Novos Povoadores®

Apoiamos a instalação de negócios em territórios rurais

Novos Povoadores - Conquistar massa crítica para o interior do país

From iRegions

O dia-a-dia frenético das grandes cidades leva muitas famílias ao desejo de viver no interior do país. A centralização de serviços e do emprego nos centros urbanos «prende» quem lá vive e atrai um número crescente de pessoas. Para trás fica um interior com algumas infra-estruturas mas com falta de gente activa. O projecto Novos Povoadores quer inverter esta tendência e conquistar massa crítica para o interior do país, imprimindo-lhe uma nova dinâmica. Qualidade de vida e desenvolvimento rural são as premissas de um projecto fundado em Trancoso. O Café Portugal falou com Frederico Lucas, um dos responsáveis por uma iniciativa que se completa com Alexandre Ferraz e Ana Linhares.

Café Portugal - O projecto Novos Povoadores tem como principal objectivo desenvolver o interior do país. Fale-nos sobre esta iniciativa.
Frederico Lucas - O projecto Novos Povoadores surge da iniciativa de três amigos com interesse em dinamizar o interior de Portugal. A ideia tem por base um diagnóstico sobejamente conhecido: por um lado um vasto território mergulhado na problemática da interioridade, por outro, duas grandes áreas metropolitanas que concentram grande parte da economia do país, recursos humanos inclusive. Uma situação que urge travar para um maior equilíbrio territorial, fortemente encorajado pelo uso crescente das novas tecnologias e também pelo índice de saturação que vem afectando as pessoas imobilizadas na correria urbana. O projecto procura, por um lado a introdução de massa crítica em territórios de baixa densidade. Fundamentalmente, pretende-se que os Novos Povoadores venham ajudar a dinamizar o território. Com a sua experiência, a sua capacidade empreendedora, o seu dinamismo, vão imprimir um novo ritmo no desenvolvimento das regiões. Por outro lado, a melhoria da qualidade de vida das famílias: as famílias que optam por deixar as áreas metropolitanas beneficiam de todas as vantagens associadas a uma vida mais oxigenada em meio rural.

CP - O empreendedorismo é um dos pontos de referência que a família «Novo Povoador» deve possuir. Na ficha de candidatura pedem uma ideia empreendedora. Esta deve ser apresentada desde logo pelo candidato?
F.L. - Considerando o objectivo do projecto, introduzir massa crítica nos territórios de menor densidade, o factor empreendedorismo é importante e desejável devendo corresponder a uma ideia do candidato. Saliente-se, contudo, que não é indispensável avançar com um modelo de negócio por conta própria para responder aos objectivos do projecto. A própria personalidade dos Novos Povoadores pode gerar dinâmicas que estimulem a economia local. O facto de ter uma participação activa na sociedade civil nos mais variados domínios (lazer e bem estar, desporto, cultura, política) pode efectivamente «energizar» o território e ter um efeito multiplicador junto dos restantes habitantes.

CP - As famílias interessadas podem escolher uma localidade a nível nacional, ou restringem-se a uma região?
F.L. - Na fase experimental os candidatos nomeiam apenas os distritos. A partir de 2011 as famílias poderão definir uma aldeia.

CP - Os Novo Povoadores querem imprimir uma nova tendência no mercado. Existe, contudo, um número limitado de famílias a beneficiar deste projecto?
F.L. - Não existem números fixos. O projecto Novos Povoadores ambiciona acelerar uma tendência pelo que quanto maior o número de candidatos maiores são as probabilidades de identificar as famílias que reúnem as condições para iniciar o processo de mudança. Quanto ao processo migratório é desejavelmente um processo lento dado o nível de compromisso que implica. Tem de se verificar um período de reflexão e amadurecimento da ideia antes de completar o processo. A metodologia de intervenção do projecto Novos Povoadores prevê nesta medida várias visitas ao território com vista à criação de laços com a região que constituirão referências importantes na integração das famílias.

CP - Centremos, agora, a conversa no desenvolvimento regional. O que falta em Portugal para alavancar o país interior?
F.L. - O diagnóstico existe, é exaustivo, multiplicando-se os estudos e planos estratégicos de Norte a Sul de Portugal. Não há um município que não esteja implicado numa estratégia de desenvolvimento supra-municipal. Isto é, no plano teórico, podemos considerar que o país está muitíssimo bem preparado mas não tem existido o incentivo necessário para mobilizar a iniciativa privada a optar pelo interior do país. Um interior infra-estruturado que continua à espera de ser potencializado. Numa economia sem geografia onde o capital intelectual vem conquistando novas fronteiras, onde a inteligência colectiva formata um novo pensamento, a desmaterialização da economia abre um vasto campo de possibilidades também no meio rural. O que falta então? A coesão territorial é um acto de cidadania que a classe política não tem sabido mobilizar. Sem liderança, sem estímulo, sem confiança, dificilmente os actores económicos - motor do desenvolvimento - iniciarão um processo massivo que venha a equilibrar a geografia económica do país. Contudo, há espaço para visionários.

CP - No passado foram já empreendidos projectos como o vosso. O que tem este projecto de desenvolvimento regional que o distingue dos outros e pode torná-lo um caso de sucesso?
F.L. - É um projecto que apresenta uma solução clara a uma problemática complexa. Responde aos anseios de uma população citadina cansada do ritmo frenético e apresenta uma solução inovadora às regiões menos desenvolvidas. Traduz uma visão integrada de desenvolvimento territorial.

CP - As três pessoas envolvidas neste projecto vivem no interior. São já um exemplo de novos povoadores?
F.L. - A ideia surge em Trancoso. Encontrámo-nos nesta bela Aldeia Histórica de Portugal, oriundos de 3 sítios bem distintos. A Ana é de Barcelos, o Alexandre de Pombal e o Frederico de Lisboa. A trajectória pessoal e profissional fez com que optássemos por um ritmo mais tranquilo, pelo que sim, somos Novos Povoadores.

in Café Portugal, Sara Pelicano

Quem tem telhados verdes... poupa na energia



por ANA BELA FERREIRA
DN - 31-05-2009

A Suécia é um dos países mais ecológicos do mundo. A sua consciência verde começou a ser trabalhada há décadas, e hoje em dia todos separam o lixo e trocam o carro pela bicicleta ou pelos transportes públicos sem reclamar. Aqui existem ainda bairros ecológicos e sustentáveis com jardins nos telhados, que servem para manter as casas quentes.

E se pudesse escolher, desenhar e mudar o bairro onde vive ao seu gosto? Os habitantes da zona problemática de Augustenborg, em Malmö, Suécia, puderam fazê-lo há 11 anos e agora vivem num dos bairros mais ecológicos do mundo. Aqui o que conta são os pormenores baseados nos desejos dos habitantes.

As casas têm jardins nos telhados, 14 centros de reciclagem, uma escola e um lar para idosos que fabricam a energia que gastam e parques infantis desenhados pelas crianças. A vontade dos mais novos foi ouvida até para a criação de um "hotel para coelhos", um local onde estão mais de cem coelhos que pertencem às crianças de Augustenborg que não podem ter animais de estimação em casa.

Os três mil habitantes desta área são até mais saudáveis do que os restantes habitantes de Malmö, segundo a convicção de Louise Lundberg, da Associação Telhados Verdes Escandinavos. É que além dos jardins em frente das casas, este bairro tem jardins no telhado.

Uma inovação que permite manter o interior quente e que ajuda a absorver grande parte da água da chuva - um problema da zona até à reconstrução. Estes telhados são ainda "uma forma de proteger alguns ecossistemas que as cidades destruíram", defende Louise Lundberg, enquanto mostra os telhados verdes que constrói.

O único senão desta aplicação amiga do ambiente é o preço. A instalação custa 500 a 900 euros por metro quadrado. De resto, este será provavelmente o único dinheiro gasto, pois os telhados-jardins não precisam de manutenção. O solo apenas precisa de ser fertilizado de dois em dois anos e as plantas escolhidas não deixam crescer ervas daninhas e mantêm-se pequenas.

Além dos telhados, todos os edifícios têm outras características que os tornam sustentáveis do ponto de vista ambiental. Para lá dos tradicionais painéis solares para aquecimento e painéis fotovoltaicos para gerar electricidade, as casas recebem energia produzida pelo tratamento do lixo gerado no bairro, que também produz biogás, que alimenta as casas e os transportes públicos.

Um dos exemplos do funcionamento do sistema é a escola de Augustenborg, onde estudam 80 crianças. O espaço tem painéis solares, tintas não poluentes, telhados verdes, sistema inteligente de ventilação e iluminação (que se accionam só quando alguém está na sala).

Esta escola sem muros nem vedações, rodeada por jardins cuidados, e onde os alunos têm aulas no exterior, está construída por módulos, podendo assim ser deslocada de forma separada. "Se a escola for grande de mais para o número de alunos e outra escola precisar de mais espaço, pode deslocar-se um módulo daqui", explica a técnica dos telhados verdes.

Mas se este espaço onde as crianças circulam descontraidamente de jardim em jardim resultou de uma reconstrução financiada pela União Europeia e pela empresa de construção, outros na Suécia foram construídos de raiz a pensar no meio ambiente.
Malmö tem um desses bairros, mas o mais famoso é o Hammerby Sjöstad, em Estocolmo. Esta zona da cidade começou a ser planeada em 1990 para ser a aldeia olímpica de 2004, com a ideia de fazer os Jogos Olímpicos mais limpos de sempre, que acabaram por se realizar em Atenas.

"O objectivo desta construção é que 50% da energia consumida pelos habitantes seja produzida por eles", refere Melina Karlsson, do centro de informação do bairro.
Num cubo de vidro com vista para a zona, a técnica faz questão de sublinhar que as rendas não ultrapassam os 600 euros por mês, que as casas pertencem ao município e que usam tecnologia semelhante à do bairro de Augustenborg.

Enquanto isso, o pouco calor que se faz sentir leva dezenas de crianças a aproveitar a água das fontes instaladas nas ruas de Hammerby. Provavelmente ainda não sabem, mas estas crianças estão a contribuir para um planeta mais verde e menos poluente

Évora: Primeiro Município a acolher Novos Povoadores

Foi com enorme satisfação que participámos no primeiro anúncio público de adesão ao nosso projecto.

Foi ontem apresentado no Salão Nobre da Autarquia Éborense o projecto Novos Povoadores à Comunicação Social, pelo autarca José Ernesto d'Oliveira.

Évora vive um momento interessante da sua história face aos projectos de instalação do cluster aeronáutico no seu território.

Trata-se de uma cidade com população jovem fruto da sua universidade, com uma arquitectura rasteira e com as "melhores noites do mundo" segundo o autarca!

A ligação a Lisboa pela A6 facilitam-lhe a conectividade.

Para os autores deste projecto é uma enorme honra o acolhimento que receberam desta cidade.

CoWorking



Alguns são estilistas, outros programadores e outros escritores, mas todos estão unidos por um mesmo motivo: cansados do isolamento e de trabalhar na solidão de suas casas, decidiram compartilhar um escritório.

Trata-se do coworking, uma tendência cada vez mais popular nos Estados Unidos e que consiste em compartilhar o espaço de trabalho com outros profissionais, mesmo que não pertençam à mesma empresa nem realizem tarefas parecidas.

Os locais de coworking estão ganhando adeptos à medida que cresce no país o número de autônomos e de pessoas que trabalham em casa.

Segundo as últimas informações fornecidas pelo escritório federal de estatística, entre 2000 e 2005 foram registradas mais 4 milhões de empresas compostas por apenas uma pessoa.

Paralelamente, o aumento do preço da gasolina está encorajando muitos trabalhadores dos Estados Unidos --onde é habitual viver a muitos quilômetros do escritório-- a negociarem com suas empresas para poder trabalhar parcialmente em casa.

Calcula-se que cerca de 26 milhões de americanos trabalham em seus domicílios pelo menos um dia por semana, o que equivale a 18% da população empregada no país.

Entretanto, ter o escritório a poucos metros do sofá também cansa. A falta de companheiros e de uma clara divisão entre o espaço de trabalho e lazer pode ser psicologicamente dura para muitas pessoas.

Uma solução simples e econômica é o "coworking". Os locais que oferecem esse serviço estão se multiplicando nas grandes cidades americanas.

Com tarifas que ficam em cerca dos US$ 250 por mês, estes lugares oferecem mesa, conexão de internet, café de graça e, o mais importante, a possibilidade de se relacionar com outros profissionais na mesma situação.

Tendência forte

Por um pouco mais de dinheiro as pessoas podem usar outros serviços como salas de reuniões e até uma mesa cativa ou o acesso ao local a qualquer hora do dia.

Na Sandbox Suites, um dos muitos locais de San Francisco dedicados ao coworking, as tarifas variam de US$ 20 por dia para os visitantes esporádicos a até US$ 545 por mês para aqueles que querem dispor de uma escrivaninha própria permanente.

"Desde que comecei a trabalhar aqui, há cinco meses, o número de visitantes não parou de crescer e não parece que a tendência vá mudar", diz Dominick Del Bosque, um dos responsáveis pela Sandbox Suites e produtor de cinema independente.

Muitos dos clientes assíduos da Sandbox Suites costumavam trabalhar antes em cafés, mas, segundo Del Bosque, passaram para o coworking após a primeira visita ao local.

"Para começar, nós oferecemos conexão à internet e todos os serviços de um escritório, mas, sobretudo, aqui as pessoas encontram proximidade com outros. Em um Starbucks o profissional ficará cercado de pessoas que não têm interesse algum no que você está fazendo", declarou.

Um dos freqüentadores da Sandbox Suites é David Pascual, espanhol estabelecido em San Francisco que trabalha para o site YourStreet.com.

"Em nossa empresa, estamos espalhados pelo mundo. Aqui, somos apenas dois", diz ele. "Para uma pequena companhia com interesse em fazer contatos, é positivo ter um espaço no qual pode colaborar com mais pessoas e, além disso, é mais barato que alugar um escritório."

Como David Pascual, muitos visitantes habituais da Sandbox Suites têm ocupações ligadas à internet, para as quais o lugar físico de trabalho é secundário.

"Até certo ponto, eu poderia trabalhar até de Barcelona", reconhece Pascual, "mas estar aqui me oferece a possibilidade de ter um ambiente no qual seja possível me conectar a outros e fazer crescer um pouco o negócio".

FONTE: Folha Online

in Vida Curiosa

Agricultura Biológica

Os territórios de interior têm potencialidades ainda não devidamente valorizadas. A agricultura biológica pode ser uma delas promovendo a sustentabilidade destes territórios.

A agricultura biológica procura alcançar o equilíbrio e biodiversidade dos sistemas agrários, excluindo a quase totalidade de produtos químicos de síntese, protegendo a fertilidade do solo, minimizando a utilização de recursos não renováveis e recorrendo sempre que possível a recursos renováveis locais.

De acordo com o estudo Mundo da Agricultura Biológica 2007 o valor das vendas globais de alimentos e bebidas biológicos aumentou 43% entre 2002 e 2005.

Saiba mais em:

http://www.agrobio.pt/agricultura_biologica.php

http://www.confagri.pt/PoliticaAgricola/Temas/AgriculturaBiologica/ProdutosRegrasObrigacoes.htm

http://ec.europa.eu/agriculture/organic/organic-farming_pt



Também a Permacultura – Permanent agriculture – procura a planificar e construir, positiva e globalmente, habitats humanos em harmonia com a natureza. Baseia-se em 3 princípios éticos: cuidar da natureza, cuidar das pessoas e limitar o consumo. Em Portugal existem já alguns projectos em desenvolvimento.


Saiba mais em:


http://www.nelsonavelar.com/permacultura/index_permacultura.htm

http://www.nelsonavelar.com/permacultura/permacultura_projectos.htm

http://www.portugalpermaculture.blogspot.com/

Arquitectura Sustentável



Quem pretende mudar algo de importante na sua vida - como é o caso de um processo migratório - possui geralmente motivações muito fortes.
A sustentabilidade ambiental e familiar estão entre os factores mais referidos pelos candidados ao processo migratório.

Partilhamos por isso o link de um interessante gabinete de arquitectura altius.net que identificámos recentemente.

Boas ideias!

As Escolas matam a criatividade?

Dia do empreendedor



Celebrámos no dia 1 de Maio o dia do trabalhador. Trata-se duma celebração importante e que sublinha um caminho longo de conquista da dignidade do trabalho no contexto social.

Uma reflexão mais profunda sobre o significado da celebração leva-nos no entanto a constatar que o espectro daquilo que pode ser considerado trabalho é hoje muito mais alargado do que era há algumas décadas e do que era em 1886 quando os trabalhadores de Chicago se rebelaram em defesa da jornada de oito horas de trabalho.

A dicotomia trabalho / capital mantém-se actual em muitos domínios e sectores, mas é hoje complementada por outras realidades cada vez mas importantes como o trabalho de âmbito social, o trabalho por conta própria ou as múltiplas formas de “trabalho” empreendedor.

Sem reduzir a importância e simbolismo do dia do trabalhador, a nossa sociedade deve encontrar uma forma de celebrar de forma mais clara as atitudes empreendedoras que cruzam uma dimensão ética de trabalho e de capital, gerando riqueza e oportunidades de desenvolvimento.

As sociedades modernas distinguem-se pelo capital acumulado de conhecimento, tecnologia e capacidade inovadora, mas também pela confiança e pelo risco com estão dispostas a tirar partido do capital social para gerar dinâmicas de progresso.

A economia sustentável que vai emergir com maior ou menor dificuldade da actual crise que atravessamos vai continuar a precisar muito de investidores e de trabalhadores, mas terá como “pivots” os empreendedores, estejam eles onde estiverem nas várias categorias sociais que se vierem a formar.

Acredito que mais cedo ou mais tarde teremos um dia mundial dedicado à celebração das atitudes éticas e empreendedoras. Não tenho a veleidade de o propor. Apenas assinalo uma tendência que gostaria que se viesse a concretizar, mas que antes de ser consagrada num dia comemorativo, se tem que afirmar nos comportamentos e nas decisões quer tomamos em cada dia, fazendo dele um dia do empreendedor que há em cada um de nós.

in Fazer Acontecer, Carlos Zorrinho
image from knol

Portugal na rota do Outsourcing



Empresas do sector pretendem criar 10.000 postos de trabalho nos próximos sete anos

A Associação Portugal Outsourcing (APO) quer colocar o nosso país no mapa mundial dos locais que prestam serviços BPO (Business Process Outsourcing). A prioridade é captar clientes de outros países europeus que querem deslocalizar as suas operações e processos de negócio para Portugal (nearshore), tirando partido da proximidade e das diminutas diferenças culturais (em comparação com a Índia ou a China). Segundo Frederico Moreira Rato, presidente da direcção da APO (em representação da Reditus), se esta estratégia for bem sucedida vai ser possível criar nos próximos anos 10.000 postos de trabalho, muitos dos quais fora das grandes cidades. A associação pretende que o sector seja responsável por 1% do produto interno bruto (PIB) nos próximos sete anos, contra os actuais 0,34%. Actualmente, o valor da área de outsourcing cifra-se em €561 milhões, o que está muito abaixo da média europeia (0,61%) e dos países que apostaram forte nesta área. Por exemplo, no Reino Unido representa 1,4% do PIB e na Roménia pesa 2,8%.


Frederico Moreira Rato vai dialogar com o Governo

Muito mais do que simples centros de contacto telefónico, os 15 membros da APO — entre os quais estão empresas nacionais e internacionais como a Accenture, Cap Gemini, Delloite, Glintt, IBM, Indra, Logica, Novabase, Portugal Telecom ou Reditus — pretendem trazer para Portugal centros BPO. Ou seja, pretendem deslocalizar para o país processos de negócio de médias e grandes organizações. Uma transferência que pressupõe a existência de organizações com as melhores práticas e recursos humanos qualificados. “Para que o sector seja bem sucedido, haverá fortes investimentos em formação e qualificação dos trabalhadores”, sublinha Moreira Rato.

Curiosamente, o actual contexto de crise económica até poderá ser vantajoso para o sector. “Há muitas organizações que estão a usar o outsourcing para se adaptarem aos tempos difíceis, na medida em que permite transformar custos fixos em variáveis e obter maior eficiência e qualidade de serviço”, adianta o presidente da APO.


Código de conduta

Mas, para que Portugal se posicione como um destino credível para serviços BPO, a associação (que já representa 81% do mercado nacional) está a procurar que os seus associados adoptem as melhores práticas, de forma a evitar que o bom nome do país no sector possa ser prejudicado pela existência de prestadores com menor qualidade de serviço. “Queremos evitar que uma maçã podre contamine as outras”, diz Moreira Rato. Para o efeito, foram constituídos diversos grupos de trabalho que vão elaborar um código de conduta (coordenado por Fernando Resina da Silva) e enviar propostas ao Governo para criar uma regulação específica ao nível dos contratos de trabalho (tarefa a cargo de Cavaleiro Brandão e Bagão Félix) e da fiscalidade (António Lobo Xavier). “Para sermos competitivos face aos concorrentes, será necessário adaptar o actual quadro fiscal e flexibilizar formas de contratação”, defende o presidente da APO.

A associação quer também promover a adopção do outsourcing na administração pública e está a fazer um estudo de benchmark (comparação) internacional, coordenado por Álvaro Ferreira, em que participará a AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal). “Queremos identificar as vantagens de Portugal para os clientes estrangeiros, nomeadamente da Europa”, refere Moreira Rato.

Para debater estes problemas e colocar em realce as vantagens do país no outsourcing (ver caixa), a APO vai realizar este ano a primeira conferência anual, que trará a Portugal diversos especialistas internacionais, e desencadear um diálogo com o Governo, nomeadamente com Carlos Zorrinho, gestor do Plano Tecnológico.

João Ramos jramos@expresso.impresa.pt



BARREIRAS

LEIS DO TRABALHO

Modelo de remuneração rígido e falta de flexibilidade na contratação. A legislação do trabalho dificulta a prestação de serviços para o estrangeiro

FISCALIDADE

IVA e IRC em Portugal é dos mais elevados da Europa, o que retira competitividade ao sector. E, ao contrário de outros países, não existe regime específico para o outsourcing

CULTURA

Existe uma percepção negativa do outsourcing na opinião pública, ao nível da protecção do emprego e de direitos laborais

IMAGEM

Portugal continua a não ser encarado como uma primeira escolha pelos potenciais clientes internacionais

NÚMEROS

561 milhões de euros é o valor actual do negócios de outsourcing em Portugal, dos quais €267 milhões são de tecnologias de informação e €294 milhões são de BPO)

43 mil postos de trabalho de outsourcing em Portugal são as previsões para 2015, graças ao forte incremento do negócio externo

VANTAGENS

RECURSOS HUMANOS

Disponibilidade de elevada quantidade de recursos humanos qualificados com salários competitivos

FLEXIBILIDADE

Capacidade inata dos portugueses em se adaptarem a outras culturas e facilidade aprendizagem de outras

TELECOMUNICAÇÕES

Rede de banda larga com cobertura e qualidade dentro dos parâmetros dos países mais desenvolvidos

CUSTOS

Em relação a outros países europeus, Portugal tem preços competitivos ao nível de mão-de-obra e de instalações

ESPAÇO EUROPEU

Mobilidade da força de trabalho, bens e capitais é facilitada pelo facto de Portugal fazer parte da zona euro e do espaço Schengen

in EXPRESSO

Uma revolução silenciosa

From Inovação & Inclusão

por António Bob dos Santos

Nos últimos anos temos assistido a uma penetração cada vez maior das novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) no nosso dia-a-dia. Se está a ler este artigo é provável que possua pelo menos um telemóvel (possivelmente com acesso à Internet), um computador (provavelmente portátil), que entregue a sua declaração de impostos pela internet (bem como utilize outros serviços públicos online) e que esteja inserido numa ou mais redes sociais (Facebook, Hi5, Orkut, Twitter, Linkdin, etc.). Embora esta não seja ainda uma situação igual para todos os portugueses, há segmentos da população onde esta realidade é mais evidente. Por exemplo, cerca de 85% dos jovens entre os 10 e 15 anos são utilizadores de telemóvel (62% em 2005)[1], mais de 90% utilizam regularmente a Internet, e uma percentagem muito elevada frequenta as redes sociais. O mesmo se passa na faixa etária dos 16-24 anos, onde, por exemplo, o número de utilizadores da Internet passou de 64% em 2004 para cerca de 90% em 2008[2]. É esta geração que irá entrar no mercado de trabalho daqui a poucos anos; não serão apenas consumidores de serviços online e de gadgets, mas também produtores e construtores de uma nova realidade, aproveitando as oportunidades da Web 2.0 e da futura Web 3.0. Trata-se também de uma geração ao mesmo nível que o resto dos jovens europeus no que respeita ao acesso às tecnologias de informação e comunicação (TIC). O grande desafio será na utilização dessas mesmas tecnologias, na capacidade de as usar para acrescentar valor ao que já existe. E essa capacidade pode ser “aprendida” e estimulada pelos professores, pela família, mas principalmente pelos seus pares, ou seja, pelo contacto com os milhares de jovens que em todo o mundo acedem à Internet e às redes sociais.

Nunca como agora foi possível aceder e também participar na construção de redes globais de conhecimento, de partilha, de interacção. Contudo, se hoje as nossas sociedades são cada vez mais globais e interligadas, muito devido ao desenvolvimento das TIC, há também uma tendência para que as diferenças e as especificidades de cada um tomem uma importância sem precedentes. As dinâmicas globais estimulam também a construção de “personalidades” cada vez mais diferenciadas, dada a facilidade de acesso à informação e aos conteúdos que mais nos interessam. É fácil hoje em dia construirmos os nossos próprios espaços na rede global, com ou sem limites, dado que somos nós que os definimos. É por isso que acredito que os jovens que actualmente “vivem” na Internet estão silenciosamente a construir uma sociedade mais heterogénea, multicultural, multifacetada e mais criativa, elementos propícios a uma dinâmica de progresso e de inovação.

Creative Commons License

[1] Cardoso, Gustavo, Rita Espanha e Tiago Lapa (2008), E-Generation 2008: Os Usos de Media pelas Crianças e Jovens em Portugal, CIES-ISCTE

[2] INE/UMIC, Inquérito à Utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação pelas Famílias 2002 - 2008.
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