de trabalho (ciências sociais e humanas, direito, …), com proporções cada vez maiores face aos homens (entre 60% a 70%);
Uma boa fatia deste tipo de público é portador de licenciaturas via ensino (daí a resposta de que a formação recebida não tenha contribuído em nada para encontrarem emprego), que foram obrigados(as) a frequentar uma formação cuja filosofia foi à partida mal definida (numa lógica de reconversão de qualificações longas para outras profissões, em pouco tempo, sem resultados, como pode comprovar-se em boa parte dos casos, nomeadamente no caso dos públicos apetrechados com formação para ensino);
A formação dirigida a licenciados desempregados foi sempre mal encarada pelos seus destinatários e apenas legitimada nos casos em que os mesmos estavam a receber subsídio de desemprego (obrigados a ir para a formação). Como o subsídio de desemprego tinha sido conseguido há pouco tempo e como a formação profissional suspende o subsídio de desemprego sem queimar o tempo atribuído inicialmente, finda a mesma formação, foi retomado o subsídio pelos destinatários, até ao final, sem perigo de o perderem em consequência de oferta de emprego compatível (a qual apenas se aplica no caso de docência, situação que não aconteceu até aos novos concursos de ingresso no Ministério da Educação);
A falta de experiência dos recém-licenciados também não ajuda a, num momento de recessão do mercado de trabalho, encontrar emprego, mesmo que seja depois de frequentar formação profissional que não era complementar, como se viu atrás (apesar de adultos, muitos são candidatos a primeiro emprego ou pouco mais que isso: pouca experiência de trabalho e, quando tal acontece é na área do ensino, o que não é relevante para o mercado de trabalho, ele próprio também cada vez menos empregador de forma estável – esta é uma variável não clarificada suficientemente aqui, continuando a falar-se em emprego e não em trabalho, desprezando coisas como a empregabilidade por conta própria, que deveria traduzir expressões mais notórias do que acontece, confirmando mais uma vez o peso das licenciaturas de via ensino);
Como a frequência de formação para encontrar emprego era a principal motivação, segundo o estudo, perante o desajustamento existente entre a oferta e produção do sistema de ensino superior e do mercado de trabalho, há uma maior incidência do tipo de resposta que procura estabelecer a relação de causa-efeito entre a formação e a empregabilidade;
Há um grande acomodamento e fraca propensão à mobilidade geográfica (a falta de emprego na área de residência é apontada como dificuldade de empregabilidade por 28%), a que se pode juntar a falta de experiência (dificuldade apontada por 13%), os quais, somados, são muito mais importantes e justificativos (41%) do que a falta de emprego na área do curso, confirmando em parte algumas das hipóteses aqui avançadas para explicar a situação;
Daqui decorre que a formação avaliada não coincide totalmente com a que é ministrada regularmente nos Centros de Formação Profissional do IEFP, de carácter técnico, em estreita cooperação com o tecido empresarial, dirigida a áreas de identificada carência no mercado de trabalho e com elevado grau de empregabilidade. Os resultados menos positivos do estudo referem-se precisamente às áreas profissionais em que a formação ministrada é mais curta, mais ligeira e menos qualificante de base.

Tal não significa que ensinamentos não haja a retirar para incrementar níveis de eficácia da oferta formativa do IEFP, nomeadamente no que respeita a uma aposta de maior incidência na informação e orientaçao profissional aos jovens do ensino secundário, mais orientada pelas perspectivas de empregabilidade futura (oferta de trabalho pelo mercado) do que pela rejeição da matemática enquanto provocadora de insucessos.

No que toca aos que já estão qualificados, afigura-se por enquanto válida a máxima de que não há licenciados a mais mas sim um crescente desfasamento entre a oferta de cursos e a oferta de trabalho, o que , como é sabido, não é da responsabilidade do IEFP, mas sim das Universidades, cuja autonomia tanto reivindicaram: é altura de mostrarem e assumirem o significado de tal terminologia e entendimento."

Inovar é Preciso: Modelos de cidades

Um texto da autoria do Prof. António Câmara, publicado no semanário Expresso.

Se faz sentido falar em cidades Aerotropolis, que modelo para o desenvolvimento do território português?


"Os países competem através das suas cidades. Eis um tema central para a discussão pública

NUM mundo crescentemente global, um consumidor remoto pode ser mais importante do que o cliente próximo. A acessibilidade (e não a localização) passou a ser o factor decisivo. No mundo digital lidamos bem com este fenómeno. Mas, por cada encomenda por «e-mail» à Amazon há um livro (ou outro produto) que tem que ser transportado de avião. John Kasarda, um professor da University of North Carolina, citado num recente número da revista «Fast Company», refere que o transporte de carga aérea cresceu cerca de 1.395% nos últimos trinta anos. Hoje, cerca de 40% do valor económico de todos os bens produzidos no mundo (representando apenas 1% do peso total) são transportados por essa via.

Deste modo, os aeroportos de grande dimensão são uma peça fundamental deste novo mundo e Kasarda propõe que as fábricas, escritórios, habitações, centros comerciais e escolas sejam construídas à sua volta. A este novo conceito de cidade chama Aerotropolis. Segundo ele, os novos aeroportos de Banguecoque, Hong Kong, e Dubai, e os desenvolvimentos urbanísticos previstos para os seus arredores, mostram que esta ideia está a ser adoptada. Kasarda refere que as Aerotropolis vão permitir a criação de cadeias de abastecimento substancialmente mais eficientes do que as oferecidas por cidades em que os aeroportos têm uma dimensão limitada e estão distantes do seu centro.

Este tipo de cidade contrasta, em absoluto, com a escala humana que associamos a outro modelo alternativo: o da cidade criativa. Antes de produzirmos bens temos que os conceber e o talento criativo não quer certamente viver rodeado por auto-estradas e aeroportos gigantescos. Richard Florida, hoje professor na Georges Mason University, mostra que a acessibilidade do local de residência ao mundo exterior conferida pela presença de um aeroporto internacional tem que estar presente. Mas para atrair talento os factores decisivos são a qualidade de vida e a vibração cultural existente em cidades históricas como Boston, São Francisco, Londres ou Barcelona.

Os países competem através das suas cidades. A estratégia de desenvolvimento económico das nossas cidades (seguindo estes modelos ou outros) deve passar a ser um tema central de discussão pública. Não tem sido."

asc@fct.unl.pt

Prof. da FCT-UNL e presidente da YDreams
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