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“As cidades são colmeias de actividade humana”

No seu livro “Criar cidades sustentáveis” (nº2 dos Cadernos Shumacher para a Sustentabilidade, das edições Sempre Em Pé) Hébert Girardet apresenta-nos a cidade como um ser vivo que para sobreviver tem de acumular recursos, fazer a triagem dos que lhe trarão mais benefícios e mais valias, e eliminar aquilo de que já não precisa, o lixo orgânico e não orgânico.

Conforme vai crescendo, a cidade vai-se tornando numa sorvedora de recursos e numa aglutinadora de necessidades que tende a esgotar os bens à sua volta necessitando, por isso, de se abastecer cada vez mais longe. Esgota assim as reservas que lhe estão mais próximas e muitas vezes as que lhe estão muito distantes.

O autor refere que as cidades são hoje centros de mobilização (de pessoas, produtos, bens) que constituem a matriz do desenvolvimento económico, que nem sempre se tem mostrado coincidente com as necessidades do mundo natural.

As cidades são actualmente o “habitat” humano e a tendência dominante é para que se tornem no local preferencial para o ser humano viver e, devido a isso, devemos analisar o que será preferencial, ter cidades compactas que centralizam serviços e permitem uma poupança de energia e recursos, ou, cidades em extensão, quase sem limite espacial, que permitem construir habitações ajardinadas mas que obrigam a que haja um maior gasto de transporte (e dos recursos associados).

Qual deve ser então o modelo ideal de cidade? Como tornar então a cidade num espaço mais apetecível para viver? Como podemos torná-la sustentável? Como podemos potenciar a qualidade de vida das pessoas no espaço urbano minimizando os impactos ambientais inerentes? Como conseguir uma maior eficiência energética? “Poderão as cidades modernas reduzir o seu impacto na biosfera por processos de auto-regulação e auto-limitação esclarecidos?” (Hébert Girardet)

Estas poderão ser algumas das grandes questões que assolam os espíritos preocupados. São também alguns dos temas que a humanidade discute e precisa de continuar a discutir para o bem da sua sobrevivência e da do planeta.

Enquanto cidadãos do mundo e habitantes das cidades não nos podemos aliar de participar no debate e de desenvolver esforços para contribuir para uma maior sustentabilidade da vida urbana e do ambiente natural. Como alguém dizia “Nós não herdámos a Terra dos nossos pais, pedimo-la emprestada aos nossos filhos”.

in Região Sul Cláudia Luz, Mestre em Gestão Pública